Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Costumes populares na Paixão do Senhor

Nas cidades históricas existe uma atmosfera tão peculiar nesse dia, que não há palavras que a defina. Além dos ritos sagrados da Igreja, das celebrações, muitos costumes populares se observam neste dia.

Aqui em São João del-Rei e arredores, uma antiquíssima tradição leva muitos à serra, madrugadinha, famílias inteiras, até o alto dos montes pedregosos, onde o reencontro com o Deus acontece. Desafoga-se o peito... preces, entretenimento, apreciação da natureza, colheita de ervas medicinais _ que valem para o ano inteiro, tidas por bentas. Diz a crença que a colheita de arnicas, rosmaninhos, alecrins, congonhas e outras deve ser antes do sol secar o orvalho das folhas, pois esta umidade consideram sagrada. Uma senhora dizia-me que é como o suor de Jesus Cristo... sagrado. Neste dia tudo é assim.

Nas roças não se vende leite na Sexta-feira Santa. Nos currais os retireiros esgotam as vacas e doam o leite às pessoas. É costume fazer doce com este leite. Em São João del-Rei, muitas pessoas saem do Tijuco e vão pelo caminho das Águas Gerais até o Cunha, Brumado de Baixo, Chapada e São Gonçalo do Amarante, do outro lado da Serra do Lenheiro buscar leite, bem cedo. 

Por força de uma prescrição inquebrantável não se deve trabalhar na busca do lucro. É dia de preceito. Mexer com ferramentas de carpintaria nem pensar... martelo? De jeito nenhum! Não se bate um prego neste dia, não se imita o gesto ignóbil de pregar o Salvador.

Não xingar, não cuspir, não beber, não comer carne, não ouvir música por mero entretenimento, não assoviar nem cantarolar, não demonstrar alegria, não contar piadas, não caçar, não pescar, não jogar futebol, baralho ou qualquer outro jogo, etc... A tradição não recomenda. Não é tempo de mostrar alegria. Deve-se concentrar na memória da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nem os sinos batem. Só as matracas nas portas das velhas igrejas: "_ para a cera do Santo Sepulcro!" _ clamam os meninos quando recolhem um óbolo, matraqueando estrepitosamente.

Três da tarde é hora do máximo respeito, 15 horas, quando o Messias fechou os olhos. Nos quintais, fura-se um buraco pequeno no chão e se cospe três vezes dentro e enterra-se (os males...). Depois se bebe um copo de chá (de congonha, de erva-cidreira ou outra). 

Junto aos templos algumas pessoas vendem arnicas, congonhas e rosmaninhos. Outros mais, milho verde cozido, cartuchos de amêndoas, beijo quente e maçã do amor. Alimentos de valor cultural. 

Enquanto isto, outros tantos manipulam areias e serragens tingidas e preparam os típicos tapetes de rua que logo mais, à noite, receberá a Procissão do Enterro. Arte efêmera, de construção coletiva, criatividade pura, dinâmica e de baixo custo, sacralizando as vias públicas. 





Aspectos da confecção dos tapetes de rua. 

Jovens na entrada da Igreja de São Francisco com matracas recolhem
donativos anunciando a característica frase:
 "_ Para a cera do Santo Sepulcro!"


Comércio de arnica e outras plantas medicamentosas e aromáticas.

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 14/04/2017, São João del-Rei

domingo, 9 de abril de 2017

Semana Santa: a Procissão de Ramos

Um domingo antes da Festa da Ressurreição é Ramos. Domingo de Ramos, hoje. Das igrejas o povo em procissão carrega ramos verdes louvando a Cristo. 

As raízes estão na Bíblia Sagrada. O Evangelho de Mateus narra no capítulo 21 (versículos 1-11) como foi triunfal a entrada de Jesus em Jerusalém perto da Páscoa, montado numa jumenta como previra o profeta. Disse o evangelista: "Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia clamava; 'Hosana ao Filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!" [1] Em João, explicitamente, diz o evangelho: "Saíram eles ao seu encontro com ramos de palmas, exclamando: 'Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!' "

A prática é extremamente difundida como festa litúrgica e assim, um número incontável de capelas, igrejas, paróquias a executam: fiéis acompanham a imagem triunfal do Cristo ou a custódia; o clero participa devidamente paramentado; o canto entusiasmado de hinos fica evidente e ramos acenam ao ar pelas mãos dos devotos. Os próprios templos se ornam, enramados nesse dia. 

Sobre a antiguidade desta procissão servirá de testemunho o texto de Saint Hilaire (1944, p.157), referindo-se à Procissão do Domingo de Ramos, nas primeiras décadas do século XIX, em Capitinga, próximo a Piunhi: 

"Encontrei muita gente que de lá voltava e levava grandes frondes de palmeira bentas. Estas verdadeiras palmas, em uso em todo o país lembram muito melhor a origem da festa do que os mesquinhos ramos de bucho ou loureiro que se distribuem nas nossas igrejas". 

Informou ainda que o bucho era distribuído nas igrejas do norte francês e o loureiro nas do sul da França. 

Essas festas em verdade tinham imenso valor no interior nacional. Ramos abre a Semana Santa, que culmina com a Festa da Páscoa. Disse o mesmo autor acerca das famílias rurais indo à missa: 

"No sertão, onde as fazendas são frequentemente bastante afastadas da paróquia, só os homens aí vão no decorrer do ano; mas nas duas grandes festas, Natal e Páscoa, a família inteira empreende a viagem; empilham-se as mulheres e crianças nos carros de boi; passam-se alguns dias na casa que se possui na vila, e, em seguida, volta-se à habitação." (Saint Hilaire, 1944, p.165). 

Pela mesma época, com pouca diferença, Debret (1972, p.144) também confirmava a popularidade da festa pascoal: "as festas de Natal e da Páscoa, sempre favorecidas no Brasil por um tempo magnífico, constituem épocas de divertimentos tanto mais generalizados quanto provocam mais de uma semana de interrupção no trabalho" .

Essas palmas (Cycas), ramos de várias palmeiras (areca, aricanga (Geonoma), indaiá e outras), além de vegetais aromáticos (manjericão, rosmaninho, alecrim), usadas e abençoadas na procissão deste dia, o povo guarda em casa o ano todo crendo no seu poder de afugentar os males. Se é percebida uma presença estranha em casa, como um mal assombro, ou se uma forte tempestade ameaça estragos, basta queimar a palha benta de Ramos e sua fumaça, qual incenso sagrado, afugenta os malefícios. O poder desta palha vence no Domingo de Ramos do ano seguinte, quando ela deve ser substituída por outra. 







Fotografias 1 a 5 - Procissão de Ramos entre a Igreja de Nossa Senhora
do Rosário e a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, em São João del-Rei. 


Referências 

Bíblia Sagrada. 6.ed. São Paulo: Ave Maria, 1965.

DEBRET, Jean Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. 2.ed. São Paulo: Martins, 1972. v.3. 296p. Coleção Biblioteca Histórica Brasileira, n.2.

SAINT-HILAIRE, Auguste. Viagem às nascentes do Rio São Francisco e pela província de Goiás. Rio de Janeiro: Nacional, 1944. 343p. v.1, 157. Coleção Brasiliana, série 5ª, v.68. 

Créditos

-Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 09/04/2017.

Notas

[1] Outros evangelhos também registraram esta passagem: Mc 11, 1-11; Lc 19, 29-40; Jo 12, 12-19.

- Revisão: 22/05/2026. 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Quinta-feira de Trevas

"Trevas" é como popularmente se chama a quinta-feira da Semana Santa à guisa de um sombrio epíteto. Quinta-feira Santa. O nome é um corolário de todo o ideal de terror que se infundia entre os fiéis durante a quaresma. 

Foi o dia no qual Cristo foi aprisionado pela traição de Judas Iscariotes. Em São João del-Rei, é o dia tradicional da “visitação das igrejas”, quando os devotos à partir das 18 horas vão aos antigos templos do centro histórico visitar um por um, fazer suas orações e ver as montagens cênicas alusivas aos últimos dias de Jesus como humano. Cada templo se esvazia de seus bancos ou os arreda; o assoalho é recoberto por muitas folhas de rosmaninho, que exalam odor característico, muito intenso; todas as imagens dos altares estão recobertas por panos roxos; a luz está atenuada para melhor efeito da montagem, pois é sobre ela que se focaliza a iluminação; como fundo musical se ouve música barroca. Na porta da igreja, meninos batem matracas de tempo em tempo. Quando chegam fiéis, apresentam-lhes uma sacolinha para recolher o óbolo, gritando mecanicamente ao estendê-la: “para a cera do Santo sepulcro!” e matraqueiam alto. Sem dúvidas, é uma cena característica. As ditas montagens são compostas por grandes painéis pintados com figuras bíblicas, ou, mais comumente, por manequins vestidos à imitação de apóstolos, judeus, etc., ou com a mesma função, santos de roca, despidos das vestes habituais e trajados com roupas e adereços que os fazem representar personagens. Vasos de flores, objetos variados, túnicas, barbas postiças, candelabros, cântaros, etc., vão compondo o cenário. Numa igreja se representa a cena da última ceia; noutra, por exemplo, o calvário; ainda outra, a ressurreição de Lázaro, além de outros episódios marcantes. A porta de cada igreja, adultos e crianças vendem cartuchos de amêndoas, arnica, alecrim de horta, manjericão e rosmaninho, considerados bentos nessa época. Aliás, os altares também se revestem dessas ervas medicinais. Os passinhos estão também abertos à visitação, inclusive o oratório de Nossa Senhora da Piedade e do Bom Despacho. 

Mais tarde, terminadas as visitas, aos fundos da Catedral do Pilar, num grande palanque, tendo por fundo um painel com a pintura da mesa da Santa Ceia, realiza-se a solene cerimônia do Lava-pés, quando o bispo com uma bacia, água e uma toalha, lava e enxuga os pés de doze padres, fazendo lembrança do gesto humilde de Jesus para com seus apóstolos. Grande multidão assiste à tocante cerimônia. Em muitas cidades ela é realizada, com maior ou menor pompa. O clima barroco e da música sacra são-joanenses a fazem em tudo especial. 

Nas roças, ocorre ou ocorria, nessa noite, um interessante costume, agora, caso ainda existente, banido para os locais mais recônditos: indivíduos, valendo-se do escuro e calada da noite, vagam pelos quintais alheios, roubam coisas fúteis, objetos de pequeno valor. Em alguns lugares o produto roubado era anunciado à vítima, que nada fazia, como se permitisse a ação. 

No Sábado da Aleluia, tudo quanto fora roubado surgia no interior da Chácara do Judas e ninguém o retomava para si, mesmo reconhecendo o seu objeto que sumira. Quando da leitura do Testamento do Judas, ao ser citado fulano ou sicrano nos versos, o mesmo recebia por herança o próprio objeto que lhe fora furtado. 

Esse roubo consentido, não traz assim prejuízo material e em si contém uma crítica por ser ao seu próprio dono, aos olhos da comunidade, um presente devolvido pelo traidor de Cristo; portanto, uma farpa moral. O sentido simbólico é profundo. 

Em alguns lugares essa quinta-feira é justamente chamada “Dia da Judiaria”, pois além da ação dos larápios, fazem ainda travessuras a horas mortas, como abrir porteiras e galinheiros, comportas de moinhos, etc. Tudo é permitido nesse dia “sem lei”, pois a lei maior do mundo, o Messias, foi preso por traição. Judiaria é termo que remete aos atos dos judeus que condenaram o Filho de Deus, como também aos profetas que lhe prenunciaram. Essas questões ligadas aos judeus são constantes na cultura popular cristã. Com base nisso é que existe até o verbo “judiar”: fazer maldades, e daí, judiado, judiação, judiaria. Muito embora no presente, novas correntes de pensamento ou outras visões sobre as palavras condenem seu uso e estimulem o abandono dessas expressões, por representar uma discriminação contra esse povo, no entanto, tal discussão permanece mais nos meios intelectuais, enquanto nos populares o uso persiste arraigado. 

Uma quaresmeira (melastomatácea) da Serra de São José,
flor muito representativa do período em questão.
O roxo é a cor símbolo da quaresma.

Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografia: Iago C.S. Passarelli, 2015.

Notas

- Revisão: 19/03/2026. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Sexta-feita da Paixão em Conceição da Barra de Minas

O Descendimento da Cruz e a Procissão do Enterro

(ofereço em especial ao pároco dessa cidade, por sua dedicação e sensibilidade)

O ciclo da quaresma é um período riquíssimo em manifestações religiosas fortemente eivadas de valores culturais. Nos Campos das Vertentes estes eventos tem muita força e tradicionalidade, conhecidos em várias cidades e distritos, alcançando em algumas grande vigor, a exemplo de Prados, Tiradentes e sobretudo São João del-Rei, onde atingiu um patamar extraordinariamente preservado, que lhe garante um grande afluxo de visitantes e fiéis. 

Nesta postagem o olhar se volta para a aconchegante Conceição da Barra de Minas, cidade de origens setecentistas que ainda conserva belos exemplares arquitetônicos em igrejas e casario, e muitos costumes dignos de nota. Ora focamos o Descendimento da Cruz e sequencialmente a Procissão do Enterro, na Sexta-feira da Paixão, segundo observação de 2014. 

A cruz do Senhor e figurados diante da matriz paroquial.
Na praça da matriz, diante da imponente igreja da padroeira, Nossa Senhora da Imaculada Conceição, é armada uma arquibancada de madeira centrada pela grande cruz onde está fixada a imagem de Jesus. De um lado e outro se postam os "figurados", assim chamados os figurantes, pessoas da comunidade que nesse dia se caracterizam em papéis bíblicos, tais como centuriões romanos e apóstolos, Moisés, João Batista, Salomé e Herodíades, etc. (*)

O sacerdote ressalta os valores da fé cristã. 
De uma tribuna posta adrede, entre os figurados e o povo na praça, o pároco, Padre Saulo José Alves, em eloquente e empolgante oratória, perfeitamente embasada nos preceitos evangélicos, mantém toda a grande massa de fiéis presentes em contínua atenção para os elementos sagrados da Paixão do Senhor. 

Sequência do Descendimento da Cruz.

Ao fim de sua pregação conclama aos personagens José de Arimatéia e Nicodemos a passo a passo, descer a imagem do Crucificado: primeiro lhe tiram os cravos das mãos, depois é suspenso pela toalha alvíssima, a seguir o cravos dos pés, e lentamente vai sendo descido ao colo da jovem que representa Maria, a Mãe Dolorosa. Momento tocante, clímax simbólico de toda uma catequese magnificamente teatralizada com o máximo respeito e participação na fé de fiéis daquela comunidade.

Vêronica canta com toda dramaticidade.

Após a prédica a Verônica sob à tribuna e canta com grande sentimento o "O vos omnes": há dor maior que a minha dor? Vagarosamente desenrola a toalha onde está estampada a face do Salvador e depois aos poucos a enrola de novo. Fazendo-lhe eco, lamentam as três Maria Beú: "Heu, Deus!"

As lutuosas Maria Beú, uma representação das tradicionais três Marias.
São plangentes carpideiras em sentinela pela morte de Cristo.

A veneranda imagem do Senhor Morto é descida ao esquife. Sua sobriedade é quebrada pela cor intensa de algumas flores de orquídeas, Cattleya loddigesii, carinhosamente ali depositadas. O cortejo processional toma forma, saindo pela praça. Na dianteira o grande estandarte carregado na horizontal, deitado, com a sigla da condenação, SPQR. Os figurados se seguem em notável harmonia, iniciados por Adão e Eva, dois jovens em vestimenta básica de folhas artificiais. Ele traz um cipó de forma espiralada enrolado no ante-braço evocando a astuta serpente; Eva vem mordendo uma maçã. Seguem-se muitos outros personagens, povo e mais povo, gente que não acaba mais, parece que a cidade toda está ali. A banda vem também, com suas marchas fúnebres.

A banda honra a antiga e enraizada tradição musical do lugar.
Pelas tantas vem o esquife do Senhor Morto sob o pálio roxo, ladeado por centuriões e membros da Irmandade do Santíssimo Sacramento. A sua passagem é acompanhada por quase todos. Quem não vai por algum motivo, se persigna à sua passagem. 

O pálio com o esquife. 
Fiéis rezam o terço, concentrados. Alguns vem de vela à mão, contritos. Ser devoto é ter a alma preenchida de luz. O lume emana, irmana.
Uma devota.  
Uma nota pitoresca que hoje muito raramente se vê noutros lugares nessa cidade está felizmente preservada: é a presença dos farricocos, que a corruptela popular transforma em "fura-cocos", marchando céleres, de dois em dois, batendo matracas. Há duplas que caminham no sentido do fluxo da procissão, outras no inverso e às vezes se cruzam matraqueando numa cena assaz pitoresca. No passado, seu papel era manter a ordem das filas contra a invasão de bêbados ou eventual desordem de alguma criança, fustigando os desobedientes com varadas. Abolida a forma do castigo, permanecem impondo a presença mascarada em cone, no traje preto profundo, figuras ancestrais, simbólicas.

Farricocos.
A presença dos farricocos é uma nota especial desta procissão em Conceição da Barra de Minas, conferindo-lhe uma importância ímpar no cenário das tradições das Vertentes. São de origem ibérica, trazidos ao Brasil colonial e mantidos em muito poucas cidades.

Farricocos.
A procissão desliza, serpenteia, como um fluxo gigante de devotos entre o casario cheio de preciosidades arquitetônicas. Por fim vem o andor de Nossa Senhora das Dores, aglomerando mais fiéis ao redor. O itinerário é longo, penitencial. Mas ninguém reclama. Todos estão ali pelo mesmo motivo, a mesma fé motriz, tendo a tradição por leme.

Parte da multidão de fiéis que toma as ruas durante a Procissão do Enterro.

Conceição da Barra de Minas deve se ufanar de seus costumes e envidar todos os esforços em prol de sua preservação, dentre o patrimônio material e imaterial, que em verdade só tem plenitude de sentido quando são sentidos assim, vivenciados e compartilhados, não um mero cenário, mas parte integrante da vida em comunidade.

Notas e Créditos

* Obs.: em São Miguel do Cajuru, distrito de São João del-Rei, informações orais deste ano dão conta de que entre os figurados da Paixão naquela vila estão as Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade), Adão e Eva (cobertos com folhas de café!), os Apóstolos, Moisés, Abrãao e Isaac, Centuriões, Ester, Maria de Cléofas, José e Maria, Nicodemus, José de Arimatéia, Verônica e as três Maria Beú. A informante citou ainda escoteiros. 
** Texto: Ulisses Passarelli
*** Fotos (19/04/2014): Iago C.S. Passarelli
**** Agradecimentos: Daniel William Dias Nascimento, pelo apoio concedido. 
*****Sobre as tradições quaresmais desta cidade, leia também, clicando no link abaixo:

ENCOMENDAÇÃO DAS ALMAS EM CONCEIÇÃO DA BARRA DE MINAS  

sábado, 19 de abril de 2014

Visitação das Igrejas

Uma crônica da Quinta-feira-Santa

Na São João del-Rei tricentenária, a atmosfera barroca envolvente, eivada de história e cultura por toda parte, geriu um complexo sistema de crenças, rituais e cerimônias, que foi construído sobre as atividades religiosas do ciclo quaresmal. Seu ápice são as atividades sacras da Semana Santa. 

1- Visitantes na Igreja das Mercês.

O fiel encontra muitas possibilidades, bem como o turista, entre assistir missas, acompanhar procissões, ofícios, lava-pés... Mas em especial nesta postagem, se focaliza a Visitação das Igrejas, um antigo costume desta terra, que se mantém plenamente ativo desde longa data. 

É muito intrínseco ao são-joanense e até difícil achar palavras para descrever de forma adequada. É preciso vir, ver, visitar, sentir... Cheiro, sons, cores, burburinho de gente, matraqueados, sabores de amêndoas, ver cortinas roxas. Acontece na plenitude de uma romaria familiar, que de toda a cidade acorre para o Centro Histórico, com ruas cheias de gente. Desenvolvem um roteiro pelos templos, que permanecem abertos e aromatizados por ervas: rosmaninho, arnica e manjericão [1]

2- "Para a cera do Santo Sepulcro!" clamam meninos em peditório
com matracas na porta das igrejas, como estes, no Rosário. 


Na porta de cada igreja ficam meninos com matracas, sentados junto a um pequeno cofre de madeira ou com coletores de pano vermelho em forma coador. A aproximação dos visitantes batem a matraca e falam alto e ritmado: "para a cera do santo sepulcro!" e desta forma recolhem donativos. 

3- Capela do Santíssimo, Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar.

As Capelas do Santíssimo Sacramento estão floridas. O entra e sai é grande. Gente fotografando, povo a rezar. Na Igreja do Pilar o aspecto é imbatível, pelo volume de vasos, requinte e zelo. Afinal é a Catedral Basílica.

O roteiro para esta postagem seguiu inicialmente à Igreja de São Gonçalo Garcia. Vencida a escadaria charmosa, curvilínea e o portão de ferro gradeado, simples, mas não isento de seu encanto, se depara com uma fila de visitantes estancada diante da imagem de Santa Luzia, muito venerada neste templo. O ritual é o seguinte: beija-se a fita, passa-se os dedos sobre os olhos da santa, esculpidos na salva que segura, e esfrega-se estes dedos sobre os próprios olhos para assegurar a boa visão. As demais imagens estão recolhidas nas salas laterais, acessíveis para visita, com destaque para o padroeiro; também estão Santa Joana d'Arc, Santo Expedito e Nossa Senhora do Amparo. 

4- Cenografia no São Gonçalo: luzes e fumaças dramatizam a encenação.
Som mecânico reproduz a música de nossas orquestras bicentenárias, ecoando no ambiente
.

Um quadro curioso se desenha no presbitério. Atrás de um biombo de pano aberto ao centro, com desenhos de uma floresta, que ambientam o cenário, uma imagem do Senhor está ladeada por dois anjos suspensos. A transfiguração é relembrada. Um jogo de luzes e fumaça climatizam a encenação. Uma longa fita vermelha vem da imagem, anteparada por uma fileira de bancos atravessados. O povo a beija, persigna-se, ajoelha, admira e reflete. 

O passo seguinte é o São Francisco, igreja alcançada pela Rua Balbino da Cunha. Logo de saída se vislumbra o belo Chafariz da Legalidade, de 1834. O templo magnífico mantém nas janelas as grandes flâmulas com a ignóbil sigla SPQR [2]. Logo à entrada, na base da escadaria em espiral, feita de pedras, um Senhor Morto jaz entre ramos de arnica, velado por dois círios. Tudo está escuro. Só o bruxulear das chamas lampeja tênue no ambiente sagrado. A cena rememora o sepulcro. 

5- O Sepulcro do Senhor, na monumental Igreja de São Francisco de Assis.
 
A grande igreja está no escuro. É Quinta-feira de Trevas. O mundo está na escuridão, a morte domina momentaneamente devido à maldade humana, que condenou o Filho de Deus. É preciso compreender o clima de pensamentos dessa noite, desse cenário didático para a religiosidade. No altar-mor, imagens de roca dos santos franciscanos ora estão em novas posições graças às articulações dos braços e pernas. Com outras roupas e adereços, são agora centuriões de capacete e lança, apóstolos medrosos com túnicas. Adaptabilidade! 

Na travessia da nave para a sacristia, no corredor, há um velho banco-baú e uma eça de madeira bem escura, com uma caveira entalhada. Móveis tenebrosos. A grande e bela imagem de Nossa Senhora da Conceição se impõe na sacristia, terna, com um olhar carinhoso, abrangente... Toda florida. Muitos vão vê-la. 

A Igreja de Nossa Senhora de Lourdes nessa noite não faz parte do conjunto de encenações, mas está aberta e com transcurso de missa. Santo Antônio zela a entrada em capelinha aconchegante, que relembra uma gruta religiosa. Santo queridíssimo. Tem uma multidão de devotos. Descido o largo, que se continua com a Rua da Prata (oficialmente Padre José Maria Xavier), se vislumbra um passinho aberto, e gente ajoelhada na capela do convento, em contínua oração, terços e mais terços, começados por uns, emendados por outros. 

A Ponte do Rosário, maravilha em pedra do ano 1800, nos leva à rua mariana, à "Direita" do caminhante, ora Getúlio Vargas. A antiga igreja dos escravizados, de 1719, tem muitos fieis no interior. No presbitério a montagem com anjos e luzes. Na sacristia a Grande Mãe, de rosário à mão está belíssima como sempre, majestosa! De sua janela, se vê a lua cheia saindo por detrás dos velhos telhados. "Não há Paixão sem cheia", diziam os antigos, se referido à fase lunar inalterável em toda Semana Santa.

6- Rosário: a Grande Mãe.
 
Do Rosário se toma a Rua Santo Antônio, transformação urbana, setecentista, do longínquo Caminho Geral do Sertão. O casario desaprumado se engalana de roxo para a visitação. Panos pendem das fachadas coloniais. A fé transborda das janelas. O luto sai de dentro das casas para a rua de pedra pé-de-moleque, prateada pelo clarear da lua cheia. 

7- Rua Santo Antônio: a fé transborda das velhas janelas como uma lutuosa onda roxa.
 
Na simpática capelinha do taumaturgo lisboeta, o jogo de luzes dramatiza e evidencia o triunfo de Jesus sobre a morte. Abaixo de seus pés um anjinho de joelhos vela silencioso um sepulcro vazio, forrado de rosmaninho e arnica serranos. O padroeiro Santo Antônio está de pé na sacristia, cheio de flores, com vestes sacerdotais. Não lhe faltam visitantes fidelíssimos. 

8- Jogo de luzes sobre o Senhor do Triunfo na simpática Capela de Santo Antônio.
 
O retorno pela mesma via se desvia à esquerda pela Travessa Roque T. Neto (que ainda conserva interessante paredão de pedras que arrimam um quintal); o aclive em graciosa curva ruma à Rua das Flores (oficialmente, Maestro Batista Lopes, desde 1938), onde o visitante passa por significativo patrimônio arquitetônico residencial e vai à novel Capela do Divino, que tem cara de antiga, porque se instalou em prédio secular, adaptado à função. Com muito charme, tem uma relíquia no teto: pinturas do pincel genial de Joaquim José da Natividade, em estética rococó, sob técnica ilusionista de pintura. A montagem neste templo nada deve aos mais antigos. Vemos aqui a sequência da Assunção de Maria num jogo de três imagens belíssimas, dispostas em três níveis: Nossa Senhora da Boa Morte ao nosso nível, "morta", dormindo, sereníssima em seu esquife; Nossa Senhora da Assunção, intermediária, subindo, de braços abertos, sentada numa nuvem, sapatinhos caindo para a Terra; Nossa Senhora da Glória, de joelhos, nas alturas do altar-mor, mãos contritas em atitude de prece, coroada pela Santíssima Trindade. A didática catequética dessa encenação barroca é notória. Fala por si, se revela com eloquência.

9- Na Capela do Divino, Maria se eleva em planos de santidade

Na descida para a Muxinga passa-se por dois cemitérios vizinhos, lado a lado, de irmandades diferentes. A subida pela beira do hospital se chega ao Largo da Câmara, pelourinho de um lado, Igreja das Mercês acima. Alcançar-lhe já é um ato penitencial, escadaria de pedra, larga, comunitária, afunilando para a porta da igreja. Estreito é o caminho que leva à Deus. A evangelização está em tudo. Parece que foi planejado meticulosamente. 

10- Nas Mercês a lição da humildade relembra a origem simples de Jesus,
num tempo em que a soberba domina a humanidade.

 
A montagem cenográfica mostra-nos agora o outro extremo da vida de Cristo: a Gruta de Belém. A Sagrada Família comovedoramente humilde se ilumina entre carneirinhos e um galo curioso. A Santa Mãe banha seu filho sagrado numa gamela artesanal de madeira, dessas de fazer broa. É a Belém mineira! Uma livre interpretação, verdadeira riqueza improvisada, criatividade que confere um regionalismo especial ao conjunto. Já se ouve belos acordes de uma marcha de Luiz. Na sacristia, a música de Batista Lopes soa maravilhosa numa caixa de som escondida entre flores, que rodeiam a imponente Virgem das Mercês, libertadora, rompedora de correntes, malditos grilhões que escravizaram. Depois de vislumbrá-la, nada mais bucólico que ver seus jardins, uma alameda cheia de bromélias, folhagens, flores, cavalinhas, entre pedras e fontes, que terminam numa gruta iluminada, com a imagem de Nossa Senhora de Lourdes. 

11- Água cristalina numa fonte da alameda da Igreja das Mercês.
 
A escadaria está cheia de famílias e turistas, subindo e descendo. O mirante permite ver uma parte do núcleo histórico da cidade e ao longe, na colina oposta, um cruzeiro luminoso ladeia a pequena Capela do Bonfim. Mas logo abaixo do observador está um grande painel, fixado na parede de fundo da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Retrata a Santa Ceia. Diante dele um palanque serve à missa campal do Lava-pés. Uma mesa representa o local da instituição da eucaristia. Muita gente assiste e ora. Ao redor, vendedores de pipoca com seus carrinhos típicos e outros ambulantes tradicionais, como aquele que fica com uma grande haste onde se finca coloridos algodões doces - sabores da infância; outro, está com um bujão de gás hélio para encher balões, bexigas de ar, alegria das crianças. 

A Capela do Santíssimo no Pilar como já dito, apresenta-se lindamente florida. A Rua Getúlio Vargas está com os dois passinhos abertos, bem como o Oratório de Nossa Senhora da Piedade. Há ainda o Museu de Arte Sacra e o Memorial Dom Lucas. Atrações não faltam. A atmosfera religiosa é dominante, refletindo ainda o elo colonial que ainda reverbera. Diante da catedral, populares vendem arnica, amêndoas, maçãs do amor e outras delícias típicas.

      
12, 13 e 14 - Maçãs do amor, cartuchos de amêndoa e a medicinal arnica: produtos típicos em venda pelas ruas. 

A última estação dessa caminhada da fé é o Carmo. A luz filtrada do largo impõe certa penumbra que ambientaliza. Os lampiões acesos dão o tom. É igreja imponente, joia colonial. Diante dela um grande tapete de serragem colorida dá as boas vindas e sacraliza até os paralelepípedos de pedras do calçamento que se pisa. Tudo se faz sagrado. A contemplação deve ser nesta perspectiva, independente da fé que se professa; e ainda que não se tenha uma, o olhar cultural respeitoso é uma premissa, imerso no contexto histórico daquele gente e seu espaço de memória, seu locus afetivo (lugar geográfico). A entrada é tão concorrida pela beleza e conteúdo ofertados, que não é fácil chegar ao altar. Uma longa fila se forma. Enfim, ver a Senhora do Monte Carmelo e elevar-lhe preces é como coroar esta via-sacra. 

15- Movimentação na Igreja do Carmo.
 
Eis a peregrinação anual do são-joanense. Se for feita na direção proposta ou na inversa, ou num sentido aleatório, não importa. Ninguém lhe manda fazer isto; o fiel não é convocado. É invocado, pelo seu instinto sagrado, que mais parece incrustado no DNA. Semana Santa em São João del-Rei é assim: acolhedora, sagrada, musical, cultural, com perfumes de ramos desfolhados; é dramática e barroca. Não é um espetáculo forjado. É uma essência vivenciada, "ecossistêmica", que só se justifica porque a fé permanece viva geração após geração.

Referências Bibligráficas

CINTRA, Sebastião de Oliveira. Nomenclatura das Ruas de São João del-Rei. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, n. 6, 1988. 24 p.(Separata). 

GAIO SOBRINHO, Antônio. Sanjoanidades: um passeio histórico e turístico por São João del-Rey. São João del-Rei: A Voz do Lenheiro, 1996. 104p.il. p.54. 

Créditos 

- Texto e fotografias 3; 12 a 15: Ulisses Passarelli.
- Demais fotografias: Iago C.S. Passarelli.  
- Data de todas as fotografias: 17/04/2014. 

Notas 

[1] A contemplação do roteiro aqui sugerido é no espírito do que foi preconizado na postagem Os Cinco Sentidos do Patrimônio

[2] SPQR: iniciais da expressão latina Senatus Populus Que Romanus (Senado e Povo Romano). São estampadas em amarelo ou dourado sobre flâmulas roxas como símbolos da autoridade terrena, do poder político e militar, que reinou durante a crucificação de Jesus. As pessoas interpretam, contudo, esta sigla de forma jocosa. Ouvimos três versões populares em São João del-Rei: uma delas diz que SPQR é "São Pedro quer rapadura"; outra, "seu padre quer rapé"; uma terceira, declara: "sal, pão, queijo, rapadura"...  O Professor Antônio Gaio Sobrinho registrou também "salve povo querido de Roma" e ainda "sou poeta quando ronco"... Entretanto, frisou: "mais bela e significativa é certamente a que li num dos barroquíssimos sermões de Vieira: "Salva Populum Quem Redemisti, isto é, Salva o Povo Que Redemiste."

- Revisões: 14/04/2025 e 01/04/2026. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Rosmaninho

Nesse tempo quaresmal e de Semana Santa, um odor campestre exala dos templos católicos desta região: é o rosmaninho, ou como diz o povo, rosmanim.

É um velho costume, sobretudo da Semana Santa, esparramar no assoalho das igrejas, por todo o tabuado, folhas desta planta, que aromatizam o ambiente, contribuindo para a atmosfera reflexiva que este ciclo religioso reclama para si. Os altares laterais e os passinhos também ganham seus ramos, e aparecem outrossim em grutas religiosas. 

Alguns devotos, por sua vez, esparramam as folhas em casa, acreditando numa bênção especial para a residência. Pode-se com a mesma intenção guardar para enfeitar oratórios, pondo-os em jarras, que aromatizam os lares.

Outros mais, nos terreiros de religiões de matriz africana, igualmente o fazem na área de cerimônias, sendo considerado uma erva de Oxalá, orixá que o sincretismo sintoniza com Jesus. Tanto mais, uma vez secos, são queimados e a fumaça funciona como se fosse um incenso. Alguns umbandistas e candomblecistas usam o rosmaninho para banhos de energização.

Florada do rosmaninho 
(Hyptis carpinifolia, lamiaceae)
Para o homem do campo,
sua presença denuncia terras férteis. 
A tradição manda colhê-lo na madrugada da Quinta-feira de Trevas (quinta-feira da Semana Santa), antes do sol sair, quando seus ramos estão molhados pelo orvalho, tido por sagrado nesse dia. Dizia-me uma senhora, eivada de profunda fé, que o orvalho nesse dia representa o suor e as lágrimas de Cristo. Desfolha-se antes do meio-dia (12 horas, "hora aberta"...), sobre o chão já previamente varrido e deixa-se ali até o romper da Aleluia, no Sábado Santo. Durante esse período é interditada a varrição. 

Na frente das igrejas na Sexta-feira da Paixão, em São João del-Rei, não faltam os vendedores de ervas, populares que ofertam molhos de rosmaninho, arnica, manjericão, alecrim e outras plantas aromáticas ou medicinais, como as congonhas. Credita-se a elas um alto poder curativo se trazidas para casa nesse dia. Daí o povo da zona rural sair de madrugada ou bem cedo na manhã para os campos, subir morros e adentrar vales à caça de folhas e raízes medicinais, formando em casa um pequeno estoque ou farmácia caseira capaz de, ao longo do ano, suprir necessidades medicamentosas. Ao término da tarefa é costume se recolher a família a um lanche modesto à guisa de pique-nique, ou na reza de um terço, para só depois voltar à morada. 

O valor místico dessa erva é tal na concepção popular, que diz um ditado nessa região: “quem passar pelo rosmaninho e não cheirar, para o céu não irá” ou "(...) Jesus não salvará" ou ainda,"quem passou pelo rosmaninho e não cheirou, da Paixão de Jesus Cristo não se lembrou". 


Notas e créditos

* Texto e fotografia (2002): Ulisses Passarelli

quinta-feira, 6 de março de 2014

Programação da Semana Santa em Matosinhos, 2014


Este blog veicula na presente postagem a programação das comemorações sacras da Semana Santa na Paróquia do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, São João del-Rei/MG, previstas para 2014, replicando o conteúdo recebido via e-mail. Nesta oportunidade fica registrado o agradecimento à atenção de Éder F. Campos, pelo envio deste conteúdo. Vale ressaltar que as comemorações em questão, ano a ano, tem crescido em movimento, organização e qualidade neste santuário, sendo uma das mais relevantes festas do grande bairro de Matosinhos. 

Créditos

- Texto: UIisses Passarelli

Notas

Leia também: Semana Santa em Matosinhos (item 17)  
- Revisão: 25/05/2025. 

Anexo: programação 

Semana Santa em Matosinhos
Paróquia/Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos
Diocese de São João del-Rei/MG

Dia 02 de abril - às 19h30min, Mutirão de Confissões no Santuário.

Setenário das Dores de Maria Santíssima
De 04 a 10 de Abril
19h00-Na Igreja de Santa Teresinha - Missa, Setenário e Confissões.

Sexta-Feira das Dores - 11 de abril
19h00-Na Igreja de Santa Teresinha, Missa, Procissão de Nossa Senhora para o Santuário.
20h30min- No Santuário, Confissão Comunitária para os adultos.

Sábado - 12 de abril
10h00- Confissão Comunitária para as crianças na Igreja de Santa Teresinha.
19h00-No Santuário, Missa e  Confissão Comunitária para os casais.

Domingo de Ramos -13 de abril
08h00-No Inocoop, Bênção dos Ramos, procissão até o Santuário e Missa Solene.
17h00-Missa na Igreja de Santa Teresinha.   
19h00-No Santuário, Missa e Confissão Comunitária para os jovens.

Segunda-Feira Santa -14 de abril
07h00-Missa e Confissões  na Igreja de Santa Teresinha.
14h30min - Na Igreja de Santa Teresinha, Confissões.
18h30min - Na Igreja de Santa Teresinha, Confissões.
19h00- No Santuário, Missa e Procissão do Sr. dos Passos para a Igreja de Santa Teresinha.

Terça-Feira Santa -15 de abril
06h00- Via Sacra saindo do Santuário rumo a Igreja de Santa Teresinha.
07h00-Missa e Confissões na Igreja de Santa Teresinha.
14h30min - Na Igreja de Santa Teresinha, Confissões.
19h30min-Procissão do Senhor dos Passos saindo da Igreja de Santa Teresinha.
19h30min-Procissão de Nossa Senhora das Dores, saindo do Santuário.
20h00-Em frente o Santuário, Sermão do Encontro e Procissão para o calvário.
Pregador do Sermão: Pe. Javé Domingos da Silva (DD. Vigário da Paróquia de N.S. da Penha de França - Resende Costa).

Quarta-Feira Santa -16 de abril
06h00- Procissão Penitencial com a imagem de Nossa Senhora das Dores saindo do Santuário rumo a Igreja de Santa Teresinha.
07h00-Missa e Confissões  na Igreja de Santa Teresinha.
14h30min - Na Igreja de Santa Teresinha, Confissões.
18h30min - Na Igreja de Santa Teresinha, Confissões.
18h30min- Procissão da Soledade de Maria, da Igreja de Santa Teresinha rumo ao Santuário.
19h30min-No Santuário, Missa e  Confissão Comunitária para os adultos.

Quinta-Feira Santa -17 de abril
09h30min-Na Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar - Missa Solene do Crisma.
18h30min-No Santuário, Missa Solene da Ceia do Senhor, Sermão do Mandato, Lava Pés. Procissão interna do Santíssimo Sacramento e Adoração até à meia noite, na Capela do Santíssimo. Em seguida, desnudação dos altares.

Sexta-Feira Santa - 18 de abril
06h00-Via Sacra pública da CF 2014, saindo do Santuário rumo ao Cruzeiro Luminoso.
09h30min-No Santuário, Confissão Comunitária para os adultos.
15h00-No Santuário, Solene Ação Litúrgica.
20h00-Em frente o Santuário, Paraliturgia do Calvário: Sermão, Descendimento da Cruz e Procissão do Senhor Morto. (Favor trazer a sua vela.)
Pregador do Sermão: Pe. Fábio José Damasceno (DD. Pároco da Paróquia de Sant'Ana do Barroso).

Sábado Santo - 19 de abril
20h00-No Santuário, Solene Vigília Pascal.  (Favor trazer a sua vela).

Domingo da Ressurreição - 20 de abril
07h15min-Adoração ao Santíssimo Sacramento e bênção.
08h00 – Missa Solene no Santuário.
09h30min-No Santuário, Missa com as crianças.
11h00 - Celebração do Batismo.
17h00- Missa na Igreja de Santa Teresinha e procissão do Santíssimo
Sacramento  em direção ao Santuário, na chegada bênção do Santíssimo Sacramento.
19h30min - No Santuário,  Missa e encerramento da Semana Santa 2014.

Aprovado em Fevereiro de 2014,
Pe. José Bittar (Pároco/Reitor)
Pe. Geraldo Sérgio França e Pe. Vinicius Idefonso Campos  (Vigários Paroquiais)