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Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Festa de São Sebastião na Restinga

O dia de São Sebastião caiu este ano em plena quarta-feira (20 de janeiro), induzindo que as comemorações em vários lugares se transferissem para o final de semana seguinte. Tal se deu na Restinga, distrito de Ritápolis/MG, onde aconteceu a tradicional festa em honra a este santo altamente prestigiado nos meios rurais, como protetor dos sitiantes e fazendeiros, com o atributo clássico de proteger contra a fome, a peste e a guerra; guarda espiritual dos rebanhos e plantações, contra a ruína das doenças, desde que se tenha fé nele. É por excelência o santo patrono da agropecuária [1]. 

A Restinga é dividida em dois grupamentos de casas: um na parte mais alta do terreno foi batizado Restinga de Cima, que conta com uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida e outro, na baixada, Restinga de Baixo, cujo padroeiro é São Sebastião. Onde fica a sua capela não é na parte mais baixa do povoado, se não mesmo em um platô, com visão panorâmica das elevações em derredor. Já por isto há quem lhe chame "Restinga do Meio", conquanto o nome não pareça tão comum, posto que, ao pé da letra a capela é parte da Restinga de Baixo. Conta ainda com um cemitério aos fundos, e algumas construções em volta, sediando conferência, casa paroquial, escola e um grande reservatório de água. Sítios nas imediações. O entorno é gramado, ao natural e servido pela estrada não pavimentada que vem da Rodovia BR-494 e segue a Resende Costa, com entroncamentos para a Restinga de Cima (esquerda) e para o Penedo (direita). 

A comunidade é muito tradicionalista e guarda desde longa data a tradição do congado, com festejo do Rosário em setembro, quando o catupé local recepciona as guardas visitantes. Mantém igualmente a folia, ora só na de Baixo, ora nas duas Restingas; confluindo sua jornada para o arremate anual nesta festa em questão. Além do grupo da Restinga de Baixo, sob o comando do veterano e respeitadíssimo Mestre Sebastião Ezequiel e de seu seguidor imediato, José Mário, que tem sua própria folia na Restinga de Cima, estiveram também presentes a Folia "Mensageiros do Paráclito", vinda da Colônia do José Teodoro (São João del-Rei), do folião Carlão (Carlos Leandro de Oliveira),  tendo como embaixadores Pedro Paulo Ramos e Antônio Francisco dos Santos; e ainda a folia do Cerrado, bairro de São Tiago, sob o comando e voz de Vanderlei Cardoso. As companhias demonstraram experiência e excelência na qualidade do que apresentaram, executando toadas muito tradicionais, típicas da região, sobretudo das áreas rurais, com cantorias bem fundamentadas em seus versos. 

O povo devoto estava totalmente à vontade no largo gramado. Música mecânica instalada sobre a carroceria de um caminhão, coberto de improviso por um toldo de bambu e lona, animava o ambiente tocando sertanejo nos intervalos de cantoria dos foliões. Gente amiga e aparentada se encontrava por ali, sentando para a prosa debaixo das grandes figueiras bravas. Capela aberta na frente e nas laterais, varrida, florida, pintada de novo. Todo tempo visitantes lhe entram e saem como numa romaria. Os andores de São Sebastião e de Nossa Senhora das Graças estavam enfeitados de rosas vermelhas e uma fita atada aos pés da imagem oferecia ao fiel uma chance para o ósculo. A marca de batom na fita branca da Virgem é prova inconteste do carinho de um beijo na santa. A fita de São Sebastião é vermelha, cor votiva do mártir da fé. 

O cemitério também está aberto e as pessoas o visitam livremente, em oração pelos mortos e em contato com a lembrança de entes queridos. A festa abre uma dimensão de saudade, de reencontro, até mesmo com os que já se foram, ora recordados, porque dali também, noutros tempos, foram partícipes. Ao se visitar o cemitério, simbólica e implicitamente, se insinua e acredita que as almas participam também, acompanhando do plano celeste as festividades queridas. 

Um mastro foi fincado adrede à capela, simples, relativamente baixo, mas tão simbólico com sua estampa dupla, numa face o santo festejado, no outro a Virgem de Fátima. 

Em um canto do largo, um curral reserva prendas ofertadas ao padroeiro: bezerros e leitões. Diante da casa paroquial, uma mesa forrada de toalha expõe outras prendas diversas _ melancia, moranga, abóbora, feijão guardado em garrafa pet (gratidão pelas boas colheitas...), utensílios domésticos, tapetes e colchas que foram tecidos em teares artesanais _ prendas para o leilão em benefício do festejo. O povo então os chama respectivamente "leilão de gado" e "leilão de mesa", uma tradição das festas deste santo. O povo passa olhando, não mexe, não rouba. Respeita. É do santo. Mas já estipula possíveis valores, planejando arrematar. Por vezes, nesses leilões, se arremata objetos baratos; outras vezes bem acima do que realmente valem, porque o bom leiloeiro sabe apregoar incitando o orgulho e o senso de disputa dos candidatos a arrematante, que se empolgam em lances sucessivos visando superar o "rival", o que torna o leilão atraente, animado, alegria do povo. E é assim mesmo, porque pagar mais que vale é prova de fé, posto que subentendido e aceito coletivamente como verdade inconteste, é forma de ajudar a festa e retribuir ao santo as múltiplas benesses recebidas. Essa a lógica do leilão numa festa desse tipo. 

Sai o almoço das folias. Que almoço! Cardápio simples, mas inigualável no sabor. Comida mineiríssima típica. Elogiado ao extremo por quantos o provaram. Confraternização geral, alegria, foliões se misturam independente do grupo que participam. São irmãos imbuídos da mesma missão. Depois cantam no ritual de agradecimento e neste a cozinheira deve segurar a bandeira para ouvir os versos. 

Achegam-se para debaixo da árvore grande. O mestre do lugar convoca. Encontro das bandeiras, ritual de saudação de uma folia à bandeira da outra e na sequência aos foliões. Momento de paz e união. Os devotos dessas comunidades amam as folias. Juntam em volta para ouvir os versos e apreciar os acordes da sanfona, o dedilhado das cordas, a afinação do requinta, a sintonia da resposta. 

A sineta tocada à porta da sacristia é um sinal imperativo. A missa vai começar. Folias param, o povo mobiliza-se para o templo. O relógio marca 14 horas. Padre Nélio José dos Santos, sempre tão eloquente, sabe como celebrar conservando a atenção de todos e com palavras evangelizadoras que invadem o âmago. Seu apoio às tradições é valoroso e indispensável e o temos visto desde muitos anos com aplausos. O coral local cantou no coro da igreja, exímio, se valendo de melodias de músicas sertanejas, o que muito agrada aos fiéis. 

Na sequência, a partir das 15 horas e trinta minutos, transcorreu o leilão de prendas. Primeiro o de mesa. Enquanto as folias voltaram a cantar no largo e os presentes em burburinho a conversar, a comer e beber pelas barracas instaladas, os leiloeiros transitavam entre eles gritando o preço das prendas e pedindo novos lances. Nesse meio tempo passa um homem vendendo peças artesanais de couro trançado: talas, relhos, chaveiros, cinturões, bainhas de canivete. A freguesia está ali, muitos cavaleiros presentes, de chapelão à cabeça, botas e perneiras. Num canto do lugar, violeiros cantam uma moda qualquer e logo atraem seu público específico; crianças correm e brincam numa liberdade imensa, gramado afora, sem riscos, sem obstáculos. O gramado, aliás, daqui e dali se ponteia de forte amarelo, dos canários da terra, pássaros canoros de beleza ímpar. 

Daí a pouco os leiloeiros começam a passar com galinhas peiadas [2] e o leilão esquenta. Já mais um tanto e começa o berreiro dos porcos e passam carregando leitões e por fim as pessoas rodeiam o curral para avaliar os bezerros e dar seus lances, momento mais intenso da disputa dos arrematantes. 

Findo o leilão o padre convida ao microfone os fiéis ao início da procissão e o sino da capela reitera o chamado com seus repiques insistentes. O cruciferário toma a dianteira. Duas filas logo se formam. Andores vão no meio e folias atrás, alternando cantoria. Rodeiam o cemitério, circulam pelo lugar, tornam por baixo. Não é itinerário longo, mas concorrido e devoto. Uns poucos foguetes espocam e seu eco se amplia na imensidão de morros. Na chegada os andores entram de marcha à ré, como é de costume. O sacerdote dá a bênção final e a capela se irrompe em vivas a São Sebastião. As folias cantam sua despedida na nave do templo e o povo despe os andores de suas flores, que levadas aos lares são certamente dádivas que adentram nas famílias. 

Despedidas à vista. Sai um carro, vai-se um caminhante, um cavaleiro parte, uma motocicleta zoa pela estrada. O largo pouco a pouco esvazia. Barracas se desfazem. Alguém varre a capela e uma zeladora cerra as portas. O compromisso com o sagrado foi cumprido mais uma vez. O equilíbrio das forças terrenas e celestes está garantido de novo para aquela comunidade, como uma aliança inquebrantável, anualmente renovada. A fome não assolará, já que os rebanhos e roçados estão abençoados. Agora é voltar ao trabalho, com a certeza da vitória que só a fé garante... Té logo, cumpadre, vai com Deus!

Andor de São Sebastião na Restinga:
um ramo de oliveira se abre como uma umbrela
e a fita vermelha serve ao beijo dos devotos. 

Bandeireiro da folia da Colônia do José Teodoro
em respeitosa atitude durante a cantoria de veneração.
 
 
Folia da Colônia do José Teodoro (São João del-Rei), chegando na
Capela de São Sebastião da Restinga de Baixo. 

Folia do Cerrado, de São Tiago, faz sua adoração dentro da capela. 

Sanfoneiro da folia da Restinga. 

Foliões Zé Mário (esquerda), da Restinga de Cima e Sebastião Ezequiel (direita), da Restinga de Baixo, ícones da tradição folieira na região, observam atentamente a cantoria das folias visitantes.
 
Senhoras observam a cantoria folieira. 

O povo se aglomera debaixo da imensa figueira para assistir o Encontro das Bandeiras. 

Vendedor de artefatos de couro. 

O leiloeiro apregoa um porco.  

Leilão de galinhas. 

O leilão de gado é muito concorrido. 

Mesa de prendas.

Cruciferário abre a procissão.  

Passagem do andor de São Sebastião acompanhado por folias.
 
Fogueteiros saúdam a chegada da procissão. 

Chegada da procissão. No extremo esquerdo da fotografia se observa
o mastro de São Sebastião. 

Créditos

- Texto e fotografias: Ulisses Passarelli.
 

Notas 

[1] No ano anterior este blog divulgou outra festa rural dedicada a São Sebastião, no distrito de São Gonçalo do Amarante (São João del-Rei). Leia clicando no link: CABURU FESTEJA SÃO SEBASTIÃO
[2] Peiada: que tem os pés atados por peias (cordão ou embira, que amarra um pé no outro para impedir a fuga de um animal correndo). Não confundir com pejada: prenha, grávida. Vocabulário típico dos meios rurais. 

- Revisão em: 28/07/2026. 


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Caburu festeja São Sebastião

Sendo um santo muito querido, com uma imensidão de fiéis, São Sebastião tem o privilégio de ainda receber festejos mesmo além de seu dia votivo, 20 de janeiro. É assim que, talvez, escapando de concorrer com festas maiores, certas comunidades rurais o festejam um pouco depois, como, por exemplo, a Capela de São Bento, no Gritador (Prados); na sua capela própria na Restinga de Baixo (Ritápolis); na de São Domingos Sávio, em Ibitutinga (São João del-Rei), junto com o padroeiro. Mesmo na cidade de São João del-Rei isto acontece, na comunidade da Avenida Santos Dumont, no Bairro Matosinhos, já há alguns anos vem sendo comemorado junto com São Benedito, em  abril, por vezes com apresentação do congado local e de alguma folia convidada. 

Foi assim que aconteceu mais uma vez em São Gonçalo do Amarante, antigo Caburu, distrito são-joanense, para alegria dos seus devotos, que viram de volta esta festa que ano passado não ocorreu, quebrando sua sequência anual, como antigo e tradicional evento que é. 

A festa contou com tríduo e missa diária às 19 horas, sendo que no último dia houve a reabertura da Capela do Santíssimo Sacramento. A base das reflexões teve como tema "Com São Sebastião testemunhamos a fé, assumindo a nossa missão" e o lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1).

Vinte e cinco de janeiro foi o dia maior, com alvorada de fogos e sinos às 5 horas, missa festiva às 10, leilão no começo da tarde, missa seguida de procissão 16 horas, concluída com bênção do Santíssimo Sacramento e como arremate, uma queima de fogos às 21 horas. 

Como notas de destaque é preciso frisar a presença da folia de São Sebastião local, sob o comando de Lourival Amâncio de Paula, o querido e respeitado Mestre "Vavá", baluarte da cultura local, que muitos esforços tem feito para manter os folguedos da terra. Com apoio de seus companheiros de folia, rumou para a praça e animou os festejos de largo, visitou a igreja com louvores ao santo mártir e igualmente animou com seus versos a procissão. 

Da mesma maneira exitosa, foi a "Folia do Carlão", sob o comando do Folião Carlos Leandro de Oliveira, da Colônia do José Teodoro, no mesmo município, com belos versos sob a voz do experiente Embaixador Antônio Francisco dos Santos. Esta folia fez o mesmo trabalho da outra e ainda visitou várias residências. 

É mister registrar que as duas fizeram um encontro na praça, momento pacífico de confraternização. 

Houve um almoço com renda em favor da festa. Sua produção e venda demandou uma conjunção de esforços de festeiros e colaboradores. 

Outro ponto de destaque foi o leilão, muito bem conduzido por Deilson Gonçalo Alves. Os procuradores previamente prepararam tudo, em árduo trabalho, ganhando bezerros, garrotes, leitões, frangos e galinhas para o evento. Foi armado de improviso um curral de tábuas na praça, sob a sombra de uma grande árvore. É de se destacar o trabalho abnegado do procurador de gado [1] Ednei Sebastião de Oliveira, ao centro do curral separando os lotes de animais. O leilão foi muito concorrido e por diversas vezes assistiu-se a cena de reses arrematadas e de novo doadas ao leilão, para aumentar a renda de São Sebastião, como dizem, prova concreta do espírito colaborativo do devoto povo rural. 

É ocasião de se notar de perto, a prática do leiloeiro, o círculo de gente observando e dando lances, comentando sobre as qualidades de um animal, que tem condições de largo desenvolvimento e futuro lucro. Os olhos treinados incitam preços maiores e assim passaram primeiro os bovinos, depois os porcos e por fim as aves peiadas (com peia, ou seja, de pés atados por embira para não fugirem). Para arrematar, o sr. Mário Alves, artista da terra, congadeiro e folieiro, doou uma de suas esculturas artesanais para o leilão, um belo galo entalhado em madeira, que foi bem disputado [2]. 

A procissão trouxe o povo todo ao largo, sob o ecoar do sino no campanário. Na forma de praxe, tomou o rumo do cemitério, em frente ao qual retornou para o outro extremo da vila e por fim ao templo colonial. A bela imagem do santo estava em andor forrado de tecido vermelho, com flores vermelhas, com uma faixa vermelha trespassada ao peito... tudo vermelho, que é a cor do santo mártir, do sangue, da vida entregue por Cristo. Atrás da imagem, ramos de laranjeira, perfumada lembrança evocativa da verde mata. 

No seu percurso, a Folia do Vavá atrás do andor e a do Carlão na frente, fizeram a música de todo o itinerário, sempre com versos laudatórios muito respeitosos, enaltecendo os atributos do glorioso taumaturgo ou narrando em cantoria passagens de seu tocante martírio. O povo estava concentrado na função religiosa, em prece e no meio ainda vimos algumas crianças de colo, carregadas carinhosamente, vestidas unicamente de calção e uma faixa larga de tecido em diagonal sobre o peito. Tudo vermelho, óbvio. Imitando a vestimenta do santo, essa forma de pagamento de promessa tão singela vai rareando e na cidade já não se vê facilmente. 

O festejo em São Gonçalo do Amarante foi ordeiro, tranquilo, autêntico e devoto. A cultura popular mostrou sua força e conviveu harmonicamente com todos os elementos e partes constitutivas da festa. Fazendeiros e sitiantes tanto doaram reses quanto as arremataram, e muito lhes é devido pelo êxito alcançado. Patrocinadores acreditaram na comemoração e deram sua ajuda. 

Resta parabenizar a comunidade, as folias, os procuradores que no papel de festeiros envidaram largo esforço em prol do evento, e, por fim e em especial, ao pároco da Paróquia do Senhor Bom Jesus do Monte, à qual se vincula a Igreja de São Gonçalo, Padre Ilton de Paula Resende, sempre afável com os fiéis e eloquente e sério no trato com a prática religiosa, que muito respeitosamente saudou os grupos de folia. 

Igreja de São Gonçalo do Amarante.

Aspecto geral do leilão. 

O Procurador Ednei em dedicado apoio ao leilão.

Numa tribuna, o Leiloeiro Deilson apregoa o gado.

Mestre Vavá, em plena cantoria folieira.  

Cruciferário e ciriais tomam a dianteira da procissão acompanhados
por outros irmãos de opa do Santíssimo Sacramento. 

A imagem em andor do prestigiado Santo Mártir, São Sebastião. 

A procissão retorna à praça distrital. 

A Folia do Vavá na procissão. 

A Folia do Carlão na procissão. 

Dorival Caim de Paula, um dos esforçados festeiros do lugar.

Bastião se exibe para o povo, no ritmo da folia. 


Créditos

- Texto e fotografias do leilão: Ulisses Passarelli.
- Demais fotografias: Iago C.S. Passarelli.

Notas

[1] Além de Ednei, o programa impresso listou como procuradores: Dorival Caim de Paula, Carlos Guilherme Neto, Marly Maria Calsavara Oliveira e Sandra Sebastiana de Lima. 

[2] O costume desses leilões e praças de gado com renda para a festa ou para obras da igreja é muito tradicional na região. Uma notícia assaz interessante é esta:

"Entusiasmado e aparentemente saudoso, o Revmº Padre Américo (Ceppi), prosseguiu na jocosa narrativa de suas viagens, nas quais visitou todos os distritos de São João (del-Rei) e angariou 404 galinhas e muitas cabeças de gado para a próxima praça. A venda das galinhas deu uma bela soma, assim como também, um pequeno leilão de gado em Emboabas, tudo em pról da construção do Santuário de São João Bosco.” 

(Fonte: Livro de Atas da Pia União das Cooperadoras Salesianas, Paróquia de São João Bosco, São João del-Rei. Ata da reunião de 09/11/1951, p.13 v. Gentilmente cedido pela ex-presidente Cirene Passarelli, tia do autor, em 1º grau, pelo lado paterno). 

- Revisão: 15/07/2025. 

domingo, 16 de dezembro de 2012

A festa do Sr. Bom Jesus de Matosinhos em São João del-Rei

 Em 1961, o Padre Jacinto Lovatto conseguiu a concessão das indulgências plenárias, para a festa do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, que voltou assim a ser comemorada de forma jubilar. É que os jubileus anteriormente concedidos estavam inadequados à data (setembro): o de 1783 destinava-se às festividades pentecostais; o de 1924 às de 03 de maio. Como a Festa do Bom Jesus foi transferida sucessivamente dessas datas para 14 de setembro (seu dia maior), os títulos anteriores, de datas específicas, ficaram inválidos para esta festa. A partir de então a comemoração sob a forma de jubileu continuou e ainda hoje é comemorada em setembro, exigindo renovação a cada sete anos.

            Em breves linhas segue descrito o festejo atual, que realizado ano a ano na mesma linha condutora, incrementada da década de 1990 para cá. Obedece a um tema, que é desdobrado em subtemas, um para ser analisado a cada dia. O esquema das romarias só foi adotado após a elevação da matriz ao estado de santuário.

            É fácil constatar que esse jubileu tem muito menos atrativos que o do Divino e não vai depreciação neste fato. O estilo é outro, os parâmetros dos dois jubileus são bem diversos. Há espaço para ambos na paróquia e cada um em seu contexto. Na verdade a procissão do Bom Jesus é visivelmente mais concorrida que a do Espírito Santo.

      Os apontamentos a seguir se baseiam no jubileu de 2004, compilados do seu programa festivo:

- Romarias e novena: 
do dia 05 a 13, às 15 horas, missa e bênção do Santíssimo Sacramento; às 19 horas, missa e novena solene. Romarias previstas para aquele ano:

1)                  dia 05: romaria dos comerciantes, coroinhas e comunidades;
2)                  dia 06: romaria do setor de educação, cultura e esportes;
3)         dia 07: romaria dos políticos, afro-descendentes e das paróquias locais e de Santa Cruz de Minas;
4)                  dia 08: romaria dos aposentados e pensionistas;
5)                  dia 09: romaria dos trabalhadores e militares;
6)                  dia 10: romaria das famílias, idosos e portadores de necessidades especiais;
7)                  dia 11: romaria dos profissionais liberais e comunicadores;
8)                  dia 12: romaria dos jovens, religiosos(as) e profissionais da saúde;
9)                  dia 13: romaria dos ruralistas e motoristas.

- Eventos especiais:
1)                  dia 07: Grito dos Excluídos, com caminhada às 17 horas, da Avenida Presidente Tancredo Neves para o Santuário de Matosinhos;
2)                  dia 10: unção dos enfermos na missa;
3)                  dia 12: crisma;
4)                  atendimento diário a confissões individuais durante as missas;
5)                  exposição de trabalhos sociais da igreja, em São João del-Rei e Santa Cruz de Minas;
6)                  entronização diária da Bíblia Sagrada;
7)                  homenagem a Nossa Senhora todos os dias, pela Academia Bauer Sport Center;
8)          eventos artísticos e culturais após a celebração, na praça e no Centro Social e Cultural da Paróquia.

- Dia Maior:
1)                  alvorada às 6 horas;
2)                  missa às 7 horas, por todos os benfeitores da paróquia, vivos e falecidos. Homenagem póstuma ao Cônego Jacinto Lovatto;
3)                  Missa das Crianças, às 9h 30;
4)                  Missa Solene, às 15 horas, concelebrada, presidida pelo bispo. Participação especial de todas as comunidades, movimentos e pastorais da paróquia, visitantes e romeiros;
5)                  Procissão. Ao seu término, sermão, missa, hino de ação de graças e encerramento.

- Observações:
1)                  várias celebrações foram transmitidas por rádio e também via internet;
2)                  para cada missa foi convidado um pregador, de diferentes paróquias e de cidades vizinhas;
3)                 a chegada da procissão foi animada pelo Padre Antônio Claret Albino, da Paróquia da Imaculada Conceição, desta cidade.

            Este jubileu cresce a cada ano e ganha melhoramentos. Em 2005 foi criada a Equipe de Acolhida, devidamente uniformizada com coletes, que lhe confere grande visibilidade e assim permite melhor apoio aos romeiros e visitantes. No ano seguinte, para cada dia da novena, foi convidada uma paróquia da diocese a participar, com suas pastorais e movimentos. Nada mais justo já que é um santuário diocesano. O gesto pioneiro do seu reitor favoreceu a união entre as paróquias e o resultado foi superior ao esperado. Tanto que, logo o modelo passou a ser adotado em festas de outras paróquias. Em 2006 a imagem voltou a ser carregada em procissão nos braços dos fiéis, em vez do caminhão dos bombeiros, o que foi motivo de aplausos. Uma boa inovação surgiu em 2007 com a padronização das barracas externas conseguindo-se assim um melhor aspecto e funcionalidade. Também nesse ano a Equipe de Acolhida se estruturou melhor e foram incrementados os meios de comunicação na transmissão do evento religioso. 

Leilão de gado no Jubileu do Sr. Bom Jesus de Matosinhos de 2009.

Créditos

- Texto e fotografia: Ulisses Passarelli.

Notas 

- Revisão: 08/09/2025.