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Bem vindo!Esta página está sendo criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




terça-feira, 6 de agosto de 2013

Recordando o Mestre Dinho

Hino de São Sebastião


Em 1993 realizei algumas entrevistas com o experiente folião sr. José Orlando da Silva, carinhosamente conhecido como “Dinho”. Mantinha um grupo de Folia de Reis e Folia de São Sebastião na Rua Antônio de Abreu (Arraial das Cabeças), no Bairro Bonfim, São João del-Rei/MG.

Mestre Dinho.
Era um grande instrumentista, tocando sua oito baixos, uma sanfona diatônica, vermelhinha, sonora que só ela, marcando muito bem as quadrilhas de inverno e imbatível nas folias de verão, acompanhando a voz do grande mestre da cultura popular.

No dia 11 de janeiro daquele ano, Dinho passou-me extensa versalhada das folias que tocava, do alto de seus então 54 anos de experiência folieira. Parte desses versos já foram publicados[1] e ora apresento o hino em honra a São Sebastião que cantava, tal como me ditou de memória e fui anotando num caderno à caneta esferográfica, ambos sentados no batente de uma porta, daquele saudoso momento.

Dinho dissera-me que havia aprendido este hino anos antes em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, onde o ouvira de uma folia. Trazendo-o para São João del-Rei, adaptou os versos ao seu ritmo e fez pequenas alterações na letra, provando mais uma vez que o folclore extrapola fronteiras. 

*  *  *

A vida de São Sebastião
No tronco de uma oliveira
Agora vou repetir,
São Sebastião foi amarrado,
Para este povo cristão
Com uma corda de piteira
Que gostaria de ouvir.
Para ser martirizado.


No ano de 1329
O arqueiro apontou
Foi que nasceu São Sebastião
A flecha na direção,
Nasceu de família nobre,
A primeira que atirou
Mas porém era cristão.
Foi em cima do coração.


Foi um soldado guerreiro
A segunda na barriga
Que os fracos defendia,
lhe causou grande aflição,
Amava a Deus verdadeiro
Outra na perna dolorida
E de nada ele temia.
E a quarta caiu no chão.


Por ser um bom soldado
Depois foi desamarrado
De tão grande confiança,
E o rei apresentou,
Pelo rei foi nomeado
Depois de o ver martirizado
Para ser sua ordenança.
Sua cabeça cortou.


Pedia auxílio ao nobre
Seu sangue foi derramado
E repartia com a pobreza,
E escorrido sobre a terra.
Sempre viveu como pobre
Hoje ele é nosso advogado
No meio de tanta riqueza.
Contra fome, peste e guerra.


No império de Diocleciano,
Desta pátria tão querida
Já era chefe da guarda,
Ele é nosso padroeiro,
Esse soldado romano
Nas batalhas desta vida
Sempre honrou sua farda.
É o nosso mestre guerreiro.


Ensinando seus amigos
Mártir São Sebastião,
O caminho de cristão,
Santo de Jesus querido,
Por isso veio os inimigos
Pedimos em oração
E lhe deu voz de prisão.
Para sermos favorecido.

Dia 20 de janeiro
É seu dia consagrado
Este santo padroeiro
Que no céu foi coroado.

Folia de São Sebastião do Mestre Dinho. 

* Texto e fotos: Ulisses Passarelli, 1993. 



[1] - PASSARELLI, Ulisses. Adoração ao presépio. Revista da Comissão Mineira de Folclore, n.20, ag.1999. Belo Horizonte. p.144.

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