Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




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segunda-feira, 26 de março de 2018

Adeus, Mestre João Matias... Sua bênção!

São João del-Rei está bem mais triste hoje... Perdemos o Mestre João Matias (João Batista do Nascimento), decano de nossas folias de Reis. Falecido no Domingo de Ramos, aos 94 anos, foi sepultado no Cemitério do Rosário, na tarde da Segunda-feira Santa, 26 de março de 2018, após a celebração de corpo presente na Catedral do Pilar.  

1- Mestre João Matias na Procissão do Imperador Perpétuo,
durante a Festa do Divino. 03/06/2017. 

Filho de Pedro Matias (Pedro Nolasco do Nascimento), que nomina uma rua do Bairro Guarda-mor, (onde morava João Matias) e de Dona Zezé (Maria José de Oliveira). Era natural de Conceição da Barra de Minas. Deixou família numerosa e honrada e uma vastidão de amigos e admiradores. Homem trabalhador, no sentido profundo da palavra, depois de múltiplas experiências na vida do campo e em serviços urbanos, ainda agora, em avançada idade, mas pleno de saúde e consciência, cuidava de seu sítio com muita dedicação, no ato de plantar e criar. 

2- Apresentação no Coreto Municipal Maestro João Cavalcante. 11/12/2013. 

A fé lhe movia, indubitavelmente. Membro da Confraria de Nossa Senhora do Rosário, não perdia as celebrações e procissões, sempre esbanjando disposição e simpatia. 

3- Apresentação no Memorial Dom Lucas. 10/12/2013. 

Não era apenas mais um folião ou mais um mestre da cultura popular. Matias foi uma referência neste campo da cultura, um baluarte. Começou jovem nas folias, no distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, em 1947, onde tocou por vários anos. Em 1980 fundou sua própria folia no Bairro Guarda-mor em São João del-Rei. 

4- Ulisses Passarelli, João Matias e Affonso Furtado com as bandeiras do mestre. 27/01/2014. 

Tocando um violão, cantava com voz inconfundível entre nossas folias. Improvisava com facilidade. Sempre muito cortês, fazia versos de homenagem às pessoas assim, de repente. Não enjeitava apresentação ou encontro de folias de Reis, sempre muito ativo. Saía também com a folia de São Sebastião e então se notabilizou pelos longos anos que participou com seu grupo na festa deste taumaturgo na Catedral do Pilar, conquistando admiração dos sacerdotes, como o memorável Monsenhor Sebastião Raimundo de Paiva, que certa vez lhe ofertou um estandarte com a estampa deste santo. Matias gostava muito deste presente e fazia questão de frisar quem lhe havia dado. Igualmente saía com a folia do Divino e neste sentido, desde 1998, nunca faltou há uma festa do Espírito Santo no Santuário de Matosinhos. 

5- Folião Luthero Castorino coloca a faixa de mestre em João Matias. 18/02/2014. 

Outras vezes, quando era possível e oportuno, João Matias se fardava de bastião ou marungo, mascarado cômico que acompanha as folias de Reis, denotando sua versatilidade. 

Ao completar noventa anos de idade, recebeu homenagem pela Comissão do Divino, em Matosinhos, conforme já descrevemos em outra postagem (*). Naquela oportunidade recebeu também a condecoração de Mestre, ofertada pela instituição Casa de Santos Reis, graças ao iminente folclorista e estudioso das tradições reiseiras, Affonso Furtado. 

6- Durante homenagem aos foliões, no Encontro de Folias de Reis do Largo de São Francisco,
ao lado do violeiro Chico Lobo e da organizadora Alzira Haddad. 28/12/2013. 

Em certa ocasião, alguns anos passados, acompanhamos Mestre Matias à vila de Paraíso (Piedade do Rio Grande), com a folia em viagem através do sul do município. Costumava ir lá e levava dentro da van muito alimento: arroz, feijão, carne, verduras, refrigerantes, etc. Lá deixava com uma senhora que de costume já os recebia. Ela fazia farto almoço. A folia visitou as casas dos lugar e foi absolutamente admirável a popularidade do Mestre em apreço. Parada para o almoço e retorno à atividade. Missão árdua mas compensadora em sua graça. Todo o alimento que sobrava e era muito, deixava por lá. 

7- Momentos antes da saída da Procissão do Imperador Perpétuo,
junto ao folieiro Marcos Antônio. 23/05/2015. 

Hoje, seu sepultamento foi algo muito tocante. No Velório do Rosário, lotado, apareceram seus folieiros além de membros das outras folias da cidade, inclusive vários outros mestres para render-lhe a homenagem. Se irmanaram todos numa folia só e cantaram sua despedida muito emocionante. Os foliões Luís Carlos Rosa e Luthéro Castorino da Silva puxaram a cantoria, com muita habilidade. 

A partida do Sr. João Matias deixa um vazio... Já se preparava para a presença no Encontro da Cultura Popular no distrito do Caquende, em abril e a para a Festa do Divino, em maio. Como será difícil sem ele! Perda humana inestimável. 

Ao fim da encomendação de sua alma, o celebrante, Padre Álisson Sacramento, deixou o recado bem claro: "Não deixem a folia parar! É muito bonito e importante. Ele gostava demais!"

8- Adeus, Mestre João Matias... Sua bênção!  (**)

Notas e Créditos

* Para saber mais a respeito leia a seguinte postagem clicando neste link:
NOVENTA ANOS DE UM GRANDE FOLIÃO
** Fotografia durante a Festa de Nossa Senhora da Boa Morte, 15/08/2014. 
***Texto: Ulisses Passarelli
**** Fotografias: 2 e 3 - Ulisses Passarelli; demais fotografias - Iago C.S. Passarelli
Revisão em 27/10/2024

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Festa de São Sebastião em Coronel Xavier Chaves

O dia consagrado a São Sebastião é 20 de janeiro. Contudo, com elevadíssima popularidade, em muitos lugares seus festejos acontecem sem prejuízo de qualidade em outras datas próximas por diversas circunstâncias. Assim é comum que um ou dois finais de semana seguintes ao seu dia votivo ainda aconteçam essas comemorações. Nesse contexto, aconteceu em Coronel Xavier Chaves, município do Campo das Vertentes.

A cidade merece ser visitada. A hospitalidade de sua gente é notável; a produção de cachaça de alta qualidade é uma referência; os trabalhos artesanais em pedra são um marco identidário; a singela e tricentenária Igreja do Rosário, toda em pedra, é um cartão postal inesquecível; as praças e ruas bem cuidadas, floridas e limpas, são um convite a um passeio bucólico e ao descanso; o artesanato em tecidos é uma tradição de longa data (tapetes em tear caseiro, bordados, crochê, abrolhos). A cultura popular não fica atrás com sua congada, a folia de Reis e o boi de caiado (variante do bumba-meu-boi), quadrilha junina, manifestações conservadas e que encontram-se firmadas na prática de muitas e muitas décadas.

Durante a festa de São Sebastião se pode observar a devoção dos xavierenses católicos, tão participativos na celebração e na procissão. A Irmandade do Santíssimo Sacramento na Matriz de Nossa Senhora da Conceição demostrou ativamente excelente coordenação de atividades religiosas. A festa contou com tríduo preparatório e coincidindo com a comemoração de São Brás (03 de fevereiro de 2018), contou com o momento da bênção das gargantas, quando o sacerdote impôs sobre o pescoço dos fiéis as velas cruzadas e atadas com um laço de fita vermelha. Foi muito concorrido este momento, considerado pela fé um ato preventivo e curativo de malefícios da saúde.

Mereceu elogios a inclusão de um encontro de folias neste evento religioso. Foram cinco grupos ao todo: a anfitriã, vinda do Bairro Vila Fátima, na própria cidade, sob o comando do experiente Mestre Zé Carreiro; uma de César de Pina (Tiradentes), duas de Prados, sendo uma da zona urbana e outra da rural, esta, a conhecida "Folia dos Gaiteiros", muito antiga, vinda da comunidade da Folha Larga; e, por fim, uma de São João del-Rei, Bairro Caieira, a Folia "Embaixada Santa". Reuniram-se na Igreja do Rosário, onde algumas cantaram sua saudação. Foi servido um lanche muito bem preparado com salgados e quitandas. Formaram a seguir um cortejo, cantando rua afora até a Matriz,em cujo interior cada qual fez entrada festiva, louvando com versos e toques instrumentais diante do andor do taumaturgo festejado.

Após a missa, seguiram em procissão, alternando os cantares entre si, tocando nos intervalos da banda de música da cidade, a "Santa Cecília". Na chegada, finda a bênção de São Brás, cada grupo se apresentou individualmente no palco, para satisfação da assistência, que prestigiou intensamente as folias.

Há de se destacar o respeito, atenção e hospitalidade do sacerdote, Padre Antônio Carlos Trindade da Silva, que logo de início saudou as folias participantes enaltecendo seu valor cultural; igualmente, à Secretaria de Cultura e Turismo, que promoveu o encontro, e que na pessoa da Secretária Eliane Longati e do funcionário Eugênio Santos trataram as folias com indescritível respeito e dignidade, atitude exemplar.

Não há dúvidas que tanto para a cultura popular quanto para o evento religioso a vinda da folias foi positiva, ganhando a cultura local já rica, mais um atrativo, que se fortalecerá com a manutenção anual.

1- Igreja de Nossa Senhora do Rosário, século XVIII (c.1717).
2- Bucolismo, tranquilidade: crianças brincam na praça.

3- Um dos Passinhos da Paixão (Capela-passo).

4- Patrimônio histórico: belos imóveis valorizam a história do município.

5- Exemplar preservado: casarão de arquitetura do período do ecletismo. 

6- A Folia dos Gaiteiros toca diante do andor de São Sebastião na Matriz.

7- Reencontro com os amigos: o grande Mestre Zé Carreiro. 

8- Reencontro com os amigos: o Mestre Antônio Marcelo, da Folha Larga.

9- Folieiros de César de Pina durante o lanche. 

10- Folia de Prados canta agradecendo o lanche.  

11- Bandeira da folia de Coronel Xavier Chaves: trabalho artesanal em tapeçaria. 

12- Cortejo rumo à Igreja Matriz.  

13- Folia de Coronel Xavier Chaves rumo à Matriz.  

14- Folia de Prados adentra a Matriz cantando. 

15- Folia "Embaixada Santa", de São João del-Rei, durante a procissão.
 
16- Detalhe do andor de São Sebastião durante a procissão.
 
17- Detalhe da bênção de São Brás.

18- Cartaz da Festa de São Sebastião em Coronel Xavier Chaves, 2018:
papel couché, 21 x 31cm. 

19- Uma das magníficas esculturas em pedra na praça de Coronel Xavier Chaves: estação da Via-Sacra.

20- Coronel Xavier Chaves: uma janela aberta para a história, a arte e a tradição.
 
Vídeos: 

Folia de Coronel Xavier Chaves

Folia da Folha Larga / Carandaizinho

Folia de César de Pina

Folia de Prados


Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias (03/02/2018): Ulisses Passarelli: 1-6; Iago C.S. Passarelli: 7-20
*** Vídeos: Iago C.S. Passarelli
**** Revisão em 31/03/2024

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Festa de São Sebastião no Bonfim, São João del-Rei

Na igreja nova do Senhor Bom Jesus do Bonfim, em São João del-Rei, foi comemorado o mártir São Sebastião com reunião da comunidade católica em torno das celebrações, adiadas para o dia 22 de janeiro em razão do lamentável falecimento do Bispo Diocesano, Dom Célio de Oliveira Goulart no último dia 19. 

A missa das 19 horas revestiu-se de grande dedicação dos devotos, participação ativa do coral da igreja, da Irmandade do Senhor do Bonfim, concluindo-se com a cerimônia de posse da nova mesa. Uma vez concluída, o sacerdote procedeu a incensação do andor, primorosamente adornado de flores naturais e iluminado. 

Seguiu a procissão diante da igreja antiga, cujos sinos manifestaram a alegria pelo cortejo sagrado. Desceu ao Morro da Forca e depois de retorno via Rua João da Matta, chegou pela retaguarda da igreja, fervorosamente acompanhada pelos fiéis que nos intervalos da música, além das preces, cantavam o Hino de São Sebastião. 

A chegada teve concorrida bênção do Santíssimo Sacramento. 

Não houve barraquinhas, mas à porta da igreja uma tentadora mesa de doces com muitas variedades expunha tais delícias à venda. 

Cumpre destacar a atitude da organização da festa, muito louvável, de convidar um grupo de folia para participação; no caso, compareceu a "Embaixada Santa", da Caieira, que foi muito bem recebida pela comunidade e tratada com grande respeito e carinho pelos organizadores, que propiciaram a ida e forneceram ao final farto lanche. Após assistir à missa os folieiros adentraram no templo com sua bandeira e cantaram a saudação, com o Bendito e o Pai Nosso. Também acompanharam a procissão toda, fazendo a parte musical e cantando dentre outros, o Martírio de São Sebastião. 

São Sebastião é santo dos mais populares, queridíssimo na zona rural, pois os pecuaristas e agricultores contam com sua bênção sobre rebanhos e plantações; mas também, claramente nas cidades demonstra ser uma devoção das mais avultadas, pois que suas festas em diversas igrejas e capelas conta com ampla participação dos fieis, sendo das mais esperadas. 

1-  A antiga Capela do Senhor do Bonfim, São João del-Rei. 

2- Incensação do andor, antecedendo a saída da procissão. 

3- Aspecto parcial da Folia de São Sebastião "Embaixada Santa" 
cantando no interior da Igreja Nova do Senhor do Bonfim. 

4- Procissão na rua, descendo pelo Morro da Forca. 

5- Mesa de doces à venda, na entrada da igreja. 

6- Aspecto da cerimônia, com destaque para a presença da Irmandade do Sr. do Bonfim. 

7- Folieiros e outros devotos acompanham a cerimônia final, após a bênção do Santíssimo Sacramento. 

8- Folieiro respeitosamente toca na imagem de São Sebastião.

9- Devota beija a fita que sai da imagem do santo. 

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: 1 a 6, Ulisses Passarelli; 7 a 9, Iago C.S. Passarelli - 22/01/2018

REVISÃO: 09/04/2024

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Festa de São Sebastião em Santa Cruz de Minas

Transcorreu mais uma vez em Santa Cruz de Minas a tradicionalíssima festa do padroeiro, o glorioso Mártir São Sebastião. Indubitavelmente é o evento mais concorrido do município e conta com a participação maciça de fiéis do lugar e visitantes.

Concluída a novena com suas celebrações, o dia maior tão esperado, vinte de janeiro, movimentou especialmente a praça central desde muito cedo e as missas e demais cerimônias se sucederam ao longo do dia até a procissão do início da noite, acompanhada de praxe pela banda de música local, a  Corporação Musical São Sebastião, patrimônio de Santa Cruz de Minas.

No largo as barracas de jogo de víspora e de salgados atraíram muita gente, sobretudo após a parte religiosa concluída. É um espaço de socialização, confraternização, reencontro com amigos. No palco montado os shows animaram a grande praça e reuniram a população para o entretenimento. 

A décadas os devotos acorrem em nome de São Sebastião, desde a época de sua igreja primitiva; depois junto à que lhe sucedeu e agora à nova, remodelada. Isto é um movimento espontâneo e não agrega só os fiéis locais, mas também os traz das vizinhanças. Neste sentido, a festa tem potencial para ampliar este aspecto e se tornar um foco de romaria.

Registre-se, por exemplo, que os grupos de folias de São Sebastião vão por si mesmos visitar essa igreja a cada vinte de janeiro. Se revezam ao longo do dia, geralmente entrando para cantar após cada missa e em alguns anos acompanham a procissão onde tem oportunidade de cantar. Vem sobretudo de São João del-Rei e de César de Pina (Tiradentes). Este movimento natural se fortalece com a recepção positiva da Igreja e dos devotos. Ainda este ano foi observado a atenção dada especialmente pela Secretaria de Cultura do município, denotando zelo e respeito à tradição. 

É mister ressaltar a atuação acolhedora e pró-ativa do pároco, da Irmandade do Santíssimo Sacramento e dos vários setores da Igreja; tanto mais, que o município tem dado uma atenção especial à sua identidade cultural, num trabalho muito intensivo e bem planejado da referida Secretaria, em conjunto e sintonia com os meios sociais e um Conselho de Políticas Culturais e Patrimônio amadurecido, cônscio de seu dever com o município; uns e outros atuantes, dignos de elogio, despontando Santa Cruz no cenário cultural das Vertentes. 

01- Frontispício da Igreja de São Sebastião.
Santa Cruz de Minas. 

02- Folia "Embaixada Santa" em louvação no interior da
Igreja de São Sebastião. 

03- Folieiros cantam o martírio de São Sebastião. 

04- Folia "Embaixada Santa" retratada no cruzeiro, ícone da cidade,
após o canto laudatório. 

05- Aspecto da frente da procissão:
multidão de devotos. 

06- Imagem de São Sebastião em seu andor, seguida por membros da
Irmandade do Santíssimo Sacramento, fieis em geral e pela bem conceituada
Corporação Musical São Sebastião, de Santa Cruz de Minas. 

07- Vista geral da retaguarda da procissão. 

Por fim, segue lincado um vídeo que retrata um momento da folia de César de Pina (Tiradentes/MG), durante a festa em Santa Cruz de Minas no ano anterior, quando do encontro com a Folia "Embaixada Santa", de São João del-Rei. Canta o Embaixador Pedro Paulo Ramos: 



Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli (01, 05, 06, 07) e Betânia Resende (02, 03, 04); 20/01/2018
*** Vídeo: Iago C.S. Passarelli, 20/01/2017
**** Obs.: agradecimentos especiais registramos ao Padre Pedro Wiermann e a Secretária de Cultura Betânia Resende, pela atenção e respeito com que receberam a Folia "Embaixada Santa". A Secretária, este Blog agradece pela cessão de fotografias da participação da referida folia na festa e permissão de sua inclusão nesta página eletrônica. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Folia de Ritápolis

Em data incerta dos setecentos surgiu a povoação de Santa Rita do Rio Abaixo. BARREIROS (1976) estimou que tenha surgido na terceira década do século XVIII. Emancipou-se de São João del-Rei em 1962, por força da lei nº 2.764, de 30 de dezembro sob o novo nome de Ritápolis. 

A cidade de Ritápolis, no trecho médio do vale do Rio das Mortes, Campo das Vertentes de Minas Gerais, conserva ainda seu grupo de folia de Reis e de São Sebastião (*), com excelente qualidade da composição dos verso. A folia traz a experiência dos irmãos Marinho na liderança. O vídeo a seguir lincado retrata um pequeno trecho de sua apresentação durante o 17º Encontro de Folias de Mercês de Água Limpa (antiga Capelinha), distrito de São Tiago/MG, no dia 31 de janeiro de 2016.  





Notas e Créditos

* Além da folia da sede do município, Ritápolis também possui grupos tradicionais na zona rural, como o da Restinga de Cima e o da Restinga de Baixo. Noutros tempos, também as teve no Ramos, Glória, Penedo e Prainha. Congados tem na sede municipal e na Restinga. Queimas de judas na cidade e distritos. Em Ritápolis é muito tradicional o Enterro do Zé Pereira, no último dia de carnaval. 
**Texto, vídeo, edição e acervo: Ulisses Passarelli
*** Referência bibliográfica: BARREIROS, Eduardo Canabrava. As Vilas del-Rei e a Cidadania de Tiradentes. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1976. 128p. 

domingo, 29 de janeiro de 2017

Encontro de Folias da Capelinha

Janeiro se faz por derradeiro e com ele encerra-se o período de ação das folias. Em verdade, a jornada de visita às casas concluiu-se no dia de São Sebastião (20 de janeiro). Contudo, os dois finais de semana seguintes do mês propiciam a participação das companhias em encontros de folias e festas religiosas ainda dedicadas ao mesmo santo, nos subúrbios e vilas. 

Temos dito e vivenciado que a manutenção das folias passa por grandes dificuldades que as põe em risco. Não é sem motivos que numericamente tem diminuído muito e ainda, que muitos grupos em si minguaram o número de componentes. Em essência ou no geral pouco atrai a atenção participativa dos jovens. Pelo menos na região das Vertentes... Aqui a faixa etária de participação é bem mais elevada, de meia-idade para terceira idade. Isto põe uma sombra no mecanismo de transmissão do saber. Em outras áreas do estado a realidade é diferente e existem locais que o jovem e a criança aderem sem maiores dificuldades e sobretudo se aproximam da função de marungo (*), que acaba lhes sendo especialmente atrativa. 

Lamúrias à parte, ainda podemos regozijar com o retorno às ruas desde dezembro último de duas folias que estavam paralisadas a alguns anos: a de César de Pina e a da Caieira ("Embaixada Santa"), de São João del-Rei, ambas graças a esforços de antigos participantes. 

Folia "Embaixada Santa", em jornada de visita a casas com a bandeira de São Sebastião. 

Hoje acontece em Mercês de Água Limpa (São Tiago/MG), a antiga e popular "Capelinha", um dos mais significativos encontros regionais de folias. Desde cedo os grupos chegam com bandeiras de Reis e de São Sebastião e eventualmente do Divino Espírito Santo, de vasta área do Campo das Vertentes e do Oeste de Minas. Já em sua décima oitava edição, firmou-se como um evento sólido, graças sobretudo aos esforços de coordenação do senhor Jorge Geraldo Canaan, popularmente conhecido por "Jorginho" _ justiça lhe seja feita _ pessoa afeita à cultura e que trata as folias com imensurável respeito e carinho, motivo natural que tornou o Encontro de Capelinha tão concorrido. Obviamente que isto só foi possível graças ao apoio forte da comunidade local, a parceria com o poder público e aos patrocinadores. Em conjunto construíram um encontro atrativo e firme, de uma formatação que deixa as folias muito à vontade. 

O curto vídeo abaixo lincado é uma montagem com fotografias do Encontro da Capelinha do ano passado. Em efêmeros fragmentos revela um pouco do encanto proporcionado pelas folias e a força do evento em foco. O áudio colhido na ocasião procede da folia de Desterro de Entre Rios. 


Notas e Créditos

* Marungo: personagem mascarado das folias, de caráter cômico. Também conhecido por palhaço, bastião, matias, alferes, guarda, másca e outros nomes, conforme a região.
**Texto e vídeo: Ulisses Passarelli
*** Fotografia: Maria Aparecida de Salles, 12/01/2017

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Festa de São Sebastião em São Gonçalo do Amarante

Nesta postagem o Blog TRADIÇÕES POPULARES DAS VERTENTES apresenta mais um vídeo, que testemunha a tradição regional das folias, desta vez no distrito de São Gonçalo do Amarante (ex Caburu), em São João del-Rei, onde é muito tradicional o festejo em honra a São Sebastião, coroado com a procissão, foco deste vídeo. 

Folia de São Sebastião do distrito de São Gonçalo do Amarante
(São João del-Rei/MG, Brasil), durante a procissão dedicada a este santo
na sua própria comunidade, a 25 de janeiro de 2015. 


Já em outra oportunidade este blog dedicou uma postagem ao referido festejo, cuja consulta aconselhamos para acesso a maiores detalhes a respeito. O link encontra-se ao final desta. 

O primeiro vídeo mostra o encontro da folia da sede distrital com a folia visitante da Colônia José Teodoro, no mesmo município, conhecida por "Folia do Carlão", mas cujo nome real é "Mensageiros do Paráclito", sob a bandeira do Espírito Santo, o comando do folião Carlos Leandro de Oliveira e a voz do Embaixador Antônio Francisco dos Santos.

No segundo vídeo aparece a procissão, em imagens que privilegiam a participação da companhia folieira do Mestre Lourival Amâncio de Paula, popularmente chamada "Folia do Vavá" (alcunha carinhosa do folião e embaixador) e "Folia do Caburu" (referência ao nome anterior do lugar). Assim como acontece com outras tantas folias regionais, esta também se desdobra na atuação em folia de Reis, folia de São Sebastião e folia do Divino, conforme a época do ano, praticamente com os mesmos participantes. No caso em questão segue a folia de São Sebastião, cantando durante o itinerário da procissão em 2015.




Notas e Créditos

* Vídeos: Iago C.S. Passarelli, 25/01/2015
** Texto, edição e acervo: Ulisses Passarelli
*** Leia também: CABURU FESTEJA SÃO SEBASTIÃO

domingo, 26 de junho de 2016

A saudosa folia de Santa Cruz de Minas

De forma bem superficial e prática, sem abordar questões históricas, pode-se dizer a título de mera observação prévia, que as folias de São Sebastião no Campo das Vertentes são extensões temporais das folias de Reis, com nova roupagem. 

Fortemente arraigadas a esta área das Minas Gerais, desenvolveram-se com grande aceitação popular em torno da devoção ao Guerreiro da Fé, o Mártir São Sebastião, prestigiado protetor contra, a fome a peste e a guerra. Vencido o Dia de Reis (seis de janeiro), até o dia vinte, circulam em missão. Janeiro é pois o seu tempo. 

A bem da verdade o costume regional atribui a esta folia a mesma ritualística jornadeira de visitar famílias, cantar de porta em porta, saudar aos anfitriões, venerar ao santo estampado em sua bandeira com versos cantados, solicitar em seu nome um donativo e em agradecimento entoar novos versos, que culminam com o pedido de devolução da bandeira e a despedida. A diferença das folias de Reis, de maneira bem sintética é que não visitam presépios, que via de regra a este tempo já foram desfeitos e por conseguinte não cantam aos Reis Magos, a não ser eventualmente se um detalhe inesperado o exigir. Os versos são todos voltados carinhosamente a São Sebastião. Alguns grupos tocam ritmos diferentes para as duas folias, outros não, só mudam os versos e a bandeira. 

Em Santa Cruz de Minas o padroeiro é São Sebastião. Nada mais natural que numa região folieira como esta, encravada entre São João del-Rei e Tiradentes, ambas com forte tradição de folias, que Santa Cruz também as tivesse em alta conta. Nos meados do século XX eram mais comuns e afamou-se o grupo de Miguel Silva e "Lóca", por longos anos. Depois esteve uns tempos desativada e retornou nos anos noventa sob a bandeira do Folião Sebastião Mário e a voz do Embaixador Murilo, experiente, afinado e conhecedor da tradição. Pouco depois Murilo assumiu a folia por completo e a manteve por alguns anos, estando nos dias atuais desativada. 

A igreja do santo na cidade festeja São Sebastião em janeiro com grande concorrência popular em programação intensa e afamadas quermesses, as tradicionais "Barraquinhas do Porto", por longos anos faladas em São João del-Rei como excelentes. Pois bem. Ainda hoje é corriqueiro que no dia maior folias vindas de municípios vizinhos espontaneamente passem pela igreja em diferentes horários ou mesmo participem da procissão. O município tem assim uma vocação, digamos assim, a esta atividade cultural e bem poderia firmar um bom encontro de folias ou mesmo recompor a folia. 

Mas enquanto isto não se concretiza, fiquemos com os acordes saudosos de uma saída da folia local em 1995, quando a treze de janeiro partiram mais uma vez para visitar os devotos em suas casas. 



Notas e Créditos

* Texto, vídeo e acervo: Ulisses Passarelli
** Ver também neste blog: FOLIA DO PORTO

quinta-feira, 10 de março de 2016

Folias de São Sebastião se encontram em São Gonçalo do Amarante


Encontro de folias em São Gonçalo do Amarante (ex-Caburu),
distrito de São João del-Rei, em 25/01/2015. Neste vídeo, 
inicialmente canta a folia da Colônia José Teodoro, deste mesmo município,
do Folião Carlos Leandro de Oliveira, sob a voz do Embaixador 
Antônio Francisco dos Santos. A seguir canta a folia do próprio distrito de
São Gonçalo, do Folião e Embaixador Lourival Amâncio de Paula. 


Créditos

- Vídeo e edição: Iago C.S. Passarelli.
- Legenda e acervo: Ulisses Passarelli.

Notas 

- Revisão: 03/01/2026.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

17º Encontro de Folias da Capelinha

Ontem, 31 de janeiro, domingo de sol inclemente, na tradicional Capelinha, oficialmente Mercês de Água Limpa, distrito de São Tiago/MG, realizou-se o 17º Encontro de Folias, coroado de êxito pela excelente organização, grande número de folias de Reis, folias de São Sebastião e até uma folia do Divino, além da ampla assistência que prestigiou o evento do começo ao fim. 

O evento comprovou mais uma vez solidez e confiabilidade. Este sucesso deve-se em parte à fama que Capelinha goza de ter tido sempre folias de alta qualidade musical, aliás, como também acontece com localidade rurais vizinhas (Coqueiros, Bananal, Capão das Flores, Manteiga...); outro tanto compete à receptividade do povo do lugar, amante das folias, hospitaleiro; tanto mais à equipe organizadora do encontro, dedicada aos afazeres, e, indubitavelmente à experiente coordenação de Jorge Geraldo Canaan, em geral conhecido por "Jorginho", que não mede esforços para promover o encontro com todo esmero e respeito aos grupos. Portador de perene simpatia, Jorginho recepciona foliões e folieiros em pleno espírito fraternal, deixando todos os grupos muito à vontade no encontro.

A percepção desta realidade não é mera reflexão desta página, mas parece que veio pronta nos versos cantados pelo folião de Passa Tempo:

"Se não fosse essa união,
essa festa não saía..."

Os grupos visitantes chegaram pela manhã, recebendo o tradicional café com pão e quitandas; na sequência visitaram a comunidade, cantando pelas ruas afora, residências, estabelecimentos comerciais, igrejas. Depois se recolheram para o almoço carregado da delícia do tempero mineiro. Na parte da tarde se concentraram na praça para as apresentações no palco, sempre enaltecidas por palmas e palavras de valorização do locutor. Os grupos ao cantar se despedem, mas nem todos se vão, permanecendo para assistir as outras apresentações. O largo esteve lotado, todos aglomerados à sombra de árvores e casario. 

Muitas folias estiveram presentes ao encontro, vindas do próprio município e ainda de Coqueiros (Nazareno), São João del-Rei, Ritápolis, Resende Costa, Desterro de Entre Rios, Passa Tempo, Oliveira, Carmo da Mata, Itaguara, Bom Sucesso, Santo Antônio do Amparo, Lavras. Ou seja: do Campo das Vertentes e do Oeste de Minas, como numa circunferência tendo Capelinha por fulcro, a maioria dos municípios circunvizinhos mandaram representações, por vezes mais de uma. 

Positivamente foi possível observar uma boa quantidade de jovens participando como palhaços de folia (bastião, marungo), esperança de futuro. 

No mais é o olhar perscrutando a participação popular: em cada esquina pessoas em bate-papo dialogam com alegria; alguns senhores se animam com uma folia de ritmo mais agitado e esboçam passos de dança; um pai passa de mãos dadas com um filho saltitante _ em seu rosto uma máscara de papelão imita a dos bastiões _ uma senhora retoca o batom sentada na beira da calçada observando-se pelo espelho que enfeita seu chapéu de folieira; um tocador de cavaquinho aproveita o intervalo para enrolar um cigarro de palha; crianças correm para lá e para cá, bebendo refrigerante e chupando picolé; o comércio fatura seu extra, vendendo para os visitantes; gente curiosa se achega comentando o canto da anunciação que um embaixador fez com grande fundamento, ou louvores ao mártir São Sebastião entoados por outro com maestria; alguém num canto da praça rememora com seu compadre os tempos de criança, quando a fazenda de seu pai recebia as folias pondo em alvoroço os moradores; cavaleiros passam pela praça, perneira e chapéu de aba larga compõe sua figura; uma folia canta para os Reis no presépio da igreja e devotos assistem atentos; uma dona joga farelo de fubá na calçada e os pássaros descem para granjear, amarelando o passeio; outras folias trocam convites para um próximo encontro... intercâmbios... amizades... aprendizado... esperanças de um retorno no ano vindouro: 

"A bandeira vai embora
a saudade vai ficando;
se Deus me permitir
voltarei no outro ano..."
(Folia de Reis de Passa Tempo/MG)

Bastião da Folia do povoado do Manteiga,
São Tiago. 

Marungo de uma folia de Santo Antônio do Amparo. 

Marungos de Lavras, da folia
"Estrela do Amanhã". 

Cartaz do encontro afixado no interior de um
estabelecimento comercial do lugar. 
  
Folia de Desterro de Entre Rios, observando-se os participantes
figurando os Reis Magos. 

Equipe da cozinha beija a bandeira da Folia de Reis de
São João del-Rei, do Bairro Bom Pastor. É ritual típico do
agradecimento do alimento dado às folias. 

Igreja de Nossa Senhora das Mercês, a padroeira de Mercês de Água Limpa

Jorginho Canaan recepciona membros da folia
 de Desterro de Entre Rios. 
  
Na sombra da árvore se aglomeram para assistir às apresentações

Palco do encontro no momento da apresentação da folia
 "Nossa Senhora da Penha de França", de Resende Costa. 
  
O marungo faz brincadeiras adiante da folia
de Santo Antônio do Amparo. 

Uma das folias da cidade de São Tiago. 

Canários comendo farelo de fubá na praça da igreja. 


Notas e Créditos

* Texto e fotografias: Ulisses Passarelli