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Bem vindo!Esta página está sendo criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




terça-feira, 2 de julho de 2013

Festa do Rosário em Ibituruna

            Concluiu-se este final de semana a animada Festa de Nossa Senhora do Rosário da cidade de Ibituruna. Com uma extensa programação em pleno inverno junino, incluindo comemorações aos santos do mês, preces preparatórias, celebrações, levantamento de mastros (quatro, sendo dois do Rosário, um de São Benedito e outro de São Pedro) e uma grande fogueira em honra a São Pedro na noite de 29.
                Dia 30 de junho logo cedo começaram a chegar as guardas de congado visitantes, de diversas cidades vizinhas e mesmo de longe. Foram recepcionadas para o café da manhã e depois de uma visita aos mastros da praça e à bela e histórica Igreja do Rosário, onde a Santa Mãe aguardava no andor enfeitado de flores, o momento da procissão vespertina.

Mastros na frente da Igreja do Rosário.

                As ruas do entorno, com seu casario com belos exemplares arquitetônicos e a praça da matriz de São Gonçalo do Amarante, se encheram de batuques e cores dos diversos congados: VILÃO, de Guarita (Santo Antônio do Amparo), MARINHEIROS, de Vespasiano, CONGOS, de Ibituruna, Itutinga, Carrancas, Três Pontas e São Gonçalo do Amarante (São João del-Rei), CATUPÉS, de Resende Costa (3 grupos), São João del-Rei (4 grupos), Perdões, São Sebastião da Estrela (Santo Antônio do Amparo), MOÇAMBIQUE-JOMBA, de Ibituruna, Bom Sucesso, Santo Antônio do Amparo, Machado (Perdões), Lavras, Macaia (Bom Sucesso), Pedra Negra (Ijaci), Ribeirão Vermelho.

Catupé visitante, de Resende Costa.

                Foi servido um lauto almoço aos dançantes, com o sabor típico do tempero e hospitalidade mineiros. Momento de descontração e congraçamento.
                Pelo meio da tarde, diante da Igreja do Rosário foi a vez de se apresentar o grupo “Pilão de Inhá”, do Caquende (distrito de São João del-Rei), com diversos números culturais de procedência rural entre os quais a Dança do Pilão.

Apetrechos do grupo Pilão de Inhá.

                Enquanto isto, os congadeiros desceram para a parte baixa da cidade para recolher os reis e rainhas e voltaram num vistoso cortejo trazendo outrossim o andor de São Benedito. Esteve também presente a Comissão Organizadora da Festa do Divino Espírito Santo, de São João del-Rei, que trouxe o Imperador do Divino, também escoltado pelos congados.

Congados descem em cortejo para recolher o reinado.

             Na chegada à praça teve lugar três apresentações do grupo de Vespasiano, com arcos floridos, com bastões e com o pau-de-fitas (dança).
               O Reinado foi entregue na igreja para a chamada. O povo lotou o largo em burburinho, circulando pelas muitas barraquinhas e entre vendedores ambulantes.
                Mais tarde, a procissão ganhou as ruas sacralizando o espaço público.
             Ibituruna goza a fama de ser o mais velho povoado mineiro, estabelecido no remoto 1674, pela bandeira do memorável Fernão Dias Paes. Estacionou com sua gente naquela paragem, enquanto o “tempo das águas” (estação chuvosa) não passava. Ibituruna (topônimo indígena que significa "serra negra") é  banhada pelo outrora piscoso Rio das Mortes, ali já avolumado pela confluência de outros fluxos menores. É rodeada de matas exuberantes e tem um contorno serrano esplêndido. Nesta terra Fernão Dias plantou roçados e deixou sua marca indelével.
                A cidade foi no passado não tão distante um dos pontos de estação ferroviária da Maria-fumaça na famosa bitola 0,76 metros, da EFOM (Estrada de Ferro Oeste de Minas). Erradicados os trilhos, o prédio permanece atestando a nostalgia de um tempo lamentavelmente perdido. 

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli

2 comentários:

  1. Parabéns pelo belíssimo trabalho!Retratar as riquezas do folclore é imortalizar a cultura de nosso povo.
    Josefa

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    1. Grato, Josefa. Volte sempre a visitar este blog.

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