Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




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sábado, 8 de junho de 2024

14º Encontro da Cultura Popular do Caquende

No extremo sudoeste do município de São João del-Rei, junto à represa de Camargos, que armazena as águas do Rio Grande, está o povoado do Caquende, junto ao antigo ponto de travessia do atalho do Caminho Velho, por onde passaram sertanistas e povoadores no início do século XVIII, em pleno Ciclo do Ouro. 

Caquende celebra sua identidade cultural e o valor do homem do campo através do Encontro da Cultura Popular. O evento como em geral toda área cultural, foi impactado pela pandemia de COVID 19, estando sua ocorrência comprometida por algum tempo. Ora retomada a sua plenitude, já está na décima quarta edição, acontecida de 25 a 28 de abril de 2024. Como de costume, a cada ano homenageia um renomado escritor (a). Desta vez a escolhida foi a escritora Conceição Evaristo. A programação foi bastante diversificada e digna de atenção. 

                                       

                                        

                                       

                                       

                                       

Como novidade as apresentações das danças rurais foram transferidas para o sábado, deixando o domingo mais livre para as congadas e folias.

O café da manhã comunitário contou como de costume com as quitandas tradicionais, um café muito saboroso e de fartura, seguido a partir das 10 horas pelas atividades do grupo Artes das Gerais, vindo de São João del-Rei, que trouxeram exímias apresentações de capoeira e maculelê. 

Também notável foi a participação do grupo de jomba de roça local, centrado nos lavradores, fazendo a percussão de suas ferramentas, quais sejam enxadas, machado, serra, em movimentos coreográficos e cantorias até a roça de milho, onde transcorreu a representação da colheita do milho. Como sempre, à colheita e quebra do milho se segue a típica distribuição de alimentos: angu doce, na panela de ferro, e as broas, nas peneiras de taquara. O almoço traz o sabor da comida mineira e a união ao redor do alimento, como momento de convívio social, congraçamento, reencontro de amigos e troca de experiências. 

As congadas e folias participaram do cortejo no largo do povoado e na sequência fizeram apresentações individuais na tenda armada ao centro. Fechando a tarde, houve o concerto de encerramento com a Banda de Música Aquiles Rios, de São Sebastião da Vitória. 

O Encontro da Cultura Popular continua sendo um evento da maior significação por valorizar fortemente o homem do campo, ao revelar as manifestações culturais de alguma forma vinculadas à vida do lavrador tradicional. Seja pelas danças, pelo uso de artefatos típicos da agricultura familiar de raiz como carro de bois, monjolo, serra, engenhoca, seja pela própria ambientação e figuração das atividades. Está nítido que se enaltece a cultura caipira, tantas vezes tratada com opróbrio, mas nesse encontro elevada ao patamar de protagonista. Ao mesmo tempo, o Encontro traz um releitura do mundo rural em sua tipicidade, hoje de espaço muito restrito em razão das mudanças da sociedade,  com o êxodo do campo e o crescimento do agronegócio, dando uma nova configuração ao trabalho e espaço rurais. 

É um evento de grande significação, que merece um alto nível de atenção, apoio, suporte, para que possa continuar acontecendo da melhor forma possível, com toda autenticidade que lhe é característica.  Funciona como se fosse um mutirão de cultura, onde os grupos não são apenas meras atrações, mas de fato partícipes inseridos numa ambiência de tradição. O Encontro da Cultura Popular do Caquende oportuniza uma vivência do patrimônio cultural imaterial em sua essência. 

Bandeira da Folia de Reis de Carrancas - pintura dos Reis Magos do Oriente.

Catirina segura a bandeira da folia de Carrancas. 

Folia de São Sebastião "Cláudio Bento", Lagoa Dourada. 

Os tradicionais bonecos do grupo Pilão de Nhá, Caquende. 

Pilão, Caquende. 


Mastro usado para a dança das fitas, pelo grupo cultural de Brasilinha (Madre de Deus de Minas). 

Monjolo, Caquende. 

Maculelê, pelo grupo Artes das Gerais, São João del-Rei. 

Jomba de roça, pelos lavradores, Caquende. 

Colheita do milho, Caquende. 

Folia de São Sebastião, de Coqueiros (Nazareno). 

 Represa de Camargos, Caquende. 

Placa de Sinalização Turística próximo à margem da represa. 

Engenhoca Quebra-peito, Caquende. 

A importância de uma árvore: espaço para convívio social no largo do povoado. 

Capela de Nossa Senhora do Carmo, Caquende. 

Cruzeiro no largo do Caquende. 

Congo de Carrancas. 

Marujos de Dores de Campos. 

Demonstração de manejo da serra de desdobrar. 

Folia das Mulheres, Jardim São José, Bairro Tijuco, São João del-Rei

Folia do Divino "Embaixada Santa", Bairro Araçá, São João del-Rei.

Créditos: 

Texto e fotos - Ulisses Passarelli

quarta-feira, 1 de março de 2017

Sanfonas & sanfoneiros

No sentido mais amplo da palavra, sanfona é uma família de instrumentos musicais, que comporta pelo menos quatro modelos básicos: as sanfonas (propriamente ditas), os acordeons, as concertinas e os bandoneons. Sanfonas e acordeons se tocam junto ao peito, presos aos ombros por alças de couro; bandoneon e concertinas não tem essas alças, a não ser curta para as mãos e se toca livremente junto ao tronco ou apoiando-se sobre a perna. Todos são aerofones de palhetas livres. O ar não se desloca pela força do sopro, mas sim movido por um fole preso a uma estrutura de caixa dupla, que contém todos os mecanismos. A forma da caixa varia com o instrumento. As notas musicais são executadas apertando-se botões e teclas. 

A origem remota é considerada no cheng chinês, instrumento datado de 2700 a.C. O conhecimento de seu mecanismo adentrou a Europa via Rússia no século XVIII e nos dizeres de HINDLEY (1981) "encorajou as experiências feitas com palhetas livres no início do século XIX". Na primeira metade dos oitocentos, inventores aplicaram o mecanismo a instrumentos como o harmônio (inventado pelo francês parisiense Alexandre François Debain, em 1840, diz o mesmo autor), à guisa de um órgão portátil, de sala, e a harmônica ou concertina, aperfeiçoada em 1830 por Sir Charles Wheatstone; tanto mais, o acordeão, invenção alemã de 1820, ainda segundo Geoffrey Hindley. 

Nos primeiros tempos tiveram um uso mais doméstico. A família das sanfonas foi popularíssima entre vários povos, notadamente alemães. Teve sua entrada no Brasil, sobretudo, pelas mãos de migrantes europeus a partir do século XIX. Mantidas em âmbito familiar, passando de pai para filho o aprendizado de oitiva, logo se expandiu e gozou de imensa popularidade, mais tarde favorecida pelo crescimento da malha ferroviária no país. A família das sanfonas deu impulso à música popular nacional, prestando-se de base a um sem número de manifestações folclóricas e à música popular, notadamente todas as vertentes do forró e algumas do sertanejo. Polcas, mazurcas, xaxados, quadrilhas, chamamés, rancheiras, baiões, calangos, rasta-pés, fandangos, bailes... Em tudo a sanfona entrometeu-se, invadiu, impulsionou. Não demorou que se orquestrasse com os instrumentos de corda e de marcação e assim, mesclada, deixou fortemente sua marca nas folias e congadas. Em várias partes do país, exímios músicos ainda fazem as alegrias do povo com seu virtuosismo e não é à toa que daqui e dali há de costume festivais de sanfoneiros e orquestras de acordeon, sinais inequívocos da sua popularidade. Alguns artistas celebrizaram-se com este instrumento ao peito: Luiz Gonzaga, Sivuca, Dominguinhos, Mário Zan, Caçulinha e tantos outros renomados.
 
A sanfona (*) propriamente dita no Brasil tem botões dos dois lados da caixa, tendo 2, 4, 8 ou 12 baixos. É diatônica (produz um tom quando se abre o fole e outro diferente quando se fecha, apertando-se o mesmo botão). É a principal razão de sua dificuldade de execução. O músico que executa este instrumento é o sanfoneiro. 

O acordeon ou acordeão em geral possui teclas no local de botões, do lado onde se toca a melodia, por ser harmônico (produz o mesmo tom quando se abre o fecha o fole) e por possuir um total de 24 baixos para cima (24, 32, 36, 40, 48, 80, 120). Os botões estão apenas na função dos baixos ("baixaria"). O acordeon faz acompanhamento, harmonia e ritmo. O músico que executa este instrumento é o acordeonista. 

A caixa que sustenta o fole e o mecanismo do instrumento é retangular, tanto na sanfona quanto no acordeon. De ordinário é embelezada por pintura e acabamento, como por exemplo frisos prateados, quinas arredondadas, pequenos desenhos. 

A concertina é um instrumento musical da família da sanfona, de pequeno porte, conhecida Brasil afora ainda no século XIX e começo do seguinte, com uso nas atividades folclóricas mais diversas. O verbete correspondente do Caldas Aulete diz que tem “uma série de buracos que se tampam com os dedos e por onde saem os sons que se formam no interior da caixa pelo movimento de um fole e de palhetas correspondentes aos buracos” A melodia é imposta por botões como a sanfona. Mais tarde surgiram concertinas com botões dos dois lados, em substituição às aberturas. Sua característica mais marcante é a caixa poligonal de seis ou oito lados. A escala é diatônica. A concertina nunca teve a popularidade nacional das sanfonas e acordeons e por elas foi olvidada. Nos dias atuais não tem uso nos meios populares brasileiros, salvo, talvez, alguma eventual exceção regional. 

A família comporta ainda o bandoneon ou bandônio, este de caixa quadrangular, confundido no Brasil com a concertina e às vezes até chamado de concertina. Assim como ela, nunca alcançou no país o prestígio da sanfona, exceto em terras meridionais e capixabas. As dificuldades de execução devem ter contribuído para isto. Sua afinação é difícil e vários detalhes técnicos o diferenciam do acordeon. Ainda é usado, como por exemplo, entre grupos folclóricos de imigrantes europeus no Espírito Santo ou nos estados do sul, ou nos meios populares dessas regiões, onde chegou a estar presentes em ternos de Reis. O bandoneon difundiu-se no Uruguai e ficou célebre na Argentina, indispensável para o tango. 

Para a festividades folclóricas a sanfona de oito baixos é a mais conhecida ou pelo menos foi a que mais se afamou. No Rio Grande do Sul a chamam “gaita de foles” ou “gaita de ponto”. No Campo das Vertentes de Minas Gerais, sua alcunha é “cabeça de égua” ou no diminutivo, "cabecinha de égua"; no Nordeste do país, é a popular “pé de bode”. Era a preferida para as atividades folclóricas em geral. Sua imensa popularidade e renome se esparramou sobre toda a família de instrumentos e por extensão e genericamente, os acordeons são também chamados de sanfonas. Por conseguinte, nos meios populares habitualmente não se diz acordeonista; indistintamente os chamam "sanfoneiro" e neste texto esta palavra é usada em sentido amplo e popular. 

O acordeon assumiu nos meios populares as mesmas funções outrora exclusivas das sanfonas. Conquistou o espaço com rapidez por sua maior facilidade de execução e amplitude de recursos musicais. Uma expressão usual é chamar os acordeons de "sanfona pianada", referência popular à existência de teclas como as de um piano no lugar de botões para a harmonia. 

"Tocadô dessa sanfona,
toca certo na toada;
acompanho a vorta toda,
da sanfona pianada."
(Calango, Barbacena/MG, fevereiro/1996) 

Volta da sanfona ("vorta") é o interlúdio, trecho de execução solista do sanfoneiro entre as unidades do canto (refrão/estrofe ou solo/coro).

O sanfoneiro é uma figura indispensável nas folias de Reis, nas de São Sebastião, nas do Divino Espírito Santo, nos bailes de roça, nas quadrilhas juninas, nos calangos, nos congos e em muitos catupés. Por vezes, até nos moçambiques aparecem, dando suporte melódico à execução das jombas. Sua formação, como já dito, é a do aprendizado informal. Normalmente o sanfoneiro popular não teve ensino regular de música. Viu o pai tocando, aprendeu umas posições com o avô, um acompanhamento com o tio, observou um colega tocando e imitou. Em casa, vez por outra pega a sanfona e senta no quintal, debaixo de uma árvore; no alpendre, nas horas de folga junto ao fogão à lenha. Assim vai treinando. Se familiariza com o instrumento. Aprende espontaneamente seus recursos. Em enquanto fazem assim, já um jovem curioso os observa e vai timidamente aprendendo também. Em estágio mais avançado começa a tocar em companhia de outros sanfoneiros e na prática aprimora e tem seus lapsos corrigidos. Em terceira fase ingressa nos folguedos populares e se torna de fato um "tocador". Aliás, este é o termo corriqueiro, consagrado:

"Tocador dessa sanfona
tem o dedo de papel;
quando ele pega a tocar
parece um favo de mel!"
(Calango, Barbacena/MG, fevereiro/1996)

O sanfoneiro goza de um status significativo nesse meio. Mais que tocar, geralmente também domina o canto. É então o "cantador". O toque da sanfona gera uma música prestigiada na tradição brasileira ("parece um favo de mel..."). É respeitado e valorizado por festeiros, capitães de congado, mestres de folias. Sabem que precisam deles e disputa-se o bom sanfoneiro. São indivíduos muito importantes na manutenção da tradição, pois a conservam de memória _ o que é extraordinário _  e na prática sabem uma vasta gama de toadas, ritmos, melodias tradicionais, que são a base das danças e folguedos. Em especial nas folias é algo quase essencial, pois a sanfona é o instrumento por assim dizer regente, que conduz a essência melódica.

É preocupante aqui no Campo das Vertentes a diminuição dos sanfoneiros. Já vemos folia saindo sem sanfoneiro, porque não há disponível; catupé sem sanfoneiro por que não tem quem possa ocupar a função. Poucos, muito poucos jovens surgem em alvorada neste cenário. Praticamente só se pode contar com os veteranos. Muito bem e que Deus lhes dê vida longa e saúde. Seu saber é notório. Seu papel, primordial. Mas e quando se forem? Aparecerão novos músicos para fechar a lacuna? Os tempos são outros...

"O verso que eu tô cantando,
tô tornando a repetir: 

Valha-me Nossa Senhora,
 Santo Antônio Livradô, 
fico triste, apaixonada
quando morre um cantadô..."
(Calango, Barbacena/MG, fevereiro/1996) 

Não é possível considerar a música popular brasileira no seu todo sem as sanfonas, pois esta família de instrumentos deixou um legado imensurável para a mesma. A cultura caipira também a absorveu e aclimatou ao seu universo extraordinário. Já por isto, muitas vezes, ao ouvir o toque de um fole, sua música nos remete a um sentimento a bem da verdade provinciano; nos conduz à saudade do campo, traz o desejo de dançar um baile num terreiro poeirento, de ouvir uma folia em distantes rincões. O ciclo das festas juninas, outrora só de junho, hoje expandido para julho e até meados de agosto, não se desliga das sanfonas. Estão presentes ao vivo ou no som mecânico; típicas, identificadoras. Em muitas regiões do país a sanfona ou que outro nome tenha, com teclas ou botões, com poucos ou muitos baixos, diatônica ou cromática, não importa, chega a ser elemento identitário.

As fotografias a seguir, tomadas de forma aleatória do acervo, ilustram alguns destes músicos extraordinários, mas, simbolicamente, fica prestada a homenagem a todos os sanfoneiros da região que com grande dedicação e capacidade contribuem ou contribuíram para a conservação de nossas tradições populares, parte desse gigantesco patrimônio imaterial edificado e mantido por nossa gente. 

1- Sanfoneiro "Timané" tocando uma oitenta baixos no congo,
 São Gonçalo do Amarante (São João del-Rei/MG),
durante a Festa de Nossa Senhora do Rosário naquela comunidade.13/10/2013.   

2- Sanfoneiro Mário Alves tocando uma oito baixos no congo,
São Gonçalo do Amarante (São João del-Rei/MG),
durante a Festa de Nossa Senhora do Rosário naquela comunidade. 13/10/2013. 

3- Sanfoneiro "Fanico" com o acordeon no congo,
São Gonçalo do Amarante (São João del-Rei/MG), 
durante a Festa do Divino no Bairro Matosinhos,
na sede municipal. 19/05/2013.

4- Sanfoneiro Jorge com o acordeon no congo,
São Gonçalo do Amarante (São João del-Rei/MG), 
durante a Festa do Divino no Bairro Matosinhos,
na sede municipal. 19/05/2013.   

5- Sanfoneiros do congo de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno
(São João del-Rei/MG). 15/10/2014.  

6- Sanfoneiros à frente do catupé de Coronel Xavier Chaves/MG. 15/05/2016.

7- Sanfoneira "Lilia" no comando da Folia do Divino do Jardim São José,
Bairro Tijuco, São João del-Rei/MG, durante a Festa do Espírito Santo nesta cidade.
23/05/2015.  

8- Sanfoneiro Antônio Ventura, folião da Folia do Divino da Rua São João,
Bairro Tijuco, São João del-Rei, durante a Festa do Espírito Santo nesta cidade.
23/05/2015. 

9- Sanfoneiro Natal, folião da folia de Reis do Elvas,
Tiradentes/MG, durante visita a uma residência, enquanto cantava diante do presépio. 
30/12/2016.
 
10- Sanfoneiro Sebastião Ezequiel, capitão de congado (catupé),
Restinga de Baixo (Ritápolis/MG), set. 1996.

 
11- Sanfoneiro e Embaixador Luís Carlos Rosa, durante ensaio da
Folia de Reis "Embaixada Santa", São João del-Rei / MG, dez. 2024. 

12- Sanfoneiros Geraldo Detomi e Luthéro Castorino da Silva, no catupé do Capitão José Camilo,
Bairro São Dimas, São João del-Rei. Autor e data não informadas (c.déc.1980). Acervo: Luthéro Castorino. 

13- Capitão de congado e sanfoneiro Antônio Francisco dos Santos,
Barroso/MG. 23/05/1999. 

14- Detalhe dos elementos artísticos da sanfona mostrada na fotografia  2.

Referências bibliográficas

AULETE, Caldas. Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa. 3.ed. Rio de Janeiro: Delta, 1978.

FILGUEIRAS, Otto. Sanfona: fole de fôlego. Globo Rural, n.94, ag. / 1993.

HINDLEY, Geoffrey. Instrumentos Musicais. Melhoramentos: São Paulo, 1981. 155p.il. p.148-150. Coleção Prisma. 

Referências na Internet
(acesso em 01/03/2017, 10:20h)

Acordeão. In: Wikipedia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Acorde%C3%A3o 
Concertina. In: Wikipedia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Concertina
Bandoneón. In Wikipedia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandone%C3%B3n
Gaita-ponto. In Wikipedia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaita-ponto
Sanfona. In: Wikipedia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sanfona


Créditos


- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografias: 5, 10, 13 - Ulisses Passarelli; 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8, 9, 14 - Iago C.S. Passarelli; 11 - Betânia Nascimento Resende.

Notas 

- Sanfona é o nome aplicado também a outro instrumento musical, porém cordofone, a viola de roda, como seu sinônimo o que pode gerar confusão. Sua popularidade está na Europa e não tem tradição no Brasil. 
- Revisão e acréscimo de fotografias 10 a 13 em 18/02/2025.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Encontro de folias na Restinga

Estamos em plena temporada das folias. Pela região das Vertentes os diversos grupos ativos estão em jornada de visita às casas, capelas, grutas e cruzeiros. O prazo expira no dia do "Santo Mártir Guerreiro", titulação ofertada livremente pelo povo ao queridíssimo São Sebastião, festejado oficialmente a 20 de janeiro. Contudo, em razão de haverem muitas festas dedicadas a ele em várias comunidades, devido à coincidência das datas e pela própria necessidade logística, em algumas capelas a festa recai sobre o primeiro ou segundo domingo subsequente. 

É o caso abaixo retratado, da Restinga de Baixo, distrito de Ritápolis/MG, cujo festejo é muito tradicional, já documentado por este blog em postagem publicada. Na Restinga a festa conserva muitos elementos típicos, tradicionais, entre os quais um encontro de folias. A companhia local é a anfitriã e encontra no respeitado Mestre Folião Sebastião Ezequiel um baluarte da sua manutenção. Nas imagens abaixo e no vídeo anexo, todos da mesma data, observa-se também a participação da folia da cidade São Tiago, e ainda, a da Colônia José Teodoro (São João del-Rei). 

O encontro é de paz, à sombra das grandes árvores do largo. Cada companhia saúda a bandeira e os foliões da outra e juntos louvam a Deus em seus versos e entoam a veneração ao santo festejado na ocasião. É uma celebração da harmonia, da união e da fé. 




Assista a seguir ao vídeo deste encontro realizado em 24/01/2016:



Notas e Créditos

* Texto, fotografias, edição, vídeo e acervo: Ulisses Passarelli
** Para maiores detalhes leia neste blog: A FESTA DE SÃO SEBASTIÃO NA RESTINGA 

domingo, 1 de janeiro de 2017

A volta da Folia "Embaixada Santa"

Tivemos no final de 2016 a grata notícia de duas folias de Reis regionais voltando à atividade: a de César de Pina (município de Tiradentes) _ pelos esforços do Folião Pedro Paulo _  e a "Embaixada Santa", de São João del-Rei. Neste post trataremos desta última.

A folia em questão foi fundada em 1981. Sua história já a registramos em um pequeno texto escrito quando completou suas três décadas de existência (vide link ao final desta postagem), posteriormente incorporado a este blog. Recomendamos sua leitura para se inteirar de maiores detalhes. Por oras é mister relembrar alguns nomes das suas lideranças ao longo dos anos, à guisa de retrospectiva sumária: 

- Antônio Carvalho da Silva: fundador da folia e seu primeiro mestre. Comandou-a como folião e embaixador desde 1981 até seu falecimento. Era carinhosamente conhecido por "Totonho Benzedor";

- Sebastião Teodoro da Silva, que entre os folieiros era conhecido por "Tião Domingos". Saía com a folia a partir da Vila João Lombardi, no Bairro das Fábricas. Assumiu a folia após o falecimento do fundador, a partir de 1998 e esteve à sua frente até 2006, no qual, após a jornada de São Sebastião passou seu comando, motivado por razões de saúde; 

- Ulisses Passarelli, que ingressou na companhia no ano 2000 como seu marungo (bastião, palhaço), assumiu como folião responsável a partir da jornada do Divino Espírito Santo de 2006 e foi conservado na direção até a jornada de Santos Reis de 2009, quando, por motivo de trabalho, passou o cargo de folião;

- Luís Carlos Rosa, muito conhecido na cidade por "Luisinho Sanfoneiro", exímio tocador de acordeon, participante na companhia desde a época de seu fundador e responsável pela cantoria desde o falecimento de Totonho Benzedor, a assumiu na sequência e a manteve desde então, como folião e embaixador. 

Ocorre, que vicissitudes do caminho, alheias à vontade dos integrantes, acabaram por paralisar as atividades da folia no princípio de 2014 e ela ficou cerca de três anos sem sair às ruas para cumprir sua jornada de visita às casas, participar de encontros, festas e apresentações culturais. A lacuna aberta foi imensurável... tanto mais num ambiente que o número de grupos de folias (companhias) está sensivelmente mais reduzido se comparado com a época de fundação desta ou mesmo décadas anteriores. Foi a saudade dos próprios folieiros em cumprir a missão, movidos pela fé, bem como o pedido de moradores que não mais recebiam a visita da bandeira que trouxe o estímulo para a tentativa de reativação. 

Embora pensada desde que a folia parou, em si não logrou êxito. A hora certa só chegaria a 22 de dezembro de 2016, a partir de uma reunião de antigos componentes e novos colaboradores, concretizada na casa deste autor e que se concluiu com pleno sucesso o ideal de reativar a folia, no mesmo padrão anterior, tanto que se seguiu um ensaio e já foi agendado o início da jornada reiseira. 

Assim foi reativada a folia "Embaixada Santa", novamente sob a direção de Ulisses Passarelli por comum acordo dos integrantes, cultivando suas toadas tradicionais e sob a guia das mesmas bandeiras: a de Santos Reis, a de São Sebastião e a do Divino Espírito Santo. Com as esperanças renovadas, a força e a experiência dos antigos folieiros e o estímulo dos novos, segue firme a Embaixada Santa visitando os lares e ora rememorando a todos em seus versos e melodias a saga nobilíssima dos Santos Reis do Oriente. 


1- Visita a uma residência em janeiro de 1993.
Ao centro da foto, com camisa escura, "Totonho Benzedor".  
2- Grupo posando para fotografia após apresentação na Rádio São João
em janeiro de 1995. A esquerda, com o cavaquinho, o Mestre Fundador. 

3- Detalhe da foto anterior:
Antônio Carvalho da Silva.
4- Visita a uma residência em janeiro de 1996.
A direita da foto, com camisa branca, "Totonho Benzedor". 


5- Sebastião Teodoro da Silva: folião sucessor do fundador e
responsável pela folia entre 1998 e 2006, recebendo a estrela de condecoração

concedida pela Casa Santos Reis. A direita o folclorista Affonso Furtado, 
por cuja sensibilidade transcorreu a condecoração e foi cedida esta fotografia.
Data da fotografia:18/05/2002. 

6- Ulisses Passarelli: folião responsável pela "Embaixada Santa" entre 2006 e 2009.
Data da fotografia: 27/05/2012.  
7- Luís Carlos Rosa: folião e embaixador, com o acordeon, responsável pela
folia "Embaixada Santa" entre 2009 e 2016. Data da fotografia: 20/01/2013. 
8- Apresentação no Dia de Reis diante da Igreja de
Nossa Senhora do Rosário em São João del-Rei.  06/01/2011. 
9- Visitando uma residência com a bandeira do Divino em maio de 2004. 

10- Folia de Reis "Embaixada Santa" em visita a uma residência
quando de sua reativação, 26/12/2016. Fotografia: gentileza de Daniel William 

Dias Nascimento. 

Notas e Créditos

* Texto e fotografias 1, 2, 3 e 9: Ulisses Passarelli
** Fotografias: 4- Lenice Fátima Carvalho Santos; 6 e 7- Iago C.S. Passarelli; 8- Maria Aparecida de Salles.
*** Leia também: TRINTA ANOS DE UMA FOLIA