Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




quarta-feira, 24 de maio de 2017

Festa do Divino: 20 anos de resgate!


Duas décadas atrás reunia-se numa sala das dependências da Igreja de Matosinhos (não era ainda santuário)em São João del-Rei/MG, uma pequena comissão de abnegados festeiros sob a inolvidável liderança do artista sacro Osni Paiva e atenciosa direção do pároco, Padre José Raimundo da Costa para resgatar a Festa do Divino, um grande jubileu em honra ao Espírito Santo, que há 74 anos estava a bem da verdade paralisado. 

Entenda-se paralisado como um modo de dizer frente ao que fora até 1924, ano que sofreu uma supressão. Tornara-se um evento pequeno, desprovido de brilhantismo e dimensão; festa em ocaso. Ocorre, que em 1997, o referido sacerdote convidara para acompanhar a procissão de Pentecostes o grupo de congadeiros da vizinha cidade de Coronel Xavier Chaves, sob o comando do célebre Capitão Zé Carreiro. A iniciativa foi muito exitosa e bem acolhida e serviu de embrião para o resgate. 

Paralelamente, Osni Paiva, munido de intensa pesquisa sobre a história do bairro, uma fé muito firme e boa disposição, trouxe à tona sua sabedoria e liderou o grupo que trouxe de volta a grandeza da festividade pentecostal e o Paráclito foi novamente honrado com cantos, danças, toques instrumentais, muita tradição e história. Grupos culturais diversos vieram ao adro de Matosinhos naquele maio, de 1998, e trouxeram no seu rastro uma multidão de devotos visitantes. A evangelização e todo o cerimonial da Igreja pautou todas as atividades e o que parecia impossível deu certo. A Festa do Divino estava de volta, como sempre deveria ter estado. 

A proposta foi ousada. Acolher tantos congados e folias, alimentá-los... banda, orquestra, pastorinhas, dança das fitas! Tudo isto se integrou e a cada ano se coroou um imperador, como festeiro maior, festeiro de honra, simbolizando toda a comissão de festejos. Em maio de 2017, passados vinte anos, temos ainda, a honra e a grata satisfação de ter conosco no plano terrestre os vinte imperadores vivos: 

Chegada do Cortejo Imperial no Santuário em 2016. 

1998 - Ulisses Passarelli
1999 - Luthero Castorino da Silva
2000 - José Gonçalves de Sousa
2001 - Paulo Zini
2002 - Geraldo Elói de Lacerda
2003 - Antônio Carlos Garcia
2004 - José Tadeu do Nascimento
2005 - Nivaldo Neves
2006 - José Cláudio Henriques
2007 - Antônio da Silva Serpa
2008 - José Clever de Oliveira
2009 - Jânio Fernando Salomão
2010 - José Francelino dos Santos
2011 - Antônio Cipriani Carvalho
2012 - Ivan Campos Nascimento
2013 - Edmilson Washington da Silva
2014 - Dácio Sebastião de Carvalho
2015 - Francisco José do Nascimento
2016 - Nelson Domingos de Abreu
2017 - Adilson Rodrigues Júnior

Este último será coroado na missa solene de Pentecostes deste ano como o mais jovem dos vinte, e assim, como sinal de esperança de continuidade, segue esta irmandade, qual fosse um conselho permanente, ajudando com sua experiência a orientar os rumos deste festejo jubilar. 

Os rituais festivos começam nesta quinta-feira (dia 25 de maio) e seguem com missa e novena a partir do dia seguinte, sempre às 19 horas no santuário. A festa culmina dia 03 de junho, sábado, com a Procissão do Imperador Perpétuo e encontro de folias do Divino, e no domingo, 04 de junho, dia maior, com participação de congados o dia todo. Ocorrem várias celebrações, destacando-se a missa solene às 16 horas e a procissão logo depois, que reúne considerável multidão, na principal via do bairro. 

A festa merece ser prestigiada e preservada por todos os meios. Cada membro da Comissão do Divino deve carregar esta lei no peito. A mesa diretora e os imperadores tem ainda mais responsabilidade na salvaguarda da festa e espera-se da Igreja todo apoio e fomento ao jubileu, e todos juntos na busca de parcerias e apoiadores para que seja cada dia mais consolidada esta grande festa.

Para concluir resgatamos do arquivo os cartazes referentes às vinte festividades. São elementos de elevado valor no processo de folk-comunicação e geram a difusão do conteúdo programático, a valorização dos atrativos culturais e a importância do cerimonial religioso. É possível estudar a caminhada do evento por meio de seus cartazes. Paralelamente guardam em si mesmos um conceito estético, que valoriza a cor vermelha (cor votiva do Espírito Santo) e a imagem do Paráclito do Santuário de Matosinhos em posição de centralidade. Há uma constante também na exposição das datas limites, sendo que até o ano de 2003 a data mais recuada nos cartazes era 1783, ano que a festa pentecostal de Matosinhos recebeu o título de jubileu perpétuo, através de um breve pontifício do Papa Pio VI, de 06 de abril. A partir do cartaz de 2004, os festeiros optaram por colocar a data da primeira festa de Pentecostes em Matosinhos, 1774, com a primitiva igreja novíssima ainda, pois suas obras de construção haviam iniciado só quatro anos antes... 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano:1998 -  Medida: 46 x 31 cm, papel off-set.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 1999 - Medida: 63 x 44 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2000 - Medida: 60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2001 - Medida: 
63 x 45 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2002 - Medida: 
57 x 40 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2003 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.  

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2004 - Medida: 
60 x 40 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2005 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2006 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.  

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2007 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2008 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2009 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2010 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2011 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2012 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2013 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2014 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2015 - Medida: 
62 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.


Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2016 - Medida: 
62 x 41,5 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.



Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2017 - Medida: 
59,5 x 40 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.


Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli
- Fotografia e imagens de reprodução dos cartazes: Iago C.S. Passarelli  

                                                                               Notas

- Revisão: 04/05/2025. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Dez imagens da folk-comunicação - parte 2

Em prosseguimento à divulgação de imagens relacionadas a elementos de folk-comunicação flagrados na região, seguem mais dez fotografias, todas captadas em São João del-Rei, que revelam uma variedade de transcrições e mensagens, algumas bastantes explícitas, outras mais veladas.

Por vezes não necessitam palavras como os rostos pintados de bonecos, em expressão de alegria (fotografias 8 e 1), rompendo a rigidez inerte e fria da parede e do hidrante; mas a mulher preta da fotografia sete, traz a boca aberta como se espantada, e seu olhos derramam lágrimas vermelhas de sangue. Sem dúvidas uma dolorosa mensagem que traz à tona um clamor. Uma crítica pesada recai sobre a mídia institucionalizada: o boneco traz uma televisão no lugar da cabeça e uma arma apontada para ela em atitude de suicídio... (fotografia 9).

Desta feita, aparecem três elementos de farmácias: nos anos setenta e oitenta (séc. XX) elas faziam plantões a horas impróprias e fins de semana, alternando-se os estabelecimentos (fotografia 4). Era então costume se ter afixada à fachada uma tabuleta com o nome da farmácia disponível. Esse costume desapareceu faz uns trinta anos, mas por sorte ainda flagramos esta placa remanescente, já fora de uso a tempos, mas ainda na ocasião da fotografia no lugar original, onde já não se encontra. O impresso de 1934 (fotografia 5) é uma cobrança de fim de ano de uma farmácia a seus clientes. O texto, com sua rebuscada linguagem de época, revela delicadeza e lisura no trato com o cliente, com oferta de bonificação e favorecendo o desconto. A charge estampada na fotografia 6, usa da criatividade para transmitir a mensagem dos bons preços oferecidos, ao mostrar o cidadão entrando em uma farmácia qualquer, vestido e com receita à mão e saindo dela desnudo, a segurar um pequeno embrulho adquirido; e, ao contrário, no estabelecimento em foco, entra descamisado com a receita e sai bem vestido e com um grande embrulho na mão. Essa charge chama a atenção dos são-joanenses faz bastante tempo.  

A tradicional corrente revela a grande devoção regional a Santa Rita de Cássia (fotografia 3), festejada a 22 de maio, a quem se atribui o poder de conceder graças impossíveis a outros santos. O exemplar manuscrito se reveste de características típicas desse modelo de oração e estimula o repasse junto com uma vela de sete dias ao seguidor da novena. 

Finalmente a imagem 10 reproduz um programa da Festa do Divino, edição de 1999, segundo ano após o "resgate" do grande jubileu. Naquele ano também foi feito um cartaz grande, em número mais limitado e esses programas aos milhares, nas cores azul, verde, amarelo e rosa, para afixação em estabelecimentos comerciais para divulgação do evento. Na programação constam atrações culturais como congadas, folias do Divino, dança das fitas, pastorinhas, calango, banda de música, e atividades religiosas diversas, como missas, novena e procissões. 

São formas populares de comunicação que extrapolam a mídia tradicional e buscam meios alternativos de transmitir a mensagem. No caso das pichações sempre na surdina do ato ilícito, que obviamente deve ser combatido; daí se esclarece, que seu registro nesta página não se configura como incentivo à prática tampouco enaltecimento, mas apenas de evidenciação dos caminhos populares tomados quando outras possibilidades estão vedadas, inacessíveis ou na prática que não alcançam o público-alvo pretendido. 

A folk-comunicação tem múltiplas facetas e se adequa às possibilidades do mundo urbano na difusão de sua filosofia e ideal. 

1- Rosto esboçado por pichação em uma parede, aproveitando-se dos vitrôs circulares
para composição dos olhos. Rua Antônio Josino Andrade Reis,
Centro, São João del-Rei. 17/04/2014. 

2- Grafismo em uma parede, "Morra, mas deixe sua marca".
Rua Santo Antônio, São João del-Rei. 04/03/2017. 

3- Manuscrito a caneta esferográfica sobre folha pautada de caderno,
no sistema de corrente, propagando uma novena em honra
a Santa Rita de Cássia. Coletada na Gruta do Divino, Centro,
São João del-Rei. 02/01/2011. 

4- Tabuleta de madeira afixada na fachada de uma farmácia, na qual se
especificava o rodízio de plantões dos diferentes estabelecimentos.
São João del-Rei. 10/12/2011. 

5- Antigo impresso de cobrança de clientes de uma farmácia de São João del-Rei,
datado de 31/10/1934. Papel-jornal, 20 x 26,5 cm.

6- Tradicional charge publicitária de uma farmácia, pintada em um muro.
Rua Coronel Tamarindo, Centro, São João del-Rei. 18/12/2011.

7- Grafite num canto de muro, se aproveitando de uma grade de saída
de águas pluviais. Rua Quintino Bocaiúva, Centro, São João del-Rei. 29/11/2014. 

8- Rosto pintado em um hidrante na lateral da
Catedral do Pilar, São João del-Rei. 03/03/2017.

 9- Mensagem grafitada em um muro na Rua Santo Antônio, Bairro Tijuco. Inscrição: "A Mídia te Mata".
São João del-Rei. A direita, detalhe da figura humana com uma televisão no lugar da cabeça. 04/03/2017.

10- Programa da Festa do Divino de 1999, Paróquia de Matosinhos,
São João del-Rei. Impresso em papel-jornal, 33 x 24cm. 

Créditos

- Texto e fotografias: Ulisses Passarelli

Notas

- Para saber mais leia também neste blog: DEZ IMAGENS DA FOLK-COMUNICAÇÃO - parte 1

- Revisão em 10/02/2025

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Festa do Divino 2017: programação básica

Há vinte anos atrás iniciava em maio a Festa do Divino em formatação que privilegiava os elementos litúrgicos, históricos e culturais, primando pela harmonia entre a fé e a tradição. Aquela festa de 1998 entrou para a história como um resgate religioso-cultural devido ao árduo esforço de uma pequena comissão de festeiros, sob a organização do artista sacro Osni Paiva e direção do Padre José Raimundo da Costa, que não mediram esforços para dar nova vida e impulso a uma festividade setecentista, praticamente em ocaso por 74 anos! A ação ousada, mas bem planejada, surtiu efeito. A festa fixou-se, passou por algumas reconfigurações e mudanças da equipe, mas prossegue como a maior festa religiosa envolvendo a cultura popular da região. 

Com o tema "Maria, Templo do Espírito Santo" inicia-se com uma vigília no próximo dia 23 de maio a tradicional festa jubilar em honra ao Divino Espírito Santo na Paróquia do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei/MG. Finda a Santa Missa, sob o toque de caixas, haverá a tradicional entronização da imagem do Divino junto ao trono do padroeiro. 

No dia seguinte inicia-se a novena, sempre após a missa das 19 horas. Destaca-se que antes da celebração do primeiro dia da novena, 26 de maio, acontecem os levantamentos de mastros: na Gruta do Divino, no Salão de Santa Clara, na Igreja de Santa Teresinha e no próprio santuário, sequencialmente, a partir de 18 horas. Os eventos religiosos desse dia incluem também adoração e bênção do Santíssimo Sacramento, além de confissões. Durante os dias da novena haverá participação das comunidades e movimentos paroquiais. Após cada dia da novena acontece um show no coreto da festa. 

No dia 28, consagrado a Nossa Senhora da Lapa, a Cavalgada do Divino parte as 9 horas da manhã, da Vila Santo Antônio. Na missa noturna, acontecerá a tradicional coroação da imagem da Virgem da Lapa, sob a voz do Coral Coroinhas de Dom Bosco. 

O sábado, véspera de Pentecostes, 3 de junho, a partir das 16:30 horas, principia movimentação na Igreja de São Francisco de Assis para início da Procissão do Imperador Perpétuo (Santo Antônio), com saída às 17 horas. A procissão tem grande relevância e atravessa o Centro Histórico, com a participação de vários grupos de folias do Divino, que fazem alternadamente toda a parte musical da procissão. A chegada ao santuário é sempre empolgante e festiva. As folias entoam também os cantos da missa, cada qual em seu próprio ritmo. Por fim, as folias fazem apresentações individuais no coreto da festa. 

Domingo de Pentecostes, dia 04 de junho, a alvorada típica acorda a população para o festejo e 8 horas acontece a missa festiva. Os congados chegam aos poucos, do município e de outras cidades, próximas e distantes, conduzidos ao café da manhã. Logo depois se apresentam no adro e no largo, até se deslocarem no meio da manhã para a Vila Santo Antônio, em cujo salão comunitário recolhem os reis e rainhas, trazendo-os em cortejo ao interior do santuário. 

Após o almoço, novo cortejo se forma, desta feita em direção à Vila Santa Teresinha, em cuja igreja, após ser visitada por cada guarda, recolhem o Imperador do Divino para as solenidades. A missa solene das 16 horas é uma celebração de elevada importância e concorrência de fiéis. Ao seu término, sendo celebrada pelo Bispo Emérito da Diocese de São João del-Rei, acontece a coroação do novo Imperador do Divino, eleito para este ano, Adilson Rodrigues Júnior, que receberá as insígnias do Imperador do ano anterior, Nelson Domingos de Abreu. 

Segue a procissão solene e luminosa, às 18:30 horas, concorridíssima. Na chegada ao santuário as solenidades se concluem com a bênção do Santíssimo Sacramento. O encerramento, no adro, se antecede pela descida dos mastros, seguida da despedida das congadas e show de encerramento. 

É uma festa na qual se irmanam sob as asas do Paráclito seus alegres devotos, levando emoção, transmitindo musicalidade e união. A Festa do Divino merece ser preservada, incentivada, prestigiada, salvaguardada e até mesmo registrada como elemento ímpar de nosso patrimônio cultural imaterial. 

Folia do Divino do Bairro Guarda-mor, Mestre João Matias. 23/05/2015. 

Imperador sob a umbela e sua corte, na Rua Padre José Maria Xavier. 23/05/2015. 

Marujos de Conselheiro Lafaiete, do Capitão Ganair: presença contínua desde 1998. 

Coroação do Imperador pelo Bispo Diocesano. 

Aspecto do almoço. 

Entrada dos Imperadores no santuário para a Missa Solene. 

Chegada do Cortejo Imperial. 


Descida do Mastro do Divino. 


 Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 15/05/2016 (outras datas indicadas nas legendas).

Notas  

- Revisão: 05/05/2025. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Festa de São Benedito no Bonfim

Concluiu-se na noite de ontem na Igreja do Senhor  Bom Jesus do Bonfim, em São João del-Rei, a festividade em honra a São Benedito. Ao final da tarde apresentou-se diante da antiga igrejinha e ao pé do mastro o Moçambique Santa Efigênia e o Catupé São Benedito e São Sebastião e ambos entoaram seus louvores e animaram bastante o local. 

A celebração da Santa Missa foi muito concorrida, ganhando destaque a participação do tradicional Grupo de Inculturação Afro-descendentes Raízes da Terra. Foi realizada com grande empolgação e valores culturais, em clima de forte apelo religioso. Estiveram também presentes os senhores e senhoras reis e rainhas de São Benedito. 

O andor com a imagem do santo festejado estava muito enfeitado e seguiu em procissão acompanhado pelos congados presentes e grande número de fieis, em longo percurso pelo Bairro do Bonfim. A saída foi da igreja nova e chegada na igreja velha. Os grupos tocaram ininterruptamente durante todo o itinerário procissional. A chegada foi empolgante, com intenso foguetório e dobres de sino. A bênção do Santíssimo Sacramento foi extremamente respeitosa e participativa. Na entrada do andor uma chuva de pétalas de rosas caiu sobre a imagem, entremeio muitas palmas, vivas e rufados de caixas. 

Os grupos se recolheram, recebendo antes um farto e saboroso lanche.

As comemorações sociais continuaram no adro com movimento de barraquinhas e música. 


Igreja antiga. Ao lado do cruzeiro luminoso o mastro de São Benedito. 

Igreja nova com movimentação de devotos. 

Uma das guardas presentes à festa. 

Bênção do Santíssimo Sacramento. 

Bênção do Santíssimo Sacramento. 

Andor de São Benedito. 

Notas e Créditos

* Texto e fotografias: Ulisses Passarelli

sábado, 29 de abril de 2017

Pequeno glossário de alguns terreiros de São João del-Rei


Nesta postagem ousamos, muito respeitosamente, selecionar uma centena de palavras e expressões habitualmente usadas em algumas tendas e terreiros de São João del-Rei. É preciso inicialmente entender que elas fazem parte propriamente de uma linguagem popular, contudo típica do ambiente dos trabalhos espirituais. Isto não as torna exclusivamente ritualísticas. Se referem a elementos correlatos ao ritual, mas são parte da dinâmica coloquial da linguagem. 

Por isto, em momento algum houve preocupação de especificar o terreiro onde foi ouvida; tão pouco a doutrina específica daquela casa, pois há uma grande circularidade nestas gírias, termos, expressões e alcunhas entre diversos terreiros, carreados por participantes a elas afeitos, quando de visitas e participações. Assim sendo, elas ganham maior dimensão e são incorporadas por alguns umbandistas e quimbandeiros, e eventualmente candoblecistas e de uns e outros não raro passam a integrar o repertório dos consulentes. A própria influência mútua entre as várias religiões faz com que haja a citada circulação do palavreado. 

No mais há outro aspecto: se de fato faz parte da linguagem típica, por outro lado não lhe é exclusiva. Algumas destas palavras caem no uso comum fora da comunidade dos terreiros e passam a ter uso bem mais amplo. Contudo, a recíproca também é verdadeira. 

Por tudo isto não houve como diretriz da escolha das palavras deste pequeno glossário, a menor intensão de focar em um único terreiro, tão pouco em incluir palavras exclusivas do vocabulário ritualístico. Não interessa para os limites desta postagem o significado da palavra ebó, por exemplo, ou amalá, ou assentamento. Elas tem uso limitado à religião não à cultura popular associada. Da mesma sorte e por coerência de raciocínio, se fica esclarecido que “compadre” é alcunha de exu, isto basta para a proposta deste blog. Explicar quem é exu e seus atributos é coisa de um estudo religioso ou antropológico e isto já nos extrapola. 

Esteja claro também que esse uso comum de tal vocabulário não está a rigor cerceado pela corrente doutrinária desta ou daquela umbanda: não é limitada à umbanda tradicional ou à traçada ou à esotérica... Repetimos a palavra circularidade, sem rigor, embora possam haver tipicidades específicas. No mais, embora não tenhamos cotejado este vocabulário com o equivalente de outras regiões nacionais, é bom possível, pelo menos no campo hipotético, que muitas destas palavras tenham vasto uso em outras áreas nacionais e eventualmente significados distintos conforme a influência cultural de cada zona geográfica. Outrossim é preciso destacar que seu uso não se restringe a São João del-Rei no Campo das Vertentes, pois várias destas palavras e expressões já as ouvimos em municípios vizinhos, ainda que a coleta para efeito desta postagem tenha sido feita apenas em terra são-joanense.

É mister observar que a linguagem em questão se reveste de ricas figurações, alegorias, que a tornam especialmente interessante para o estudo. Assim, por exemplo, as designações temporais: tempo grande, tempo roxo, trinta tempos... (*) revelam uma forma de interpretação de fenômenos naturais à moda da cultura popular. Outras nitidamente são africanismos ou pelo menos tiveram sua influência: malungo, quizila, malême... Esta parcela denota a resistência cultural de nossa formação étnica. 

O intento é o mero registro cultural, etnográfico e linguístico. Repetimos que não tem finalidade religiosa e aliás, é mister destacar que não pode ser usado como parâmetro de evolução ou estado doutrinário da religião. Como a linguagem é algo muito dinâmico, mutável, esperamos com este humílimo registro deixar consignado para estudos futuros a pequena listagem que se segue.

*  *  *

1.     Agô – desculpas, perdão, misericórdia.
2.     Água forte – álcool, usado externamente em certos descarregos e trabalhos.
3.     Amaci – esfregaço de ervas próprias numa bacia com água para se lavar a cabeça e assim buscar sintonia com as entidades espirituais; “amanci”; banho de cheiro.
4.     Areia doce – açúcar.
5.     Areia salgada – sal de cozinha.
6.  Boca mole – negro velho, referência à fala custosa desses guias, de pronúncia geralmente lenta, cheia de palavras diferentes.
7.     Burro – aparelho espiritual, médium de incorporação, geralmente em linguagem de esquerda.
8.     Cafioto – criança.
9.     Calunga grande – oceano; local onde muita gente morreu afogada.
10. Calunga pequena – cemitério; campo santo.
11. Calunguinha – igreja (no passado havia enterramentos nas igrejas).
12. Cambureco – criança.
13. Canela – vela.
14. Cangira – gira; ingira; sessão; cerimônia. Cangira de baianos: trabalho dos guias baianos; cangira de boideiros: trabalhos dos guias boiadeiros.
15. Cavalo – aparelho espiritual; médium de incorporação, geralmente em linguagem de direita.
16. Cazuá – casa, habitação, construção. “Canzuá”.
17. Comida de Oxóssi – expressão figurada e poética, que não se refere propriamente ao alimento ofertado ao orixá, mas sim às chuvas que caem entre o Dia de Reis (06 de janeiro) e o Dia de São Sebastião (20 de janeiro), tida como especialmente abençoadas. Nesta última data muitos terreiros festejam Oxóssi, em razão do sincretismo com o santo católico.
18. Compadre – exú. Um tratamento intimista, nem por isto desrespeitoso; “meu compadre”.
19. Cortar – sacrificar um animal.
20.Criança – alcunha corriqueira aplicada aos erês, por terem esses guias comportamentos infantis quando incorporados. Habitualmente se diz “meninos” e “meninas”, conforme a roupagem espiritual que assumem em sua manifestação.
21. Cumba – feiticeiro; mandingueiro.
22. Cumbara – terra, no sentido de rincão, cidade. “Nesta cumbara”: nesta cidade; “cumbara distante”: outra cidade.
23. Curimba – canto sagrado ritualístico; ponto cantado; evocação.
24. Curuto – charuto.
25. Dendê – feitiço; mistério espiritual. É uma extensão alegórica absorvida do sentido típico da palavra, um coco africano, cujo óleo é usadíssimo na cozinha ritual. Muitas comidas oferendadas às entidades são regadas ou cozidas a azeite de dendê, que confere axé ao alimento. “Tem dendê...”: tem um mistério envolvido.
26. Derrubada – ação de derrotar um inimigo através da manipulação de forças espirituais. Derrubar através de trabalhos de terreiro.
27. Despacho – ato de despachar algo indesejado ao rito do terreiro; ação de por para fora do terreiro um objeto, velas, alimentos... com o objetivo de retirar do local ou do caminho de um consulente uma determinada entidade.
28. Direita – designação muito arraigada de uma divisão prática das linhas de trabalho da umbanda. Habitualmente formam o que se chama “povo da direita” ou “linha branca”, com características comportamentais, doutrinárias e campo de ação mais ou menos correlatos: negros velhos, caboclos, erês, baianos, marinheiros, boiadeiros, orientais.
29. Dongo - dinheiro. O mesmo que "zimba". 
30. Egum – derivação da palavra africana egungum, que tem hoje nos terreiros o sentido genérico de alma, os mortos, ou especificamente corresponde ao que a cultura popular chama de almas penadas. A conotação hodierna afastou-se um pouco da concepção original da palavra.
31. Entrega – como o nome indica é algo que se entrega a uma entidade: bebida, cigarro, alimento, objeto. O material entregado é a parte material de um pedido. “Arriar uma entrega”: coloca-la no ponto de força da entidade, na sua área de domínio: encruzilhada, estrada de terra,  montanha, etc. Diferencia-se do despacho por não ter o sentido de indesejável e da oferenda por ser esta propriamente um agrado, uma homenagem ou presente. A entrega tem um objetivo específico a ser alcançado, externado no pedido mental ou verbal a uma entidade e pode ser por ela pedido ou inspirado no subconsciente.
32. Escora – exu guardião.
33. Espumante – champanhe; vinho branco doce gaseificado.
34. Esquerdas – designação muito arraigada de uma divisão prática das linhas de trabalho da umbanda. Habitualmente formam o que se chama “povo da esquerda” ou “linha vermelha”, com características comportamentais, doutrinárias e campo de ação mais ou menos correlatos: exus, pombas-giras (bombogira), mirins (exu-mirim e pomba-gira mirim), malandros e conforme a doutrina específica, também ciganos e cangaceiros. São os guias da banda virada ou guias da esquerda.
35. Flor de Omulu – pipoca, usada em oferendas e descarregos.
36. Fundenga – pólvora.
37. Gafanhoto – criança, geralmente no linguajar de esquerda.
38. Guaraná – qualquer refrigerante, independente de ser exatamente de guaraná.
39. Homem – exu. “Homem da meia-noite”: expressão arquetípica, que induz ao pensamento um exu eivado de mistérios.
40. Homem da capa preta – juiz; promotor.
41. Homem da letra bonita – advogado.
42. Homem de saia – padre.
43. Homem do grito – caboclo.
44. Homem que grita alto – pastor.
45. Hora grande – momento da morte.
46. Índio – caboclo.
47. Ingira – trabalho ou sessão; corrente mediúnica em uma determinada linha: “ingira de marinheiros”; o mesmo que cangira ou simplesmente gira.
48. Ingoma – o local do terreiro onde ficam os médiuns da corrente, separados da assistência, onde ficam os consulentes e visitantes.
49. Labutar – trabalhar, tanto no sentido de estar em um serviço quanto em sessão espiritual, na cerimônia.
50. Lume – vela.
51. Macaco – policial, numa gíria arcaica.
52. Maleme – desculpas, perdão, misericórdia. "Malenga". 
53. Malungo – africanismo: companheiro, colega. Sofre corruptela para “marungo”.
54. Marafo (ou marafa) – cachaça. Palavra muito arraigada, seu uso por vezes extrapola o ambiente dos terreiros, onde é típica.
55. Marafo bravo - whisky
56. Marafo forte - conhaque
57. Marechal de Guerra – título aplicado ao orixá Ogum, que se acredita ter sido guerreiro invencível.
58. Matracar – falar, contar algo. Deriva de matraca, instrumento de madeira, barulhento. Bater a matraca, fazer barulho. “Matacar” é corruptela comum.
59. Menga – sangue.
60. Mironga – firmeza de mistério, que não se revela a ninguém. Ter mironga: trazer consigo um patuá ou amuleto; saber como fazê-lo; saber um rito que outros não sabem.
61. Moca – café.
62. Moça – expressão eufemística e carinhosa aplicada às pombas giras.
63. Mulher – pomba gira.
64. Oferenda – oferta de velas, objetos, alimentos, bebidas a um dado orixá ou guia, geralmente em ocasiões festivas ou como sinal de gratidão.
65. Pai Véio – negro velho.
66. Panado – qualquer pano; toalha de bater cabeça; cortina do gongá.
67. Pedra de raio – artefato lítico de origem indígena; machadinha indígena de pedra; meteorito.
68.Pemba – genericamente, qualquer giz; especificamente, um giz próprio, ritualístico, confeccionado de modo a atender com exatidão os preceitos necessários para riscar um ponto.
69. Penosa – galinha.
70. Perna de calça – homem, no sentido de pessoa do sexo masculino, não no sentido de exu.
71. Ponteiro – punhal.
72. Povo – no sentido material refere-se aos parentes, familiares; no sentido espiritual corresponde à egrégora de espíritos que acompanham o médium. Assim, a expressão “seu povo”, para ser corretamente entendida, deve ser contextualizada.
73. Povo da encruza – os espíritos que tem domínio ou ponto de força nas encruzilhadas. Por força de hábito e genericamente se refere aos exus e pombas giras, embora nem todos sejam esquerdas de encruzilhada.
74. Povo da Calunga - os espíritos que tem domínio ou ponto de força nos cemitérios. Por força de hábito e genericamente se refere aos exus e pombas giras, embora nem todos sejam esquerdas de campo santo.
75. Povo das campinas – os espíritos que tem domínio ou ponto de força nos campos, pradarias. Por força de hábito e genericamente se refere aos boiadeiros.
76. Povo das matas - os espíritos que tem domínio ou ponto de força nas florestas. Por força de hábito e genericamente se refere aos caboclos.
77. Povo de rua - os espíritos que tem domínio nas ruas e não propriamente nas encruzilhadas. Por força de hábito e genericamente se refere aos malandros.
78. Pula-pula – congado. "Mexe-mexe". 
79. Quiumba – casta temida de espíritos desprovidos de luz e doutrina, capazes de atos maléficos.
80. Quizila – ojeriza, desentendimento, desarmonia entre médiuns ou entre mediuns e guias, naturalmente por alguma imprudência tomada por desrespeito.
81. Rabo de saia – mulher, no sentido de pessoa do sexo feminino, não no sentido de pomba gira.
82. Rabudo – exu. Termo pejorativo eivado da equivocada concepção oriunda de antigos missionários, que equipararam indevidamente exu a satanás.
83. Rebanho – conjunto de pessoas sobre a proteção de um orixá, guia, dirigente espiritual ou templo.
84. Rei Chefe da Umbanda – título aplicado a São Miguel Arcanjo, considerado supervisor geral da umbanda.
85. Riscador – giz; caneta; lápis.
86. Risco – escrito.
87. Rodador de borracha – carro; veículo. Referência aos pneus.
88. Roncador –suíno. “Carne de roncador”: bife ou pedaço de carne de porco.
89. Roupa branca – médico. Por vezes se diz, “roupa branca da Terra”, médico encarnado, doutor terreno; “roupa branca do espiritual”, médico desencarnado com licença de intervir nas doenças de modo curativo; espírito da chamada corrente médica do espaço, que se atribui a chefia ao Dr. Bezerra de Meneses.
90. Sangue de Cristo – vinho tinto.
91. Sete tempos – uma semana.
92. Tempo curto – um dia.
93. Tempo grande – um ano.
94. Tempo roxo – período da quaresma e Semana Santa, que muitos médiuns se recolhem dos trabalhos espirituais ou trabalham de forma diferenciada.
95. Traçado – bebiba que consiste na mistura no mesmo recipiente de cachaça e cerveja.
96. Trinta tempos – um mês.
97. Vale – cidade; região habitada.
98. Virada – momento da meia-noite, que reconfigura os procedimentos da sessão que o ultrapassa.
99. Vovô / vovó – negro velho / negra velha como espíritos guias de sua prestigiada linha trabalho. 
100. Zóio vermelho – idem. Ter os olhos com esclera avermelhada indica na crença corriqueira dos terreiros em apreço elevada sintonia e sabedoria dos mistérios espirituais. Por extensão e pejorativamente se equivale a feiticeiro. 




Notas e Créditos


* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografia: Iago C.S. Passarelli
*** Sobre as relações do tempo com a cultura popular leia neste blog a postagem:

A LINGUAGEM DO TEMPO