Bem vindo!
Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.
ULISSES PASSARELLI
Outros trabalhos
- Festa do Divino
- Festa do Rosário
- São Sebastião
- Festas juninas
- Cosme e Damião
- Santa Cruz
- Medicina Popular
- Carnaval
- Linguagem Popular
- Lúdica infantil
- Culinária
- Lendas & Contos
- Folk-comunicação
- Almas
- Congado
- Folias
- Calango
- Bois
- Judas
- São Gonçalo
- Corpo
- Artigos
- Artigos Acadêmicos
- Folclore de outras terras
- Vídeos
- Links sugeridos
terça-feira, 5 de março de 2019
O Bloco do Boi de Caiado: uma ferramenta do resgate do tradicional carnaval de Coronel Xavier Chaves
Lesma Lerda: o bloco gigante, que não é lerdo!
![]() |
| Aspecto geral do Bloco Lesma Lerda, com apresentação de capoeiristas no momento que dançavam o maculelê. |
quarta-feira, 5 de março de 2014
Os Caveiras: um bloco especial no carnaval são-joanense
* Texto e montagem fotográfica: Ulisses Passarelli
domingo, 2 de março de 2014
São João del-Rei: algumas imagens dos blocos
![]() |
| Estandarte abre-alas do Bloco os Caveiras, 03/03/2014. |
| Bloco os Caveiras, 03/03/2014. |
| Bloco Recordar é Viver, 03/03/2014. |
![]() |
| Bloco Vamos a La Playa, 03/03/2014. |
![]() |
| Bloco Vamos a La Playa, 03/03/2014. |
![]() |
| Bloco Carnaval de Antigamente, 02/03/2014. |
![]() |
| Bloco Gato de Botas, 27/02/2014. |
![]() |
| Bloco Largo do Carmo, 28/02/2014. |
![]() |
| Bloco Mascaretis, 01/03/2014. |
![]() |
| Bloco Unidos do Aragê, 23/02/2014. |
* Fotos: Ulisses Passarelli e Iago C.S. Passarelli
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
O Bloco do Amor e outras memórias da Rua Antônio Rocha
![]() |
| Busto de Antônio Rocha na Praça dos Ferroviários no início da rua em questão. |
| Placa indicativa do nome da rua, afixada na parede externa de uma casa. |
| Cruzeiro e Gruta do Divino, aspecto da Rua Antônio Rocha e a Rua Antônio Josino Andrade Reis pouco antes da urbanização. |
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Alguns personagens do carnaval de São João del-Rei
![]() |
| Bloco Unidos do Aragê: da Rua João Wilson de Souza, no Bairro Araçá, descem bonecos, boi, animada bateria! Foto: Ulisses Passarelli, 23/02/2014. |
![]() |
| Bloco Lesma Lerda: fantasmas que não assombram mas alegram o carnaval são-joanense. Foto: autor não identificado, 1996. |
![]() |
| Bloco Os Caveiras: uma múmia desfila entre bruxas, esqueletos, zumbis, homens do saco, agentes mortuários. Foto: Ulisses Passarelli, 11/02/2013. |
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Programação do carnaval 2014 em São João del-Rei
![]() |
| Casal de mandus, fantasia muito antiga e tradicional, flagrada no Bloco Lesma Lerda. Foto: autor não identificado, 1996. |
![]() |
| Banda de Marchinhas no Carnaval de Antigamente. São João del-Rei/MG, 2013. |
![]() |
| Manchete jornalística dos anos 30, enaltecendo o carnaval da cidade. |
![]() |
| Nêga Maluca, no carnaval são-joanense. Foto: autor não identificado, 1998. |
Todos estes grupos se filiam a duas associações, AESBRA e ABBC del-Rei.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Antigos Carnavais de São João del-Rei
![]() |
| Aspecto parcial do bloco "Carnaval de Antigamente", no Largo do Rosário, São João del-Rei, 2013. |
Os velhos jornais aqui editados são fartos em informações sobre o carnaval e se revelam uma fonte preciosa de pesquisas. De suas páginas sabemos do gosto pelo entrudo desde os oitocentos, um extrovertido jogo de jatos d'água entre os brincantes do momo, por meio de grandes seringas chamadas bisnagas, ou mesmo baldes e bacias; guerra de limões e laranjas de borracha ou cera, que continham perfume e estouravam ao contato com o corpo pela força do arremesso; batalhas de farinha.
Esta prática a tivemos da península ibérica. Derivado do latim introitus ("entrada", referência à chegada do período quaresmal), no Brasil e Portugal o termo é o mesmo, entrudo; já na Espanha existem variações, segundo José António Fidalgo Santa Mariña (***): entroido (Galiza), antruxu (Astúrias e Léon), antroydo (León e Cantábria), entruejo (Sanábria, Zamora).
Porém o entrudo, embora que durante um período fosse uma das maiores características do carnaval, não agradava a muitos. O velho costume foi em verdade combatido pelas autoridades. O artigo 153 do Código de Posturas de São João del-Rei, edição de 1887, proibia o entrudo e o comércio das laranjas e limões de cheiro.
A imprensa combateu este costume: “(...) reviveu até o antigo e nunca assaz condenado entrudo, com limões de cheiro, jarros e bacias d’água.” (O Resistente, n.374, 21-23/02/1901).
No ano seguinte o jogo de molhar prosseguiu, como comprova o recorte em foto acima, cuja mordaz crítica apóia a ação policial de coibir o entrudo, mas pergunta se as mulheres também seriam presas como os homens nos casos de transgressão, deixando claro ser uma farra comum (A Farpa, n.14, 09/02/1902).
Também nos antigos reclames comerciais pode-se rastrear o costume nos anúncios da imprensa para o carnaval: “Bisnagas de todos os tamanhos, sortimento colossal na Charutaria do Commercio. – Rua Moreira Cesar, 10. (...) Borrachinhas para limão, por atacado e varejo na Charutaria do Commercio.” (O Repórter, n.6, 26/02/1905).
O carnaval de 1907 foi bastante animado. Garante o jornal acima retratado, que "o tiroteio de confetti, bisnagas e o lança perfumes esteve fortissimo", acontecendo de forma ordeira. A banda de música do Asilo de São Francisco, que era sediado no atual prédio onde funciona o DAMAE tocou animadamente num coreto armado na esquina das ruas Moreira César e Duque de Caxias (ex-Rua Direita), nomes antigos das atuais Arthur Bernardes e Getúlio Vargas, respectivamente. O jornal em questão destacava a atuação da agremiação Dominós Fúnebres (O Repórter, n.3, 17/02/1907).
Mas como o entrudo persistisse não obstante o crescimento dos grupos organizados de desfile, houve ainda proibições e ação policial no sentido de coibir o arraigado costume: “o doutor Alvaro Correa Bastos Junior, Delegado de Policia da Comarca de S.João d’El-Rey, Minas Gerais, etc., FAZ saber, para conhecimento dos interessados, que é prohibido o jogo de entrudo, e que serão estrictamente observadas as Posturas Municipaes” (A Opinião, n.129, 15/02/1912).
Mais tarde, na década seguinte, as referências aos ataques momescos com águas, pós e objetos de cera rareiam ou desaparecem da imprensa são-joanense, muito embora outros combates tenham persistido vigorosos: "as batalhas de confettis e lança-perfumes feriram-se com galhardia e denodo" . Garante o mesmo jornal o sucesso do desfile do Clube X.P.T.O. formado por uma "rapaziada batuta". Na esquina das ruas Direita e Moreira César, o poder público municipal armou um coreto, em torno do qual o povo se juntou para ouvir a fanfarra militar (A Bigorna, n.1, 08/03/1923).
Os irreverentes redatores "Chuca-chuca & Bijuca", invocando os foliões dos blocos, ranchos e cordões da cidade, divulgaram de forma auspiciosa a esperança de um animado carnaval para o ano de 1928, que principiou com o alegre batucar de um zé pereira, velho costume da passagem do ano, promovido pelas agremiações da cidade como um anúncio do carnaval (O Penetra, n.7, 01/01/1928).
Parecem mesmo terem sido proféticas suas palavras. O órgão de imprensa do ilustre Basílio de Magalhães dedicou uma primeira página inteira ao carnaval daquele ano, detalhando as atividades. Na enumeração das agremiações descreveu a ordem do desfile de cada uma. O Clube X, "veterana sociedade carnavalesca", tinha um ar mais aristocrático e se destacava pela pompa e organização; os ranchos, União das Flores, Custa mas Vai, Qualquer nome Serve e Boi Gordo, desfilaram com o estandarte como abre-alas, seguidos de fanfarra de clarins, diretoria a cavalo ou num carro próprio, conjuntos de pastoras, carros alegóricos, banda de música; os blocos, mais livres em sua estrutura de desfile, marcaram a tradição com o Preto e Branco, "constituído de elementos representativos de nosso escol social", o Bloco da Interrogação foi organizado pela família do comerciante Aniceto Antunes, que "saiu em caminhão muito chic, entoando belas canções". O Bloco do Oh! esteve sob o comando de Ivan de Andrade Reis. Os Turunas, emplumados à moda indígena, tradição muito arraigada aos carnavais antigos da cidade, sob a direção de Eduardo Cancio, "alcançou um successo digno de applausos." Desfilaram também o Bloco do Zero, o Bloco do Eu Suponho e Bloco da Cruz Vermelha (A Tribuna, n.912, 26/02/1928).
Esse mesmo jornal, quatro anos mais tarde, trazia impresso acima do próprio nome uma convocação que garantia ser o carnaval de São João del-Rei o melhor do estado (A Tribuna, n.1.103, 10.01.1932).
Em 1934 o número de ranchos aumentou com a chegada do Pierrot Brasileiro, que convidou o sr. João Pereira, diretor jornalístico do órgão de imprensa que o noticiou, para o cargo de orador oficial do grupo (A Sentinella, n.2, 14/10/1934).
Por esta época não se falava em escolas de samba. Seu estabelecimento por aqui foi bem mais tarde, a grosso modo, coincidindo com o fim, primeiro, dos cordões, depois, dos ranchos. Mas isto é outra história...
** Fonte da pesquisa jornalística: acervo digital da Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida, São João del-Rei/MG.
*** In: FERREIRA, Hélder (org.). Máscara ibérica. Porto: Caixotom, 2006. v.1.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Zé Pereira: imagem alegórica do carnaval de outrora
A novidade fixou-se e rapidamente se espalhou atingindo outros Estados e ganhando cores locais.
Penso que pelo valor histórico e folclórico este bloco merece grande atenção, hoje desfilando com o nome de “Recordar é Viver”, ainda sob o comando do “Mestre Quati” (Benedito Reis de Almeida). Compõe uma faceta bastante genuína do nosso carnaval de rua. E suas reminiscências foram bases formadoras do carnaval atual. O carnaval tradicional merece um grande apoio.












.jpg)












.jpg)







