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Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.
ULISSES PASSARELLI
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sábado, 2 de abril de 2016
Carros de Bois em Tiradentes
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Sertão em crônica: idealismo, imaginário e misticismo
"é para além da povoação de Formiga, lugarejo situado acerca de 24 léguas de São João del-Rei, que situam, desse lado, os limites do sertão ou deserto; mas a região começa muito antes a ser pouco habitada." (p,116)
![]() |
| Trem do Sertão em Nazareno/MG, 1976. |
| O oeste, ao por do sol no distrito de São Gonçalo do Amarante, zona rural de São João del-Rei/MG. 12/07/2015. |
SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem às nascentes do Rio São Francisco e pela província de Goiás. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1944. 343p. Coleção Brasiliana, série 5ª, v.68.
VALE, Dario Rodrigues. Memória histórica de Prados. Belo Horizonte: [s.n.], 1985. 344p.+anexo.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Cangalha
| Artesanato em madeira da cidade de Prados, figurando burros cargueiros com jacás e lenha na cangalha. Década de 1990. Acervo do autor. |
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Caminhos do Folclore
Refrão: Êh, boi!
|
Êh, boi!
|
Eu entrei
nesse cerrado
|
A noite chega
|
E saí no
chapadão
|
Nós precisa
pousá,
|
Quanta morena
bonita
|
Morena tá
me‘sperando
|
Eu deixei
nesse sertão.
|
Na porteira do
currá.
|
Na baixada que
seguia
|
Morena deitô
falano grosso
|
Muita areia no
chão,
|
Levantô falano
fino
|
O boi pisava
fundo
|
José, você não
vai embora
|
Levantá puêra
do chão.
|
Meu amigo José
Cristino ...
|
Toca o
berrante, seu moço,
|
Toca o
berrante
|
Que a boiada
que estôrá,
|
Prá juntá essa
boiada
|
Toca o
berrante, seu moço,
|
Adeusinho meu
amor
|
Que nós
precisa chegá!
|
Adeusinho
minha namorada.
|
Boi, boi, boi,
|
Boi, boi, boi,
|
Eu não sou
boiadeiro não
|
Boi,
boiadeiro!
|
Sou tocador de
gado,
|
Boi, boi, boi,
|
Boiadeiro é
meu patrão.
|
Segura sua
boiada!
|
Num sabe o que
aconteceu
|
Ele em vinha de
viagem
|
Lá na Mata do
Campinho,
|
Com um pequeno
tocadô;
|
Mataram seu
Antônio Félix
|
Tomo um tiro
na cabeça,
|
Com sua tropa
em caminho.
|
Nem de Jesus
alembrô...
|
A justiça tomô
parte
|
O escrivão
passô a fé
|
Quem matô seu
Antônio Félix
|
Foi dois homens de boné...
|
Eu saí de casa
|
Eu desci
pra’qui abaixo
|
Pensando que
era home
|
Panhando
minhas goiabinha
|
Na passagem da
porteira
|
Cada barulho
que fazia
|
Quase que a
onça me come.
|
Pensava que a
onça vinha.
|
Eu pedi meus
capataz
|
Eu andava de
vez em quando no ar,
|
Que minha
boiada levasse
|
De vez em
quando no chão,
|
Tomasse conta
de tudo
|
Só lembrava de
São Jorge,
|
Até que nos
encontrasse.
|
Que é da minha
devoção.
|
Eu cheguei na
casa da roxa
|
Dava um pulo
pra cima,
|
Perguntei o
nome dela
|
Metia o bico
da bota,
|
_ eu me chamo
Docelina
|
Gritava: _
abre, negrada!
|
Sobrenome de
Teteia.
|
Era nove, dez
cambota.
|
Numa
tardezinha deu vontade
|
Quando viram a
coisa feia
|
De ir lá no
recreio.
|
Gritaram: _
pára, gente!
|
Teteia me
recomendou
|
Vamo rezá o
credo primeiro!
|
Para nada não
beber
|
Isso é até o
diabo,
|
Que eles punham
o homem tonto
|
Em figura de
boiadeiro...
|
Para depois
bater.
|
|
Quando o banzé
cessou
|
|
Logo quando eu
cheguei,
|
Eu fiquei por
ali,
|
O batuta Chico
Rita
|
Vi catinga de
bode no cabo do piraí [17].
|
Por essa forma
falou:
|
O batuta Chico
Rita,
|
_ eu tenho minha
faca nova
|
Desse eu tive
pena,
|
Que comprei lá
no Cruzeiro
|
Depois dele
bem pisado,
|
Pra cortar
crista de galo
|
Meti nele a
chelena!
|
E mala de
boiadeiro ...
|
Cinquenta
conto minha chelena custô,
|
Quando ele
falô assim
|
|
Respondi no pé
da letra:
|
Eu desci pra
rua abaixo
|
_ não arreceio
morrê no meio da lama,
|
Fui sair em
Santa Teresa
|
A dor da morte
é a mesma
|
Lá mesmo onde
estava
|
Tanto aqui
quanto na cama!
|
O suquinho da
beleza.
|
Logo quando eu
falei assim
|
Arriei a minha
mula
|
A rapaziada
encaiporô [19]
|
Por nome de
Assembleia,
|
Foi uma chuva
de pau
|
Depois da mula
arriada
|
Escureceu de
poeira,
|
Joguei a pala
na garupa.
|
Fedia chifre
queimado
|
Depois de tudo
arrumado
|
E resbalo de
madeira.
|
Mandei sentar
Teteia comigo.
|
Tinha vinte e cinco léguas
|
Até o Arraiá da Glória
|
Cortei todo esse chão
|
Dentro de vinte e quatro horas.
|
Boiadeiro meu!
|
Auê, chapéu
grande!
|
É de Minas
Gerais!
|
Beirada de
ventania!
|
Pra ficar sem
boiadeiro
|
Beirada de
ventania!
|
Meu sertão não
vive em paz.
|
Ôh! Bêrada de
ventania...
|
Seu boiadeiro,
por aqui choveu?
|
Getuê, getuá!
|
Choveu que
água rolou ...
|
Corda de
larçar meu boi!
|
Foi tanta água
que meu boi nadou,
|
Getuê, getuá!
|
Foi tanta água
que meu boi nadou...
|
Corda de boi
laçar!
|
Ô gente,
segura esse boi!
|
Tava nas
campinas
|
Ô gente,
segura esse boi!
|
Campiando os
bois,
|
Ô gente,
segura esse boi!
|
Quando me avisaram
|
Esse boi é
meu, esse boi é demais!
|
Sua boiada já
se foi...
|
Onde andará?
|
Onde andará?
|
Minha boiada,
|
Tão querendo
me tomá ...
|



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