Bem vindo!

Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




segunda-feira, 30 de maio de 2016

Piedade do Rio Grande: tradição e fé nos festejos do rosário

Desde o dia de Corpus Christi até este domingo, dia 29 de maio, aconteceu na cidade de Piedade do Rio Grande a tradicional festividade que envolve fortemente a participação da comunidade congadeira local, em honra a São Benedito, Nossa Senhora das Mercês e Nossa Senhora do Rosário, festejados em dias subsequentes com extensa programação.

Cada dia conta com sua própria solenidade, com missa e procissão, participação da guarda local que completa seus noventa anos de existência e ainda algo bastante arraigado, a grande fogueira que se arma no largo, em torno da qual dançam. Nos dois últimos dias a banda de música cuida da alvorada festiva.

A guarda de Piedade como acontece em cidades vizinhas, apresenta-se ou desdobra-se na congada e no moçambique. Então dançam como congada, no sábado, à moda de um congo; no domingo, como moçambique de varas (bate-paus).

No dia maior notamos a missa na Matriz de Nossa Senhora da Piedade, extremamente concorrida, mantida a celebração Inculturada, valorizando o elemento afro, oferta de produtos alimentares da terra, cantorias alusivas, participação dos moçambiqueiros. Ao fim da missa os alimentos são distribuídos como de praxe e na porta da igreja cumpre-se uma tradição: a guarda entra em forma e o sacerdote asperge água benta nos dançantes. Foi fácil perceber porque inconteste, que não ser trata de um gesto mecânico ou de um item obrigatório numa programação, mas algo feito com entusiasmo de parte a parte, com toda a massa de fieis aglomerada assistindo, muito embora não lhes represente como novidade, mas ainda assim prestigia carinhosamente.

Este ano excepcionalmente houve a participação em espírito fraternal do Moçambique Santa Efigênia, vindo de São João del-Rei, Bairro São Geraldo, que não interferiu na ritualística da guarda local, mas acompanhou seu andamento e apresentou-se ao povo no largo, por sinal, lotado e movimentado por barracas de comes e bebes e venda de utensílios.

O almoço como sói acontecer nos festejos do rosário foi farto e saboroso, ocasião cordial de congraçamento e união.

Pela tarde o moçambique da Piedade saiu ao recolhimento do reinado, originalmente trazido à Igreja do Rosário sob um pálio azul e a escolta dos guarda-coroa armados de espada. Sua chegada ao destino reveste-se de sua pompa própria e reis e rainhas respondem à chamada. Neste ínterim vai a novo recolhimento, desta feita de príncipes e princesas.

Nota-se com bastante evidência que em tudo e por tudo há um sentimento de apego à festividade, de amor à congada e moçambique, bens preservados de seu patrimônio imaterial, com participação espontânea da comunidade e forte presença de jovens, crianças e adolescentes, a par da experiência dos mais maduros, e, sobretudo, o que parece pujante são o respeito e dedicação do sacerdote à participação da cultura popular, algo digno de louvores.

A todos as pessoas envolvidas direta e indiretamente no sucesso desta festa este blog manifesta seu parabéns e deseja que se mantenha preservada ao longo das gerações.

Cartaz da festa.

Oferendas alimentares prestes a adentrar na matriz para o ofertório.

Devotos demonstram seu carinho com a imagem da Senhora do Rosário.

Moçambique de Piedade deixam a igreja matriz. 

Moçambiqueiros perfilados. 

Detalhe da percussão das manguaras. 

Moçambique de Piedade do Rio Grande em coreografia. 

Lenha cuidadosamente empilhada e protegida para a fogueira noturna.
Ao fundo a Igreja do Rosário. 

Alimentação farta e saborosa. 

Crianças moçambiqueiras de Piedade: esperança de futuro.
Detalhe das cores consagradas ao rosário - azul, branco e rosa -
e detalhe do tradicional  lenço atado sobre a cabeça por pequenos nós. 

Reinado - coroas feitas com sementes de contas de lágrima - originalidade.

Moçambique em marcha. 

O reinado escoltado sob o pálio. 

Bandeireiros dos dois moçambiques respeitosamente saúdam a bandeira da outra guarda.

Saudação tradicional entre moçambiqueiros das duas guardas:
respeito, irmandade, igualdade. 

O padre asperge água benta. 

Moçambique de São João del-Rei, Bairro São Geraldo: bastões se elevam buscando bênçãos celestes.

Moçambique de São João del-Rei, Bairro São Geraldo: Rainha e Rei. 

Vista do campanário da praça defronte a Igreja do Rosário.  

Vista da imponente Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. 

Notas e Créditos
*Texto e acervo: Ulisses Passarelli
**Fotografias: Iago C.S. Passarelli

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Cenas & Cenas - Festa do Divino 2016 - São João del-Rei

A santa balanceia no andor - parece que dança ao som dos tambores... 

Capitães do Moçambique Santa Efigênia, do Bairro São Geraldo, São João del-Rei
 - da esquerda para a direita, "Borracha", Tadeu e Danilo - tradição!

Flores e mais flores ornamentam o santuário para os festejos jubilares. 

Mastros e congadeiros - o mastro de aviso anuncia as datas limites do festejo. 

Congadeiros se reúnem na Igreja de Santa Terezinha para a formação do Cortejo Imperial. 

Congadeira da guarda de marujos de Dores de Campos. 

Ocasião de descanso... 

Coreografia do congado de Cláudio. 

O brilhante congado de Coronel Xavier Chaves. 

Senhoras observam a passagem dos marujos.  

Catupé de Ritápolis... 

... e de São João del-Rei, da Avenida Santos Dumont. 

Estandarte abre-alas, para cortejos e procissões. 

Congado de Resende Costa, um catupé com a bandeira de São Benedito. 

Senhor Rei, Senhora Rainha!

Ganzás tocados por congadeiros de Cláudio. 

Enfeites, adornos, penduricalhos, medalhas, cordões - o marujeiro se engalana para os festejos. 

Terno de Barroso  - presença fiel desde 1998.  

Moçambique de Passa Tempo -  responsabilidade por ser terno de pé de coroa. 

Crianças garantem o futuro do congado, como esta guarda de Cosme e Damião, de Resende Costa. 

O povo se aglomera para ver a chegada do Cortejo Imperial. 

Passa Tempo chega, levantando poeira - gungas retinem, a coroa chegou para a celebração. Apoteose!

Entrada da missa solene

O emérito Professor Abgar Tirado, desde longos anos um assíduo leitor sacro
das celebrações pentecostais - gratidão! 

O Divino olha por todos, para todos - pombinha argêntea do topo da coroa grande. 

O Imperador Eleito, Nelson Domingos de Abreu, acompanhado pela família,
adentra o Santuário para a coroação, sob a escolta dos Imperadores de anos anteriores.

Dom Célio de Oliveira Goulart, Revmo. Bispo Diocesano,
coroa o novo Imperador. O Mestre de Cerimônias acompanha e apoia. 

Imperador recém-coroado saúda aos fiéis; o Mestre de Cerimônias compartilha da alegria. 

Após a missa o povo acorre aos andores - veneração!

Nossa Senhora da Lapa - Mãe e Rainha!

Aos pés do Divino o coral lhe canta louvores!
Ao fim da celebração o povo vai à barraca para o lanche. 

Ao cair da noite inicia-se a procissão. 

Vista parcial da procissão evidenciando-se a liteira de Santo Antônio
e a multidão de fiéis que toma a Avenida Josué de Queiroz. 

Descida dos mastros - "Vem do céu, bandeira! vem do céu, bandeira!" - canta o Capitão...
Notas e Créditos

* Fotografias: Iago C.S. Passarelli
** Legendas e acervo: Ulisses Passarelli

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Salve! Salve! Salve o Treze de Maio...

“13 de maio. Corre, amanhã, mais um aniversario da Lei aurea, que extiguiu a escravidão no Brasil. Segundo disposição municipal, de 19 de Setembro de 1906, o commercio deve, ao meio dia, cerrar suas portas, em comemoração ao grande acontecimento.” (Jornal O Repórter, n.14, 12/05/1907).

“No dia 13 do passado mez de maio, no visinho arraial do Rio das Mortes, por iniciativa do liberto Antonio Francisco Tavares, foi festejada de maneira condigna a gloriosa data nacional da libertação dos captivos. Houve missa em acção de graças pelo auspicioso anniversario e por intensão de Izabel, a Redemptora, Terço e Te-Deum, não tendo sido esquecido o velho monarca, que teve requiem por seu descanso eterno. Não é tarde para darmos noticia deste facto que tanto ennobrece os sentimentos dos libertos do Rio das Mortes. Convem salientar que desde muitos annos, é a data ali festejada com suas mesmas festas que estamos agora noticiando.” (Jornal O Repórter, n.19, 13/06/1907)

As duas breves notícias acima, extraídas de antigos jornais de São João del-Rei (*) revelam uma esquecida parcela das antigas comemorações da data da libertação dos cativos, o fim oficial da escravidão no Brasil. Ainda traz em si a curiosidade da segunda notícia, um réquiem pelo velho monarca, em pleno regime republicano!

A data merece ser festejada. Esta humilde postagem nascido do improviso é uma sincera homenagem à memória dos cativos, que tanto sofreram e lutaram. 

"No dia 13 de maio,
assembleia trabalhou;
negro velho era cativo
e a princesa libertou!"
(canto de moçambique, parte do "Lamento do Negro",
muito difundido entre várias guardas)

Grilhões abertos. Elemento decorativo e simbólico da portada da
Igreja de Nossa Senhora das Mercês, São João del-Rei/MG. A confraria
mercedária tinha originalmente ligação com alforria de escravos. 17/09/2014. 

Recitativo do Moçambique "Nossa Senhora Aparecida" junto 
ao andor de Nossa Senhora da Lapa, no altar-mor do Santuário do
Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei, 
durante a Festa do Divino. Canto: 

"Bate a gunga, negro!  BIS
Capitão foi quem mandou...

Nos pés de Nossa Senhora, 
é lá que no negro chora,
é lá que o negro implora,  BIS
cantando em seu louvor!"
(Capitão Luís Maurício, Passa Tempo/MG)

Neste ensejo compartilhamos um link que nos remete a um conto da escravidão, que como tantos outros é o reflexo das influências culturais afro-descendentes legadas à formação da cultura popular brasileira: 


Notas e Créditos

* Fonte: acervo da Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida, disponível em seu site: http://www.bibliotecamunicipalsjdr.com.br/bca/index.php  
** Texto, fotografia e vídeo: Ulisses Passarelli

Marungo da folia de Santo Antônio do Amparo


Palhaço (marungo ou bastião) de folia de Reis, de Santo Antônio do Amparo/MG,
aproveitando o ritmo de calango, se exibe para a assistência no
17º Encontro de Folias de Capelinha, em Mercês de Água Limpa
(São Tiago/MG), 31/01/2016. 

Créditos

- Fotografia, texto, vídeo, edição e acervo: Ulisses Passarelli.

Notas 

- Revisão: 06/06/2025. 

domingo, 8 de maio de 2016

Folia da cidade de São Tiago

Folia de Reis "São Sebastião", da cidade de São Tiago/MG,
em participação na Festa de Sebastião na Restinga de Baixo
(Ritápolis/MG), 24/01/2016.
Assista a cenas desta folia clicando no link de vídeo abaixo:  


Notas e Créditos

* Texto, fotografia e vídeo: Ulisses Passarelli
** Veja mais detalhes deste evento lendo a postagem:

 A FESTA DE SÃO SEBASTIÃO NA RESTINGA

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Santa Cruz de Minas resgata a Festa da Santa Cruz

Ofereço com encômios a Betânia Nascimento Resende,
que não mediu esforços para o êxito deste evento




O município de Santa Cruz de Minas é um destaque no Campo das Vertentes na produção de artesanato e móveis, verdadeiro polo produtivo neste setor. A Festa de São Sebastião é tradicionalíssima e congrega em janeiro um grande número de fiéis daquela urbe, além de muitos visitantes. Na imponente Serra de São José, de inestimável patrimônio natural, existem cachoeiras e notáveis vestígios históricos dos primeiros tempos da mineração aurífera. 

Neste último dia 03 de maio, em Santa Cruz de Minas, exatamente na Praça do Cruzeiro, centro da cidade, aconteceu numa noite fria o resgate da tradicional Festa da Santa Cruz, há muito perdida no rastro do tempo. 

O grande cruzeiro estava iluminado e enfeitado com esmero e longas faixas de tecido desciam de seu alto até o gradil de cercamento. Diante dele, atrás e ao redor, muita gente em espírito familiar estava unida em preces comunitárias. Cristo já dissera: "Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." (Mt 18, 20) O recitativo do terço corria com grande concorrência de fiéis. Logo após houve uma missa campal, pelo Pároco Padre Pedro Wiermann, com a participação de afinado coral. 

Concluída a celebração, a guarda de moçambique da cidade de São João del-Rei, Bairro São Geraldo, apresentou-se no largo, cantando em redor do cruzeiro seus louvores em toques de jomba e carijó, sob o comando dos Capitães Tadeu Nascimento de Sousa, Jailton Antônio Braga e Danilo Francisco de Assis, este último de Santa Cruz, mas que participa e ajuda na mencionada guarda. 

Na sequência tocou a banda de música de Santa Cruz de Minas, sob o título de São Sebastião, padroeiro daquele município. Sua formação congrega crianças e adolescentes num importante trabalho cultural com a juventude. 

Enquanto a banda e o moçambique tocavam, servia-se à vontade café com quitandas, que impressionaram pela fartura e qualidade. Isto foi possível porque atrás do cruzeiro foi armada uma grande mesa. Finalizando, os congadeiros do moçambique (moçambiqueiros) deram sua despedida num giro por dentro do gradil do cruzeiro. 

Em tudo e por tudo, o que se viu e ouviu foram elogios e louvores. Criteriosamente preparado e contando com boa divulgação e realização pela municipalidade, o resgate se revestiu de um sentido notavelmente simbólico pelo próprio nome do município e em verdade é um festejo natural, típico do povo do lugar, que a correria da vida moderna fizera arrefecer e ora os esforços o soerguem. 

O cuidado nos pequenos detalhes revelou criterioso planejamento prévio, envolvimento da comunidade e respeitoso trabalho com elementos da cultura popular. Nem sequer foi esquecido de dar grande destaque às tradicionais cruzinhas de fachada, primorosamente adornadas com papel-crepon de várias cores, postas numa mesa adrede para a devida distribuição. Logo se denotava que tal feito só se concretizou por se tratar de trabalho de equipe, sob a idealização do Conselho Municipal de Política Cultural e Patrimônio e apoio de diversos parceiros de peso que tornaram possível a concretização, que, indubitavelmente, deixou em geral o desejo de continuidade. Que assim seja, amém!  

Convite oficial do evento.
Fonte: Prefeitura Municipal de Santa Cruz de Minas.

Referências Bibliográficas

Bíblia Sagrada. Evangelho de Mateus. São Paulo: Ave Maria, 1965. 

Créditos

- Texto: Ulisses Passarelli.

Notas

- Revisão: 04/05/2025. 

domingo, 1 de maio de 2016

Congo do Rio das Mortes: festa de 2014

"Congada Nossa Senhora do Rosário" _ guarda de congo do distrito
 de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno
(São João del-Rei/MG), Terra da Beata Nhá Chica,
durante a Festa do Rosário naquela vila, a 19/10/2014.
Assista ao vídeo produzido a partir de cenas captadas na mesma ocasião 
clicando no link abaixo



Notas e Créditos

* Fotografia, vídeo e edição: Iago C.S. Passarelli
** Texto e acervo: Ulisses Passarelli