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Bem vindo!Esta página está sendo criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




quarta-feira, 26 de março de 2014

Rosmaninho

Nesse tempo quaresmal, um odor campestre exala de nossos templos católicos: é o rosmaninho, ou como diz povo, rosmanim.

É um velho costume, sobretudo da Semana Santa, esparramar no assoalho das igrejas, por todo o tabuado, folhas desta planta, que aromatizam o ambiente, contribuindo para a atmosfera reflexiva que este ciclo religioso reclama para si. Os altares laterais e os passinhos também ganham seus ramos, e já os vi também em grutas da cidade. 

Alguns devotos também esparramam suas folhas em casa, acreditando numa bênção especial para o lar. Outros mais, nos terreiros de religiões de matriz africana, também o fazem na área de cerimônias, sendo considerado uma erva de Oxalá. 

Florada do rosmaninho 
(Hyptis carpinifolia, lamiaceae)
Para o homem do campo,
sua presença denuncia terras férteis. 
A tradição manda colhê-lo na madrugada da Quinta-feira de Trevas (quinta-feira da Semana Santa), antes do sol sair, quando seus ramos estão molhados pelo orvalho, tido por sagrado nesse dia. Desfolha-se antes do meio-dia (12 horas, "hora aberta"...), sobre o chão já previamente varrido e deixa-se ali até o romper da Aleluia, no Sábado Santo. Durante esse período é interditada a varrição. 

Pode-se também guardar os ramos para banhos de descarrego ou enfeitar oratórios, pondo-os em jarras. 

Na frente das igrejas na Sexta-feira da Paixão em São João del-Rei não faltam os vendedores de ervas, populares que ofertam molhos de rosmaninho, arnica, manjericão, alecrim e outras ervas aromáticas ou medicinais, como as congonhas. Credita-se a elas um alto poder curativo se trazidas para casa nesse dia. Daí o povo da zona rural sair de madrugada ou bem cedo na manhã para os campos, subir morros e adentrar vales à caça de folhas e raízes medicinais, formando em casa um pequeno estoque ou farmácia caseira capaz de, ao longo do ano, suprir necessidades medicamentosas. Ao término da tarefa é costume se recolher a família a um lanche modesto à guisa de pique-nique, ou na reza de um terço, para só depois voltar à morada. 

O valor místico dessa erva é tal na concepção popular, que diz um ditado nessa região: “quem passar pelo rosmaninho e não cheirar, para o céu não irá” ou "(...) Jesus não salvará" ou ainda,"quem passou pelo rosmaninho e não cheirou, da Paixão de Jesus Cristo não se lembrou". 


Notas e créditos

 * Texto e foto (2002): Ulisses Passarelli

2 comentários:

  1. voc^e sabe me dizer qual a especie desta planta? ou outro nome popular...obrigado

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    1. Infelizmente não consegui identificá-la. E por aqui é muito popular e todos a chamam apenas rosmaninho. Desconheço sinônimos. Agradeço a visita.

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