Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Festa de São Sebastião em Coronel Xavier Chaves

O dia consagrado a São Sebastião é 20 de janeiro. Contudo, com elevadíssima popularidade, em muitos lugares seus festejos acontecem sem prejuízo de qualidade em outras datas próximas por diversas circunstâncias. Assim é comum que um ou dois finais de semana seguintes ao seu dia votivo ainda aconteçam essas comemorações. Nesse contexto, aconteceu em Coronel Xavier Chaves, município do Campo das Vertentes.

A cidade merece ser visitada. A hospitalidade de sua gente é notável; a produção de cachaça de alta qualidade é uma referência; os trabalhos artesanais em pedra são um marco identidário; a singela e tricentenária Igreja do Rosário, toda em pedra, é um cartão postal inesquecível; as praças e ruas bem cuidadas, floridas e limpas, são um convite a um passeio bucólico e ao descanso; o artesanato em tecidos é uma tradição de longa data (tapetes em tear caseiro, bordados, crochê, abrolhos). A cultura popular não fica atrás com sua congada, a folia de Reis e o boi de caiado (variante do bumba-meu-boi), quadrilha junina, manifestações conservadas e que encontram-se firmadas na prática de muitas e muitas décadas.

Durante a festa de São Sebastião se pode observar a devoção dos xavierenses católicos, tão participativos na celebração e na procissão. A Irmandade do Santíssimo Sacramento na Matriz de Nossa Senhora da Conceição demostrou ativamente excelente coordenação de atividades religiosas. A festa contou com tríduo preparatório e coincidindo com a comemoração de São Brás (03 de fevereiro de 2018), contou com o momento da bênção das gargantas, quando o sacerdote impôs sobre o pescoço dos fiéis as velas cruzadas e atadas com um laço de fita vermelha. Foi muito concorrido este momento, considerado pela fé um ato preventivo e curativo de malefícios da saúde.

Mereceu elogios a inclusão de um encontro de folias neste evento religioso. Foram cinco grupos ao todo: a anfitriã, vinda do Bairro Vila Fátima, na própria cidade, sob o comando do experiente Mestre Zé Carreiro; uma de César de Pina (Tiradentes), duas de Prados, sendo uma da zona urbana e outra da rural, esta, a conhecida "Folia dos Gaiteiros", muito antiga, vinda da comunidade da Folha Larga; e, por fim, uma de São João del-Rei, Bairro Caieira, a Folia "Embaixada Santa". Reuniram-se na Igreja do Rosário, onde algumas cantaram sua saudação. Foi servido um lanche muito bem preparado com salgados e quitandas. Formaram a seguir um cortejo, cantando rua afora até a Matriz,em cujo interior cada qual fez entrada festiva, louvando com versos e toques instrumentais diante do andor do taumaturgo festejado.

Após a missa, seguiram em procissão, alternando os cantares entre si, tocando nos intervalos da banda de música da cidade, a "Santa Cecília". Na chegada, finda a bênção de São Brás, cada grupo se apresentou individualmente no palco, para satisfação da assistência, que prestigiou intensamente as folias.

Há de se destacar o respeito, atenção e hospitalidade do sacerdote, Padre Antônio Carlos Trindade da Silva, que logo de início saudou as folias participantes enaltecendo seu valor cultural; igualmente, à Secretaria de Cultura e Turismo, que promoveu o encontro, e que na pessoa da Secretária Eliane Longati e do funcionário Eugênio Santos trataram as folias com indescritível respeito e dignidade, atitude exemplar.

Não há dúvidas que tanto para a cultura popular quanto para o evento religioso a vinda da folias foi positiva, ganhando a cultura local já rica, mais um atrativo, que se fortalecerá com a manutenção anual.

1- Igreja de Nossa Senhora do Rosário, século XVIII (c.1717).
2- Bucolismo, tranquilidade: crianças brincam na praça.

3- Um dos Passinhos da Paixão (Capela-passo).

4- Patrimônio histórico: belos imóveis valorizam a história do município.

5- Exemplar preservado: casarão de arquitetura do período do ecletismo. 

6- A Folia dos Gaiteiros toca diante do andor de São Sebastião na Matriz.

7- Reencontro com os amigos: o grande Mestre Zé Carreiro. 

8- Reencontro com os amigos: o Mestre Antônio Marcelo, da Folha Larga.

9- Folieiros de César de Pina durante o lanche. 

10- Folia de Prados canta agradecendo o lanche.  

11- Bandeira da folia de Coronel Xavier Chaves: trabalho artesanal em tapeçaria. 

12- Cortejo rumo à Igreja Matriz.  

13- Folia de Coronel Xavier Chaves rumo à Matriz.  

14- Folia de Prados adentra a Matriz cantando. 

15- Folia "Embaixada Santa", de São João del-Rei, durante a procissão.
 
16- Detalhe do andor de São Sebastião durante a procissão.
 
17- Detalhe da bênção de São Brás.

18- Cartaz da Festa de São Sebastião em Coronel Xavier Chaves, 2018:
papel couché, 21 x 31cm. 

19- Uma das magníficas esculturas em pedra na praça de Coronel Xavier Chaves: estação da Via-Sacra.

20- Coronel Xavier Chaves: uma janela aberta para a história, a arte e a tradição.
 
Vídeos: 

Folia de Coronel Xavier Chaves

Folia da Folha Larga / Carandaizinho

Folia de César de Pina

Folia de Prados


Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias (03/02/2018): Ulisses Passarelli: 1-6; Iago C.S. Passarelli: 7-20
*** Vídeos: Iago C.S. Passarelli
**** Revisão em 31/03/2024

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Festa de São Sebastião em Emboabas

Esses lugares recônditos de Minas! Quanta beleza guardam... Depois de longas estradas de terra, de vários morros transpostos, da contemplação da paisagem natural convidativa, se alcança um povoado, uma vila ou uma pequena cidade. Nela há riquezas culturais, pérolas humanas, belezas arquitetônicas, saberes... hospitalidade; história a ser garimpada. E nós outros fazemos vista grossa... Por que?

Assim é Emboabas, distrito de São João del-Rei, 35 km ao sul da sede municipal, surgido nos princípios do século XVIII ao longo de uma estrada variante que ligava o Caminho Velho ao Caminho Novo. Por esta variante passou certa vez o Imperador do Brasil. Consta que Dom Pedro pousou numa fazenda alguns quilômetros abaixo de Emboabas. O lugar, não à toa, é conhecido por Pouso Real, região montanhosa e aprazível. 

Outrora o nome do distrito era São Francisco do Onça, de origem setecentista. Há mesmo um fluxo d'água que banha o lugar chamado Ribeirão do Onça. O topônimo lamentavelmente foi alterado pelo Decreto nº 1.058, de 31/12/1943 passando a se chamar Emboabas. A história contudo não consignou nada que ligasse a localidade aos emboabas ou à contenda que levou seu nome, a Guerra dos Emboabas. Aparentemente o nome Emboabas é despropositado e melhor o fariam se retomassem o topônimo original, ligado à identidade do lugar. Ainda hoje, muitos e muitos chamam aquela vila de Onça, sempre no masculino, mostrando a força felina deste nome resistente. 

Emboabas guarda ainda na memória dos mais idosos lembranças da santa do lugar: Sá Luíza da Cananéia. Santa na língua do povo, que considera Sá Luíza uma virtuosa e taumaturga, tal como Nhá Chica, outra são-joanense, esta já na condição oficial de Beata, ora em processo de canonização. Segundo narram (*), Sá Luíza já idosa, toda primeira sexta-feira de cada mês, partia à pé até São João del-Rei (45 km desde Cananéia!), estrada de terra, pé no chão (sem calçados), de vestido comprido e mangas longas, lenço atado à cabeça, terço na mão, para assistir missa na Igreja de São Francisco de Assis. Sá Luíza tomou à frente a tarefa de edificação da Igreja do Sagrado Coração de Jesus na Cananéia. Morreu queimada em sua casinha perto da igreja. Reservados alguns detalhes, a essência dessa narrativa, foi registrada por meio de outro informante por SACRAMENTO (2017), antes que esse blog o fizesse, que ora tão somente corroboramos por nova informante. Isto demonstra que ainda palpita a memória popular acerca de Sá Luíza, no aguardo de um movimento, um estudo substancial, algo que a resgate do passado, antes que o tempo leve consigo os que a conheceram pessoalmente. Sá Luíza bem merecia estar no patamar de Nhá Chica, pois assim como ela foi um ícone do sagrado, tal e qual naqueles idos da primeira metade do século XX também o fora Manuelina de Coqueiros, pras bandas de Entre Rios. Mulheres Sagradas de Minas! 

Cercado por sítios e fazendas, nada mais natural que a devoção a São Sebastião florescesse em Emboabas, pois via de regra é queridíssimo na zona rural, protetor da atividade agropecuária, posto que é guardião contra a fome, a peste e a guerra. Naturalmente, por estas prerrogativas sagradas, guarnece plantios e criações de desastres, doenças e outros revertérios, que trariam a escassez dos mantimentos. Contudo, as mudanças diversas e as dificuldades, esmaeceram este festejo, que a cerca de doze anos não acontecia. Os esforços da paróquia, da comunidade e notadamente dos festeiros, possibilitaram o retorno da festa. 

Década e pouco atrás numa dessas festas no Emboabas, veio num ônibus de São João del-Rei o congado do Capitão Raimundo Camilo (do Bairro São Dimas) e duas folias de São Sebastião: a do Bairro da Fábricas, à época sob a chefia do folião "Tião Domingos" e a do Bairro Guarda-mor, do folião "João Matias". Os grupos na ocasião dançaram e cantaram pelo largo, animando bastante a festa. 

A festa de 2018 foi iniciada com tríduo preparatório no dia 25, contando com várias atividades religiosas: caminhada luminosa, celebrações, procissão. O dia maior, domingo, 28, principiou com alvorada festiva, apresentação de folia de São Sebastião na igreja, no largo e em visita a casas, missa na matriz, almoço festivo, leilão de gado e de prendas, procissão. Além do som mecânico, no palco da festa aconteceram shows e no largo algumas barracas animavam os visitantes.

A valorização ao homem do campo transparecia no próprio programa, que anunciou claramente que a festividade era em honra a São Sebastião (protetor da agricultura) e a Santo Isidoro (protetor do agricultor). Ao término de uma das celebrações o sacerdote abençoou vários saquinhos de sal, que os devotos recolheram para uso, misturando-se ao sal dado ao gado bovino. Ainda se ressalte a bênção de pequenos estandartes destinados aos fazendeiros. 

A retomada dessa festa é uma oportunidade promissora de valorização da comunidade. As possibilidades culturais, que se abrem em leque, possibilitam confraternização e aprendizado. Tanto mais, traz visibilidade ao distrito. Este Blog parabeniza a todos os responsáveis pela iniciativa e faz votos de que prossiga ano após ano. 

1- Igreja Matriz de São Francisco de Assis, Emboabas. 

2- Largo em festa: cruzeiro e barracas festivas. 

3- Casa paroquial de Emboabas, bem cultural digno de preservação. 

4- Folieiros recebem o café da manhã. 

5- Rosquinhas caseiras e café na ciculateira (**): tradição interiorana. 

6- Mastro de São Sebastião no adro da matriz. 

7- Detalhe da imagem de São Sebastião. 

8- Andor de São Sebastião. 

9- Andor de Santo Isidoro, padroeiro dos agricultores. 

10- Folia Embaixada Santa, de São João del-Rei, 
canta o martírio de São Sebastião diante do andor. 

11- A folia visita uma casa. 

12- Antigo frade de pedra, de talha sextavada: 
elemento histórico chantado no Largo da Igreja.

13- Cartaz da Festa de São Sebastião e Santo Isidoro,
Emboabas (São João del-Rei/MG). 30 x 40 cm, papel couché.

Referências Bibliográficas

SACRAMENTO, José Antônio de Ávila. Sá Luíza da Cananéia. InEm Voga, São João del-Rei, n.6, ano 3, dezembro/2017. 

Notas e Créditos

Informante: Sra. Isabel Batista Moreira, moradora do distrito. Descreveu com muita vivacidade e emoção as virtudes de Sá Luíza, pois a conhecera pessoalmente. Este Blog registra a mais sincera gratidão à informante pela presteza e sinceridade do diálogo. 

** Ciculateira: ou chiculateira, possível corruptela de chocolateira, vasilhame metálico de fundo largo e boca em gargalo. Também chamada conforme a localidade de sapona e muxambeta. 
***Texto: Ulisses Passarelli
**** Fotografias: Ulisses Passarelli: 2, 7, 8, 9, 12, 13; Iago C.S. Passarelli: 1, 3, 4, 5, 6; Cida Salles: 10 e 11
***** Obs.: agradecimentos especiais ao festeiro Cláudio Guimarães Pereira, que com muita sensibilidade, convidou e proporcionou a presença da folia no festejo. 

REVISÃO: 09/04/2024

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Festa de São Sebastião no Bonfim, São João del-Rei

Na igreja nova do Senhor Bom Jesus do Bonfim, em São João del-Rei, foi comemorado o mártir São Sebastião com reunião da comunidade católica em torno das celebrações, adiadas para o dia 22 de janeiro em razão do lamentável falecimento do Bispo Diocesano, Dom Célio de Oliveira Goulart no último dia 19. 

A missa das 19 horas revestiu-se de grande dedicação dos devotos, participação ativa do coral da igreja, da Irmandade do Senhor do Bonfim, concluindo-se com a cerimônia de posse da nova mesa. Uma vez concluída, o sacerdote procedeu a incensação do andor, primorosamente adornado de flores naturais e iluminado. 

Seguiu a procissão diante da igreja antiga, cujos sinos manifestaram a alegria pelo cortejo sagrado. Desceu ao Morro da Forca e depois de retorno via Rua João da Matta, chegou pela retaguarda da igreja, fervorosamente acompanhada pelos fiéis que nos intervalos da música, além das preces, cantavam o Hino de São Sebastião. 

A chegada teve concorrida bênção do Santíssimo Sacramento. 

Não houve barraquinhas, mas à porta da igreja uma tentadora mesa de doces com muitas variedades expunha tais delícias à venda. 

Cumpre destacar a atitude da organização da festa, muito louvável, de convidar um grupo de folia para participação; no caso, compareceu a "Embaixada Santa", da Caieira, que foi muito bem recebida pela comunidade e tratada com grande respeito e carinho pelos organizadores, que propiciaram a ida e forneceram ao final farto lanche. Após assistir à missa os folieiros adentraram no templo com sua bandeira e cantaram a saudação, com o Bendito e o Pai Nosso. Também acompanharam a procissão toda, fazendo a parte musical e cantando dentre outros, o Martírio de São Sebastião. 

São Sebastião é santo dos mais populares, queridíssimo na zona rural, pois os pecuaristas e agricultores contam com sua bênção sobre rebanhos e plantações; mas também, claramente nas cidades demonstra ser uma devoção das mais avultadas, pois que suas festas em diversas igrejas e capelas conta com ampla participação dos fieis, sendo das mais esperadas. 

1-  A antiga Capela do Senhor do Bonfim, São João del-Rei. 

2- Incensação do andor, antecedendo a saída da procissão. 

3- Aspecto parcial da Folia de São Sebastião "Embaixada Santa" 
cantando no interior da Igreja Nova do Senhor do Bonfim. 

4- Procissão na rua, descendo pelo Morro da Forca. 

5- Mesa de doces à venda, na entrada da igreja. 

6- Aspecto da cerimônia, com destaque para a presença da Irmandade do Sr. do Bonfim. 

7- Folieiros e outros devotos acompanham a cerimônia final, após a bênção do Santíssimo Sacramento. 

8- Folieiro respeitosamente toca na imagem de São Sebastião.

9- Devota beija a fita que sai da imagem do santo. 

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: 1 a 6, Ulisses Passarelli; 7 a 9, Iago C.S. Passarelli - 22/01/2018

REVISÃO: 09/04/2024

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Festa de São Sebastião em Santa Cruz de Minas

Transcorreu mais uma vez em Santa Cruz de Minas a tradicionalíssima festa do padroeiro, o glorioso Mártir São Sebastião. Indubitavelmente é o evento mais concorrido do município e conta com a participação maciça de fiéis do lugar e visitantes.

Concluída a novena com suas celebrações, o dia maior tão esperado, vinte de janeiro, movimentou especialmente a praça central desde muito cedo e as missas e demais cerimônias se sucederam ao longo do dia até a procissão do início da noite, acompanhada de praxe pela banda de música local, a  Corporação Musical São Sebastião, patrimônio de Santa Cruz de Minas.

No largo as barracas de jogo de víspora e de salgados atraíram muita gente, sobretudo após a parte religiosa concluída. É um espaço de socialização, confraternização, reencontro com amigos. No palco montado os shows animaram a grande praça e reuniram a população para o entretenimento. 

A décadas os devotos acorrem em nome de São Sebastião, desde a época de sua igreja primitiva; depois junto à que lhe sucedeu e agora à nova, remodelada. Isto é um movimento espontâneo e não agrega só os fiéis locais, mas também os traz das vizinhanças. Neste sentido, a festa tem potencial para ampliar este aspecto e se tornar um foco de romaria.

Registre-se, por exemplo, que os grupos de folias de São Sebastião vão por si mesmos visitar essa igreja a cada vinte de janeiro. Se revezam ao longo do dia, geralmente entrando para cantar após cada missa e em alguns anos acompanham a procissão onde tem oportunidade de cantar. Vem sobretudo de São João del-Rei e de César de Pina (Tiradentes). Este movimento natural se fortalece com a recepção positiva da Igreja e dos devotos. Ainda este ano foi observado a atenção dada especialmente pela Secretaria de Cultura do município, denotando zelo e respeito à tradição. 

É mister ressaltar a atuação acolhedora e pró-ativa do pároco, da Irmandade do Santíssimo Sacramento e dos vários setores da Igreja; tanto mais, que o município tem dado uma atenção especial à sua identidade cultural, num trabalho muito intensivo e bem planejado da referida Secretaria, em conjunto e sintonia com os meios sociais e um Conselho de Políticas Culturais e Patrimônio amadurecido, cônscio de seu dever com o município; uns e outros atuantes, dignos de elogio, despontando Santa Cruz no cenário cultural das Vertentes. 

01- Frontispício da Igreja de São Sebastião.
Santa Cruz de Minas. 

02- Folia "Embaixada Santa" em louvação no interior da
Igreja de São Sebastião. 

03- Folieiros cantam o martírio de São Sebastião. 

04- Folia "Embaixada Santa" retratada no cruzeiro, ícone da cidade,
após o canto laudatório. 

05- Aspecto da frente da procissão:
multidão de devotos. 

06- Imagem de São Sebastião em seu andor, seguida por membros da
Irmandade do Santíssimo Sacramento, fieis em geral e pela bem conceituada
Corporação Musical São Sebastião, de Santa Cruz de Minas. 

07- Vista geral da retaguarda da procissão. 

Por fim, segue lincado um vídeo que retrata um momento da folia de César de Pina (Tiradentes/MG), durante a festa em Santa Cruz de Minas no ano anterior, quando do encontro com a Folia "Embaixada Santa", de São João del-Rei. Canta o Embaixador Pedro Paulo Ramos: 



Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli (01, 05, 06, 07) e Betânia Resende (02, 03, 04); 20/01/2018
*** Vídeo: Iago C.S. Passarelli, 20/01/2017
**** Obs.: agradecimentos especiais registramos ao Padre Pedro Wiermann e a Secretária de Cultura Betânia Resende, pela atenção e respeito com que receberam a Folia "Embaixada Santa". A Secretária, este Blog agradece pela cessão de fotografias da participação da referida folia na festa e permissão de sua inclusão nesta página eletrônica. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Encontro de folias na Restinga

Estamos em plena temporada das folias. Pela região das Vertentes os diversos grupos ativos estão em jornada de visita às casas, capelas, grutas e cruzeiros. O prazo expira no dia do "Santo Mártir Guerreiro", titulação ofertada livremente pelo povo ao queridíssimo São Sebastião, festejado oficialmente a 20 de janeiro. Contudo, em razão de haverem muitas festas dedicadas a ele em várias comunidades, devido à coincidência das datas e pela própria necessidade logística, em algumas capelas a festa recai sobre o primeiro ou segundo domingo subsequente. 

É o caso abaixo retratado, da Restinga de Baixo, distrito de Ritápolis/MG, cujo festejo é muito tradicional, já documentado por este blog em postagem publicada. Na Restinga a festa conserva muitos elementos típicos, tradicionais, entre os quais um encontro de folias. A companhia local é a anfitriã e encontra no respeitado Mestre Folião Sebastião Ezequiel um baluarte da sua manutenção. Nas imagens abaixo e no vídeo anexo, todos da mesma data, observa-se também a participação da folia da cidade São Tiago, e ainda, a da Colônia José Teodoro (São João del-Rei). 

O encontro é de paz, à sombra das grandes árvores do largo. Cada companhia saúda a bandeira e os foliões da outra e juntos louvam a Deus em seus versos e entoam a veneração ao santo festejado na ocasião. É uma celebração da harmonia, da união e da fé. 




Assista a seguir ao vídeo deste encontro realizado em 24/01/2016:



Notas e Créditos

* Texto, fotografias, edição, vídeo e acervo: Ulisses Passarelli
** Para maiores detalhes leia neste blog: A FESTA DE SÃO SEBASTIÃO NA RESTINGA