| Dentes no cocar de um congadeiro da guarda de caboclos "Divino Espírito Santo", do Bairro Nova Cintra, Belo Horizonte/MG. |
Bem vindo!
Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.
ULISSES PASSARELLI
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quarta-feira, 11 de junho de 2014
O folclore dos dentes - parte 2
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Véspera de Pentecostes em São João del-Rei
| Na Rua Getúlio Vargas, antiga Rua Direita, as casas se enfeitam para a passagem da Procissão do Imperador Perpétuo. |
| Da Igreja de São Francisco de Assis parte a Procissão do Imperador Perpétuo, acompanhada pelas Folias do Divino entre alas de bandeiras vermelhas. |
| A Banda Municipal Santa Cecília, sob a batuta de José Antônio da Costa é uma presença querida e reveladora de grande capacidade musical. |
| A corte do Imperador antecede a liteira, em travessia da antiga Rua da Prata. |
| No Centro Histórico a Folia das Mulheres vem na frente da procissão. |
| Membros da Comissão do Divino e o pároco de Matosinhos, Padre José Bittar, diante da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. |
| No crepúsculo os cavaleiros de vanguarda contemplam o majestoso templo do Carmo. |
| Na Gruta do Divino a comunidade recepciona a Procissão do Imperador Perpétuo. |
** Fotos: Iago C.S. Passarelli, 07/06/2014
*** Veja também:
Cenas Pentecostais: o Dia Maior em 2014
| |
| Irmãos do Santíssimo Sacramento da paróquia e membros da Comissão do Divino com o estandarte e guiões abrem o Cortejo Imperial, seguidos imediatamente pelo congado do bairro. |
![]() |
| Debaixo de forte sol o povo se aglomera para ver a chegada do Cortejo Imperial. No momento retratado o moçambique são-joanense do Solar da Serra faz sua entrada. |
| Pela primeira vez presentes, congadeiros de Itatiaiuçu dançam o catupé na chegada ao santuário. |
| Uma evolução dos Marujos do Capitão Ganair, de Conselheiro Lafaiete, presença tradicional no jubileu. |
| Gungas de Passa Tempo, choram na ingoma as tristes lembranças do cativeiro... |
| Imperadores de vários anos assistem a Missa Solene. |
| O novo Imperador, Sr.Dácio, coroado pelo Bispo Diocesano, Dom Célio de Oliveira Goulart. |
| A vanguarda da grande e solene Procissão do Divino, que lota as vias principais do bairro-cidade. |
- Texto: Ulisses Passarelli
- Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 08/06/2014.
sábado, 7 de junho de 2014
Quadrinhas de amor - parte 1
Vou plantar um alecrim
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Jurei sol, jurei lua,
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Na linha de Deus, amém!
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Jurei Estrela do Norte,
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Se esse alecrim pegar
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Jurei te amar, menino,
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Nosso amor pega também.
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até a hora da minha morte.
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Alecrim na beira d’água
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Enquanto o limão adoçar,
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Chora a terra que nasceu,
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Enquanto o açúcar amargar,
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Eu também vivo chorando
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Quando Deus descer a Terra
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Um amor que já foi meu.
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Deixarei de te amar.
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Alecrim na beira d’água
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Travessei o mar a nado
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Pode estar quarenta dia,
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No fundo de uma bacia,
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Eu longe do meu amor
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Fui riscando[1]
minha vida,
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Não posso estar nenhum dia.
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Pro seu respeito, Maria...
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No tempo que eu te amei
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Eu queria ser uma formiga,
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Não amava mais ninguém;
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Daquelas que fura o chão,
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Amava noventa e nove
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Queria furar seu peito
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Com você inteirou cem...
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Para ver seu coração.
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O tempo que eu te amei
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Borboleta pintadinha,
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Foi um tempo desperdiçado:
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Encosta o peito no meu;
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Se eu amasse um canarinho
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Desengana esse rapaz
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Era mais aproveitado.
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Quem namora[2]
ele sou eu.
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Borboleta pintadinha,
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Borboleta pintadinha,
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Que entrou pro mar adentro,
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Pinta aqui, pinta acolá;
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Eu me chamo vira-folha
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Pinta a casa do meu sogro
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Quem me ama perde tempo.
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Que domingo eu vou lá [3].
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Cravo branco na janela
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Menina acha esse lenço
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É sinal de casamento;
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E não conta quem te deu.
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Tira o branco, põe o roxo,
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No lenço vai um retrato,
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Pra casar tem muito tempo.
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Atrás do lenço vou eu.
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Menino toma esse lenço
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Menino do terno preto,
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Partido em quatro pedaços,
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Com lenço, paletó,
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Quando abrir esse lenço,
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Se você gosta de mim,
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Tem um beijo e um abraço.
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Tenha pena tenha dó.
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Sá Moreninha,
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Moreno lindo,
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Seu lenço caiu,
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Com lenço no pescoço,
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No meio de tanta gente,
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Se você gosta de mim,
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Eu apanhei você não viu.
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Deixa eu beijar seu rosto.
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Não quero a sua camisa,
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Abre a porta do jardim
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Nem o seu botão do peito,
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Quero apanhar uma rosa,
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Quero só que vós me dê
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Três brancas, três amarelas,
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Sua linda mão direita.
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E quatro encarnada formosa[4].
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Meu amor vestiu de preto
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O funcho é vencimento,
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Para me fazer pirraça,
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Eu já me acho vencida.
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O preto pra mim é luxo,
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Não tome amor com outra,
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O branco pra mim é graça.
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Que eu por ti já fui nascida.
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O sol prometeu à lua
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Seus olhos bem pretinhos,
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Uma fita e dois laço;
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Que brilham à luz do luar,
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Eu prometo a você
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São dois assassinos
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Um beijo e um abraço.
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Que me matam devagar.
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O sol vai dobrando,
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A rosa branca espalha,
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Vermelhinho como fogo,
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Perfume por toda cidade,
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Eu ainda tenho esperança,
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Você longe de mim,
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De chamar seu pai de sogro.
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Só espalha saudade.
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Vou mandar fazer um barquinho
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A folha da bananeira,
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Todo cheinho de rosa,
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De tão verde amarelou,
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Para passear com você,
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A boca do meu amor,
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No meio das invejosas.
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De tão doce açucarou.
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Se você me ama de verdade
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Sei que você gosta de mim,
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Me diga por favor,
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Embora diga que não,
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Pois idade não importa,
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A boca nem sempre diz,
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O que importa é o amor.
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O que sente o coração.
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Menina se tu soubesse
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Menina, minha menina,
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Como eu te tenho amor,
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Quem te fez tão bonitinha?
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Tu caía em meus braços,
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Foi o sol, foi a lua,
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Como o sereno caiu na flor[5].
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As estrelas miudinha...
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Da roseira nasce espinho,
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O suspiro mais a saudade,
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E nasce também a flor;
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São os dois amor que eu tenho;
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Do seu orgulho, carinho,
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O suspiro é quando eu vou,
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Do seu desprezo a dor.
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A saudade é quando eu venho.
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Tanto tempo eu procurei,
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Não quero sentir na vida,
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Alguém que soubesse amar,
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A dor que um dia passei.
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Pois em você encontrei
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Por isso sigo sozinha,
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Tudo que estive a procurar.
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Não levo aquele que amei.
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Do céu caiu um cravo,
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Sonho com a esperança,
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No chão nasceu um jardim,
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Do dia de você chegar.
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Bendita seja sua mãe,
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Sonhando com novas flores
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Que criou você pra mim.
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Novos amores devo encontrar.
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Fui no livro do destino
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Menino da boca doce,
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Minha sorte procurar,
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Lábios de porcelana,
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Em suas páginas encontrei,
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Um beijo de sua boca,
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Que nasci pra te amar.
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Me sustenta uma semana.
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Meu grande amor é você,
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Eu queria ser a rola,
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Isso não posso negar,
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A rolinha do sertão,
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Pois quanto mais eu te beijo
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Queria fazer um ninho
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Mais eu quero beijar.
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Dentro do seu coração.
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Voa passarinho
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Nem todo menino é moço,
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Não me venha aborrecer,
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Nem toda lágrima é dor,
|
Não me venha trazer notícias
|
Nem todo sorriso é alegria,
|
De quem eu quero esquecer.
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Nem todo beijo é amor.
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Queria ser uma flor,
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Se o meu coração partisse,
|
Para viver no deserto,
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Eu te dava um pedacinho,
|
Eu amo você de longe,
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Mas como ele não parte,
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Porque não posso amar de perto.
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Te dou ele inteirinho.
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Tu disseste que sou culpada
|
Roseira que dá rosa,
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De querer-te para mim,
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Craveiro me dá um botão,
|
Culpados são seus pais,
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Amor, me dá um beijo,
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Que o fizeram lindo assim.
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Que eu te dou meu coração.
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A primeira vez que te vi,
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Sei que você gosta de mim,
|
Meu primeiro olhar lancei
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Embora diga que não.
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E fez nascer um amor
|
A boca nem sempre diz,
|
E por ti me apaixonei.
|
O que senti o coração.
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* Texto: Ulisses Passarelli
*** Agradecimentos especiais a Cida Salles, pela inestimável ajuda na coleta das quadras.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Troca de Bandeiras
Consiste em um grupo abordar o outro e oferecer sua bandeira aos devotos do outro grupo, que de imediato a beijam, passando-a o bandeireiro por cada um dos componentes e em contrapartida ofertam a sua para igual saudação. Concluídos os cumprimentos, destrocam-se as bandeiras com versos laudatórios e elogiosos de parte a parte e cada grupo segue seu destino. Tem caráter ocasional, pois depende do eventual encontro.
Nas festas em geral muitos grupos se deparam, nem sempre porém o ritual ocorre, excetuando-se dois grupos muito amigos, independente da programação dos festeiros.
Em Carrancas, contudo, assisti em 07/11/2004, na Festa do Rosário, a troca como parte programática da Festa do Rosário, quando todos os ternos após o Recolhimento do Reinado, diante do Rei Congo e da Rainha Congo, assim ritualizam, tendo como anfitrião de todos a guarda de congo local. O verso de convite é:
E assim os bandeireiros respectivos trocam. A seguir o terno abordado tem o direito a cantar um verso de resposta, cordial e laudatório e depois destrocam para se repetir entre o congo local e outra guarda visitante.
Nas folias o ritual pode ser um pouco mais complexo posto que pode haver apenas a troca de bandeiras como nos congados ou o se complementar com o cruzamento das bandeiras. Eis uma chamada ao ritual:
Os dois bandeireiros ou os palhaços, seguram as bandeiras enquanto se estende um extenso ritual de cantoria de saudação.
![]() |
| Cruzamento de bandeiras num encontro de folias em São Sebastião da Vitória (São João del-Rei/MG), janeiro/1996. |
Completada a saudação, as bandeiras são trocadas enquanto um folião canta e o outro ouve. Depois se cala para ouvir aquele que saudou. Só então destrocam, após verso próprio, pedindo a devolução da bandeira.
Já um encontro não fraterno não tem troca de bandeiras, ou então, no caso das folias, quando estão cruzadas, surge a demanda que se estende em forma de versos desafiadores com perguntas enigmáticas sobre as tradições fundamentais do grupo, que devem ser respondidas em verso. Em caso negativo, a bandeira é tomada e a folia passa a andar com duas bandeiras. Mas este processo de desafiar e tomar bandeira sobrevive apenas na memória dos mais velhos, pois de fato, caiu em desuso. Pelo menos aqui nesta região...
* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotos: encontro de folias, Ulisses Passarelli; encontro de congados, Iago C.S. Passarelli.

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