Em Tiradentes é o padroeiro, com igreja
matriz setecentista, artisticamente adornada pela arte barroca. Tem ainda a
Capela do Canjica, de que é orago no bairro onde a história conta sobre a
mineração aurífera pretérita. A atual Capela do Canjica não corresponde
mais à original, pois, segundo se sabe, pelo menos outras duas capelas sob o
mesmo orago a antecederam nas imediações, tendo sido demolidas, possivelmente
sendo a primeira delas contemporânea dos primeiros tempos da extração de ouro
(Velloso, 2013). [1]
Em Conceição da Barra de Minas há também importante templo a ele dedicado, também palco de festas em honra a Santo Antônio. Tal igreja foi edificada em 1854, sob a liderança de “Joaquim José da Matta, proprietário da fazenda Barra. Em 1945, passou ela por uma reforma, tendo nesse ano, recebido uma torre no ângulo lateral direito”. Foi restaurada em 1987. Na capela existe um ex-voto cujo texto se refere ao livramento do construtor de um acidente com carro de boi (Gaio Sobrinho, 1990, p.49-50).
É queridíssimo em Lagoa Dourada e Itutinga, de ambas padroeiro. Sem contar outros pontos de festejos nas comunidades rurais.
Em São João del-Rei, Santo Antônio goza
de festejos variados. Mastros, distribuição de pães bentos, bênçãos, missas,
música, procissões, trezenas, novenas, tríduos, quermesse e leilão. São alguns
elementos, que variam com o ponto que a festa acontece. Quiçá, o mais
tradicional seja o da antiga Rua Santo Antônio, no Bairro Tijuco, onde a
histórica capela rococó do século XVIII, incrustada no casario, sedia as comemorações
concorridas, graças aos esforços da Venerável Irmandade de Santo Antônio (datada
de 1939) e a participação intensiva da comunidade, muito unida e participativa.
É de se ver com gosto como as fachadas, a beira das calçadas, os postes, são
todos ornados com esmero para passagem da procissão. As barraquinhas de
víspora, comes e bebes são muito procuradas. Várias irmandades enviam
representantes, participando com suas opas características. O sermão do Padre
Geraldo Magela em 2014 foi de uma eloquência esplêndida, enaltecendo os valores
deixados pelo santo querido na consolidação da fé cristã. A centenária Banda
Theodoro de Faria (de 1902), atuou com toda experiência.
Para quem preferiu outra festa, pode
andar só alguns quarteirões, atravessando a Ponte do Rosário, "Rua da
Prata" (Padre José Maria Xavier) e na Igreja de Lourdes, no Largo de São
Francisco, encontrou um animadíssimo movimento de devoção ao santo lisboeta.
Nessa igreja, aliás, o ano todo, há um intenso movimento de devotos deste santo
franciscano e seu velário vive cheio de lumes acesos. Não faz muito, fizeram no
jardim fronteiriço uma pequenina ermida para abrigar sua imagem, amplamente
visitada.
Uma capela também o festeja, donde é patrono, em comemorações bastante tradicional, no Albergue Santo Antônio, Bairro das Fábricas. A instituição data de 1912 e prossegue em pleno funcionamento e respeitada atividade de cuidado com os idosos.
O grande Bairro Matosinhos, possui uma comunidade chamada Vila Santo Antônio, onde, no Salão Comunitário consagrado a este santo, na beira da linha férrea, as festas acontecem com grande animação e já se fixa no calendário de eventos deste bairro tão festeiro. Usa-se fincar um mastro para o santo e em alguns anos houve apresentações de congado. É mister lembrar que a grande Paróquia do Senhor Bom Jesus de Matosinhos possui na zona rural uma capela consagrada a Santo Antônio, no povoado do Carvoeiro, cujos festejos tradicionais acontecerão no mês vindouro [2]. Sobre a capela do Carvoeiro, consta que:
"Em 1919 a imagem de Santo Antônio foi encontrada por Sr Firmino Antônio de Paula, no município do Ribeirão do Elvas (Pitangueiras). Sr Firmino construiu então um Cruzeiro e um imédia de adobo para se celebrar as primeiras missas campais, no ano de 1929, pelo então padre de Ibertioga, padre Gustavo. O mesmo padre foi o primeiro a celebrar na Igreja construída pela comunidade no ano de 1939. Padre Bernardino Siqueira, padre de Tiradentes, continuou a celebrar as missas naquela Comunidade. Nesta época a Igreja era alcançável somente a cavalo ou a pé. Posteriormente padres Salesianos continuaram a dar assistência, até que se tornou uma comunidade da Paróquia de Matosinhos. Em 1957, sob a administração dos irmãos Levinho e Alcindo Vital, foi construída a nova Igreja que se conserva até hoje. Atualmente, devido à emigração dos antigos moradores para a cidade, a Comunidade ficou despovoada, mantendo somente a missa e a procissão nas festividades." (São João del-Rei, 2014).
Na Colônia do Marçal, Igreja da Imaculada Conceição, a festa de Santo Antônio assume dimensão ampla, o que é praticamente uma redundância considerando o tamanho do adro e do templo. Não era para menos. O povo devotíssimo da Colônia acorre para os eventos litúrgicos em peso e depois de concorrida procissão, se confraterniza no adro e barracão de festas. Também não falta um mastro em honra a este santo, devidamente enfeitado. Registre-se o zelo de seu pároco, Padre Antônio Claret Albino.
Noutra colônia, a do Bengo, no alto de uma colina, desde 1905, a Capela de Santo Antônio, obra do insigne sr. "Emídio do Bengo" (Emygdio Apollinario dos Passos Moraes) e colaboradores sedia uma tradicional festa que reúne a população rural das cercanias, chegando à pé, a cavalo, de motocicleta, bicicleta ou carro. Fazem trinta anos, na tardinha ou boca da noite, ainda víamos romeiros em grupos vindo em caminhada pela beira da linha do Trem do Sertão desde a Avenida Leite de Castro rumo a esta capelinha para os festejos, até as imediações da Banqueta, de onde, deixado o leito ferroviário, subiam por uma trilha campo afora até a capela.
E por fim não poderia deixar de
mencionar ainda que brevemente a tradicionalíssima festa do distrito de Santo
Antônio do Rio das Mortes Pequeno, donde é padroeiro e movimenta toda a
população local e ainda congrega os moradores dos povoados vizinhos. É festa
queridíssima e agora ganha a partir de 2014, mais um acréscimo importante:
hoje, 14 de junho, é o dia consagrado à Beata Nhá Chica (Francisca Paula de
Jesus), gloriosa filha daquela terra. Um duplo padroado, comemorado em dias
subsequentes.
Santo Antônio de Pádua é o santo mais popular do catolicismo no Brasil. Seu dom extraordinário de missionário pregador, cultura de largo alcance, a humildade imensa e os milagres incontestes e inumeráveis, levando-o a uma canonização quase imediata ao falecimento, transformaram-no em um modelo de santidade e sabedoria. Em torno de Santo Antônio um rico folclore se edificou.
| Capela de Santo Antônio do Canjica. Tiradentes / MG, 17/07/2004. |
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| Capela de Santo Antônio e sua imagem no Bairro Tijuco; Banda Theodoro de Faria durante a Festa de Santo Antônio. São João del-Rei/MG, 13/06/2014. |
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| Em vista póstero-lateral tomada em fevereiro de 2004, a Capela de Santo Antônio do Bengo, São João del-Rei. |
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| Programa da Festa de Santo Antônio. Impresso em papel-jornal, 21,5 x 31,5cm. Joaquim Murtinho (Congonhas/MG), 1992. |
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| Capela de Santo Antônio vinculada ao Albergue Santo Antônio, local de animadas festas anuais. 31/01/2025. |
| Capela de Santo Antônio. Povoado do Carvoeiro. São João del-Rei/MG, 09/07/2013. |
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| Igreja Matriz de Santo Antônio, Itutinga/MG, 09/08/2019. |
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| Bolo de Santo Antônio, elemento típico da culinária de Itutinga/MG. 29/01/2020. |
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| Mastro de Santo Antônio, diante da Igreja Matriz de Santo Antônio, Ibertioga/MG, 16/06/2025. |
| Festa de Santo Antônio, Bairro Matosinhos. 13/06/2015. |
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| Festa de Santo Antônio no distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno São João del-Rei, com presença da Banda "Lira do Oriente Santa Cecília". 13/06/2017. |
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| Cartaz da Festa de Santo Antônio da Serra, na comunidades Águas Gerais (Bairro Tijuco) e Serra do Lenheiro, São João del-Rei. 2019. |
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| Cartaz da Festa de Santo Antônio no povoado do Carvoeiro, 2019. |
GAIO SOBRINHO, Antônio. Memórias de Conceição da Barra de Minas.
Belo Horizonte: Imprensa Universitária, 1990. 253 p. il.
SÃO JOÃO DEL-REI. Capela de Santo Antônio – Carvoeiro. Inventário de Patrimônio Cultural. Secretaria Municipal de Cultura e Turismo/Prefeitrura Municipal; Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, 2014. 33 p. il.
VELLOSO, Herculano. Ligeiras memórias sobre a Vila de São José nos tempos coloniais. 3.ed.Tiradentes: Instituto Histórico e Geográfico, 2013. 108p.
- Texto e fotografias: Ulisses Passarelli.
A PRIMEIRA FESTA DE SANTO ANTÔNIO EM MATOSINHOS
AS FESTAS JUNINAS E OS TRÊS SANTOS




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