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Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.
ULISSES PASSARELLI
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Os três irmãos
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
As Testemunhas
Fato é que as moscas desde antiga tradição são símbolos do mal, da negatividade, ligadas a coisas podres, obscuras. Na crendice, presença de muitas moscas numa casa é sinal de más influências espirituais, atraídas pela sujeira, ciscos, trastes velhos. Quando uma mosca-varejeira entra numa casa logo se imagina um mal presságio e se cuida de matá-la ou expulsá-la, esconjurando-a com o sinal da cruz.
Um canto de moçambique coligido em Passos/MG, dizia:
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| Confessionário. Fotografia meramente ilustrativa. Peça do acervo da Igreja de Nossa Senhora das Mercês. Mercês de Água Limpa (São Tiago/MG). |
* Texto: Ulisses Passarelli
** Foto: Iago C.S.Passarelli, 26/01/2014.
*** Informante: Elvira Andrade de Salles, 1995 (natural de Bias Fortes, mas residente em Santa Cruz de Minas).
**** Para ter acesso a outro conto do tipo "natureza denunciante" clique no link: Favas Contadas.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Favas contadas...
Na Paraíba reconhecem a “fava boca de moça” (pequena, vermelha com listras brancas irregulares) e a “fava orelha de vó” (grande, branca com listras irregulares pretas) e com elas compõe o prato típico chamado favada – fava cozida com pedaços de carne e legumes variados, temperada com cebola e coentro.
Por aqui a fava é menos querida, mas nem por isto ausente: existe a “branca” (clara, grande), a "preta" (escura, grande) e a “belém” (vermelha, pequena).
Usamos em São João del-Rei a fava tal como o feijão, cozida e afogada com tempero a gosto, ou ainda numa de farofa de favas.
Um registro digno de nota é uso da fava como firmeza espiritual. Assim, aqui a fava-belém serve para aumentar a fartura dos alimentos e por isto tem-se alguns de seus grãos guardados nos gongás ou escondidos entre os mantimentos da despensa. Outras, habitualmente não comestíveis, servem de firmezas, acondicionadas num patuá guardado no bolso, na algibeira ou pendente ao pescoço por um cordão: fava de Ogum (grande caroço rosado-escuro, também conhecido como feijão-espadão) e a fava de Omulu (caroço cinza, graúdo, bem achatado).
O nome fava é aplicado ainda nas Vertentes a uma semente de árvore leguminosa da família fabaceae, o faveiro ou umbela, Schizolobium parahyba : fava de Santo Inácio, fava de São João, fava de umbela. É uma semente não comestível, dura, bastante achatada, de contorno ovalado, cor castanha, tamanho médio de 3 x 1,5cm. Geralmente é furada e trespassada por um cordão ou arame e usada como penduricalho contra quebranto (dizem que Santo Inácio não deixa o mal entrar na pessoa que a usa ao pescoço ou no bolso). Os passarinheiros costumam pendurá-la nas gaiolas, evitando o mal-olhado de invejosos (tal como o tento). Muito usado em colares-guias de caboclos e pretos-velhos. Tem ainda uso na crença da medicina popular: pendurada ao pescoço de crianças, creem que propicia dentição resistente. No Nordeste corre igual crença com a semente da mucunã, esclarecendo Cascudo que é por simples analogia da dureza da semente com a do esmalte dentário. Outro uso dos processos folclóricos de tratamento é contra hemorroidas, bastando carregar uma semente de fava junto ao corpo, em qualquer parte, contanto que esteja tocando a pele.
E para encerrar, quase parodiando esta expressão, segue a transcrição de um conto sobre favas. Pertence à categoria natureza denunciante - algumas favas magicamente ganham voz e denunciam um mistério insolúvel ao protagonista da estória...
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| Favas brancas e nas quadrículas, um prato de favas cozidas e uma vagem aberta mostrando os grãos. |
Referência Bibliográfica
*** Fotos: Iago C.S. Passarelli
*** Informante do conto: Elvira Andrade de Salles, Santa Cruz de Minas, 2001.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Um Conto Popular de Fim Trágico
Mas com sua vozinha fraca de camundongo não conseguiu despertar a princesa do sono profundo que tinha. Quando ela acordou já era tarde, pois as chamas tinham dominado toda sua cama ...
* Informante: Elvira Andrade de Salles, Santa Cruz de Minas, 1997.
**Texto e fotografia (2004): Ulisses Passarelli.


