Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




Mostrando postagens com marcador Capela. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Capela. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de julho de 2016

Festa inaugural na Capela do Monte Verde

Nove de julho de 2016; fim de tarde, começo de noite... no Condomínio Monte Verde a movimentação de devotos convergiu pelo interesse comum de conclusão da Capela de Santa Bárbara, sita na zona rural de São João del-Rei, distrito da sede. Naquela comunidade, após a missa festiva celebrada com bastante zelo pelo Padre Ademir Longatti, os fiéis acorreram atrás do cruciferário e das lanternas na condução do andor do Rosário.

Na retaguarda, congadeiros faziam a parte musical, intercalando com paradas para a reza das dezenas de um terço. Pelas ruas poeirentas, desprovidas ainda de pavimentação e iluminação, sob o tênue brilho da lua nova, já quase crescente, seguiu o Moçambique Santa Efigênia batendo ritmos de jombas e carijós, sob o comando do Capitão Tadeu Nascimento de Sousa.

A chegada, como de costume foi marcada por fogos de artifício em abundância e variedade, até mesmo um "coqueirinho".

Todos entraram e entre vivas, bênçãos, palmas e cantorias deram por encerradas as preces. Aos fundos da capela, uma tenda improvisada servia de barracão de festas. Entre comes e bebes todos se confraternizavam. Aos dançantes foi ofertado farto e saboroso prato de feijoada.

Surgiu assim mais um festejo, mais um lugar de encontro devoto-cultural. São João del-Rei não para.








Créditos

Fotografias, acervo e texto: Ulisses Passarelli

Notas 

Revisão: 01/05/2025.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Festa de São Sebastião na Restinga

O dia de São Sebastião caiu este ano em plena quarta-feira (20 de janeiro), induzindo que as comemorações em vários lugares se transferissem para o final de semana seguinte. Tal se deu na Restinga, distrito de Ritápolis/MG, onde aconteceu a tradicional festa em honra a este santo altamente prestigiado nos meios rurais, como protetor dos sitiantes e fazendeiros, com o atributo clássico de proteger contra a fome, a peste e a guerra; guarda espiritual dos rebanhos e plantações, contra a ruína das doenças, desde que se tenha fé nele. É por excelência o santo patrono da agropecuária [1]

A Restinga é dividida em dois grupamentos de casas: um na parte mais alta do terreno foi batizado Restinga de Cima, que conta com uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida e outro, na baixada, Restinga de Baixo, cujo padroeiro é São Sebastião. Onde fica a sua capela não é na parte mais baixa do povoado, se não mesmo em um platô, com visão panorâmica das elevações em derredor. Já por isto há quem lhe chame "Restinga do Meio", conquanto o nome não pareça tão comum, posto que, ao pé da letra a capela é parte da Restinga de Baixo. Conta ainda com um cemitério aos fundos, e algumas construções em volta, sediando conferência, casa paroquial, escola e um grande reservatório de água. Sítios nas imediações. O entorno é gramado, ao natural e servido pela estrada não pavimentada que vem da Rodovia BR-494 e segue a Resende Costa, com entroncamentos para a Restinga de Cima (esquerda) e para o Penedo (direita). 

A comunidade é muito tradicionalista e guarda desde longa data a tradição do congado, com festejo do Rosário em setembro, quando o catupé local recepciona as guardas visitantes. Mantém igualmente a folia, ora só na de Baixo, ora nas duas Restingas; confluindo sua jornada para o arremate anual nesta festa em questão. Além do grupo da Restinga de Baixo, sob o comando do veterano e respeitadíssimo Mestre Sebastião Ezequiel e de seu seguidor imediato, José Mário, que tem sua própria folia na Restinga de Cima, estiveram também presentes a Folia "Mensageiros do Paráclito", vinda da Colônia do José Teodoro (São João del-Rei), do folião Carlão (Carlos Leandro de Oliveira),  tendo como embaixadores Pedro Paulo Ramos e Antônio Francisco dos Santos; e ainda a folia do Cerrado, bairro de São Tiago, sob o comando e voz de Vanderlei Cardoso. As companhias demonstraram experiência e excelência na qualidade do que apresentaram, executando toadas muito tradicionais, típicas da região, sobretudo das áreas rurais, com cantorias bem fundamentadas em seus versos. 

O povo devoto estava totalmente à vontade no largo gramado. Música mecânica instalada sobre a carroceria de um caminhão, coberto de improviso por um toldo de bambu e lona, animava o ambiente tocando sertanejo nos intervalos de cantoria dos foliões. Gente amiga e aparentada se encontrava por ali, sentando para a prosa debaixo das grandes figueiras bravas. Capela aberta na frente e nas laterais, varrida, florida, pintada de novo. Todo tempo visitantes lhe entram e saem como numa romaria. Os andores de São Sebastião e de Nossa Senhora das Graças estavam enfeitados de rosas vermelhas e uma fita atada aos pés da imagem oferecia ao fiel uma chance para o ósculo. A marca de batom na fita branca da Virgem é prova inconteste do carinho de um beijo na santa. A fita de São Sebastião é vermelha, cor votiva do mártir da fé. 

O cemitério também está aberto e as pessoas o visitam livremente, em oração pelos mortos e em contato com a lembrança de entes queridos. A festa abre uma dimensão de saudade, de reencontro, até mesmo com os que já se foram, ora recordados, porque dali também, noutros tempos, foram partícipes. Ao se visitar o cemitério, simbólica e implicitamente, se insinua e acredita que as almas participam também, acompanhando do plano celeste as festividades queridas. 

Um mastro foi fincado adrede à capela, simples, relativamente baixo, mas tão simbólico com sua estampa dupla, numa face o santo festejado, no outro a Virgem de Fátima. 

Em um canto do largo, um curral reserva prendas ofertadas ao padroeiro: bezerros e leitões. Diante da casa paroquial, uma mesa forrada de toalha expõe outras prendas diversas _ melancia, moranga, abóbora, feijão guardado em garrafa pet (gratidão pelas boas colheitas...), utensílios domésticos, tapetes e colchas que foram tecidos em teares artesanais _ prendas para o leilão em benefício do festejo. O povo então os chama respectivamente "leilão de gado" e "leilão de mesa", uma tradição das festas deste santo. O povo passa olhando, não mexe, não rouba. Respeita. É do santo. Mas já estipula possíveis valores, planejando arrematar. Por vezes, nesses leilões, se arremata objetos baratos; outras vezes bem acima do que realmente valem, porque o bom leiloeiro sabe apregoar incitando o orgulho e o senso de disputa dos candidatos a arrematante, que se empolgam em lances sucessivos visando superar o "rival", o que torna o leilão atraente, animado, alegria do povo. E é assim mesmo, porque pagar mais que vale é prova de fé, posto que subentendido e aceito coletivamente como verdade inconteste, é forma de ajudar a festa e retribuir ao santo as múltiplas benesses recebidas. Essa a lógica do leilão numa festa desse tipo. 

Sai o almoço das folias. Que almoço! Cardápio simples, mas inigualável no sabor. Comida mineiríssima típica. Elogiado ao extremo por quantos o provaram. Confraternização geral, alegria, foliões se misturam independente do grupo que participam. São irmãos imbuídos da mesma missão. Depois cantam no ritual de agradecimento e neste a cozinheira deve segurar a bandeira para ouvir os versos. 

Achegam-se para debaixo da árvore grande. O mestre do lugar convoca. Encontro das bandeiras, ritual de saudação de uma folia à bandeira da outra e na sequência aos foliões. Momento de paz e união. Os devotos dessas comunidades amam as folias. Juntam em volta para ouvir os versos e apreciar os acordes da sanfona, o dedilhado das cordas, a afinação do requinta, a sintonia da resposta. 

A sineta tocada à porta da sacristia é um sinal imperativo. A missa vai começar. Folias param, o povo mobiliza-se para o templo. O relógio marca 14 horas. Padre Nélio José dos Santos, sempre tão eloquente, sabe como celebrar conservando a atenção de todos e com palavras evangelizadoras que invadem o âmago. Seu apoio às tradições é valoroso e indispensável e o temos visto desde muitos anos com aplausos. O coral local cantou no coro da igreja, exímio, se valendo de melodias de músicas sertanejas, o que muito agrada aos fiéis. 

Na sequência, a partir das 15 horas e trinta minutos, transcorreu o leilão de prendas. Primeiro o de mesa. Enquanto as folias voltaram a cantar no largo e os presentes em burburinho a conversar, a comer e beber pelas barracas instaladas, os leiloeiros transitavam entre eles gritando o preço das prendas e pedindo novos lances. Nesse meio tempo passa um homem vendendo peças artesanais de couro trançado: talas, relhos, chaveiros, cinturões, bainhas de canivete. A freguesia está ali, muitos cavaleiros presentes, de chapelão à cabeça, botas e perneiras. Num canto do lugar, violeiros cantam uma moda qualquer e logo atraem seu público específico; crianças correm e brincam numa liberdade imensa, gramado afora, sem riscos, sem obstáculos. O gramado, aliás, daqui e dali se ponteia de forte amarelo, dos canários da terra, pássaros canoros de beleza ímpar. 

Daí a pouco os leiloeiros começam a passar com galinhas peiadas [2] e o leilão esquenta. Já mais um tanto e começa o berreiro dos porcos e passam carregando leitões e por fim as pessoas rodeiam o curral para avaliar os bezerros e dar seus lances, momento mais intenso da disputa dos arrematantes. 

Findo o leilão o padre convida ao microfone os fiéis ao início da procissão e o sino da capela reitera o chamado com seus repiques insistentes. O cruciferário toma a dianteira. Duas filas logo se formam. Andores vão no meio e folias atrás, alternando cantoria. Rodeiam o cemitério, circulam pelo lugar, tornam por baixo. Não é itinerário longo, mas concorrido e devoto. Uns poucos foguetes espocam e seu eco se amplia na imensidão de morros. Na chegada os andores entram de marcha à ré, como é de costume. O sacerdote dá a bênção final e a capela se irrompe em vivas a São Sebastião. As folias cantam sua despedida na nave do templo e o povo despe os andores de suas flores, que levadas aos lares são certamente dádivas que adentram nas famílias. 

Despedidas à vista. Sai um carro, vai-se um caminhante, um cavaleiro parte, uma motocicleta zoa pela estrada. O largo pouco a pouco esvazia. Barracas se desfazem. Alguém varre a capela e uma zeladora cerra as portas. O compromisso com o sagrado foi cumprido mais uma vez. O equilíbrio das forças terrenas e celestes está garantido de novo para aquela comunidade, como uma aliança inquebrantável, anualmente renovada. A fome não assolará, já que os rebanhos e roçados estão abençoados. Agora é voltar ao trabalho, com a certeza da vitória que só a fé garante... Té logo, cumpadre, vai com Deus!

Andor de São Sebastião na Restinga:
um ramo de oliveira se abre como uma umbrela
e a fita vermelha serve ao beijo dos devotos. 

Bandeireiro da folia da Colônia do José Teodoro
em respeitosa atitude durante a cantoria de veneração.
 
 
Folia da Colônia do José Teodoro (São João del-Rei), chegando na
Capela de São Sebastião da Restinga de Baixo. 

Folia do Cerrado, de São Tiago, faz sua adoração dentro da capela. 

Sanfoneiro da folia da Restinga. 

Foliões Zé Mário (esquerda), da Restinga de Cima e Sebastião Ezequiel (direita), da Restinga de Baixo, ícones da tradição folieira na região, observam atentamente a cantoria das folias visitantes.
 
Senhoras observam a cantoria folieira. 

O povo se aglomera debaixo da imensa figueira para assistir o Encontro das Bandeiras. 

Vendedor de artefatos de couro. 

O leiloeiro apregoa um porco.  

Leilão de galinhas. 

O leilão de gado é muito concorrido. 

Mesa de prendas.

Cruciferário abre a procissão.  

Passagem do andor de São Sebastião acompanhado por folias.
 
Fogueteiros saúdam a chegada da procissão. 

Chegada da procissão. No extremo esquerdo da fotografia se observa
o mastro de São Sebastião. 

Créditos

Texto e fotografias: Ulisses Passarelli.
 

Notas 

[1] No ano anterior este blog divulgou outra festa rural dedicada a São Sebastião, no distrito de São Gonçalo do Amarante (São João del-Rei). Leia clicando no link: CABURU FESTEJA SÃO SEBASTIÃO
[2] Peiada: que tem os pés atados por peias (cordão ou embira, que amarra um pé no outro para impedir a fuga de um animal correndo). Não confundir com pejada: prenha, grávida. Vocabulário típico dos meios rurais. 

- Revisão em: 28/07/2026. 


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Salve o Dia das Mercês!

Hoje, 24 de setembro, festeja-se Maria Santíssima sob a invocação das Mercês: mercê - favor, graça concedida. Nos ensina o professor GAIO SOBRINHO (1996): 

"Em 1218, São Pedro Nolasco, São Raimundo de Penaforte e o rei Jaime I, de Aragão, tiveram de Nossa Senhora uma visão que lhes pedia a criação de uma ordem religiosa, cujo objetivo fosse, principalmente, a redenção dos cativos cristãos das prisões muçulmanas. Fundaram pois uma ordem militar que trazia algo de guerreiro, de celeste e de real. Daí as três palavras latinas que aparecem gravadas nas suas bandeiras e insígnias: Celestis - Regalis - Militaris." (p.66)

Nas Minas Gerais este sodalício dedicou-se à libertação de escravos e foi constituído no passado sobretudo por negros nascidos no Brasil (crioulos, segundo  a terminologia do período escravocrata), ao contrário dos africanos (negros da costa) que reuniram-se principalmente sob a invocação do rosário.  Também agregava os mulatos, que na nomenclatura da época se referia aos filhos e filhas de branco com negra ou vice-versa. 

Com grande popularidade e força difundiu-se a devoção mercedária. Anteriormente a 1750 já estava estabelecida em São João del-Rei uma irmandade sob sua invocação, que goza o título de arquiconfraria. A capela primitiva tinha forma de panteão romano. 

Igreja das Mercês em São João del-Rei.

A Festa das Mercês é uma das mais relevantes da cidade, com animado movimento de barraquinhas e importante estrutura de celebrações, com enorme afluência de fiéis. A grande procissão toma as ruas coloniais calçadas de pedras, na noite primaveril, acompanhada pelas corporações musicais, que nunca deixam de tocar a esplêndida "Marcha das Mercês", composição do ilustre são-joanense Luiz Batista Lopes. 

Foi fundado em São João del-Rei um congado sob a bandeira da Virgem das Mercês, em meados de 2006, no Bairro Alto das Mercês. Os dançantes desse catupé trajavam-se de amarelo-creme no tom da Arquiconfraria das Mercês e inclusive tinham estampado o brasão daquele sodalício. Infelizmente este grupo teve uma vida efêmera.

Além da bela igreja de Nossa Senhora das Mercês no centro histórico temos a Capela das Mercês na Colônia do Giarola, em plena área de colonização italiana, construída com o esforço de migrantes e descendentes. Atualmente em obras, tem agora o adro murado, muito amplo e um grande galpão de festas. É uma área excelente para atividades religiosas, educativas e sócioculturais. 


Capela de Nossa Senhora das Mercês da Colônia do Giarola, São João del-Rei/MG. Agosto/2004.


Em Lagoa Dourada, BUZATTI (1988), referenciando Richard Burton, citou a existência de uma Capela das Mercês, que desde o final do século XIX já não existe. 

Noutras cidades dos Campos das Vertentes a devoção também tem ou teve sua popularidade, a exemplo de Tiradentes, com sua bela igreja própria, com cemitério anexo. Segundo SANTOS FILHO (1996), a irmandade das Mercês tiradentina foi criada em 1754 no contexto da Capela do Rosário e começaram a edificar sua própria igreja a partir de 1770, em obra de longa duração que só terminou no século seguinte. Informou ainda que os festejos:

"se faziam com muita pompa, incluindo danças folclóricas de negros, como os congados" (...) "Na segunda metade do século XIX a Irmandade das Mercês teve grande importância na cidade, chegando a ter grande número de irmãos espalhados por toda a província de Minas Gerais e, hoje, ainda mantém a arquiconfraria e seu cemitério próprio."

Igreja de Nossa Senhora das Mercês, Tiradentes/MG, 26/12/2014.

Prados, tinha uma Irmandade das Mercês, datada de cerca de 1784, há muito extinta. Em 1790, segundo pesquisa de VALE (1985, p.188), há registro de pagamento de 9 oitavas e 14 réis do procurador Joaquim Ferreira da Costa ao pintor Cipriano Ferreira de Carvalho pela pintura de uma caixa de guerra. 

Localizei  no jornal O Resistente uma menção do século XIX a uma Festa do Rosário e das Mercês em Ibertioga, sem qualquer citação a congados.

O grupo moçambique e congada de Piedade do Rio Grande chama-se “Nossa Senhora das Mercês”, santa que vem estampada na bandeira. 

Congadeiro de Piedade do Rio Grande com a bandeira mercedária, durante uma Festa do Rosário 
no Bairro São Dimas, em São João del-Rei, outubro/1996. 

Na vizinha Santana do Garambéu também há um grupo desses, cuja bandeira branca, conforme observação de 1998, traz de um lado a figura da Virgem do Rosário e na outra face a da Senhora das Mercês, pinturas da arte popular.

Nossa Senhora das Mercês estampada na bandeira alva dos moçambiqueiros de Santana do Garambéu, durante uma Festa do Divino, em São João del-Rei, Bairro Matosinhos. A corrente pintada simboliza a libertação dos cativos. Maio, 1998.

Em Conceição da Barra de Minas havia animadas festas em honra à Virgem das Mercês, segundo o jornal O Combate. Sua edição nº206, de 1902, diz que elas elas foram animadas e "sublimes". O festeiro foi o maestro professor Carlos dos Passos, que dirigiu com competência a parte musical. A parte religiosa esteve a cargo do vigário João Trindade. 

É padroeira de Mercês de Água Limpa (ex Capelinha), distrito de São Tiago, onde goza de intensas festividades, que congregam moradores de toda aquela área rural. 

Daí para a Mesorregião do Oeste de Minas, já fora dos Campos das Vertentes, sua popularidade cresce nos meios folclóricos. Em Passa Tempo os congados fincam seu mastro dentre outros na Festa do Rosário, em outubro. Na Microrregião de Oliveira há congados de que é padroeira. A festa congadeira nessa cidade é em setembro, na comemoração das Mercês.

Mastro de Nossa Senhora das Mercês.
Passa Tempo/MG, 18/10/2015.

Referências Bibliográficas

- BUZATTI, Dauro José. Viagem as Minas dos Cataguazes. Contagem: Fund. Mariana Resende Costa, 1988. 123p. 
- GAIO SOBRINHO, Antônio. Sanjoanidades: um passeio histórico e turístico por São João del-Rei. São João del-Rei: A Voz do Lenheiro, 1996. 90p.il. 
- SANTOS FILHO, Olinto Rodrigues dos. Festa do Bom Jesus da Pobreza e de Nossa Senhora das Mercês. Inconfidências, n.8, setembro/1996, Tiradentes. p.3. 
- VALE, Dario Cardoso. Memória Histórica de Prados. Belo Horizonte: [s.n], 1985. 

Referências Hemerográficas
(jornais publicados em São João del-Rei)

O Resistente, n.248, 15/10/1895
O Combate,  n.159, 19/03/1902; n.206, 12/10/1902

Notas e Créditos

* Texto, pesquisa e fotografias: Ulisses Passarelli.
** Acervo de jornais antigos da Biblioteca Pública Municipal Batista Caetano d'Almeida, São João del-Rei, disponíveis em seu site.