o abatedouro da Água Limpa
Por muitos anos o Matadouro Municipal funcionou no Bairro Matosinhos, em São João del-Rei, na confluência das ruas Amaral Gurgel e Elói Reis, entre elas, o Ribeirão da Água Limpa (ao fundo) e a via férrea ao lado, exatamente onde hoje está o prédio do “Lares Solidários” (*).

O matadouro de Matosinhos já em princípio de demolição. Foto: jornal O Grande Matosinhos
Este post aborda apenas de passagem tal assunto, que já foi tratado em um estudo específico [1]. Apresento apenas algumas notícias extras, ausentes no mesmo.
Uma proibição da câmara impedia que se matassem reses para consumo público fora do matadouro municipal. Em caso de transgressão a multa era de 20$000 [2]. Exigiam ainda licença para os açougues.
Sabe-se que antes de ser instalado em Matosinhos, funcionou ao final do Matola, na entrada da Caieira (Bairro São Judas Tadeu). Sua situação ali era precária. Uma resolução da Câmara Municipal de 05/02/1898 autorizava o agente executivo a proceder estudos e orçamento referente à mudança do matadouro, a serem apresentado posteriormente aos vereadores para deliberação (**). Mas a mudança não veio logo, tanto que um edital da câmara municipal datado de 01/03/1905 previa muitos reparos: calçamento, coberta do curral, fonte de água para o gado, outro curral ao lado do já existente para demora e abatimento de porcos, coberto e com água, cuidados com a higiene, manilhamento do esgoto até a praia, passeio de 1,30 m em redor do matadouro [3].
A Resolução nº317, de 25/02/1905, previamente autorizara as despesas previstas para esta grande reforma e novamente se cogitava a sua transferência de lugar [4]. O dinheiro vinha do “imposto de sangue”, assim chamada a taxa incluída nos serviços de abate.
Sua transferência para Matosinhos em 1910, aliviou os problemas, mas não resolveu tudo. O jornal O Dia, em 1913 (conforme recorte abaixo), anunciava a inauguração do novo Matadouro Municipal, possivelmente se referindo a uma ampla reforma ou reestruturação. Em 1920 começaram seus reparos: “em serviços no matadouro em palha e lenha foi gasta a quantia de 483$420” [5]. Outra notícia do mesmo ano diz que em pequenos consertos do matadouro e em tapumes do Pasto do Segredo, a Câmara gastou 281$250 [6]. Ao que parece, no local chamado Segredo (entre o Centro e o Bonfim), ficava o gado que seria conduzido à matança. No mesmo ano aparece notícia de pagamento de material e serviços a Mário Mourão e João d’Aldegan [7].
Ao longo de sua existência em Matosinhos, o matadouro, cheio de precariedades, passou por várias modificações visando melhorias, mas foi alvo de muitos protestos dos moradores, até que conseguiram retirá-lo por ordem judicial. Foi transferido para as margens da Rodovia BR-494, na Colônia do Bengo, em agosto de 1999.
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Notícias jornalísticas sobre o matadouro municipal em Matosinhos.
Créditos
Texto e fotomontagens: Ulisses Passarelli. Fonte hemerográfica: Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida, São João del-Rei/MG.Revisão: 24/03/2025.Notas
* Atualmente o prédio que foi do matadouro em Matosinhos, sedia a Escola Municipal Elpídio Ramalho. ** Segundo o jornal são-joanense O Resistente, nº132, de 10/03/1898.
[1] - PASSARELLI, Ulisses. Matadouro. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, n.11, 2005. [3] - O Repórter, n. 7, 05/03/1905. [4] - O Repórter, n. 12, 09/04/1905. [5] - O S.João d’El-Rey, n. 6, 22/04/1920. [6] - O S.João d’El-Rey, n. 7, 29/04/1920. [7] - O São João d’El-Rey, n.9, 13/05/1920.
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O matadouro de Matosinhos já em princípio de demolição. Foto: jornal O Grande Matosinhos |
Uma proibição da câmara impedia que se matassem reses para consumo público fora do matadouro municipal. Em caso de transgressão a multa era de 20$000 [2]. Exigiam ainda licença para os açougues.
Sabe-se que antes de ser instalado em Matosinhos, funcionou ao final do Matola, na entrada da Caieira (Bairro São Judas Tadeu). Sua situação ali era precária. Uma resolução da Câmara Municipal de 05/02/1898 autorizava o agente executivo a proceder estudos e orçamento referente à mudança do matadouro, a serem apresentado posteriormente aos vereadores para deliberação (**). Mas a mudança não veio logo, tanto que um edital da câmara municipal datado de 01/03/1905 previa muitos reparos: calçamento, coberta do curral, fonte de água para o gado, outro curral ao lado do já existente para demora e abatimento de porcos, coberto e com água, cuidados com a higiene, manilhamento do esgoto até a praia, passeio de 1,30 m em redor do matadouro [3].
A Resolução nº317, de 25/02/1905, previamente autorizara as despesas previstas para esta grande reforma e novamente se cogitava a sua transferência de lugar [4]. O dinheiro vinha do “imposto de sangue”, assim chamada a taxa incluída nos serviços de abate.
Sua transferência para Matosinhos em 1910, aliviou os problemas, mas não resolveu tudo. O jornal O Dia, em 1913 (conforme recorte abaixo), anunciava a inauguração do novo Matadouro Municipal, possivelmente se referindo a uma ampla reforma ou reestruturação. Em 1920 começaram seus reparos: “em serviços no matadouro em palha e lenha foi gasta a quantia de 483$420” [5]. Outra notícia do mesmo ano diz que em pequenos consertos do matadouro e em tapumes do Pasto do Segredo, a Câmara gastou 281$250 [6]. Ao que parece, no local chamado Segredo (entre o Centro e o Bonfim), ficava o gado que seria conduzido à matança. No mesmo ano aparece notícia de pagamento de material e serviços a Mário Mourão e João d’Aldegan [7].
Ao longo de sua existência em Matosinhos, o matadouro, cheio de precariedades, passou por várias modificações visando melhorias, mas foi alvo de muitos protestos dos moradores, até que conseguiram retirá-lo por ordem judicial. Foi transferido para as margens da Rodovia BR-494, na Colônia do Bengo, em agosto de 1999.
Notícias jornalísticas sobre o matadouro municipal em Matosinhos. |
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