Bem vindo!
Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.
ULISSES PASSARELLI
Outros trabalhos
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Folia do Divino do Bom Pastor, São João del-Rei
domingo, 22 de novembro de 2015
Moçambique: toque - jomba
Terno de Moçambique "Kincongo", de Nova Pedra Negra
O começo do vídeo mostra o berimbau (urucungo), com sua corda
única friccionada por um pano molhado.
sábado, 21 de novembro de 2015
Moçambique: toque - carijó
Exemplo musical de um dos toques conhecidos por "moçambique-carijó",
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Jomba: outro tipo de moçambique
1- Moçambique "Nossa Senhora do Rosário", Ibituruna/MG. Participação na Festa do Rosário em Passa Tempo/MG, 18/10/2015. |
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2- Moçambique "Nossa Senhora do Rosário", Solar da Serra, São João del-Rei/MG. Participação no 1º Encontro Congadeiros das Vertentes, São João del-Rei, 26/05/2013. |
3- Moçambique "Kincongo", Nova Pedra Negra (Ijaci/MG). Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 08/06/2014. |
4 - Moçambique "Nossa Senhora do Rosário", Santo Antônio do Amparo/MG. Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 08/06/2014. |
5- Moçambique "São Benedito e Santa Isabel", Santo Antônio do Amparo/MG. Participação na Festa do Rosário em Passa Tempo/MG, 18/10/2015. |
6- Congado "Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia", Tiradentes/MG. Participação no 2º Encontro de Congados de Tiradentes, 26/07/2015. |
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7- Moçambique "Santa Efigênia", Santana do Jacaré/MG. Participação no 2º Encontro de Congados de Tiradentes, 26/07/2015. |
8- Moçambique "Santa Efigênia", Bairro São Geraldo, São João del-Rei/MG. Participação no 2º Encontro de Congados de Tiradentes, 26/07/2015. |
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9- Moçambique "Nossa Senhora do Rosário e São Benedito", Lavras/MG. Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 30/05/2004. |
10- Moçambique "São Benedito", Ribeirão Vermelho/MG. Participação na Festa do Rosário em Ibituruna/MG, 30/06/2013. |
11- Moçambique "Os Vergilhos", Bom Sucesso/MG. Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 24/05/2015. |
12- Moçambique "São Bernardo", Macaia (Bom Sucesso/MG). Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 24/05/2015. |
** Fotos: 1, 5 e 10, Ulisses Passarelli; 9, David Passarelli; demais fotografias, Iago C.S. Passarelli
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Na minha terra se fala assim - parte 13
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Brincadeiras infantis - parte 2: facécias
domingo, 8 de novembro de 2015
Cidade das Pontes
No século XIX, o militar português Cunha Matos em seu estudo sobre Minas Gerais, relatou:
"Há poucas pontes de pedra lavrada e algumas de madeira são cobertas de telha. As pontes mais notáveis são: a do Rio Grande, perto da Vila de São João del-Rei; (...) As pontes de pedra da Vila de São João del-Rei são as melhores da Província." (p.44).
As pontes começam a surgir lá no pé do Lenheiro, no final do Tijuco, região que outrora era conhecida por Betume, por causa do barro preto untuoso ali abundante. É o atual Residencial Lenheiro. E vem se quantificando a jusante, algumas humildes como a que liga o Residencial Lenheiro e o Barro Preto, outras suntuosas como as de pedra; ou charmosa, afrancesada, como a do Teatro; de ferro como a da Biquinha, a dos Suspiros e a da Estação; velhas obras de alvenaria como a Benedito Valadares, inaugurada no centenário de elevação à cidade (1938), até hoje importantíssima no trânsito da cidade. Outras ficaram na lembrança, como a que havia possivelmente na Rua Direita (imediações do Museu de Arte Sacra) sobre o ínfimo Córrego da Muxinga, datada de 1745; a que aparece na citação de GAIO SOBRINHO (2010) de um recibo da Câmara Municipal de 1719 (recibo 168, pg.17): "Por quatorze oitavas de ouro que deu a Manoel Ferreira do conserto que fez na Ponte do Aterrado que vai para a Igreja Matriz por ordem de que se lhe passou mandado em 29 de dezembro de 1719" (p.35); ou na antiga "Rua da Misericórdia", sobre o Córrego do Segredo, a conhecida Ponte da Misericórdia, da qual sem qualquer misericórdia, foi feito drástico aterramento, substituída por sistema de galerias. A Ponte da Misericórdia era de pedra, como as da Cadeia e do Rosário, porém de um só arco. Foi construída em 1798 pelo Mestre-canteiro Aniceto de Sousa Lopes.
Mais que isto, além do fluxo mais central, do Lenheiro, mais pontes se multiplicam pelo Rio Acima, entremeio o Guarda-mor e a Vila Maria; "pras bandas" de Matosinhos, várias, ao longo do Ribeirão da Água Limpa, já abordadas em postagem intitulada "Pontes de Matosinhos"; e tantas, tantas outras pela zona rural, algumas ainda em estrutura de tabuado de madeira.
Não seria má ideia um estudo multidisciplinar de envergadura sobre essas pontes todas, mapeando-as e marcando-as por geo-referenciamento; estudo histórico, fotografias em ângulos variados, qualificação estilística, tecnicamente relato do estado de conservação que seria importante base de referência para a administração municipal planejar manutenção, e, quiçá, visionariamente, até as roteirizando como atrativo turístico: "Roteiro das Pontes"... Por que não?!
1- Córrego do Lenheiro com vista parcial em sequência das pontes da Cadeia, do Teatro e Benedito Valadares, em São João del-Rei. |
- A ata da sessão 38 da Câmara de Vereadores, de 12/03/1887, consta, segundo GAIO SOBRINHO (2010), a leitura de um "ofício assinado pelo Sr. Teófilo Reis e Joaquim Ramalhão declarando terem, com o auxílio de vários cidadãos, construído um pontilhão tosco de madeira em frente à Estação da Oeste e sobre o ribeirão que atravessa esta cidade a bem do interesse público e comercial"(p.140). Outra notícia da Ponte da Estação no século XIX é uma subscrição visando reconstruí-la, datada de dezembro do ano da abolição da escravatura (A Verdade Política, n.14, 21/12/1888). (*)
- A Ponte da Estação, ou como também era dita, Ponte da EFOM foi construída sobre o Córrego do Lenheiro, com trilhos e estabelecida acima das máximas enchentes, permitindo franca passagem. Foi originalmente assoalhada com pranchões, até a largura de 2 metros e o comprimento de 35 metros. (S.João d’El-Rey, nº3, 22/02/1899)
- Lei municipal nº214, de 05/06/1909, autoriza mudança da ponte de frente da estação ferroviária para a Rua Cristóvão Colombo. (A Opinião, n.2, 14/07/1909). Existiu naquele local, interligando-a à Praça Pedro Paulo, uma passarela de ferro, que se alinhava à Rua Aureliano Pimentel. A mesma foi profundamente danificada pela grande enchente de 1982 e passou por reparos. Outras enxurradas também deixaram seus danos e vieram reparos até que foi interditada e mais tarde removida. Por uns tempos foi improvisada um "pinguela", assim chamada a passarela provisória em madeira. Depois foi também retirada e o local ficou um tempo sem estrutura de travessia. A ponte atual veio na década de 1990.
- Operários da Ferrovia Oeste de Minas socorrem a ponte de madeira que interligava a Rua Antônio Rocha ao trecho médio da Paulo Freitas. A fortíssima enchente de 1917, que causou grandes danos na cidade, também a atingiu; mas, no dia seguinte, os referidos operários já promoveram os reparos. (O Zuavo, n.99, 21/01/1917). Esta ponte não existe nos dias atuais. Ficava entre as atuais Ignácio Zózimo de Castro (Praça Raul Soares/Rua Antônio Rocha) e Padre Tortorielo (Praça Afonso Dalle/Avenida Leite de Castro/Rua Antônio Rocha).
- O tráfego de veículos sobre a Ponte do Teatro se dava de um por vez, devido à sua pequena largura. O fechamento dessa ponte ao tráfego de veículos automotores gerou muita polêmica (Tribuna Sanjoanense, n.189, 02/09/1977; O Sabiá, n.7, set./1977)
- Em abril de 1990 é inaugurada a Ponte Ignácio Zózimo de Castro, nome que homenageava um comerciante que tinha uma mercearia na Rua Paulo Freitas/Praça Raul Soares. Esta ponte substituiu outra que havia no mesmo lugar, menos robusta e que havia sido sucessivamente danificada por enchentes, sobretudos por trombas d'água da década anterior: o famoso e medonho temporal de 1982 causou-lhe profundos danos. Apesar dos reparos não foi mais a mesma... chegou a estar um tempo interditada ao tráfego. A gestão municipal que veio após a da inauguração, alargou a sua pista de rolamento.
- A calçada da Ponte da Cadeia é alargada através da remoção de uma faixa de pavimentação de paralelepípedos para extensão dos passeios em 40 cm de ambos os lados. Com isto ganhou-se segurança para os pedestres e as pista de rolamento tendo ficado mais estreita, impossibilitou o trânsito de veículos de grande porte, protegendo este patrimônio da cidade. Apesar da lei municipal nº2.487, de 1989 proibir o trânsito de veículos pesados no centro histórico, o desrespeito por parte dos motoristas e a fiscalização insuficiente levaram a esta medida (Gazeta de São João del-Rei, n.263, 30/08/2003). Contudo, na Ponte do Rosário, a medida de alargamento das calçadas com o mesmo intuito só viria uma década depois, em julho de 2013.
- Servidores da Secretaria de Obras trabalharam para fazer reparos na cabeceira da Ponte da Rodoviária, que cedeu em 17/01/2005. A fotografia estampada na fonte jornalística mostra os trabalhadores batendo estacas, mas as obras previam também aplicação de concreto armado, aterro, "abertura de passagens de água e reforma nos passeios." (Gazeta de São João del-Rei, n.334, 22/01/2005)
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2- Queda da ponte de madeira sobre o Córrego do Limpa-goela, na Colônia do José Teodoro, que dá acesso à centenária Capela do Sagrado Coração de Jesus, após as fortes chuvas de fevereiro de 2004. |
Referências Hemerográficas
CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei. 2.ed. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1982. 2v.
GAIO SOBRINHO, Antônio. São João del-Rei através de documentos. São João del-Rei: UFSJ, 2010. 260p.
MATOS, Raimundo José da Cunha. Corografia Histórica da Província de Minas Gerais (1837). Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: USP, 1981. v.2, 337p. p.44.
** A Ponte Vitório Tarôco sobre o Rio Carandaí, na Colônia do Giarola, liga este bairro às colônias do Felizardo e Recondengo (ainda em São João del-Rei) e ao povoado do Barreiro (Cel. Xavier Chaves), sitos do outro lado do mesmo rio. A que atualmente se encontra instalada foi inaugurada em abril de 1995, pelo Prefeito Nivaldo Andrade, em substituição à anterior, que era de madeira e estava muito precária. Na verdade muito antiga. A Ponte de Santa Rita citada no texto jornalístico é a ponte sobre o Rio das Mortes no povoado de Ibitutinga, no acesso ao então distrito de Santa Rita do Rio Abaixo, hoje município de Ritápolis. Situa-se ao longo da Rodovia Federal BR-494.
**** A Ponte Chafy Moyses Hallak é uma das três que leva popularmente o cognome de "Ponte da Biquinha". Ela se situa sobre o Rio Acima (nos tempos coloniais conhecido como Córrego das Barreiras) e acessa a Praça da Biquinha à Avenida Eduardo Magalhães. A outra, é uma pequena ponte de ferro rebitado, piso cimentado, tendo uma cruz de ferro trabalhado, suspensa em cada cabeceira, sendo que a do lado do Tijuco se encontra desaparecida. Situa-se entre a Praça e a Rua Rossino Baccarini; e, finalmente a terceira, está imediatamente à montante desta e tem o nome oficial de Ponte Braz Camarano Primo, datada de 1994, obra criticada por causa de sua altura mínima. Contudo, informações dão conta de uma ponte inaugurada em 1968 com o nome de "Padre José de Anchieta", durante a administração Milton Viegas, que interligou a Rua Padre José Maria Xavier à Praça Fausto Mourão. Seria esta uma ponte anterior à Chafy Moyses Hallak ou apenas seu nome anterior? Ou seria a pequena passarela de ferro sita a montante no Rio Acima? O assunto exige pesquisa nos arquivos municipais e velhos jornais são-joanenses.
***** Texto, pesquisa, acervo e fotografias 2 e 3: Ulisses Passarelli
****** Fotografia 1: Iago C.S. Passarelli, 24/09/2014.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Congados festejam o rosário em Conceição da Barra de Minas
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Congadeiros e mastro, diante da Igreja do Rosário em Conceição da Barra de Minas. |
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O sacerdote recepciona e abençoa os congadeiros e o reinado à porta da Igreja do Rosário em Conceição da Barra de Minas. |