Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




quarta-feira, 9 de julho de 2014

Quadrinhas de amor - parte 2

Poesia singela, em estrofes de quatro versos. É o que ora se apresenta. A veia poética popular revela a intensidade do sentimento, o carinho, o desejo, mas não extravasa explicitamente a sexualidade. As trovas de base folclórica repisam desilusões amorosas, sinais de carinho, idílios, esperanças de receber atenção de um bem-querer. 

As jovens estudantes até a primeira metade dos anos noventa usavam escrever no cabeçalho de cada folha do caderno de matérias da escola, uma trova do tipo das que aqui se apresentam, ou até mesmo, compor cadernos inteiros só de quadras de amor. É a fonte de boa parte dessa coleção fragmentada neste blog. 

Prosseguindo a divulgação segue mais cinquenta exemplares, coletados na década de 1990 de diversas informantes em Santa Cruz de Minas. As notas de rodapé trazem comentários complementares e um link para acessar a primeira edição da coletânea, cujos comentários introdutórios são de leitura indispensável à compreensão do conjunto. 

*  *  *

A roseira dá a rosa,
No Dia dos Namorados
A rosa dá o botão;
Mandei-te um verso, meu bem,
Eu te dei o meu amor
Mas se pudesse mandaria
Pra ganhar seu coração.
O universo também.


Eu queria ser um barquinho,
Acabou-se o prazer, 
Para atravessar o oceano
Foram desfeitos nossos laços.
E dizer-te bem baixinho,
E agora, como fico,
Ai! Como te amo!
Longe dos teus abraços?


Você disse que me ama,
Vai, cartinha amorosa, [1]
Amor não é assim;
Vai por este mundo sem fim,
Batendo papo com os outros,
Vai dizer aquela ingrata
Fazendo ciúme em mim ...
Que nunca esqueça de mim.


Com os olhos eu te vi,
Dizem que o beijo é venenoso,
Com meu sorriso eu te amei,
Que até pode matar.
Com uma lágrima te deixei,
Prefiro morrer envenenada
Mas nunca te esquecerei.
Do que ficar sem beijar.


O rei nasceu para o trono,
O alecrim pra ser cheiroso,
Os peixinhos para o m ar,
Tem que ser amassado,
As estrelas para o céu,
O beijo pra ser gostoso,
Eu para te amar.
Tem que ser demorado.


Tudo na vida acontece,
Eu vou colocar
Tudo na vida tem fim,
Seu retrato no chiqueiro
Só uma coisa te peço,
Pra quando tratar dos porcos
nunca se esqueça de mim.
Tratar de você primeiro...


Não jogue
Na janela do meu quarto
A casca da laranja fora,
Corre água sem chover,
Porque ainda tenho esperança
São as lágrimas dos meus olhos,
De chamar sua mãe de sogra.
Que rolam por não te ver.


A lua tá muito alta, [2]
O sol tá muito alto,
Tá perto de ver a Deus,
Já bateu na ferradura,
Esses seus olhos, menino,
Esse teu amor, menino,
Tá perto de ver os meus.
Tá me fazendo ternura.


Menino, esses teus olhos,[3]
Menino, esses teus olhos,
São dois navios brilhantes,
Pode mais que do que justiça,
De dia é duas tochas,
Os teus olhos me prendeu,
De noite, dois diamantes.
Domingo, depois da missa.


Bota fogo na fundanga[4],
Ajuntei com a saudade,
Tira esse mal de mim;
entrei junto num  balão,
Numa fumaça que sobe
Suspiro por ser pequeno
Traz meu amor pra mim. 
Arrematou meu coração.


Suspiro com a saudade
Suspiro com a saudade,[5]
Plantei junto num canteiro,
Foi lá em casa passear,
Suspiro facilitou,
Suspiro demorou,
Saudade nasceu primeiro.[6]
Saudade tá pra chegar.


O marmelo é boa fruta[7]
Comprei  papel na loja,
Enquanto não apodrece,
Pintei com tinta de tesouro;
O amor é muito bom
Não há dinheiro que pague,
Enquanto não aborrece.
Duas horas de namoro.


Meu amor, não veste preto,
Subi na bananeira,
Preto é luto fechado.
Balancei pra lá, pra cá. [8]
Deixa o preto para mim,
Tive com meu bem nos braços
Que sou triste, apaixonado.
Mas não pude aproveitar.


Adeus, joazeiro verde,
Balança que pesa ouro, [9]
Aonde o sol é vertente;
Não pode pesar marfim,
Adeus, boquinha de cravo,
Se você namora outra,
Coração de muita gente ...
Seu amor não servirá pra mim.


Tenho fome, tenho sede,
Quando te olhei,
Não é de pão, não é de vinho,
Teu olhar me fascinou,
Tenho fome do teu abraço,
Logo me apaixonei,
E sede dos teus carinhos.
Quando você me beijou.


Breve foi,
Perto da minha janela,
Breve serei,
Tem um pé de amora,
Mas de você,
Tenho esperança de ainda
Nunca esquecerei.

Chamar sua mãe de sogra.
Dizem que o beijo
Lutei a vida inteira,
É um pecado horroroso,
Para ficar com meu bem,
Óh, meu Deus!
Mas depois fiquei sabendo,
Que pecado gostoso!
Que ele gostava de outro alguém.


A flor do mato cai,
Te amei no passado,
No frio e no calor,
Te amo no presente;
Eu também quero cair,
Se o futuro permitir,
Nos braços do teu amor.
Te amarei eternamente.


Não me dê flor amarela,
A cigarra quando canta
Que não estou desesperada,
É prenuncia de calor,
Me dê flor rosa,
Meu coração quando suspira
Que estou apaixonada. [10]
É falta de teu amor.


Quero te amar sinceramente,
A sete chave
Não pretendo te enganar,
Partia meu coração,
Só espero que não ponhas,
Mas um dia destravada,
Outra em meu lugar.
Deixei-a nas tuas mãos.


Não quero caneta,
Não quero mais amar,
Nem lápis de marfim;
Pois faz a gente sofrer.
Só quero saber mesmo,
Aquele que a gente ama
Se você gosta de mim.
Não sabe agradecer.


Só porque está resfriado
O coração é malvado,
Me recusa um beijinho,
Só faz aquilo que senti;
Vá, não seja malvado,
Só faz a gente gostar,
Me transmita um microbinho...
De quem não gosta da gente.


Entre as flores fui nascida,
Me dê a chave do seu coração,
Entre as folhas fui criada,
Quero abrir, quero entrar,
Numa noite iluminada,
Para ver se lá tem alguém,
Por seus lábios fui beijada.
Invadindo meu lugar...


Não quero falar contigo,
Na horta da minha sogra
Juro a todo momento;
Tem um pé de alecrim.
Mas quando chego perto de ti,
O alecrim nasceu pra ela,
Esqueço meu juramento.
O filho dela nasceu pra mim.


Eu queria ser um copo,
Palpei meu lado esquerdo
Um copo eu queria ser,
Não achei meu coração;
Para beijar sua boca,
De repente, me lembrei,
Quando água for beber.
Que estava em tuas mãos.


* Texto: Ulisses Passarelli
** Agradecimentos especiais pela inestimável ajuda na coleta a Cida Salles.
*** Veja também a primeira parte desta postagem: QUADRINHAS DE AMOR - parte 1 



[1] - Quadrinha na qual o enunciado parte de um homem, exceção nesta coleção.
[2] - Esta trova faz par com a seguinte, “o sol tá muito alto”. Versos paralelísticos.
[3] - Verso-feito, difundido.
[4] - Fundanga, ou fundenga: pólvora, na terminologia dos terreiros religiosos de matriz africana nesta região. Esta trova prende-se ao ritual de queimar um pouco de pólvora para tirar da pessoa males espirituais, tais como demandas com inimigos, inveja, mau-olhado. Registra fielmente o momento que o pedido desejado tem mais força.
[5] - Verso-feito.
[6] - Noção-feita. Os caxambuzeiros de Santo Antônio de Pádua/RJ, cantam este ponto: “O galo mais o pintinho, / dormiu junto no poleiro; / o galo facilitou, / o pinto piou primeiro.”, referência ao cantador novato, que se atreve a cantar antes do mestre.
[7] - Verso-feito. Exemplo, da mesma origem: “O marmelo é boa fruta, / que dá na ponta da vara / quem ama mulher casada / não tem vergonha na cara.”
[8] - Verso-feito. Exemplo, canto do congo de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno (São João del-Rei, déc.1990): “Cheguei na porta da igreja, / balancei pra lá, pra cá, / eu vi Nossa Senhora / em pezinha no altar.”
[9] - Verso-feito. Exemplo no congado, canto de catupé de São João del-Rei, Capitão Luís Santana, Bairro São Dimas, 1993: “Minha peneira que coa, que coa, / é peneirinha de indaiá, / ai, balança que pesa ouro, / não pode pesar metá...” (metal). Outro: “Ai, Joventina, / filha de seu Juvenal, / é hora de tirar leite, / que o bezerro quer mamar / balança que pesa ouro / não pesa qualquer metal...” (Boi de Reis, parte da toada do Baile da Masseira; São Gonçalo do Amarante/RN, 1997).
[10] - Interessante referência à simbologia das cores. 

domingo, 6 de julho de 2014

Nossa Senhora da Saúde

(Ofereço com gratidão a Luiz Antônio Sacramento Miranda)

Nossa Senhora da Saúde é devoção de origem europeia ligada à cura de epidemias. Em Veneza, onde está sua basílica, foi a peste a força motriz dessa devoção, acometendo a cidade italiana em 1630. Também é conhecida no México, desde o século XVI. Em Portugal foi surgida no século XVI no auge de dois grandes surtos de peste (1569 e 1599). Difundida em terras lusitanas foi depois trazida ao Brasil contando relativamente com poucos templos de que é orago no país. Em Minas Gerais, no Campo das Vertentes, duas construções foram-lhe consagradas: uma em São João del-Rei outra no vizinho balneário das Águas Santas (Tiradentes). 

Em São João del-Rei sua devoção se fixou no Bairro Senhor dos Montes. A capela do padroeiro do bairro teve o patrimônio adquirido em 1801, sendo que a 23 de fevereiro daquele ano, segundo Sebastião de Oliveira Cintra:

"Manoel de Sá Peixoto e sua mulher Bernarda de São José adquirem do Pe. Antônio Gonçalves de Siqueira, zelador e provedor do citado templo "uma chácara sita ao sopé do Senhor do Monte desta vila com os seus pertences, horta, quintal, pasto que ao presente se acha cercado de muros e valo, com obrigação de prestarmos todo o guisamento necessário de vinho e hóstias para as missas que se disserem na dita Capela do Senhor do Monte, bem como de azeite para a lâmpada, cujo trato nos obrigamos a cumprir por nós, nossos herdeiros e testamenteiros, bem como o dito vendedor se obriga a fazer bom dito trato, convenção e por tudo depor e a salvo por seus herdeiros e testamenteiros, e de nos haver empossados nas ditas casas e chácara na forma que hoje existe". O registro do documento foi feito a 30-12-1802, por iniciativa do Pe. Siqueira." (CINTRA, 1982). 

Professor Antônio Gaio apontou o ano de 1847 como sendo a data da capela, o que certamente se a alguma grande reforma que lhe deu nova configuração (SOBRINHO, 1996). 

O antigo jornal homônimo da cidade, no ano de 1899, deu conta de um festa animadíssima, com reza de terço, apresentações musicais, sermão, Te-Deum e leilão de prendas, tudo em benefício da construção da torre da capela do padroeiro, obra datada do ano seguinte [1]. Sobre ela escreveu CINTRA (1982): "Em maio de 1900 o Dr. Joaquim Domingues Leite de Castro, Agente Executivo Municipal, sancionou a Resolução que autorizava a concessão do auxílio de "quinhentos mil réis" para a conclusão das obras da torre."

Em 1906 a imprensa são-joanense divulgou esta nota pelo jornal O Repórter, nº13: "Ficou adiada para o próximo domingo, 13, a festa do Senhor Bom Jesus do Monte, que é costume celebrar-se a 3, seguindo-se as festas de N.S. da Piedade e da Saude, todas na encantadora Capella no poetico arrabalde de Senhor dos Montes."

No século XX, com o crescimento populacional, a pequena capela, já não comportava os fiéis e foi então construída ao lado uma nova igreja (felizmente sem demolir a antiga!) e esta foi consagrada a Nossa Senhora da Saúde. A edificação se deu graças aos esforços do Monsenhor Sebastião Raimundo de Paiva, de saudosa memória. A inauguração deu-se por bênção do Bispo Diocesano Dom Delfim Ribeiro Guedes, em celebração acontecida às 15 horas do dia 30/06/1974. 

A Paróquia do Senhor Bom Jesus do Monte só foi criada em 1999 por decreto episcopal de 1º de abril, a partir de um desmembramento da Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, com instalação a 26 de novembro do mesmo ano. O primeiro pároco foi o Padre José Roberto Vale Silva e o segundo, o Padre Ilton de Paula Resende, segundo o blog Senhor Bom Jesus do Monte.

Igreja de Nossa Senhora da Saúde, Bairro Senhor dos Montes,
São João del-Rei/MG, 05/07/2014.
 


As propriedades físico-químicas especiais de certas águas minerais favorecem melhorias de saúde e de algumas enfermidades. Tal se deu com algumas fontes que nascem na encosta norte da Serra de São José, no município de Tiradentes, às quais, desde o século XIX, se atribuiu nos meios populares o poder da cura, sendo logo chamadas de Águas Santas [2]. A narrativa popular é a seguinte: certo escravizado fora incumbido de diariamente buscar água potável em um cântaro, para abastecer a casa grande. Tinha feridas nas pernas, de um possível eczema, incurável, diziam. Quando começou a nova tarefa, sempre entrava na água até o nível do joelho para alcançar o ponto alto onde deixava o pote a encher. Em alguns dias suas feridas apresentaram sensível melhora e logo ele atribuiu o fato a um poder miraculoso daquela fonte, concluindo com o fechamento total das lesões pelos banhos sucessivos. Não tardou o batismo, Águas Santas. A fama espalhou e gente de todo lado vinha em busca de melhoras. O local se tornou um balneário e ganhou um ramal ferroviário da EFOM (Estrada de Ferro Oeste de Minas) em 1910. 

MEGALE (1986) comentou sobre a devoção a esta santa: "A cidade mineira de Poços de Caldas recebeu o nome de Vila de Nossa Senhora da Saúde das Águas de Caldas, por decreto governamental em 1874, talvez devido à fama de suas águas sulfurosas, que naquele ano foram submetidas a um exame por ordem do governo imperial." 

Salvo engano, segundo a crença dos fiéis, pode-se inferir de semelhante associação do poder das águas e o poder de Maria nas curas tanto na próspera cidade sul-mineira quanto na pacata Águas Santas.  Deu-se então  início à construção de uma capela desta invocação, conforme informação do jornal O Repórter nº46, em 1906:

"Capella de N.S. da Saude. O ilustre e estimavel sr. Antonio Gonçalves de Araujo Penna e sua prezada consorte, a exma. sra. d. Joanna Theolinda Meira de Araujo Penna, residentes no Rio e proprietarios nas Aguas Santas de Tiradentes, onde vêm, annualmente, veranear, em companhia de seus dignos filhos, em boa hora, resolveram edificar ali uma pequena capella, dedicada a N. Senhora da Saude, a sua custa, tendo para esse fim alcançado já licença da auctoridade diocesana. No dia 10, revestida de toda a solemnidade, realisou-se a benção da pedra fundamental da capella no proprio local." (Etc.)

A 20 de fevereiro de 1915, garante as páginas d'O Zuavo, inaugurava-se a Capela de Nossa Senhora da Saúde das Águas Santas, mandada construir pelo farmacêutico Antônio Gonçalves de Araújo Penna. Houve duas missas na ocasião, celebradas pelo Monsenhor Ernesto Gustavo Coelho e pelo Vigário Antônio Carlos. 

Nas vésperas de seu centenário seria muito bem-vinda uma obra de restauro e uma animada festa comemorativa do centésimo aniversário de construção.

Programa das festividades de inverno nas Águas Santas, ano 2014,
consagradas a São Pedro e São Paulo. Impresso em papel off-set, 22 x 31cm, cor branca com escritos pretos.
 


Capela de Nossa Senhora da Saúde, Águas Santas (Tiradentes/MG),
ao sopé da Serra de São José. 18/05/2014.  


Referência Hemerográfica

O Repórter, n.13, 06/05/1906. São João del-Rei. 
O Repórter, n.46, 16/12/1906. São João del-Rei. 
O Zuavo, n.27, 21/02/1915. São João del-Rei. 
S. João d’El-Rey, n.17, 13/05/1899. São João del-Rei. 

Referências Bibliográficas

CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei. 2.ed. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1982. 2v. v.1, p.91-92.

MEGALE, Nilza Botelho. 112 Invocações da Virgem Maria no Brasil: história, folclore e iconografia. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1986. 376p. p. 354-355.

SOBRINHO, Antônio Gaio. Sanjoanidades: um passeio histórico e turístico por São João del-Rey. São João del-Rei: A Voz do Lenheiro, 1996. 104p.il. p.24.

Referência na Internet

WIKIPÉDIA. Nossa Senhora da Saúde. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_da_Sa%C3%BAde  Acesso em 04/07/2014. 
SÃO JOÃO DEL-REI. Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida. Disponível em: https://bmsjdr.phl.bib.br/ 
Blog Senhor Bom Jesus do Monte. Disponível em:  http://senhorbomjesusdomonte.blogspot.com.br/p/comunidades-da-paroquia.html Acesso em 15/06/2017. 

Créditos

- Texto e fotografias: Ulisses Passarelli.
- Agradecimentos a Luiz Antônio Sacramento Miranda pelo apoio a respeito da história das igrejas católicas do Bairro Senhor dos Montes.    

Notas

[1] O Bairro Senhor dos Montes, foi tipicamente festeiro. Eram célebres as festas da Santa Cruz em maio (foco de romarias) e as do padroeiro em setembro, como por exemplo na década de vinte, quando num coreto, tocou a Banda Ribeiro Bastos, regida pelo professor José Quintino dos Santos (jornal O S. João del-Rei, n.25, 02/09/1920). Na mesma década a parte externa da capela foi reformada e houve animada festa inaugural. A professora local, Albertina Dias, ofereceu na escola uma mesa de doces finos ( jornal A Tribuna, n.767, 18/07/1926).

[2] A saber, tem propriedades medicinais, indicadas como auxiliares no tratamento de nefrites, impotência, alergias, eczema, artrite e como ativante do metabolismo. A radioativa tem temperatura estável em 27,5 º C e a magnesiana a 18ºC. Informações contidas numa placa que havia afixada no balneário. Infelizmente, já fazem vários anos que essas fontes estão sem jorrar água, motivo de protestos populares e campanhas em prol da reativação da fonte. 

- Revisão: 22/12/2025. 
- A festa de Nossa Senhora da Saúde teve seu cadastro aprovado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, conforme ata CMPPC nº 577, de 03/12/2025, com juntada ao processo de Registro "Festas Religiosas de São João del-Rei", Processo 047/22, categoria Celebrações, homologado pelo Decreto nº10.225, 07/12/2022. 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Judas, Judeu Errante e testamentos

A cultura popular, vasta e complexa, é como uma colcha de retalhos. O folclore de um tema se constrói com pedacinhos de história, com impressões de interpretação livre de fatos, com reminiscências de ritos antiquíssimos, com novos elementos de cores regionais vivenciados na comunidade. Destrinchar os componentes dessa fórmula não é tarefa fácil. 

O costume quaresmal de queimar ou malhar a porrete um boneco chamado Judas é bastante arraigado na Península Ibérica, de onde foi transposto para a América Latina. Ocorre em boa parte do Brasil e a Mesorregião Campo das Vertentes o conhece desde longa data e ainda o pratica. A aparência imediata evoca o apóstolo traidor de Cristo, o Iscariotes, que o entregou por trinta moedas de prata (Mt 26, 14-16), mas a queima de bonecos ou manequins é em verdade um ritual pagão difundido na Europa, típico da entrada da primavera e sofreu ao longo dos anos cristianização resultante na queima do Judas. 

O contexto de primeiro plano revela por detrás toda uma concepção popular de rancor contra o judeu. Séculos de catequese cristã repisaram a oposição dos fariseus a Jesus, a perseguição a profetas, aos precursores na pregação como São João Batista, ou a sucessores, como Santo Estevão e tantos outros. Na alma do povo foi criado como que um opróbio à palavra: "judeu" se tornou símbolo de ruindade, usurário. "Judiar" é fazer mal a um bicho ou pessoa, um verbo criado em cima desta concepção; donde provém "judiação", "judiaria" _ maldade, injustiça. Se o sujeito se configura como traidor, infiel, desleal, logo é alcunhado com desdém: "judeu!" ; "Judas!". 

“Quem quiser comprar eu vendo
um amor que já foi meu: 
é bonito como cravo 
é falso como um judeu” 

A quadrinha acima, colhida em Santa Cruz de Minas [1] é reveladora dessa impressão de falsidade atribuída no folclore ao judeu. 

Autores tem revelado o valor do judeu para a composição de nossa cultura popular. MARTINS (1991), perscrutando os componentes culturais do folclore mineiro, não se esqueceu deles: "outra fonte notável em Minas Gerais refere-se aos cristãos-novos ou judeus renegados, que transmitiram ao mineiro notáveis experiências, também sincréticas, pois chegaram a nós via Portugal." MEGALE (s/d) também revelou sua influência no capítulo "Influências Estrangeiras no Folclore Brasileiro", dizendo: "Muitos israelitas chegaram ao Brasil no período da Invasão Holandesa, fugindo dos tribunais da Inquisição (...) As maiores influências judaicas que tivemos são: o conformismo com o destino, o saudosismo messiânico e o "pão-durismo" do mineiro". (p.27 e 28). LIMA JR. (1965) forneceu importantes subsídios para a compreensão dessas influências. Seu trabalho dá conta, dentre outros, dos rituais mortuários, do hábito da sangria e de costumes em torno do recém-nascido que dos cristãos-novos passou ao folclore mineiro. 

No final dos anos setenta, em São João del-Rei, narrava-se as estórias de um homem muito velho, taciturno, barbudo, vestes tristonhas, que por ter ofendido Nosso Senhor andava pelo mundo sem rumo e sem paradeiro. Era o Judeu Errante [2].

É uma lenda das mais conhecidas que a tivemos da Europa. A leitura do verbete correspondente na obra de CASCUDO (s/d) é fundamental pela erudição do resumo que apresenta. Seria um homem da época de Cristo, Ahasverus, sapateiro de Jerusalém, que teria humilhado o Salvador no momento que carregava a cruz, quando disse em tom de motejo: "vai andando!". Recebeu então o castigo e ir andando até a volta de Jesus, sem morrer, sem rumo, sem destino. "A lenda apareceu em Constantinopla, no séc. IV, e apareceu na Europa em 1228", passando por variações de detalhes conforme o país onde se estabeleceu. Ainda hoje se diz, quando um sujeito anda demais, caminhando sem parar: "cruz-credo! Parece Judeu Errante!". 

Texto de José Bellini do Santos inspirado no Judeu Errante,
publicado no jornal 'Diário do Comércio', São João del-Rei, n.181, de 16/10/1938. 

Acervo: Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida. 

Foi fácil e natural para o povo confluir as concepções criadas em torno do judeu sobre o personagem Judas, fustigado com porretes, varas, bombas, vaias, impropérios durante a quaresma, trazendo sobre si a maldição do traidor do Messias. 

Contrariando a tradição popular, em 2006 divulgou-se a existência do Evangelho de Judas, manuscrito descoberto em 1978 no deserto do Egito. Sua idade é estimada em cerca de 1700 anos. O mais notório deste apócrifo é a afirmação de que Judas Iscariotes teria traído Jesus a pedido do próprio, para que se cumprisse a necessidade de seu martírio. Judas teria então obedecido a uma ordem de Cristo, que o escolhera para dar início à sua Paixão. A Igreja logo respondeu que esta é a visão gnóstica do fato, não correspondendo à verdade histórica.

No Campo das Vertentes o costume era queimar o Judas no Sábado da Aleluia, como ainda corrente nas décadas de 1970 e 1980. O recorte jornalístico abaixo o demonstra. Ultimamente os Judas tem aparecido no Domingo da Páscoa.

Crítica humorística com personagens velados evocando
a queima de judas no Sábado da Aleluia. Jornal 'O Grypho', São João del-Rei, nº24, 25/04/1908.
Acervo digital da Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida. 

VALE (1985) registrou em Prados uma referência oitocentista sobre a queima do judas terminada em tragédia no ano de 1888. O costume era de, na véspera, uma turma de rapazes e homens andar pelos sítios e casas roubando pequenas coisas e arvoredos para compor a chácara do Judas. Este roubos eram comuns na Sexta-feira da Paixão, a partir das 23 horas, porque "naquele dia tudo pertencia a Judas" (sic). Ocorre, que a rapaziada naquele ano, extrapolando os limites do antigo costume, tomara o carro de bois de uma fazenda e acabaram por submergi-lo na Lagoa da Atalaia. No exaustivo trabalho de remoção do rude veículo, dois homens morreram afogados. Segundo o autor, "quando foi proclamada a República, o arraial de Prados foi elevado a categoria de vila. O Presidente da Câmara, no mesmo ano, formulou um decreto preliminar, abolindo as festas do celebérrimo Judas."

Em alguns lugares mineiros o testamento do Judas (herança imaginária do boneco, cômica e aguçada, distribuída a certas pessoas da comunidade por meio de versos escritos) é conhecido por pasquim do Judas ou pela corruptela, "pisquim"(por exemplo, em Antônio Carlos e Bias Fortes, no limite sudeste das Vertentes). Os pasquins típicos eram folhetos improvisados à guisa de informativo anônimo, contendo notícias críticas, denúncias, revelações de falcatruas políticas. Em verso ou prosa, se escrevia e distribuía no total anonimato, temendo-se represália e punição. Legítimos elementos da folk-comunicação, em São João del-Rei, os pasquins eram legalmente proibidos pelas posturas municipais. Aos infratores era previsto no art.122, parágrafo 3º, multa de 5$000, além de três dias de cadeia: “o que distribuir pasquins manuscriptos ou impressos, gravuras de desenhos ofensivos á moral ou á descência, alusivos a qualquer fato da vida privada” (SÃO JOÃO DEL-REI, 1887). Um interessante estudo a respeito dos pasquins foi coordenado por LIMA (1981).

Obviamente que a semelhança de objetivos do pasquim típico com o testamento do Judas [3] ou ainda com o testamento do João do Mato, induziu o uso das expressões "pasquim do Judas" e "pasquim do João do Mato", este, restrito ao complexo dos mutirões de lavoura, não é assunto para esta postagem. Na região de São João del-Rei o termo "pasquim" sobrevive como alcunha pejorativa aplicada a algum jornal ou informativo considerado pelo povo como de má qualidade.

Judas em São Gonçalo do Amarante
(Caburu), São João del-Rei/MG, 20/04/2014.

Referências 

- SÃO JOÃO DEL-REI. Código de Posturas da Câmara Municipal da cidade de São João d’El-Rei. Ouro Preto: Província de Minas, 1887.

- LIMA JÚNIOR, Augusto de. A Capitania das Minas Gerais: origens e formação. 3.ed. Belo Horizonte: Instituto de História, Letras e Arte, 1965. p.138-142.

- LIMA, Rossini Tavares de et all. Folclore do Litoral Norte de São Paulo. Rio de Janeiro: MEC / FUNARTE / INF; São Paulo: SEC / Univ. de Taubaté, 1981. 317p.il.

- MARTINS, Saul. Folclore em Minas Gerais. 2.ed. Belo Horizonte: UFMG, 1991. 126p.

- MEGALE, Nilza Botelho. Folclore Brasileiro. Petrópolis: Vozes, 156p.

- VALE, Dario Cardoso. Memória Histórica de Prados. Belo Horizonte: [s.n], 1985.

Créditos

- Texto e fotomontagens de jornais: Ulisses Passarelli.
- Fotografia do Judas: Iago C.S. Passarelli.  

Notas

- Revisão: 14/07/2026. 

[1] Quadrinha de Santa Cruz de Minas: informante - Elvira Andrade de Salles, década de 1990.

[2] São João del-Rei, Bairro Centro. Informante: Maria de Carvalho Santos. 

[3] Para leitura de exemplares de Testamento do Judas, acesso o seguinte link: https://folclorevertentes.blogspot.com/p/judas.html

terça-feira, 1 de julho de 2014

Réplicas & Tréplicas

Expressões chulas do palavreado juvenil

Esta não é uma postagem bonita. Não foi programada para apresentar belas fotos, poesia popular ou revelar o devocionário. Registra o oposto, o folclore do que achamos feio, da resposta linguística atrevida, petulante, deseducada, grosseira mesmo, chula, pornográfica. São as réplicas e suas derivações. 

Ocorre mais ou menos assim: na infância existe um momento de maior submissão, no qual se ouve calado, sem responder. Depois o medo vai esvaindo na pré-adolescência e com a adolescência firmada alcança a rebeldia de poder arrepiar uma fala sem medo, a libertação de um jugo. É natural nesta fase essa aproximação com a expressão inicial da sexualidade, mesmo ainda incompreendida no seu âmago, mas, em termos de cultura popular, que é o que nos interessa para esta página, dizer-se, nesse período, que fez ou fará um sexo ativo com outrem, representa apenas uma ideia de supremacia, não uma vontade específica de fazer. O sentido é este: a réplica é uma exibição de que se é mais esperto através de respostas imediatas, supostamente ofensivas na lógica deste processo de fala.  

Mas soa estranho aos ouvido puritanos, moralistas ou apenas não habituados, quanto mais se proferida por jovens, com expressões de baixo calão, tais como "pau" (pênis), "cu" ou "butão" (ânus), "saco" (bolsa escrotal), "comer" (fazer sexo), "por" ou "meter" (penetrar), "puta" (prostituta) "viado" (homem homoafetivo), "merda" (fezes), "cagar" (evacuar), "cara" (rosto, face), etc. Mas o sentido maior em verdade não é este tão explícito dos palavrões, mas sim demonstrar esperteza, memória, rapidez na busca de recursos verbais, para se sobressair com uma resposta instantânea ante uma simples palavra ou frase, que o coloca no contexto do diálogo, em situação embaraçosa, necessitando resposta para não ficar sem moral perante os interlocutores. 

Poucas vezes o pudor tem consentido escrever-se livremente sobre isto. Mas este blog tem compromisso com a cultura popular, não importa como ou qual seja. Este é só mais uma tema, não menos relevante que outros e cuida de registrá-lo tal e qual acontece em nossos rincões.  

Assim entendido e explicitado, postagens anteriores cuidaram de palavras, expressões e provérbios, e ora das réplicas. O contexto geral que acontece é em conversa informal de jovens amigos e quando um diz a frase-chave, logo surge um que dá a réplica, não raro rimada (necessidade mnemônica), motivo de motejo dos demais ao perdedor. É como um jogo de palavras malcriadas. Muitas vezes entre os amigos elas se tornam como um exercício verbal: o indivíduo é por vezes induzido a emitir uma frase-gatilho, aquela que dispara a emissão de uma réplica. O sujeito que tem um repertório maior e que dificilmente cai numa dessas, vai ganhando fama entre os colegas, se sobressai, tanto mais se surgir com novas réplicas, desconhecidas dos companheiros, gerando assim, dentro das proporções desse processo de comunicação, um certo estímulo à criatividade linguística, que tem seu papel até que a idade venha amadurecendo a conversação. 

O contexto da conversa é via de regra o mais genérico possível. Nada de sexo. Pode ser futebol, brincadeiras, coisas de escola, situações engraçadas que um colega se envolveu. Surgiu a frase ou fala provocadora, lá vai a réplica no rastro, com muita naturalidade e o riso se segue inevitável.

A pequena coleção que ora se apresenta foi coletada em 1999 em Santa Cruz de Minas e em São João del-Rei, depois de exaustiva e atenta observação desses diálogos, atualmente com popularidade decrescente. 

*  *  *

- Réplicas típicas: surgem ante xingamentos.

01 _ Vai tomar no cu!
     _ Tomar no cu é rolimã; como você e sua irmã ...

02 _ Vai tomar no cu!
     _ Tomar no cu é vitamina; como você e sua prima ...

03 _ Vai tomar banho!
     _ Tomar banho é natural; eu tomo no chuveiro, você no curral ...

04 _ Viado!
     _ Viado é verde, verde é bambu; bola na rede, pau no seu cu ...

05 _ Bem feito!
     _ No nariz do prefeito ...

06 _ Bem feito!
     _ Beija o cu do prefeito ...

07 _ Vai à merda!
     _ Merda é mole; quem manda, engole ...

08 _ Filho da puta!
     _ Fala baixo, que sua mãe escuta ...

09 _ Cachorro!
     _ Cachorro é ladino; eu calado e você latindo ...

10 _ Se deu mal!
     _ Come sal, na panela de mingau ...


- Réplicas complementares: surgem emendando expressões já decoradas, não necessariamente ofensivas. Complementam a frase com uma continuação que não é a do primeiro interlocutor.

01 _ O que é isto?
     _ Chouriço, pra comer (ou levar) no seu serviço. 

02 _ É a morte ...
     _ Fala com ela que tô forte!

03 _ Eu quero!
     _ Quer, vai querendo, suspende o pé e vai roendo. 

04 _ E agora?
     _ Caga na mão e joga fora ...

05 _ Aonde?
     _ No cu do conde, aonde você esconde. 

06 _ Tô com fome!
     _ Mata um boi e come!

07 _ Ver o quê?
     _ O cu da vaca feder!

08 _ O quê que você está fazendo?
     _ Tô cagando e cosendo ...

09 _ Vamos apanhar amora?
     _ Vou falar pra seu pai que você namora. 

10_ Você sabia?
    _ Que o macaco te deu bom dia?

11 _ O caso é o seguinte:
     _ O preço da vaca é cento e vinte.

12 _ Todo dia eu te vejo ...
     _ Cara de percevejo!


- Réplicas suplementares: surgem espontaneamente ante situações de atitudes repetitivas durante o convívio, sem necessidade de uma frase que a dispare, como nos casos anteriores.

01 _ (quando alguém pergunta demais sobre um assunto:)
     _ Quem muito pergunta, quer saber; mexerico quer fazer!

02 _ (quando alguém se intromete numa conversa:)
     _ Conversa é entre dois; cachorro é pra depois. 

03 _ (quando alguém olha demais para o outro a ponto de incomodar:)
     _ Bico é dez; pescoço é vinte ...

04 _ (quando se mostra o dedo médio da mão ("pai de todos") estirado, em sentido fálico, gesto agressivo:)
     _ Isso pra mim é um dedo, pra você é um brinquedo; enfia no seu cu e me dá sossego!

05 _ (quando alguém reclama muito de algo:)
     _ Quem reclama o rabo inflama. 

06 _ (quando alguém faz comentários de intriga, a baixa voz:)
     _ Quem cochicha o rabo espicha; come pão com lagartixa ...


- Réplicas numéricas: necessariamente surge da pronúncia de um número, tal como numa contagem. É pois uma brincadeira provocativa.

01 _ Um mais um:
     _ Dois. Cachorro te pôs ...

02 _ Dois mais um:
     _ Três. Cachorro te fez ...

03 _ Três mais um:
     _ Quatro. Você é um pato ...

04 _ Quatro mais um:
     _ Cinco. Você é um pinto ...

05 _ Seis mais um:
     _ Sete. Cachorro te mete ...

06 _ Cinquenta mais cinquenta:
     _ Cem. Abre o cu que o trem en'vem ...

07 _ Nove vezes nove:
     _ Oitenta e um. No meio dos burros seu pai é um. Abre a porta que cabe mais um. 


- Tréplicas: ou contra-réplicas. São respostas a uma réplica qualquer, recém-proferida, tentando reverter a situação embaraçosa que ela gerou no fluir da conversa. 

01 _  Isso pra mim não é resposta, bang-bang! Se eu por em você eu ranco sangue ...

02 _ Isso pra mim não é resposta de pato; pus em você, arranquei seu saco. 

03 _ Isso pra mim não é resposta de cachorrão; pus em você, arranquei seu butão. 

04 _ Essa, eu já sabia; se não fosse meu pau, você não nascia ...

Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.

Notas

- Revisão: 30/03/2026.