Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A Arte Trapista

Em tempos hodiernos muito se fala sobre reciclagem como uma atitude ecologicamente correta. Nossos artesãos contudo conhecem esta lição desde longa data. Do aproveitamento de aparentes inutilidades surgem peças úteis e de efeito decorativo, nas quais sua criatividade se expressa em formas, cores e soluções inusitadas de composição estética.

Os artesãos que trabalham com tecidos sabem muito bem o valor de um trapo, um pedacinho de pano refugado dos ateliês de costureiras, alfaiates e confecções. Dos retalhos compõem tiras, rodelas, triângulos, semicírculos, trouxinhas (fuxico) e outras figuras, além de recortes figurados e apliques, combinando formas e cores. 

1- Detalhe de um tapete de Santa Cruz de Minas. Década de 1990. 

A criatividade gera peças singulares: vários triângulos de pano costurados em alinhamento e em carreiras sobrepostas a pequena distância cria um imbricamento, simulando o aspecto de escamas de peixe. E assim surge um interessante tapete ou forro para bancos de madeira. Em outra composição, trapos da mesma cor são costurados ao tecido de fundo de forma a compor um losango; por dentro ou por fora outro losango de cor diferente envolve ou é envolvido pelo primeiro, um pouco maior ou um pouco menor, e assim sucessivamente, em geometria que alterna duas cores ou várias. 

Destes trapos surgem peças inteiras, costurados os elementos sobre um tecido mais grosseiro de fundo, não raro um saco de juta, também reaproveitado. Daí surgem forros para montaria (tais como pelegos de arreios e selas), mantos, tapetes, forros de almofada e sofá, panos de mesa (circulares e quadrangulares), cobertura de assentos de carros. Pequenas figuras de trapo colorido são aplicadas sobre outras composições artesanais enriquecendo cortinas, colchas, pet-works, bonecas e bichinhos. 

2- Bonecas artesanais de pedaços de pano.
São João del-Rei/MG - década de 2000.

A arte trapista ainda é muito difundida. Várias regiões a conhecem e nas Vertentes se faz corriqueira nas roças e é comum também nas cidades, utilitária e/ou decorativa, possibilitando renda, passatempo e ensejando a realização de oficinas. Quem não se lembra das tradicionais bonecas de pano? Brinquedo das antigas, fez a alegria de gerações de meninas, hoje em ocaso pela força da modernidade. 

3- Tapetes, Santa Cruz de Minas, década de 2000.
O tapete da quadrícula superior esquerda foi confeccionado com invólucros de balas. 

4- Colcha de retalhos. São João del-Rei, década de 2000. 


5 e 6 - Tapetes de cordão trançado. Artesã: Marilene Resende. 
Bom Pastor de Cima, São João del-Rei. 


Créditos

- Texto, fotografias 4, 5 e 6 e acervo de peças: Ulisses Passarelli.
- Fotografias 1, 2 e 3: Iago C.S. Passarelli.

Notas

- Revisão: 06/08/2025. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Festa do Reinado no Caburu

Feriado de 12 de outubro terá congado

Cartaz-programa da Festa do Rosário de São Gonçalo do Amarante, 2014.
Papel-couché, 42 x 29,5cm, policromia.


Conforme reza a tradição, no segundo domingo de outubro, acontece no distrito de São Gonçalo do Amarante, ex-Caburu, na zona rural de São João del-Rei, a animada Festa do Reinado, em honra a Nossa Senhora do Rosário, quando os dois grupos de congado do lugar, um dos quais, uma centenária guarda de congo, vem à rua louvar a santa querida e recepcionar os congados visitantes de outras cidades. 

O mastro do Rosário já está fincado, desde o domingo passado, 28 de setembro, quando o congo veio à praça após um ensaio geral, ainda sem o fardamento dos dançantes, como é costumeiro.

Mastro do Rosário (esq.) e Nossa Senhora Aparecida (dir.),
das duas guardas do lugar,na festa do ano de 2013. 

A festividade principia na próxima quinta-feira às 19 horas com o primeiro dia do tríduo preparatório na bela igreja daquela vila. No dia seguinte, da mesma forma. No sábado o tríduo é mais cedo, 16:30 horas, com missa participando o coral da comunidade, seguida de uma procissão de Nossa Senhora Aparecida.

Dia 12 de outubro a alvorada ocorre 5 horas da madrugada, com os caixeiros festivamente marchando pela rua, batendo os tambores com o toque típico "Vamos s'imbora, Vitalina!". Pelas nove, aproximadamente, os congados começam a girar pela vila e após o café da manhã, 10:30 horas, uma apresentação do grupo de inculturação Pilão de Inhá, do também distrito são-joanense do Caquende, recebe uma nota especial de atenção. A seguir acontece a entrega dos troféus aos grupos e almoço para os dançantes das guardas. O Reinado é recolhido à tarde, 14 horas, para a missa campal das 15:30 horas, que conta com a participação especial do citado grupo do Caquende. Na sequência acontece a concorrida Procissão do Rosário, que ao se concluir dá lugar à Benção do Santíssimo Sacramento. Está programado para este ano um show de encerramento, com Edivar e os Garotos de São Gonçalo do Amarante. 

O evento é o mais importante do calendário festivo do distrito e uma oportunidade ímpar de ver os congados do lugar em seu ambiente próprio, com toda a rica musicalidade que lhes é característica. A tradição do Rosário tão arraigada a São Gonçalo do Amarante se anuncia mais uma vez, animada e firme, convidando-nos para prestigiá-la.


* Texto e foto do cartaz: Ulisses Passarelli
** Foto dos mastros: Iago C.S. Passarelli
*** Veja também: Vamos'imbora, Vitalina!

sábado, 4 de outubro de 2014

Cabeça, cabeceira, cabeçalho

A cabeça é o símbolo do intelecto, do raciocínio, sede do pensamento, das vontades, elo de ligação do sexto sentido com o mundo espiritual. Dominar a cabeça é dominar o indivíduo. A cabeça é o elemento central da individualidade e do juízo, local da mente, de importantes chacras.

As tradições sobre a cabeça são inumeráveis. "Perder a cabeça" é expressão usadíssima para indicar descontrole diante de uma situação. Equivale a perder o juízo. "Cabeça de vento" e "cabeça de bagre" são indicativos de personalidade fraca, pouca preocupação, falta de responsabilidade, ideias pouco consistentes. Mas na gíria, o sujeito de boa prosa, assuntos relevantes, raciocínio bem coordenado é um "cara cabeça", ou tem "cabeça boa", ou simplesmente que o sujeito é "cabeça". "Passar a mão na cabeça" é encobrir faltas, ser conivente com os erros de fulano de tal. "Fazer a cabeça" é uma expressão comum na umbanda, na quimbanda, no candomblé com o sentido de se deixar batizar no santo, no orixá regente da cabeça do médium. "Cabeça feita" tem este sentido religioso de preparação espiritual completa e por extensão um significado secular de inteligência, experiência, equilíbrio: "fulano é cabeça feita", quer dizer, tem suas próprias opiniões e não se deixa influenciar.

A Bíblia relata a tocante morte de São João Batista por decapitação induzida pela maliciosa filha de Herodíades (que se chamava Salomé, segundo fontes apócrifas), sendo sua cabeça ofertada num prato (Mt. 14, 1-11; Mc.6, 14-29). Noutro episódio mais remoto, Judite corta a cabeça do perverso Holofernes (Jdt.13, 9-11). Na famosa Procissão do Enterro, aqui mesmo em São João del-Rei (e em outras cidades) vemos entre os figurados, os personagens bíblicos com roupas de época carregando horrendas cabeçorra de papel-machê para relembrar Salomé e Judite. Sua presença desde sempre desperta a curiosidade das crianças.

Uma das invocações marianas é Nossa Senhora da Cabeça, para quem se reza à procura de boa mente, ideias claras, reflexão positiva ante questões complicadas, contra loucura e para combate à cefaleia (dor de cabeça).

Evita-se deixar outras pessoas tocarem nossa cabeça com as mãos pois transmite influências negativas para si, ou pode-se ficar dominado por quem passou a mão. Criança ao contrário não há problema em razão da proteção especial que usufruem em virtude de sua inocência.

Uma tradição imemorial e cosmopolita é a das figuras de proa, muitas vezes representando cabeças entalhadas na ponta dos barcos, daí serem também conhecidas por cabeças de proa. Por vezes de fundo totêmico, outras vezes em função de amuleto, ou como mero adorno, em várias culturas se apresentam configurando dragões, touros, carrancas, leões, seres mitológicos e antropomórficos.

No imenso interior, longe das grandes águas, o costume é entalhar cabeças na ponta de bastões e em outros objetos, evocando por vezes elementos do mundo espiritual. Para Saul Martins essas cabeças esculpidas são sinais de totemismo “forma primitiva de religião, espalhada entre quase todos os povos autóctones do mundo”. Enquadra nessa categoria as carrancas do vale do Rio São Francisco, arrematando o bico das embarcações (cabeça de proa). Cita também as cabeças esculpidas em “coronha de espingarda, no pau da bengala, na tampa do polvarinho”. Pode-se ainda exemplificar: em bastões de capitães de congado, cajados de negros-velhos da umbanda, cetros de reis das festas do Rosário, cabos de relhos, em cabos de canivetes, facões e facas [1].

Cabeça aparece também com o sentido de ponta, extremo. Cabeça do prego, cabeça da tachinha, cabeça do cravo: local no qual se bate para fincá-lo. A glande é a "cabeça" do pênis. 

Cabeçalho do carro de bois é a extremidade afilada na qual se atrelam a junta de bois de canga (sob o jugo), em uma alça de ferro.

Cabeceira é o local da cama onde se deita a cabeça, oposto aos "pés" da cama. A cabeceira é local do repouso e sobre ela não se deposita objeto algum, nem tecidos de cor escura (referência à densidade energética). Isto poderia afetar a qualidade do sono. É a parte da cama onde se apoia a cabeça para deitar. Simbolicamente é lugar onde o anjo-da-guarda nos zela, onde está a força de nosso juízo. Portanto é onde se deve por imagens de santos e objetos bentos para proteger a pessoa, terços pendurados, medalhinhas de santos, cordões bentos; livros escolares para as crianças apanharem gosto pelo estudo. Assim não se deve deitar ao revés, ou seja com os pés na cabeceira pois prejudica estas proteções. Dormir no lugar do outro ou com seu travesseiro absorve os segredos de sua cabeça e assim se descobre seus mistérios (informações orais de diversas fontes, São João del-Rei, 2001). 

Cabeceira é também o olho d'água, mina, nascente de um curso d’água. "Chuva de cabeceira" é a chuva que cai no rumo das nascentes, abastecendo os mananciais. Em um rebanho bovino, as vacas leiteiras da melhor qualidade do plantel, produzindo a maior quantidade de leite são as "vacas de cabeceira" ou "vacas de ponta-de-mojo". 

Em São João del-Rei, como também em Resende Costa, houve o famoso Bloco dos Cabeções, agremiação carnavalesca de outrora, formada por estafermos cabeçudos, saudosos bonecões macrocefálicos gingando no ritmo do momo. 

Os congadeiros sabem muito bem que a melhor forma de saudar ao mastro é bater-lhe a cabeça de leve, tocando a testa em sua madeira, uma vez pelo menos, ou três, número ideal, sempre se pedindo licença antes, pois o mastro tem um dono. Em geral os capitães adotam para si e seus soldados algum tipo de cobertura para a cabeça, tendo cada guarda de congado seu estilo que ultrapassa o sentido de uniforme: chapéu, boina, quépi, casquete, turbante, lenço, boné, capacete, cocar. Acham temerosa a cabeça exposta no momento do congado, pois pode dar entrada a maus pensamentos. Dizem então, que ter a "cabeça pelada" faz mal. 

As bandeiras sagradas das folias servem também ao ritual de abençoar a cabeça. Os devotos das casas visitadas beijam a bandeira da companhia de foliões e a passam sobre a cabeça num giro, principalmente sobre a cabeça das crianças, que é para apanhar juízo. Os congados fazem semelhante mas entre as folias é bastante típico [2].  

Desde a antiguidade clássica, com os monstros gregos mitológicos de múltiplas cabeças (Cérbero, o infernal cachorro guardião e a Hidra de Lerna, morta por Héracles), que as tradições sobre a cabeça são numerosas e de imensa amplitude geográfica.

1- Abafamento: firmeza realizada em terreiro de umbanda para tranquilizar uma cabeça 
(retirar conflitos de pensamento, acalmar, neutralizar formas-pensamento persistentes).
São João del-Rei, 03/11/2023. 

2- Cabeça de cera, despachada na margem da Cachoeira do Meio, Serra de São José
Santa Cruz de Minas. Proveniente rito de terreiro de matriz africana, com várias funções - cura de uma doença ou dor na cabeça, mudanças de pensamentos, acalmar o estado psicológico. 03/05/2025.
 
3- Carantonha entalhada na casca de uma árvore (candeia da serra). 
Vale do Areão, Complexo Serra do Lenheiro, São João del-Rei, 06/03/2010. 

4- Carantonha entalhada na rocha de embasamento, Cachoeira do Chuveirinho,
Serra de São José, Santa Cruz de Minas, 04/03/2012.
 

5- Amaci: cerimônia umbandista de zelo pelo "Ori", o núcleo espiritual contido na cabeça,
que inclui momento máximo da lavagem com ervas específicas. São João del-Rei, 08/12/2025. 

6- Bastão de moçambiqueiro, cuja iconografia popular evoca as almas de ex-escravizados,
os pretos velhos das religiões de matriz africana. Passa Tempo/MG, 08/06/2014. 


 
7- Casaca: reco-reco construído em madeira (tajibubuia), escavado em forma de cocho (caixa de ressonância), 
com uma cabeça esculpida na extremidade. Lasca de bambu com entalhes encobre a escavação. 
Bastão de raspar de madeira dura (braúna). Nova Almeida (Serra/ES), 2000. Foto: 26/03/2011.

 
8- Ex-voto: madeira entalhada. Vila de Ponta Negra (Natal/RN) - 
em um cruzeiro que foi removido pelo crescimento urbano, c.1997. 
Foto: 26/03/2011. 

 
9- Ex-voto: madeira entalhada. Vila de Ponta Negra (Natal/RN) - 
em um cruzeiro que foi removido pelo crescimento urbano, c.1997.
Representação da lesão auditiva (pintura em vermelho), motivo da graça
alcançada, que motivou a produção do ex-voto. Foto: 26/03/2011. 

Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.
- Fotografia: Ulisses Passarelli (1 a 4), Victor Vieira (5) e Iago C.S. Passarelli (6 a 9). 

Notas

[1] Outro exemplo é a casaca (reco-reco de madeira, usado pelas bandas-de-congos no estado do Espírito Santo), que termina por uma cabeça de boneco entalhado no corpo do instrumento.

[2] Uma extensão dos temas desta postagem poderá ser avaliada no texto sobre o folclore do cabelo.  

- Revisão e acréscimo de fotografias: 26/05/2025. 

Referências Bibliográficas


- Bíblia Sagrada. São Paulo: Ave Maria, 1965.

- MARTINS, Saul. Os Barranqueiros. Belo Horizonte: UFMG / Centro de Estudos Mineiros, 1969. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Oração do Peregrino e o Cabrujeiro

No universo da cultura popular, cabrujeiro é o sujeito que mexe com magia negativa. Espécie de feiticeiro. Diz uma das versões da “Oração do Peregrino”: 


“Oração do Pelengrino, 
quando Deus era menino,
que andava pelo mundo 
com sete candeias acesas 
e sete livros a ler: 
feiticêro, mandinguêro, cabrujêro 
catimbozêro e canjerista, 
comigo não tem poder! 
Nem de dia, nem de noite
nem hora nenhuma, amém!” 

Sua jaculatória completa diz: “Deus pode! Deus quer! Eu também quero e posso e faço enquanto quiser!” [1]

A origem do termo não é evidente e vem carregado de repulsa. Talvez o termo cabrujeiro possa estar corrompido: AULETE (1978) registra o verbete cabungueiro como: a) “indivíduo encarregado do despejo ou recolhimento de cabungos” (= penico, urinol, latrina); b) “sujeito porco ou desprezível” ... Aí estaria o sentido de opróbrio social aos praticantes? Outro possibilidade advém do termo popular cabreiro, ou seja, aquele que adota comportamento semelhante ao de um "cabra" (sujeito, pessoa interiorana desconfiada, que não revela sua verdadeira personalidade). Cabreiro equivale a dúbio, temeroso, dissimulado (conforme o contexto da narrativa. Talvez, porém, seja alteração de cabuleiro, praticante da cabula, religião mediúnica de matriz africana, origem banto, descrita no passado para o estado do Espírito Santo (CASCUDO, s/d), mas quiçá conhecida em outras paragens. Noutra possibilidade, Cascudo registra no seu dicionário o verbete ‘caborje’ no sentido de amuleto, patuá, mandinga defensora. Cabrujeiro poderia ser “caborjeiro”, o feiticeiro que prepara caborjes? Ou talvez, um pouco de todas esses sentidos... 

De qualquer forma está implícito nesta oração a preocupação de se livrar dos encantadores, ao se enumerar vários estilos de práticas religiosas e exorcizá-las com palavras que apelam para o número cabalístico sete, símbolo da totalidade espiritual. A Oração do Peregrino visa abrir os caminhos dos empecilhos tramados pelos inimigos que trabalham na magia, com o mundo desconhecido, místico, espiritual, acreditando-se que rezando-a com fé, tais feiticeiros não terão poder, em hora nenhuma, amém! 

Face de Cristo simbolizando a toalha da Verônica. Detalhe de um cruzeiro.
Largo da Cruz (Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno).
São João del-Rei/MG, 2013. 


Referências 

CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário Brasileiro de Folclore. Rio de Janeiro: Ediouro, [s.d]. 930p.

AULETE, Caldas. Dicionário contemporâneo da língua portuguesa. 3.ed. Rio de Janeiro: Delta, 1978. 5v. 3998p.

Créditos

- Texto e fotografia: Ulisses Passarelli. 

Notas 

- Revisão: 17/09/2025
[1] Informante: sra. Elvira Andrade de Salles, Santa Cruz de Minas, 1995.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

São Miguel, arcanjo guardião

O dia de hoje é consagrado ao respeitadíssimo Miguel, o arcanjo, o santo, aquele que segundo  a Bíblia expulsou satanás do céu (Ap. 12, 7). É lembrado, venerado ou respeitado em várias religiões em muitas partes do mundo: em várias correntes do cristianismo (catolicismo romano e ortodoxo, adventistas, testemunhas de Jeová, mórmons, anglicanos, luteranos, na fraternidade branca), no judaísmo, no islamismo, no espiritismo. 

No Brasil, nos terreiros de religiões de matriz africana, goza de imenso prestígio. Vi em 2002 sua invocação antes de começar sessões de quimbanda na região do Cassoco, no centro de São João del-Rei. Nos terreiros e tendas de umbanda via de regra sua imagem está em posição de destaque e ganha uma vela branca na abertura dos trabalhos, pois recebe o título de Rei Chefe da Umbanda, elevadíssimo supervisor geral de todas as linhas e falanges de espíritos. 

Prestigiado pelos católicos sob o título "Glorioso Príncipe da Milícia Celeste" é considerado líder da corte angelical e comandante dos exércitos divinos. É invocado contra espíritos do mal, nos exorcismos, e em sufrágio das almas, de quem é guardião. O demônio estremece diante de seu nome e poder, sendo ele fidelíssimo a Deus, elevadíssimo na esfera hierárquica celeste.

Pesa nossos pecados e méritos com muita justiça, procedimento decisivo para o julgamento final. Daí ser representado com uma balança na mão. Tem o poder de resgatar almas aprisionadas em locais de sofrimento, de acordo com a ordem suprema e merecimento. 

Diante destes atributos e do título bíblico de "Um dos Primeiros Príncipes" (Dan. 10, 13), seria de fato esperado sua extrema popularidade, com reflexos nas expressões religiosas e folclóricas. 


Pintura popular no verso de uma camisa de congadeiro de
Santa Cruz de Minas, representando São Miguel subjugando o demônio - 2014.



Em Santa Cruz de Minas foi fundado no ano de 2004 um congado em honra ao glorioso arcanjo pelo Capitão Luís Pereira dos Santos, mais tarde passado para o Capitão Danilo Francisco de Assis, em cujas mãos permanece. A fotografia acima mostra a parte das costas da camisa de um congadeiro desse grupo, com a pintura popular representativa do patrono daquele catupé. O grupo pode ser visto retratado abaixo.


O congado de São Miguel, em Santa Cruz de Minas - 2004. 

Na Candonga (Tiradentes/MG), durante a festa da padroeira neste ano, foi benta a Gruta de São Miguel, uma iniciativa comunitária sob a liderança e idealização de Luís Pereira do Santos, congadeiro supracitado. Idealiza-se levantar uma festa para o arcanjo naquela localidade.


Gruta de São Miguel, Candonga (Tiradentes/MG), 2014.


A devoção a este santo é muito arraigada nas Vertentes. Em São João del-Rei a Irmandade de São Miguel e Almas data de 1716 e persiste atuante na Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, cuidando da festa em sua honra. O altar de São Miguel neste magnífico templo é o altar lateral da direita, com a grande e antiga imagem do santo ao centro, aqui retratada, de autoria desconhecida, que se diz ter pertencido à igreja velha do Pilar que houve no Bonfim antes da construção da catedral (1721). É ladeada por dois outros arcanjos, Gabriel e Rafael, de confecção recente por artistas da terra (*). A irmandade está relacionada também à devoção às almas, tanto que num escudo neste altar se encontra a pintura alusiva ao purgatório e ainda, às segundas-feiras, se responsabiliza pela missa em sufrágio aos mortos.

Imagem de São Miguel Arcanjo.
São João del-Rei, Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar.

A festa em questão, em São João del-Rei, é antecedida por um tríduo noturno, seguido da celebração festiva, ouvindo-se músicas sacras orquestradas, de Geraldo Barbosa de Souza, João Feliciano de Souza, Martiniano Ribeiro Bastos e Padre José Maria Xavier, executadas pela Lira Sanjoanense. A procissão no dia principal, conta com a saída do grande andor com as imagens dos três arcanjos no dia 29 de setembro, com acompanhamento pela Banda de Música Theodoro de Faria. A festa porém prossegue com uma nova procissão, ou antes rasoura, dedicada aos Anjos da Guarda, dia 02 de outubro, com grande participação de crianças. 


Imagem de São Miguel Arcanjo.
São Miguel do Cajuru
(São João del-Rei) - 1999.



Na zona rural o maior destaque é a devoção que lhe é atribuída no distrito de São Miguel do Cajuru desde tempos iniciais da mineração aurífera nesta vila são-joanense. Aí foi erigida a capela, hoje matriz, de São Miguel Arcanjo, que ainda hoje sedia importante festividade capaz de congregar grande parte da população rural daqueles arredores. A programação é intensa e concorrida e a tradição de se fincar um mastro ao santo querido permanece. 


Mastro de São Miguel Arcanjo.
São Miguel do Cajuru
(São João del-Rei) - 2000. 



Em Santa Cruz de Minas recolhi certa feita uma versão do Romance de São Miguel, uma composição poética popular, cantada, que narra como o arcanjo, atendendo a um pedido de Nossa Senhora, vai até o inferno acompanhado de três anjos para resgatar uma alma tomada por satanás (**): 


"_ Ôh Miguel, ôh, Miguel!
Leva três anjos na guia,
vá buscar aquela alma, 
traz na tua companhia!

_ Ôh, de casa, ôh de casa!
(O inferno estremeceu...)
Vim aqui, buscar uma alma,
que Jesus Cristo me deu!

_ Vai-te, embora, ôh Miguel 
que essa alma eu não te dou,
que ainda ontem faz três dias
que essa alma aqui chegou!

_ Eu daqui não saio,
nem que passa quinze ano,
que ainda ontem faz três dias
dessa alma reclamando...

_ Ôh, gente, venha ver
o milagre de Maria, 
ontem estava no inferno, 
hoje no céu de alegria."


Existem outras versões regionais deste canto notável, como ouvi na Candonga (Tiradentes) e Santa Rita do Ibitipoca (***). Desta última:  


"Ôh, Miguel, tu vai no inferno, 
leva três anjos na guia
vai apanhar aquela alma
traz na tua companhia. 

Ela agora está sofrendo, 
já pagou o que ela fez, 
Agora chegou a hora
e chegou a sua vez." 


A Oração de São Miguel é reveladora das esperanças que o povo fiel nele deposita: 


"São Miguel Arcanjo, 
valei-nos no combate,
contra os embustes e ciladas do demônio!
Ordene-lhe, Deus,
instantemente pedimos, a vós, São Miguel Arcanjo,
digníssimo Príncipe da Milícia Celeste: 
precipitai no inferno a satanás
e aos outros espíritos malignos que andam pelo mundo a perder as almas!
São Miguel, São Gabriel, São Rafael ...
Milícias todas do céu, 
legião dos anjos da bem-aventurada Virgem Maria, 
rogai por nós e valei-nos. 
Amém." 


O grande guerreiro Miguel desta forma marcou profundamente o imaginário popular. As tradições cristãs fizeram dele o guardião supremo, invencível, de ação fulminante e irrevogável. Como diz o Livro de Enoch, ele "preside à virtude dos homens e comanda as nações" (19: 5) e quem for seu inimigo terá Deus por inimigo, segundo o Alcorão (2: 98). 

Referências na Web

Miguel (arcanjo). Wikipédia. Acesso em 29/09/2014.

Referência Bibliográfica

Bíblia Sagrada. São Paulo: Ave Maria, 1965.
O Alcorão. Tradução Mansour Chalita. Rio de Janeiro.
O Livro de Enoch: o livro das origens da cabala. São Paulo: Hemus, 1977. 212p.
Piedosas e solenes tradições de nossa terra. São João del-Rei: Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, 1997. v.2. 


* Escultura: Miguel Randolfo de Ávila. Policromia: Carlos Magno de Araújo. Datam de 1981.
** Informante: Elvira Andrade de Salles, 1995, moradora de Santa Cruz mas natural da zona rural de Bias Fortes. 
*** Informante: Júlio Prudente de Oliveira, 1996. 
**** Texto e fotos: Ulisses Passarelli
***** Foto da camisa com pintura de S. Miguel: Iago C.S. Passarelli, 07/06/2014.

sábado, 27 de setembro de 2014

Oração de São Cosme e São Damião

Hoje é o "verdadeiro dia das crianças", sempre o tenho repetido, a cada 27 de setembro, que Deus me permite assistir de novo. A criançada buliçosa, por essas horas já demanda pelas ruas a pedir balas. Recebem guloseimas, correm despreocupadas por aí, insaciáveis do açúcar bendito deste dia. 

A alegria delas é notória e não atinge apenas aqueles mais abastados, que tem a oportunidade de ganhar um presente dos pais, como no 12 de outubro. A satisfação é mais espontânea e disseminada. 

Em muitos espaços sagrados de práticas religiosas de matriz africana, a atividade neste dia é extraordinária, com oferendas para os erês (entidades espirituais da Linha das Crianças), sob à égide dos dois santos queridos, e dos orixás Ibeiji (candomblé) e Oxalá (umbanda). Na grande mescla cultural do brasileiro, também muitos devotos dos santos gêmeos, sem nenhuma ligação com os terreiros, oportunizam às crianças a distribuição de balas e doces, para sua grande alegria. 

Em São João del-Rei uma velha oração (abaixo transcrita) demonstra a fé popular nos santos queridos, que foi cedida por uma pessoa desde sempre, extremamente católica. 


São Cosme e São Damião
Irmãos em Jesus Cristo,
Peço de todo coração
Alcançai-nos as graças que eu vos peço (...)
São Cosme e Damião,
Aqui estamos.

Irmãos queridos
E vos pedimos com fervor
Protegei-nos agora e sempre
Pedimos com fé e a amor.

Peço a cura para uma enferma
Tenho esperado com aflição
Alcançai-me de Jesus Cristo
Irmãos Cosme e Damião
Aqui estamos.

Pedimos com fé e amor
Dê a paz ao mundo inteiro
Sossego aos nossos corações
Pede Maria medianeira.
Aqui estamos.

Abençoai as crianças
E também os anciãos
Protegei a mocidade
Irmãos Cosme e Damião.

Peço socorro para os desempregados
Pois aflitos eles estão
Os moços e pais de família
Socorrei nossos irmãos.

Livrai-nos da peste, fome e guerra
Atendei esta oração
Guiai-nos para o bom caminho
Irmãos Cosme e Damião
Aqui estamos.

Oferendas de balas para os erês,
em um congá de umbanda de São João del-Rei, diante da
imagem de São Cosme, São Damião e Doum.  


Créditos

- Informante: minha bisavó materna, Luíza dos Santos, São João del-Rei, Centro, a partir de um manuscrito da própria, datado de 01/05/1962. 

- Texto e fotografia: Ulisses Passarelli.

Notas 


- Revisão: 06/09/2026. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Dia Maior das Mercês

Desde a madrugada de ontem, quando os foguetes e os acordes da Banda Municipal Santa Cecília irromperam a alvorada festiva em São João del-Rei, o dia todo, um intenso ambiente devoto e festivo parte da colina das Mercês. 

Do alto da bela igreja a palavra evangelizadora ecoa pela cidade invocando a Santa Mãe, rogando mercês, sublimando louvores, admoestando deslizes. A Orquestra Lira Sanjoanense com a notória marca de vida desde o remoto ano de 1776, se esmera na execução de partituras sacras de nossos compositores. 

O povo vem, entende o convite do sino. Na Mais Barroca Cidade de Minas, a noite de 24 de setembro, revela a solidez de uma expressão devocional, calcada em séculos de uma tradição, que não dá mostras de arrefecimento. Pelo contrário, desabrocha num vigor notável. 

Os patronos São Pedro Nolasco e São Raimundo Nonato também saíram à rua em procissão à dianteira do andor da Santa Mãe. A Banda de Música Theodoro de Faria esteve esplêndida como de costume. Não poderia faltar, a execução da tradicional  Marcha das Mercês, de Luiz Baptista Lopes. 

O costume dos foguetórios em nossas festas religiosas atinge o ponto máximo nas Mercês, digno de ser chamado de espetáculo pirotécnico, pela seleção de cores, sons, tipos, posicionamento, sincronia e segurança, desenhando o céu com luzes. 

Nas imagens abaixo podem ser apreciados alguns momentos, que deixam saudades aos devotos que assistiram e desejo de conhecer naqueles cuja presença não foi possível. 

Igreja das Mercês no seu dia maior. 

A Santa Mãe das Mercês.

São Pedro Nolasco e Nossa Senhora das Mercês em seus andores.

São João del-Rei, Terra Cristã. 

Devoção.

Flagrante do espetáculo pirotécnico. 

Multidão de fiéis no largo.

Tapete de rua: o brasão mercedário.
* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotos: Iago C.S. Passarelli

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O folclore dos dentes - parte 4


Os dentes na poesia popular

A música e o canto estão profundamente agregados à vida humana e o brasileiro não foge à Os povos formadores eram muito afeitos ao canto e à dança: "filho de raças cantadeiras e dançarinas o brasileiro, instintivamente, possui simpatias naturais para essa atividade inseparável de sua alegria. Canto e dança  são as expressões de sua alegria plena. É a forma de uma comunicação mais rápida, unânime e completa dentro do país." (CASCUDO, 1984).

De fato não seria compreensível que os dentes, que tanto significam no panorama da cultura popular, ficassem de fora da poesia cantada ou recitada no Brasil. Um estudo neste sentido nos estados revelaria precioso material folclórico.

Em virtude da imensidão que tal pesquisa representaria, não obstante sua relevância, ora limita-se esta página a expor uma pequena coleção de versos populares que recolhemos em São João del-Rei na década de 1990, salvo indicação em contrário. 

Figuram os dentes em peças soltas do cancioneiro folclórico: 

"Eu tô doente, morena!
Doente, eu tô, morena!
Com uma dor de dente, morena!
Vou no doutor, ôh!

Eu tô doente, morena!
Doente, eu tô, morena!
Com uma dor de dente, morena!
Tô! E tô! E tô!"

"Tô" é corruptela comum de "estou", por contração, assim como "doutor" é pronunciado "dotô". Correm variações destes versos. Algumas manifestações culturais de congado, do tipo catupé, os absorveram e assim, congadeiros de São João del-Rei e Santa Cruz de Minas os cantam. Ainda entre congados tem-se outros exemplos, mesmo nos catupés dessas cidades [1]

"Dentin' de ôro...
Dentin' de ôro, adornado de marfim!
Nêgo véio gosta de toco, 
morena gosta de mim, ai, ai!"

No congo do distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno é corrente esta cantiga em ritmo de caixa corrida, uma homenagem ao reinado: 

"Ela é bonitinha,
ela é engraçadinha,
tem dentin' de ôro,
ô, senhora rainha!"

O uso do dente de ouro foi muito comum. Nos tempos idos era representativo de fartura, ostentação de posses. Depois, elemento estético, favorecido pela abundância em Minas Gerais e excelência do metal nobre para trabalhos protéticos. Coroas, facetas e incrustações usando o nobre metal marcaram época e se disseminaram. Alguns povos ciganos ainda o conservam o hábito de usar ouro nos dentes, a tal ponto de ser-lhes característico nesta região, daí, o povo dizer, que, quando alguém tem vários dentes com aplicação de ouro, "parece um cigano". Não é de espantar que o tema do dente de ouro marcasse a poesia folclórica. 

Houve mesmo um facínora dos sertões alcunhado "Dentinho de Ouro", de quem disse o folclorista que "não conheço versos narrando as aventuras dos criminosos do sul do país, um Dente de Ouro, com o romance de menotti Del Picchia (S. Paulo, 1923)" (CASCUDO, 1982, p.15); no entanto, dele colhemos fragmentos de um romance: duas quadras originárias de Bias Fortes, na Zona da Mata mineira, mas região de intercâmbio cultural com o Campo das Vertentes, dada a proximidade física. 

"Num sabe o que aconteceu,
lá na zona do sertão:
mataram Dentin' de Ôro,
era o rei dos valentão!

No dedo dele tinha
um anel tão grande!
Tinha um anel de ôro,
com duas pintas de sangue..."

Ainda mais um exemplo, como uma quadrinha de amor procedente do Elvas (Tiradentes/MG) [2]

"Você está rindo pra mim
vi seus dentes lumiar.
Os meus eram de ouro,
eu arranquei para te dar."

Nas brincadeiras infantis o dente também é lembrado, como neste terceto, uma estronice recitada ainda nos anos 1970:
,
"Vicente Cachorro-quente,
caiu na enchente,
quebrou dois dentes!"

Os dentes deixaram uma forte influência na criação cultural do povo. Em muitas direções pode ser rastreada, com contribuições em todos os estados da federação. Nessa região, de velha colonização desde o ciclo do ouro pela força bandeirante e emboaba, não poderia ficar de fora. Na próxima parte do "Folclore dos Dentes" serão abordadas as ações curativas sobre as afecções dentárias. 

Incrustação em ouro entre os incisivos centrais.
São João del-Rei/MG. 

Referências

CASCUDO, Luís da Câmara. Flor de romances trágicos. 2.ed. Natal: Fund. José Augusto; Rio de Janeiro: Ed. Cátedra, 1982.189p.

CASCUDO, Luís da Câmara. Literatura Oral no Brasil. 3.ed. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Ed.USP, 1984. 435p. p.37. 

Créditos

-Texto: Ulisses Passarelli
- Fotografia: Iago C.S. Passarelli, 2014

Notas 

[1] Esta quadra do "dentinho de ouro" tem esta variante como trova, informada em Santa Cruz de Minas, pela Sra. Elvira Andrade de Salles (c.1997):

"Tenho o meu dentin' de ôro,
adornado de marfim;
os moço nasceu pras moça, 
as moça nasceu pra mim."

[2] Gentilmente cedida por Luthéro Castorino da Silva, de São João del-Rei, a quem o Blog agradece.
 
- Revisão: 17/01/2026.

domingo, 21 de setembro de 2014

Festa do Rosário no Bairro São Geraldo

Acontece neste momento, em pleno dia de Santa Efigênia, a Festa do Rosário no Bairro São Geraldo, em São João del-Rei. A missa matutina congregou na igreja do redentorista São Geraldo Magela muitos congadeiros de São João del-Rei e de cidades visitantes, como Coronel Xavier Chaves, Conceição da Barra de Minas, Conselheiro Lafaiete, Cláudio e Barroso. 

O largo demarcado por quatro mastros (Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia, São Benedito e Santo Antônio Catigeró) apresenta-se animado e ritmado por vários estilos de congado. 

Como uma nota digna de louvor notou-se hoje a presença do mais novo congado da região, o Moçambique Santa Efigênia, de São João del-Rei, do próprio bairro, sob os cuidados do experiente Capitão Tadeu Nascimento de Sousa. o grupo fez sua primeira apresentação pública hoje, na festa. 

Na parte da tarde, divididos em dois cortejos, os congados buscam os reis e rainhas e sua corte para a chamada. Conclui-se com apresentações culturais tais como a capoeira e o maracatu, e, por fim, com a descida dos mastros, às 18 horas. 

De parabéns a comunidade por mais esta realização, muito tradicional, iniciada em 1958. De um modo especial fica consignada a parabenização à Associação de Congado Santa Efigênia e ao Grupo de Inculturação Raízes da Terra pelo êxito das festividades.


O novo grupo: Moçambique Santa Efigênia, de São João del-Rei.

Congadeiros na missa durante a Festa do Rosário. 

Congado de Barroso.

Mastro de Santa Efigênia em primeiro plano e ao fundo o do Rosário. 


Rei e Rainha da guarda de marujos de Conselheiro Lafaiete. 

A querida Santa Efigênia. 


Notas e Créditos

* Texto e fotos (21/09/2014): Ulisses Passarelli