Bem vindo!

Bem vindo!Esta página está sendo criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




domingo, 10 de setembro de 2017

Alguns acessórios em carros de bois

Dando seguimento à exposição de fotografias de carros de bois, flagrados durante o primeiro encontro em São João del-Rei, seguem mais sete imagens referentes a alguns acessórios habitualmente usados pelos carreiros. 

1- Chave de apertar cocão.
                                                             
2- Azeiteiro feito de chifre bovino, com tampa metálica: 
depósito de azeite de mamona, lubrificante dos cocões. 

3- Varas de ferrão. 

4- Detalhe das argolas trespassadas no aguilhão.
5- Azeiteiro improvisado com garrafa pet; um pincel se presta a passar o azeite. 
6- Garrafa térmica: café para carreiros e candieiros. 

7- Cantil feito de cabaça, envolto por malha de cipó; arrolhamento por sabugo de milho; caneca de alumínio.

Notas e Créditos

* Texto e acervo: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Ulisses Passarelli (1-3) e Iago C.S. Passarelli (4-7); 20/08/2017

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

São Pedro e a alma do fazendeiro

Um certo cidadão, fazendeiro, se orgulhava de não perder as missas dominicais e as festivas. Se vangloriava disso e fazia questão de contar a quantas já tinha ido ao longo da vida, pois a cada uma delas, guardava um grão de milho dentro de uma garrafa como meio de contagem. 

Era seu costume ir para as celebrações encontrar os amigos, compadres e vizinhos, na intensão de com eles conversar ao término para fechar negócios de compra e venda e negócios de barganha (troca) _ vacas, cavalos, etc. Suas preces, aliás, habitualmente clamavam por bons negócios. 

Foi então, que certa vez, na hora que ia sair para a missa chegou-lhe notícia que uma de suas melhores vacas tinha atolado no brejo. Correu com os empregados e com algum esforço conseguiu salvá-la. Trocou a roupa e correu para a missa, mesmo atrasado. Chegou na hora que o padre elevava a hóstia na consagração e de joelhos agradeceu muito. 

Como de costume, ao chegar em casa, pegou um grão de milho para guardar na garrafa de marcação do número de missa assistidas. Mas como era honesto, pensou consigo mesmo que não seria válida a contagem pois chegara atrasado; então, partiu o grão e só pôs na garrafa metade de um milho. 

Continuou sua rotina, até que chegou o dia de sua morte. Quando sua alma chegou ao céu se apresentou a São Pedro, que não quis permitir sua entrada. Protestou que era uma injustiça pois fora muito religioso, não perdera uma missa dominical a vida toda. O santo questionou e a alma do fazendeiro retrucou que tinha como provar, bastasse observar as garrafas que deixou na terra cheias de grãos de milho, cada grão contando uma celebração assistida. São Pedro mostrou-lhe umas garrafas de lado e perguntou se eram aquelas. A alma do fazendeiro as reconheceu e o santo mandou-lhe abri-las e contar os grãos e qual foi a surpresa daquela alma ao abrir todas as garrafas: encontrou-as vazias, exceto por uma delas, na qual só encontrou meio grão.

Aturdida, a alma ouviu do santo "Chaveiro do Céu", que o meio grão correspondente à meia missa que assistira, fora em verdade a única válida em toda a sua vida, pois somente nela manifestara gratidão; em todas as outras missas fora apenas pedir e com a segunda intenção de estabelecer negócios com os amigos... 

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Informante: José Isaías, Madre de Deus de Minas/MG, 01/09/2017


domingo, 27 de agosto de 2017

Nomenclatura das peças de um carro de bois

Ajôujo – amarrilho estabelecido entre os dois bois de uma junta, através de uma torcida de tiras de couro ou uma correia, presa nas argolas que trespassam as pontas dos chifres: o chifre direito do boi da esquerda ao chifre esquerdo do boi da direita da junta. O ajôujo não permite que os bois ponham a cabeça em posição divergente um em relação ao outro.

Argola – peça de ferro, circular, vazada, usada para trespassar cordas, correias, ganchos de correntes. É usada tanto nas pontas dos chifres dos bois quanto na parte inferior da mesa do carro. Neste caso, serve para atrelar uma junta nas descidas fortes, frenando o carro muito carregado.

Aro – cinta metálica ao redor da madeira da roda para proteger a madeira. Antigamente era frequente o aro ter vários pinos metálicos (cravos) para impedir deslizamento da roda nas descidas íngremes e escorregadias (“roda cravada”).

Arrêia – travessa de madeira por baixo da mesa, cujos extremos se inserem em orifícios escavados na chêda. As arrêias tem papel estrutural por sua posição transversal às chêdas, mantendo-as equidistantes e suportando as tábuas da mesa.

Braçadeira – corrente estabelecida entre os dois bois de uma mesma junta, pescoço a pescoço, unindo-os através dos canzis.

Brocha – trançado de couro que uni o canzil direito ao esquerdo por baixo do pescoço do boi.

Cabeçalho – peça reta de madeira, longa, que corre pelo centro da mesa até o extremo oposto, ao qual se atrela os bois.

Cabongueira – segmento do eixo entre a face interna do rodado e o cocão.

Cambão – corrente que une uma junta à outra. Substitui a tiradeira.

Cambota – duas peças mais externas do rodado, em forma de meia lua.

Canga – peça em madeira com curvatura para se ajustar à anatomia da nuca dos bois, unindo-os numa mesma junta. Jugo.

Canzil – peça denteada que trespassa verticalmente a canga e se posta em paralelo de cada lado do pescoço do boi.  

Cavilha – trava de madeira trespassada. A pronúncia corriqueira é “cavia”.

Chaveia – pino de madeira na ponta do cabeçalho, usado para atrelar uma junta de bois de coice.

Chaveta – alça de ferro na ponta do cabeçalho.

Chêda – borda da mesa do carro de cada lado. Lateral do carro.

Chumaço – peça entre os dois cocões, que os ajusta ao eixo, contribuindo de maneira significativa para seu som característico. De ordinário se usa uma madeira mais macia que a dos cocões, tais como aroeira fria e sangra d’água, que favorecem o cantar do carro, mas  por outro lado, obrigam substituição mais frequente da peça.

Cocão – peça côncava de posição vertical, que prende o carro ao eixo. Os cocões são postos aos pares, de ambos os lados.

Eixo – peça horizontal maciça que une os rodados, de confecção difícil pela necessidade de equilíbrio das forças e dimensionamento adequado. As madeiras prediletas são a sucupira e a pereira; por vezes se usa canela e garapa.

Esteira – trançado de taquaras passado pelos fueiros sobre as chêdas, rodeando a mesa para delimitar a área de carga. Esteira de segurar a carga.

Fueiro – pau tosco de ponta lavrada a facão, que se finca verticalmente em perfurações da chêda, delimitando a lateral do carro. Os fueiros sustentam a esteira e na ausência desta, a própria carga.

Meião – peça central do rodado, entre as duas cambotas. Habitualmente pronunciam “mião”.

Mesa – a superfície do carro onde vai a carga.

Óculos – duas perfurações paralelas nos rodados, com a função de dar vazão à agua e lama na travessia de atoleiros, ajudando que o carro não agarre.

Orelha – travessa de madeira no extremo do cabeçalho de alguns carros, transversal ao mesmo, ou seja, horizontal. Substitui o pigarro.

Pigarro – peça vertical no extremo do cabeçalho para se atrelar a junta de coice.

Rodado – a roda do carro de bois.

Rosário – conjunto de pinos em disposição circular ao redor do rodado, que dizem fortalecê-lo.

Sôgra – corda estabelecida entre as cabeças dos bois de uma junta, substituindo o ajôujo.

Tamoeiro – trançado de couro que prende o centro da canga à ponta do cabeçalho ou à tiradeira.

Tiradeira – peça reta de madeira com um pino de travamento usada para atrelar uma junta à outra. Substitui o cambão. 











Notas e Créditos

* Texto e fotografias: Ulisses Passarelli, (20/08/2017 - durante o 1º Encontro de Carros de Bois de São João del-Rei)
**Informantes: Domingos Gonçalves (Elvas), Jonas Santos (Rio das Mortes), Joaquim Henrique (Prados), José Marcos de Oliveira (Brumado de Cima).

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A Procissão de São Gonçalo do Amarante

A comunidade do antigo Caburu, atual São Gonçalo do Amarante, um dos distrito de São João del-Rei festejou o padroeiro neste mês de julho, concluindo no último final de semana, após novena e celebrações, com a animação de costume. Tanto sábado (dia 22, consagrado ao Sagrado Coração de Jesus) quanto o domingo (dia 23, consagrado a São Gonçalo do Amarante) tiveram sua alvorada festiva com sinos e fogos de artifício (matinas). Além dos tradicionais leilões de prendas o sábado contou com encontro de violeiros, como consta na programação. São Gonçalo do Amarante é o protetor dos violeiros, posto que, registram as crônicas, ele próprio era exímio músico com uma viola aos braços. Pela programação observamos que a missa festiva do domingo contou com a participação de um coral sertanejo.

A procissão ao cair da tarde contou com a organização da Irmandade do Santíssimo Sacramento, cujos participantes vestidos com opas cuidaram com esmero do andamento do préstito religioso. 

O andor de São Gonçalo do Amarante, belíssima imagem, ricamente ornado de flores naturais, vinha antecedido pelos andores do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, todos ornamentados com primor. 

A parte musical ficou a cargo da Corporação Musical Santa Cecília, banda de música vinda de Ibituruna. É mister destacar que a distante cidade também está sob o padroado do mesmo taumaturgo e prestou forte apoio com a presença de vários paroquianos e do próprio pároco, Padre Sílvio Firmo do Nascimento, que junto ao Pároco do Senhor dos Montes, Padre Ilton de Paula Resende, paróquia à qual se subordina a Igreja do Caburu, cuidaram, ambos, da sagrada missão festiva. 

A população local, sitiantes e visitantes, todos se reuniram na festividade. As ruas foram enfeitadas com cordões de fitas amarelas e vermelhas (como rabiolas de pipas); das janelas pendiam belas colchas; dos parapeitos vasos floridos saudavam a passagem dos andores; diante de algumas casas pequeno altares armados sacralizavam a via. Preces e música se intercalaram. A identidade festiva do povo amarantino estava à flor da pele. 

A chegada foi empolgante, sem faltar abundante foguetório muito bem elaborado e repiques de sinos. Dentro da igreja antiquíssima (de 1732, talvez antes), houve a bênção do Santíssimo Sacramento e a seguir, graças à coordenação da equipe vinda de Ibituruna, uma animada e concorrida dança de São Gonçalo, com participação geral. 

Doravante, a comunidade se preparará para a mais destacada festa anual do distrito: a do Rosário, no segundo domingo de outubro, quando a centenária guarda de congo vem às ruas no festejo do reinado, recepcionando os congados visitantes. Vale a pena prestigiar! 


Andor de São Gonçalo do Amarante. 

Membros da irmandade conduzindo o andor do padroeiro. 

Bandeira do Apostolado da Oração e imagem do Sagrado Coração de Jesus. 

Anjos de procissão: religião se aprende de pequeno. 

Em alas, as lanternas puxam as filas de devotos; ao centro, o cruciferário
antecede ao andor de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Moradores enfeitam as fachadas. 

O andor do Sagrado Coração de Jesus balanceia nos braços fiéis;
o casario emoldura o cenário. 

A procissão serpenteia pela Travessa Cava Funda.
A população se irmana e identifica no padroeiro. 

A banda tipifica a procissão do interior mineiro; não pode faltar... 
Cartaz da festa, papel couché, 30 x 42cm. 

Notas e Créditos

* Texto e acervo: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 23/07/2017
*** Para saber mais sobre esta devoção católica leia neste blog: SÃO GONÇALO DO AMARANTE

sábado, 22 de julho de 2017

Folias na Festa do Divino 2017

Nesta postagem foram selecionados alguns vídeos referentes à participação dos grupos de folia na Festa do Divino de 2017, quando no sábado, 03 de junho, véspera de Pentecostes, participaram da Procissão do Imperador Perpétuo cantando através do Centro Histórico desde a Igreja de São Francisco de Assis até o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. 


Folia do Antônio Ventura, Rua São João, Bairro Tijuco,
São João del-Rei

Folia do João Matias, Bairro Guarda-mor,
São João del-Rei

Folia do Didinho, Bom Pastor, Bairro Matosinhos,
São João del-Rei

Folia do Geraldo Elói, Águas Férreas, Bairro Tijuco,
São João del-Rei

Folia da Lilia, Jardim São José, Bairro Tijuco,
São João del-Rei

Folia do Natal, Elvas, Tiradentes

Folia do Pedro Paulo, César de Pina, Tiradentes

Folia do Celso Antônio, Coqueiros, Nazareno

Notas e Créditos

* Texto e acervo: Ulisses Passarelli
** Vídeos: Iago C.S. Passarelli
*** Obs.: também esteve presente na festa deste ano a Folia "Embaixada Santa", da Caieira (Bairro São Judas Tadeu), São João del-Rei, da qual, infelizmente não dispomos de vídeo referente a 2017. 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Festa do Rosário em Ibituruna, 2017 - parte 2

Dando sequência ao breve registro da festa em honra a Nossa Senhora do Rosário da cidade de Ibituruna/MG, segue mais algumas fotografias e links de acesso a vídeos de grupos regionais presentes no dia maior, 02 de julho de 2017. 


Congo de Bom Sucesso:
diante do mastro, o capitão retira o chapéu e respeitosamente bate o tamborim. 

Jovens dançantes do congo de Carrancas aproveitam o intervalo
para um breve descanso. 

Congadeiro estica o fole e anima o catupé da cidade de Lavras. 

Passagem do catupé da cidade de Perdões, enchendo de colorido, fé e musicalidade as ruas. 

Catupé de São João del-Rei, do Bairro Matosinhos. 

Moçambique Santa Efigênia no adro da matriz, reunindo dançantes de
São João del-Rei e Santa Cruz de Minas. 
 
Catupé de São Sebastião da Estrela (Santo Antônio do Amparo/MG)

VÍDEOS: 


Moçambique, Baliza (Santo Antônio do Amparo/MG)

Moçambique, Baliza (Santo Antônio do Amparo/MG)

Moçambique, Machados (Perdões/MG)

Moçambique, Machados (Perdões/MG)

Moçambique, Machados (Perdões/MG)

Moçambique, Macaia (Bom Sucesso/MG)

Congo, Ibituruna /MG

Marujos, Dores de Campos /MG


Notas e Créditos


* Texto e acervo: Ulisses Passarelli
** Vídeos e fotografias: Iago C.S. Passarelli

terça-feira, 4 de julho de 2017

Festa do Rosário em Ibituruna, 2017 - parte 1

Ibituruna novamente festejou o rosário de Maria com a força da fé popular e a vibração extraordinária dos tambores congadeiros. Foi no primeiro domingo de julho o dia maior. Junto à bela Igreja de Nossa Senhora do Rosário se concentraram os dançantes do reinado, com suas fardas e instrumentos musicais, vindos do entorno imediato do Campo das Vertentes e do Oeste de Minas, prevalecendo a presença das jombas, ou seja, os moçambiques que habitualmente executam esse ritmo, preponderante na região. 

Tendo o próprio moçambique e a congada local como anfitriões, foram recepcionados ternos de congadeiros vindos de Bom Sucesso, Santo Antônio do Amparo, Perdões, Cana Verde, Nepomuceno, Oliveira, Lavras, Ijaci, Carrancas, Itutinga, São João del-Rei, Prados e Dores de Campos, das zonas urbana e rural, em certos casos várias guardas de cada município, entre congos, moçambiques, marujos, vilões e catupés. 

A diversidade notória se reforçava com a intensa participação da comunidade local e dos visitantes, com ampla movimentação de largo, barracas de comes e bebes, tudo com muita ordem, boa fé, organização significativa e concorrência de fiéis. 

A programação revelou que a comemoração foi precedida de novena, com procissões nos três dias finais. Destaque para a alvorada pelos grupos locais, às 4 horas da madrugada. O dia maior foi antecedido pela bênção da fogueira às 21 horas e danças ao redor. A estruturação cerimonial religiosa foi cuidada com o maior zelo e absoluta devoção, sendo mister reconhecer a valorização que o pároco, Padre Sílvio Firmo do Nascimento, concedeu às festividades. 

No extremo da praça da Igreja do Rosário, quatro mastros eram continuamente visitados pelos congados, cantando à sua base as saudações de praxe: dois mastros dedicados a Nossa Senhora do Rosário, um a São Benedito e outro a São Pedro. 

Como de costume foi servida farta e saborosa alimentação. 

O cortejo trazendo o reinado e o andor foi intenso, fervoroso e ao final cada terno se apresentou individualmente em honra aos santos e homenagem aos coroados. 

Ibituruna se regozija por suas tradições e as conserva com carinho. Merecem aplausos todos os que ajudaram a festa. 


Moçambique de Machados (Perdões), tocando sua jomba. 

A devoção ao rosário começo muito cedo...
Moçambiqueiros de Oliveira. 

Guarda de Congo de Cana Verde. 

Para participar do rosário se deve sentir a devoção à flor da pele e cantar com a alma:
congadeiro toca uma cuíca. Moçambique "Kingongo", Pedra Negra (Ijaci). 

Desde muito jovem se principia no congado,
como neste catupé de Perdões. 

Congadeiros de Itutinga e de Prados no café da manhã. 

Moçambique de Ibituruna. 

Chegada da congada de Ibituruna: a bandeira é saudada respeitosamente. 

Marujo de Dores de Campos. 

O vilão da Guarita (Santo Antônio do Amparo) escolta a passagem da corte do Imperador do Divino,
vinda de São João del-Rei para participar dos festejos. 

O cortejo em toda sua pujança. 

A jomba do Congonhal (Nepomuceno) marcou presença e conquistou atenções. 

Mastro não é um pedaço de pau... é um elemento telúrico, sagrado.
Capitão de moçambique da Baliza (Santo Antônio do Amparo) o
saúda. 

Fotomontagem mostrando os registros dos quatro mastros fincados. 



Cenas do Moçambique Santa Efigênia, de São João del-Rei,
durante a festa em Ibituruna. 

Notas e Créditos

* Texto e acervo: Ulisses Passarelli
** Fotografias e vídeos (02/07/2017): Iago C.S. Passarelli

sábado, 17 de junho de 2017

Festa de Santo Antônio, padroeiro do Rio das Mortes.

No distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, município de São João del-Rei, realizou-se mais uma celebração do padroeiro, Santo Antônio de Pádua (*), com a animação e fé costumeira. A bem da verdade, uma ligeira queda da concorrência de devotos e visitantes foi relatada por alguns populares, atribuída à chuva intermitente e muito gelada. Não obstante este fato natural, as festividades transcorreram com força e tradição.

Aconteceram as habituais atividades de largo, com presença de parque de diversões e barracas de comes e bebes, tenda para apresentações musicais e socialização na praça. 

Merece amplo destaque a programação religiosa e notavelmente a missa solene, celebrada pelo Padre Vinícius Campos. Inicialmente a centenária corporação musical do distrito (Lira do Oriente Santa Cecília, de 1895), que se desdobra em banda e orquestra, chegou de sua sede em formação de banda, sob a regência de Márcio dos Reis, tocando um dobrado pelas ruas, com forte personalidade. Diante da igreja, concluída a peça musical, os músicos entraram em silêncio e se postaram no coro para a função orquestral, sob a mesma regência. A celebração transcorreu com a igreja lotada de fiéis e contou com eloquente sermão do pároco, admoestando ao seguimento dos valores cristãos à luz do evangelho e o tributo da palavra deixado pela ação indelével de Santo Antônio de Pádua. 

Finda a Santa Missa, a procissão saiu à rua e bastante gente a seguiu em prece apesar da chuva miúda. A sequência de guarda-chuvas abertos deu uma nota de pitoresco, mas, acima disto, revelou a determinação da fé daquele povo. A banda seguiu alternando marchas e a chegada foi empolgante, não faltando fogos de artifício variados, além dos tradicionais cascata e quadro. 

A significação social desta comemoração é imensurável para o distrito. O padroeiro é a referência mais sólida, a âncora mais segura; sua igreja é o marco maior e a festividade a oportunidade de render ação de graças, se reequilibrar a relação com o sagrado, reencontrar os amigos, conhecidos, parentes. Festa rompe o cotidiano, a rotina estafante e abre perspectivas iluminadas para a sequência da vida. 









Notas e Créditos

* Santo Antônio de Pádua ou Santo Antônio de Lisboa é um dos santos mais populares no Brasil e em Portugal, queridíssimo, com incontáveis devotos, gerando em seu redor um folclore de grande riqueza. Seu nome era Fernando de Bulhões, herdeiro de grande riqueza, que abandonou para ingressar na vida religiosa. Na Igreja, iniciou-se como dominicano e depois se firmou como franciscano, com o nome religioso de Frei Antônio. É festejado a 13 de junho. Sua véspera é animadíssima. Em São João del-Rei tem uma igreja setecentista em sua honra na rua que leva seu nome, no Bairro Tijuco, uma capela. Na Paróquia de Dom Bosco, existe a Capela do Albergue Santo Antônio e ainda uma capela rural ligada à mesma paróquia, na Colônia do Bengo; outra ainda no povoado do Carvoeiro, Paróquia de Matosinhos; tanto mais, um Salão Comunitário, na mesma paróquia, à Vila santo Antônio. Nasceu em Lisboa (Portugal, 1195) e faleceu em Pádua (Itália, 1231), daí o designarem pelos dois nomes. Alguns jornais antigos de São João del-Rei, do acervo da Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida registraram algumas festas, cuja notícia hoje assume um caráter histórico: durante a festa deste santo na Matriz de São João Bosco deu-se a bênção na imagem de Santa Gemma Galgani e à tarde procissão solene da santa (O Correio, n.862, 22/05/1941). Noutra festa, na Capela de Santo Antônio do Tijuco, durante as trezenas, houve animados leilões, abrilhantados pelo Jazz Continental, sob a regência do festejado Maestro Milton Couto (O Correio, n.2111, 15/06/1947). “As festas de Santo Antonio, que terminaram a 13 do corrente, estiveram muito boas, havendo sempre grande concurrencia de povo nas trezenas e leilões de prendas.” (A Pátria Mineira, n.58, 19/06/1890). Em São João del-Rei houve grande festividade por ocasião da passagem das suas relíquias em 1999 (Gazeta de São João del-Rei, n.67, 30/10/1999). A capela do distrito da Lage, em Madre de Deus de Minas, foi restaurada em 2006. A missa festiva e bênção das novas instalações deu-se durante a festa de Santo Antônio, que incluiu cavalgada, leilões (de gado e de prendas), concurso de marcha e prova de tambor, procissão luminosa seguida de bênção dos namorados, desfile das princesinhas, quadrilha e forró (Gazeta de São João del-Rei, n.406, 10/06/2006).

 ** Texto e fotografias (13/06/2017): Ulisses Passarelli