Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




Mostrando postagens com marcador Mastros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mastros. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de julho de 2017

Festa do Rosário em Ibituruna, 2017 - parte 1

Ibituruna novamente festejou o rosário de Maria com a força da fé popular e a vibração extraordinária dos tambores congadeiros. Foi no primeiro domingo de julho o dia maior. Junto à bela Igreja de Nossa Senhora do Rosário se concentraram os dançantes do reinado, com suas fardas e instrumentos musicais, vindos do entorno imediato do Campo das Vertentes e do Oeste de Minas, prevalecendo a presença das jombas, ou seja, os moçambiques que habitualmente executam esse ritmo, preponderante na região. 

Tendo o próprio moçambique e a congada local como anfitriões, foram recepcionados ternos de congadeiros vindos de Bom Sucesso, Santo Antônio do Amparo, Perdões, Cana Verde, Nepomuceno, Oliveira, Lavras, Ijaci, Carrancas, Itutinga, São João del-Rei, Prados e Dores de Campos, das zonas urbana e rural, em certos casos várias guardas de cada município, entre congos, moçambiques, marujos, vilões e catupés. 

A diversidade notória se reforçava com a intensa participação da comunidade local e dos visitantes, com ampla movimentação de largo, barracas de comes e bebes, tudo com muita ordem, boa fé, organização significativa e concorrência de fiéis. 

A programação revelou que a comemoração foi precedida de novena, com procissões nos três dias finais. Destaque para a alvorada pelos grupos locais, às 4 horas da madrugada. O dia maior foi antecedido pela bênção da fogueira às 21 horas e danças ao redor. A estruturação cerimonial religiosa foi cuidada com o maior zelo e absoluta devoção, sendo mister reconhecer a valorização que o pároco, Padre Sílvio Firmo do Nascimento, concedeu às festividades. 

No extremo da praça da Igreja do Rosário, quatro mastros eram continuamente visitados pelos congados, cantando à sua base as saudações de praxe: dois mastros dedicados a Nossa Senhora do Rosário, um a São Benedito e outro a São Pedro. 

Como de costume foi servida farta e saborosa alimentação. 

O cortejo trazendo o reinado e o andor foi intenso, fervoroso e ao final cada terno se apresentou individualmente em honra aos santos e homenagem aos coroados. 

Ibituruna se regozija por suas tradições e as conserva com carinho. Merecem aplausos todos os que ajudaram a festa. 


Moçambique de Machados (Perdões), tocando sua jomba. 

A devoção ao rosário começo muito cedo...
Moçambiqueiros de Oliveira. 

Guarda de Congo de Cana Verde. 

Para participar do rosário se deve sentir a devoção à flor da pele e cantar com a alma:
congadeiro toca uma cuíca. Moçambique "Kingongo", Pedra Negra (Ijaci). 

Desde muito jovem se principia no congado,
como neste catupé de Perdões. 

Congadeiros de Itutinga e de Prados no café da manhã. 

Moçambique de Ibituruna. 

Chegada da congada de Ibituruna: a bandeira é saudada respeitosamente. 

Marujo de Dores de Campos. 

O vilão da Guarita (Santo Antônio do Amparo) escolta a passagem da corte do Imperador do Divino,
vinda de São João del-Rei para participar dos festejos. 

O cortejo em toda sua pujança. 

A jomba do Congonhal (Nepomuceno) marcou presença e conquistou atenções. 

Mastro não é um pedaço de pau... é um elemento telúrico, sagrado.
Capitão de moçambique da Baliza (Santo Antônio do Amparo) o
saúda. 

Fotomontagem mostrando os registros dos quatro mastros fincados. 



Cenas do Moçambique Santa Efigênia, de São João del-Rei,
durante a festa em Ibituruna. 

Notas e Créditos

* Texto e acervo: Ulisses Passarelli
** Fotografias e vídeos (02/07/2017): Iago C.S. Passarelli

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Festa do Rosário em Resende Costa, 2016

O imenso Ciclo do Rosário aproxima-se do fim de mais um conjunto anual de festividades na região mineira das Vertentes. Neste último fim de semana foi a vez de Resende Costa, primitivo Arraial das Lages, Terra de Inconfidentes, cidade de aprimorado artesanato, sobretudo baseado no algodão, com produção de colchas, tapetes, etc., nas rocas e teares. 

A data é muito tradicional naquele município, desde longa data fixada no primeiro domingo de novembro. Atrai muitos congados da região e de áreas mais distantes. Tem intenso movimento popular de largo, com a Praça do Rosário apinhada de gente e lotada (rua abaixo) de barraqueiros estabelecidos no evento. É uma das festas do Rosário mais fortes da região. 

Não é para menos. Resende Costa, cidade alta da Serra das Vertentes, tem longa e enraizada tradição congadeira. Já teve muitas guardas, sobretudo de catupés e via de regra participa bastante das festividades congêneres em várias comunidades. Em 2016 lá estiveram ternos ou guardas de Coronel Xavier Chaves, de Congonhas, Conselheiro Lafaiete, Carandaí, São João del-Rei/Santa Cruz de Minas, Ritápolis (cidade e distrito da Restinga), Passa Tempo e Cerrado (Desterro de Entre Rios). 

O dia maior foi antecedido por missas diárias na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, seguida de preces do tríduo preparatório, findando com sonorização e show. No sábado, após as celebrações, teve lugar o levantamento dos mastros, no adro. No domingo se destacaram a Missa Sertaneja pela manhã e a Missa Conga à tarde. Nesta, tocou o Moçambique "Nossa Senhora Aparecida", de Passa Tempo, sob o comando do grande mestre, Capitão Luís Maurício. Os congados ao longo do dia tocaram pelo largo e ruas, receberam como de costume, alimentação farta e saborosa, apresentaram-se diante do palco, onde foram agraciados com medalha de honra ao mérito. Houve muita confraternização e espírito de concórdia. A todo tempo notou-se a participação dedicada da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário resende-costense. Após a missa da tarde uma procissão seguiu até a dianteira da Matriz (Nossa Senhora da Penha de França) e retornou ao Rosário, bastante concorrida, com a participação dos congados. Finda a procissão os grupos se despediram, retornando para suas cidades. 

As imagens abaixo foram captadas durante a festa deste ano. Mostram uma ínfima parcela do esplendor desta festividade, da qual é mister tecer elogios e incentivos de continuidade, ao clero que muito apoiou com grande respeito e dedicação, à irmandade, a toda comunidade e aos congadeiros de Resende Costa, que foram os anfitriões das guardas visitantes. 

A Igreja do Rosário testemunha o espírito de irmandade entre congadeiros.

Confraternização de congadeiros de diferentes guardas. 

O terno do Cerrado em marcha pelas ruas de Resende Costa. 

Marujos de Congonhas. 

Rei e Rainha observam a movimentação dos Marujos
"Sereia do Mar", de Congonhas. 

Detalhe do bordado em paetês do quépi de marujos
de Conselheiro Lafaiete: bandeira nacional.

Detalhe de um bastão, do moçambique de Passa Tempo. 

Jovens congadeiros de Resende Costa,
sob a bandeira de São Cosme e São Damião. 

Congado da Restinga de Baixo. 

Moçambiqueiro saúda a bandeira do congado de Ritápolis. 

Capitães do Moçambique Santa Efigênia durante apresentação. 
No comando do congado, o Capitão de Coronel Xavier Chaves
maneja o tamborim.   

Detalhe do capacho na entrada da igreja. 
 
Imagem de Nossa Senhora do Rosário em seu andor,
no adro da igreja durante a Missa Conga. 

Irmandade de Nossa Senhora do Rosário abrindo a procissão. 

Comissão do Divino com o Imperador:
presença de São João del-Rei. 

Um dos mastros da festa, dedicado
a São Cosme e São Damião. 

Cartaz da Festa do Rosário.
Resende Costa, 2016. 

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 07/11/2016

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Festa do Rosário em Prados, 2016

Desta vez foi Prados a comemorar Nossa Senhora do Rosário com as danças congadeiras. Tem festa em honra a esta invocação mariana em muitos lugares entre setembro e novembro, embora outubro seja especialmente nominado "Mês do Rosário" e o dia específico da santa seja 07 de outubro. Esta extensão temporal dos festejos vem a calhar para as guardas de congado pois torna possível que viajem para muitas localidades nesse período para participar de várias festas. Dentro dessa perspectiva, no último domingo, dia 16, o congado de Prados recepcionou os visitantes de Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Conceição da Barra de Minas e São João del-Rei, que se irmanaram no mesmo objetivo laudatório.

Desde já se diga de passagem que o cenário encanta aos olhos e estimula a contemplação: um belo casario histórico evocador da arquitetura do ciclo do ouro, muito bem cuidado, ruas limpas, o povo prestigiando nas esquinas, calçadas, alpendres, varandas, sacadas, no adro da igreja... a festa envolve o pradense e o visitante.

Prados surgiu das bateias, almocafres, carumbés, das grupiaras e cascalheiras, do trabalho aurífero, por volta de 1704. Tricentenária, pois, se sintoniza com Tiradentes e com São João del-Rei para compor um conjunto de cidades históricas das Vertentes, as três coetâneas, com pouca diferença de data, alvo de discussões infindáveis entre os especialistas.

Do êxito dessa festa também se deve boa percentagem à dedicação dos congadeiros daquele município, que mobilizando a comunidade tem se esforçado intensamente para manter a tradição, desde que foi retomada no começo da década passada, posto que havia paralisado.

E, outro tanto, se deve ao pároco, Padre Dirceu de Oliveira Medeiros, entusiasta consciente do valor da cultura popular, cujo apoio e respeito que nutre aos grupos culturais bem serviria de modelo a ser seguido por todo o clero.

Curiosamente nessa cidade a festa se desenvolve no seu dia maior na parte da manhã; um tanto original, posto que noutros lugares é à tarde. O modelo agrada posto que logo após o almoço libera os congadeiros para retorno às suas casas, sendo bem menos cansativo, poupa-os do imenso calor da tarde que se verifica nessa quadra do ano e ainda do risco de chuvas pesadas pegarem a procissão de surpresa no meio da rua.

Assim sendo, logo após a missa matutina, de caráter festivo, muito concorrida, na imponente Matriz de Imaculada Conceição, cada congado agrupado no extenso adro, adentra cantando e dançando na nave da igreja, sem pressa, desenvolvendo sua louvação e lá dentro, recebe do sacerdote a bênção e é aspergido por água benta, sob aplausos dos fiéis. Saem pela porta lateral e de volta ao adro se organizam em cortejo. Neste ano observou-se todos os catupés na dianteira e o moçambique atrás, na retaguarda, como de costume, fechando. Cruciferário na frente, ao meio, porta-lanternas abrindo cada ala da procissão, que segue para a bucólica Igreja do Rosário, levando os andores de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário, sob os cantares e tambores.

Serpenteando pelas antigas ruas, dos imponentes casarões os moradores apreciam, aplaudem, fotografam. Por toda parte se nota a alegria e a fé das pessoas, rezando com seus terços na mão, passando contas e mais contas, balbuciando ave-marias na intensão de...

A chegada ao adro do rosário é especialmente festiva e o sino anuncia efusivamente a entrada do cortejo. Dois mastros estão ali fincados, estampado no alto São Benedito e a Senhora do Rosário. Deles parte ornamentação até a igreja. Os congados lotam o adro e o povo junto a ouvi-los. Cada terno faz sua saudação e adentra o templo com toda fé e respeito, expressa na plenitude de sua musicalidade. As imagens também dão entrada e a palavra sacerdotal enaltece a santidade e parabeniza os esforços conjuntos em prol da comemoração. O incentivo é algo essencial. 

Findas as passagens de cada um na igreja, seguem para o almoço coletivo no pátio da escola próxima, preparado com o carinho de costume por uma equipe de cozinheiras, que por fim recebem a gratidão dos versos e beijam as bandeiras de cada guarda. 

Os congadeiros se confraternizam e despedem, "até para o ano, se Deus quiser!"

Prados é uma cidade que se tornou afamada por seu patrimônio cultural. Também pelo artesanato, de que é um centro muito significativo. As peças em madeira, os típicos bichos entalhados, são muito primorosos. O trabalho em couro vem de longa data - selaria, produção de calçados. O carnaval se agiganta em animação pelos desfiles e pelo tão arraigado boi-mofado. As festas religiosas transcorrem com brilhantismo. A música é uma marca da cidade, sobretudo por sua afamada corporação musical. Pelo Natal até o Dia de Reis, é a vez das folias, seja a local, seja a distrital das Folhas Largas, tão antiga. A Ponta do Morro, onde termina a Serra de São José está logo ali, com uma riqueza natural notável. História, cultura, hospitalidade. Muito se poderia apontar de Prados, cidade que merece ser conhecida e preservada em todos os sentidos de seu rico manancial. 

Igreja de Nossa Senhora do Rosário enfeitada e com mastros,
 no dia maior de sua festividade. Prados. 

Capitão de moçambique saúda capitão de catupé: respeito e consideração
são premissas na Festa do Rosário. 

Congado de Resende Costa. 

Congadeiros de Prados no adro da Matriz da Conceição. 

Capitão do congado de Coronel Xavier Chaves.

Congadeiros diante do andor de São Benedito. 

Congadeiro se persigna diante da imagem de São Benedito.
Sanfoneiro e capitão da guarda de Conceição da Barra de Minas. 

Rei e Rainha no adro do Rosário. Prados. 
Detalhe do mastro de São Benedito. 

O sino anuncia, congrega, festeja... Torre da Matriz de Prados. 

Pessoas observam da balaustrada do adro do Rosário
a chegada da procissão.

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 16/10/2016

domingo, 18 de setembro de 2016

Festa do Rosário no São Geraldo, 2016

Outro domingo festivo em honra ao rosário em São João del-Rei transcorreu hoje, 18 de setembro de 2016: em meio a imenso calor os congadeiros se reuniram no Bairro São Geraldo para o tradicional evento religioso. 

Na quinta-feira passada o "Moçambique Santa Efigênia", com os Capitães Tadeu, Borracha e Danilo e o "Catupé São Benedito e Nossa Senhora do Rosário" com o Capitão Moacir cuidaram de recolher da sede da conferência à Igreja de São Geraldo a nova imagem de Nossa Senhora do Rosário. Na chegada cantaram seus louvores e a seguir a comunidade reunida rezou e ouviu a celebração da palavra, aliás, muito bem proferida. Na sequência, levantaram os mastros: de São Benedito, de Santo Antônio de Categeró, de Santa Efigênia e de Nossa Senhora do Rosário, um em cada quina da praça como a esboçar um quadrilátero dentro do qual transcorre a festa. 

O tríduo preparatório durante estes dias antecedeu o dia maior e contribuiu para unir a comunidade em torno das práticas religiosas da Igreja. 

Hoje os congados citados recepcionaram o moçambique visitante, vindo de Belo Vale, com a bandeira do Rosário na dianteira. Sob o comando do Capitão Quinzinho, em espírito de união e irmandade, festejaram todos reunidos. 

O café da manhã e o almoço foram assaz elogiados pela fartura e qualidade. 

 Houve missa festiva no meio da manhã, com participação dos congadeiros e do coral do distrito de São Sebastião da Vitória. Pela tarde foi a vez do tradicional recolhimento do reinado, saudação à corte, apresentações culturais e por fim a descida dos mastros. O cansaço toma conta de todos mas o dever missionário foi cumprido. Mais um vez floresceu esta face festiva e musical da identidade regional. 

Igreja de São Geraldo e Moçambique Santa Efigênia.

Capitão do Moçambique canta sua saudação sagrada. 

Moçambique Santa Efigênia. 

Moçambique Nossa Senhora do Rosário, Belo Vale/MG. 

Moçambique Nossa Senhora do Rosário, Belo Vale/MG.
Moçambique Nossa Senhora do Rosário, Belo Vale/MG.   

Detalhe do mastro de São Benedito.  

Ofertas alimentares na missa festiva. 

Após a celebração o alimento ofertado é distribuído aos fiéis na praça. 

Bênção da Mesa pelos moçambiqueiros de Belo Vale.

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli