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| Padre Pedro Teixeira em 2006, durante a Procissão do Imperador Perpétuo, no Jubileu do Divino. |
Bem vindo!
Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.
ULISSES PASSARELLI
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terça-feira, 9 de junho de 2015
Adeus, Padre Pedro ...
Festa de Tiradentes
Como tal poder-se-ia listar de imediato a Festa de Nossa Senhora do Livramento (na zona rural de Prados), que acontece no último domingo de junho; a Festa de Nossa Senhora do Rosário (em Resende Costa), no primeiro domingo de novembro, e os grandes jubileus: de Santa Rita de Cássia (em Ritápolis), o de Nossa Senhora de Nazaré (em Nazareno), o do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e o do Divino Espírito Santo (ambos no Santuário de Matosinhos, em São João del-Rei) e por fim o da Santíssima Trindade (em Tiradentes). Estas são certamente as maiores festas religiosas regionais.
Cinquenta dias após a Páscoa é a grande festa de Pentecostes. Pois bem. O domingo seguinte a Pentecostes é o dedicado à Santíssima Trindade, que merece na cidade de Tiradentes uma grande festa jubilar centrada no santuário desta invocação, que remonta ao ano de 1776. Popularmente o povo a chama "Festa de Tiradentes", o que a estranhos pode soar como um evento dedicado ao Alferes Joaquim José da Silva Xavier, mas não é nada disso. Esta grande comemoração é concretizada em grande parte devido aos esforços e dedicação da Arquiconfraria da Santíssima Trindade.
A devoção é muito antiga e enraizada e tem sua base calcada em lendas populares, que este blog já registrou. Construído sob o regime de romarias, o jubileu é uma ocasião que movimenta um número enorme de devotos que demandam de toda a redondeza em prece aos pés "da santa", como habitualmente se referem à Santíssima Trindade. É comum o tratamento no feminino: "ela (a Santíssima Trindade) me deu uma graça de cura!" Apesar da referência no gênero feminino a representação material é por uma imagem de feição masculina marcante: um senhor de farta barba branca, olhar sério, sentado num trono, trajado em vestes sacerdotais, tiara papal, um Divino em forma de pomba aplicado no peito e mãos espalmadas em atitude de imposição, de bênção. Uma longa fita atada em seu punho vai até os fiéis em imensa fila, que nela beijam e se persignam pedindo a graça.
O Santuário da Santíssima Trindade é uma igreja setecentista, munida de amplo adro gramado e com os anos recebeu melhoramentos e benfeitorias para bem servir aos romeiros.
É comum a presença de gente vindo a pé de localidades vizinhas. De São João del-Rei e Santa Cruz de Minas, por exemplo, caminham pela "Estrada Velha" (Estrada Real), beirando a Serra de São José, muitas vezes de madrugada, para alcançar a primeira missa, na alvorada. Quantas vezes, fui com meus pais nessa caminhada ainda na infância! Juntava-se uma turma familiar, com tios e primos, levando alguma sacola com uma merenda. A saída era entre 2 e 3 horas, com um frio medonho, e muita poeira. A luz elétrica cessava logo após a última casa de Santa Cruz e em toda a beirada de serra vinha-se no escuro total e com muita poeira. Via-se muitos grupos de pessoas fazendo a mesma jornada, romaria de várias famílias. Na chegada, uma breve parada junto ao chafariz para lavar a poeira das mãos e do rosto e reabilitar as energias com um cafezinho. E logo, assistir a missa das 5 horas, que terminava com o dia clareando.
Esta tradição diminuiu sensivelmente por conta do intenso fluxo de veículo na estrada nesse período, gerando nos romeiros a pé o temor de atropelamento, que aliás já aconteceu. Da mesma forma existe atualmente o medo de assaltos. Era muito comum o romeiro vir à pé de São João e voltar de trem, pegando a maria fumaça que até o começo da década de 1980 rodava de hora em hora nessa festa, por assim dizer, sempre lotada e costumava parar em Chagas Dória para os desembarques. Os jornais antigos de São João del-Rei registram com frequência notícias dos horários ferroviários especiais para servir a esta festa (*). Muitos romeiros vinham ou ainda vem de outras localidades vizinhas a pé ou a cavalo, ou mesmo de bicicleta, mas atualmente o maior volume é por meio de veículos automotores.
A poeira intensa na estrada que vem de São João, de uns anos para cá foi amenizada por caminhões pipa que pulverizam água sobre ela, no trecho do Morro da Mandioca. Já a subida pelo Morro do Pacu não tem mais poeira, posto que pavimentada por paralelepípedos.
A novena preparatória é movimentada, mas nos últimos dias o fluxo aumenta muito. No largo diante do santuário, na rua que lhe segue e mesmo na lateral do templo, externamente, muitas barracas dividem espaço no comércio de gêneros alimentícios, roupas (sobretudo de inverno), utensílios, ferramentas, brinquedos, diversos. Cumprida a parte religiosa, o visitante acorre às barracas e no comércio ambulante faz suas compras. Isto também faz parte da característica desta festa. Muita gente junta um dinheiro ao longo dos meses que lhe antecedem para justamente comprar algo interessante nessas barracas. Nas horas de pico o movimento de ir e vir de pessoas é enorme e chega a ser difícil transitar entre as barracas.
Dentre tantos produtos um muito típico, embora hoje bem menos abundante nesse festejo é a mexerica-pocã (ponkan). Eram vendidas em enfieiras. Hoje em redinhas de nylon amarelo.
A gaiatice popular não tardou alcunhar este jubileu de “Festa do RPM”. Sigla um tanto irônica, mas antes brincalhona que pejorativa, que resume algumas características que se via noutros tempos no Jubileu da Santíssima Trindade, de Tiradentes: Romaria, Poeira, Mexerica.
Alguns momentos do jubileu em especial merecem destaque. No Domingo da Santíssima Trindade, a missa das 10 horas, celebrada pelo bispo, com a parte musical a cargo da centenária e respeitada Orquestra Ramalho, de Tiradentes; a Procissão de São Vicente de Paulo, que sobe entre as barracas partindo da Matriz de Santo Antônio ao Santuário, que já a muitos anos vem sendo musicada pela Banda de Música Municipal Santa Cecília, de São João del-Rei, sob a batuta do competente Sr. José Antônio da Costa; a solene e grandiosa Procissão da Santíssima Trindade, que reúne uma multidão imensa de tiradentinos e visitantes; e, por fim, o concorrido leilão de gado.
Também merece uma especial atenção, sobretudo de quem tem um olhar mais investigativo nas questões etnográficas, a "Sala dos Milagres", onde se concentra um grande número de ex-votos variados, atestando graças alcançadas pelos fiéis. Outro ponto de especial interesse é o velário ao seu lado, no qual ardem dezenas de velas, sobretudo de cera, elevando súplicas e gratidões.
Seria muito interessante e útil o desenvolvimento de uma pesquisa a fundo do passado desta festa, e talvez já exista. Pequenos fragmentos visíveis em jornais antigos publicados em São João del-Rei, além de atestarem o imenso fluxo de fiéis são-joanenses para Tiradentes durante esta festa e sobretudo falando acerca do grande número de trens especiais para atender aos romeiros, também deixam ver nas entrelinhas algumas informações que a princípio sugerem que a estrutura festiva do passado pode ter tido uma certa similitude com o antigo Jubileu do Divino de Matosinhos. A título breve de exemplo, em 1883, descobriu a pesquisa séria do Sr. Kleber do Sacramento Adão (**), houve em Tiradentes a cavalhada durante o jubileu. Pois bem: no ano seguinte, a cavalhada aconteceu na festa de Matosinhos, graças aos esforços de Herculano de Assis Carvalho.
A maioria destes cargos tem procedência portuguesa e sobretudo açoriana. Surgem assim igualmente nas Festas do Divino Brasil afora e por extensão nesta da Santíssima Trindade de Tiradentes. Notar inclusive a presença de cargos consagrados ao Divino Espírito Santo e Senhor de Matosinhos[2]e até um imperador, aliás um sacerdote, o Padre João Theodorico Vellozo.
Fica pois a sugestão à pesquisa, diga-se de passagem, tentadora. As antigas notícias jornalísticas e outras fontes documentais poderão mesmo comprovar que o Jubileu da Santíssima Trindade era muito parecido às antigas festas de Matosinhos? Talvez, umas e outras tenham de fato sofrido grandes mudanças ao longo dos anos ...
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| Aspecto do Santuário da Santíssima Trindade durante uma celebração. |
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| Uma parte da fila de fiéis para beijar a imagem da Santíssima Trindade. |
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| Barracas. |
** ADÃO, Kleber do Sacramento. Devoções e diversões em São João del-Rei: um estudo da festa do Bom Jesus de Matosinhos, 1889-1924. Campinas: UNICAMP – Faculdade de Educação Física, 2001. Tese de Doutorado.
*** Por exemplo, O Correio, n.398, 26/05/1934, comenta sobre o movimento de trens partindo de São João del-Rei e da estação de Prados.
**** Texto: Ulisses Passarelli.
***** Fotos: Iago C.S. Passarelli, 31/05/2015.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Na minha terra se fala assim - parte 12
Abobrinha - mentira, algo sem fundamento, equívoco, diálogo vazio, conversa fiada. Diz-se "escrever abobrinha" ou "falar abobrinha".
Batata - o mesmo sentido de "abobrinha". "Falô cada batata...".
Batata assando - confusão se aproximando, problema próximo, dificuldade à vista. "Minha batata tá assando". O mesmo que "batatinha assando".
Chupar o olho e lamber o buraco - trapacear num negócio, tirar lucro imenso, passar adiante algo de pouco valor como se valesse muito. "Chupou o olho dele e ainda lambeu o buraco".
Confundir alho com bugalho - misturar os assuntos, ou os conceitos. Julgar uma coisa por outra. Não entender uma questão. "Misturou alhos com bugalhos..."
Coração a cento e quarenta - acelerado, fortemente emocionado, agitado. Também se diz a cento e vinte. "Meu coração ficou a cento e quarenta!"
Magrela - bicicleta. "Montar na magrela": subir na bicicleta para pedalar.
Não tem tu, vai tu mesmo - se não tem algo melhor, então se vale daquilo que está disponível.
Nascer cabelo no ovo - diz-se de algo impossível de acontecer. Expressão comparativa do inimaginável. Referência para frisar o que não acontecerá: "é mais fácil nascer cabelo no ovo que ela gostar de mim..."
Parangolé - confusão, discussão, "bate-boca", mistério, algo oculto impedindo a verdade de aparecer, armação, "treta". "Armou um parangolé com o vizinho".
Pirulitar - sumir, fugir, desaparecer.
Rôia - corruptela de rolha. Sentido: sujeito ruim de negócio, pessoa de convivência difícil, pessoa que atrapalha o andamento natural das coisas, indivíduo que atrasa os procedimentos. Aquele que dificulta. Pessoa desagradável, indesejável. Neste sentido, o mesmo que "fumo" ou "fumo bravo". "Fulano é rôia!".
Tanjão - mal enjambrado, largo, fora da medida, desajeitado, deselegante, traje além da medida corporal. "Roupa tanjona".
Treta - cambalacho, maracutaia, confusão, briga, negócio escuso. "Arranjou uma treta danada com o irmão..."
Xexelento - manhoso, preguiçoso, cheio de manias e não me toques.
Xinxa - aperto, dificuldade, limitação, impedimento. "A autoridade botou ele na xinxa!" O termo se refere a um artefato usado pelos boiadeiros quando vão conduzir um touro muito grande, forte e agressivo: para impedir que fuja ou ataque alguém numa investida, atam-lhe por uma corda uma pata traseira com uma dianteira ("mão"), sempre cruzada: a direita com a esquerda ou vice-versa. "Por o boi na xinxa". A corda tem a dimensão apenas suficiente para um passo. Se o boi correr, embaraça e cai, sendo logo dominado.
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| Escultura zoomórfica em pedra, figurando um leão, que servia à saída de água. Praça da Biquinha, Bairro Tijuco, São João del-Rei. 21/04/2015. |
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| Uma das bicas d'água com cara de leão esculpida em pedra, no Chafariz da Santíssima Trindade, sito no adro do santuário da mesma invocação. Tiradentes. 31/05/2015. |
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Dia Maior do Jubileu do Divino 2015
| Andor do Divino Espírito Santo. |
| A mesa do café da manhã. |
| Apagando o Círio Pascal. |
| Cerimônia de coroação do novo imperador. |
| Andor de Nossa Senhora da Lapa no momento da chegada da procissão. |
| Descida do mastro de Santo Antônio. |
| Imperadores de vários anos durante a Missa Solene. |
| Imperadores de vários anos durante a Missa Solene. |
| No salão, uma congadeira de Barroso saúda a bandeira do congado de Matosinhos, que chegou para o café da manhã. |
| O congo de São Gonçalo do Amarante em marcha de rua. |
| Congo de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno se apresenta no adro. |
| Do Bairro São Dimas, o congado do Capitão Moacir, de São João del-Rei. |
| O tradicional congado de Conceição da Barra de Minas. |
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| Congado de Cláudio adentra pelo santuário. |
| Congo de Itutinga, com seus muitos reco-recos de bambu. |
| Exuberância das fitas dos marujos de Conselheiro Lafaiete. |
| Do município de Santa Rita do Ibitipoca, hábeis moçambiqueiros percutem bastões num ritmo muito bem marcado. |
| Guarda da cidade de Ritápolis, com seus grandes tambores de guia. |
| Sempre presente, o congado de Santa Cruz de Minas. |
* Texto: Ulisses Passarelli.
** Fotos: Iago C.S. Passarelli, 24/05/2015.
*** Para saber mais, leia também:
PROCISSÃO DO IMPERADOR PERPÉTUO 2015
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Procissão do Imperador Perpétuo 2015
| O Imperador do Divino e o Pároco. |
| Cavaleiros abrem alas. |
| Aspecto geral da procissão. |
| A cor de Pentecostes invade as ruas da cidade. |
| Folia da Rua São João. |
| A tradicional Folia das Mulheres. |
| Folia das Águas Férreas. |
| Folia do Guarda-mor na Rua Getúlio Vargas, primitiva Rua Direita. |
| Folia de Coqueiros e ao fundo a Igreja do Rosário, no centro histórico de São João del-Rei. |
| Marungos da folia de Coqueiros. |
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| Folia da Colônia José Teodoro cantando durante a celebração no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. |
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| A liteira no Santuário. |
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| Apresentação no coreto. Nesta fotografia, a Folia do Carlão. |
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| Café dos folieiros, no Salão da Catequese. |
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| Último devoto. |
- Revisão: 12/05/2025.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Notas sobre o uso das congonhas na cultura popular
Dentre tantas plantas medicinais estão as congonhas, que gozam de imenso prestígio. Por toda a região centro-sul do estado de Minas Gerais está presente o seu uso, aliás, muito arraigado. Sobretudo, nas áreas serranas do Lenheiro e São José, alguns moradores das cercanias as coletam tradicionalmente, a partir das comunidades do entorno. Colher congonha na Semana Santa é uma tradição muito forte, para guardá-la, desidratada, para uso ao longo do ano, supondo-a abençoada. Os molhos de ramas com folhas, colhidos na natureza, são amarrados e deixados a secar, pendentes em algum canto alto. Quando necessário, retiram-se algumas folhas para a decocção, infusão ou para moer e coar o pó com água fervente.
Congonha é o nome de algumas plantas cujo uso popular é muito disseminado, seja na fitoterapia - principalmente para os rins, sob a forma de chás. Sampaio (1987) explicou a etmologia: "CONGONHA: corr. Congõi, o que sustenta ou alimenta; é a erva-mate, variedade (Ilex congonha). Minas, Bahia."
"Congonhas é chamada 'do Campo', para se distinguir de Congonhas de Sabará (1). O nome é comum no Brasil, sendo aplicado pelos tropeiros e viajantes a muitos lugares onde são encontradas as diversas variedades de iliciáceas, da qual a mais valiosa é o mate (Ilex paraguayensis) (2) (...) A palavra brasileira congonha é genérica, abrangendo todos os arbustos dos quais se faz "o chá do Paraguai". É também especificamente aplicado ao Ilex congonha, comum em Minas e no Paraná. O chimarrão de congonha é a única infusão bebida sem açúcar. A caraúna é uma congonha de qualidade inferior."
Entretanto, Brandão (2018), posiciona as congonhas do gênero Ilex na família Aquifoliaceae, mencionando a Ilex paraguariensis (chá mate), segundo a qual, o uso estimulante graças à presença de cafeína, foi aprendido com a cultura indígena, e menciona também a presença de "substâncias fenólicas com atividade antioxidante". Relata a ausência de estudos com a espécie Ilex dumosa, que supomos se tratar da congonha-amargosa, caúna ou caraúna.
Há quem considere outros tipos de plantas como variedades de congonha. Tal acontece com a caroba (ou carobinha do campo), a ticongô e a caraúna. A caroba é procurada sobretudo como depurativo. A ticongô não é para ingestão. É uma congonha buscada para banhos de descarrego, na linha africana, ou seja, dos pretos velhos, tradição de alguns terreiros de umbanda para firmeza dos trabalhos dos "vovôs" e "vovós", como habitualmente se diz.
| 01-Congonha Bate-caixa (Palicourea coreacea, rubiaceae). Serra de São José, Santa Cruz de Minas, 30/11/2009. |
02- Congonha bugre (Rudgea viburnoides, rubiaceae) alojando um ninho
de saíra da mata (Hemithraupis ruficapilla, thraupidae) São João del-Rei, 14/10/2013. |
| 04- Ticongô, já desidratado, para banhos de descarrego. São João del-Rei, 16/05/2015. |
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| 04- Congonha-amargosa, vendida na Sexta-feira da Paixão diante da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, juntamente com outras ervas medicinais e aromáticas. São João del-Rei, 25/03/2016. |
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| 05- Congonha-douradinha: folhas desidratadas e chá. São João del-Rei, 24/03/2026. |
Referências Bibliográficas
SAMPAIO, Teodoro. O Tupi na Geografia Nacional. 5.ed. São Paulo: Nacional; Brasília: INL, 1987. 359 p. p. 225.
VASCONCELOS, Diogo Pereira Ribeiro de. Breve descrição geográfica, física e política da Capitania de Minas Gerais. Estudo crítico por Carla Maria Junho Anastasia; transcrição e pesquisa histórica por Carla Maria Junho Anastasia e Marcelo Cândido da Silva. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1994. 188 p. (Coleção Mineiriana. Série Clássicos).
2- O nome oficial é Ilex paraguariensis, mas o autor defendia a grafia paraguayensis.
3- Bugre era o termo depreciativo aplicado aos indígenas, na acepção de inculto, selvagem.













