Padre Jacinto Lovatto Filho, pároco de Matosinhos, vem supervisionando os últimos trabalhos de acabamento da grandiosa igreja do Bom Jesus, daquele bairro, que teve a sua construção iniciada no dia 4 de outubro de 1965, Dia de São Francisco. A nova igreja, com 1.420 m2 de área construída, em forma de cruz, está recebendo agora a parte de mármore em todas as paredes. O altar está centralizado na cruz, sendo que na parte do fundo se encontra o símbolo da Santíssima Trindade e um globo com a imagem de Bom Jesus abençoando-o. Vitrais laterais são em número de vinte e oito, com vidros importados da Bélgica, adquiridos há alguns anos. O piso do corpo do templo será revestido em paviflex. Padre Jacinto reuniu os recursos financeiros para a construção da Igreja com a ajuda dos fiéis da paróquia, que pagam uma mensalidade e, principalmente, das festas ali realizadas periodicamente. Para administrar a execução da obra, foi constituída uma comissão de construção da igreja composta por: Presidente – Waldemar Marques; Vice-presidente – Jorge Salomão; Secretário – Antônio Silveira e Tesoureiro – Pe. Jacinto Lovato.
Bem vindo!
Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.
ULISSES PASSARELLI
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sábado, 8 de dezembro de 2012
A nova igreja de Matosinhos
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Congado do Zé Camilo
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| Uma Festa do Rosário no Bairro São Geraldo, em São João del-Rei,tendo ao fundo a silhueta da Serra de São José. |
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| O Capitão Zé Camilo e uma princesa, em trajes típicos, durante uma Festa do Rosário no Bairro São Dimas, São João del-Rei, na Capela de Nossa Senhora do Rosário daquele bairro. |
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| O Capitão Zé Camilo com o bastão de comando, ladeado por membros do Reinado e à esquerda, o Capitão Altamiro Ponciano. |
Catolicismo contemporâneo em Matosinhos
| Saída da Procissão do Divino em 2009. |
- Fotografias: São Libório, Iago C.S. Passarelli; procissão, Ulisses Passarelli.
O Resgate
Remodelação da festa do Divino e a comissão de festeiros
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| Primeiro império montado após o resgate, em 1998, em plena Rua Antônio Rocha, antes da edificação da Gruta do Divino. Foto do autor. |
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Folclore do Parto
Em caráter extensivo, pode-se afirmar que as crendices e os tabus
envolvendo a geração de uma vida humana são de ocorrência cosmopolita. Assim
também, os cuidados com a mulher grávida, a parturiente, o pós-parto, o período
de resguardo e com o recém-nascido, no âmbito da cultura popular, ultrapassam
as questões profissionais de medicina e enfermagem e adentram o universo de
saberes informais. Cada região tem o seu repertório de práticas e superstições
a esse respeito.
Desde sempre, ao visitar uma grávida ou um recém-nascido, as mulheres dão suas recomendações cuidadosas, eivadas de um amor instintivo, um senso comum de proteção. Há um temor de que, qualquer mal, encontre passagem na fragilidade daquele momento primordial da vida. Dois medos, porém, disputam a primazia: o parto amarrado e o mal de sete dias.
Acredita-se que qualquer pessoa pode “amarrar” um parto, por maldade pura, num ato de vingança ou inveja, através de feitiços pagos a sujeitos inescrupulosos. Por isto as grávidas acorrem às suas preces e benzeduras, e dentre as simpatias, está a de tirar a medida da circunferência total do corpo ao nível do ventre gravídico, com uma fita de cetim, azul ou rosa, e se prender essa fita à imagem de uma santo, sobretudo São Raimundo Nonato, como observado em São João del-Rei / MG, em 1999. Essas fitas de medida são ainda postas nas mãos dos pretos-velhos (almas dos escravizados que ascenderam à condição de entidades espirituais) nos terreiros de umbanda. Essas entidades espirituais, muito iluminadas, que trabalham para o bem, desmancham o amarrio de parto ou o previnem, firmando as fitas e as conservando no gongá até o parto, quando então são devolvidas à mãe para atar à cabeceira do berço e assim servir de firmeza à família. Se valem também da oração a São Cipriano, para desmanche da amarração.
Parto amarrado é o terror da grávida: dores lancinantes a cortam no baixo ventre, não ocorre dilatação, a criança não toma a posição de saída, ficando atravessada; a pressão sobe muito, a sudorese é intensa e podem sobrevir sequelas e mesmo morte, para o filho ou ambos. Em São João del-Rei, conforme observação no ano de 2006, é corrente a recomendação de que a grávida nunca deve ir a terreiros durante trabalhos de linha esquerda. A influência pode ser danosa para o feto e, sobretudo, se um espírito incorporado de grande densidade tocar no ventre de uma gestante pode eventualmente, ainda que de forma involuntária, gerar deformidades na criança em gestação, em razão do choque energético.
O mal de sete dias é o famigerado tétano, que ceifa a vida do pequenino por infecção umbilical pelo Clostridium tetani, uma bactéria gram-positiva anaeróbia. O cuidado da parteira [1] com a esterilização de suas tesouras e a assepsia em geral de seu trabalho é a chave do sucesso nos partos caseiros. O processo é preventivo e se seguirá por vários dias nos curativos diários no umbigo da criança, até a queda do coto e total cicatrização. A troca das faixas, a aplicação de antissépticos é fundamental. É costume nos meios populares por a faixa bem apertada e debaixo da gaze embebida em antissépticos, unguentos ou pomadas uma pequena moeda esterilizada, que obriga o recuo do umbigo fazendo com que fique bem curado, assim considerado o que se torna fundo, em vez de raso ou estufado, o que futuramente favorecerá o surgimento de hérnias, segundo crença geral.
Ainda em São João del-Rei, se acredita que a primeira unha cortada deve ser guardada entre as páginas de um dicionário, ou, na falta deste, de outro livro qualquer. Isto garantirá que a criança cresça como estudiosa e inteligente.
Se a criança saliva muito, deve-se chamar a madrinha de representar e passar a barra da
saia dela em cruz três vezes na boca da criança para parar de babar. Se houver
apenas padrinho precisa fazer o mesmo processo com a barra de sua calça.
Para curar sapinho (candidíase oral), uma das receitas é a seguinte: esfregar o
local afetado com um pedaço de pano limpo, molhado numa infusão de funcho (Foeniculum
vulgare, apiaceae), três folhas de erva de São João (Ageratum
conyzoides, asteraceae) e bicarbonato de sódio. A seguir o
paninho úmido deve ser jogado na parede, onde fica grudado. Depois que seca,
desprende e cai. Então o sapinho começa a melhorar. O procedimento deve ser repetido
três vezes.
Quando o recém-nascido apresenta manchas na pele, aplicam-lhe um banho com "água de angu": quando se mexe angu, para que a rapa solte da panela, ela é deixada com água para amolecê-la. Esta é a água usada para este banho.
E por aí vai. O folclore se constrói no dia a dia. Os saberes formam uma trama contínua em cada passo da vida humana. Basta lembrar nas recomendações que tivemos ou ouvimos alguém dar a outrem e vamos rastrear a cultura popular viva em toda parte.
Muito embora não se possa recomendar que se faça qualquer coisa do que está
aqui escrito a ninguém, ainda assim este texto foi escrito em memória carinhosa
das mães, que muitas vezes desprovidas de recursos ou orientações, cuidavam em
sua crença de zelar pelo bem estar de seus filhos como lhes parecia correto.
Felizmente o avanço da conscientização e da ciência tem melhorado muito as
condições de vida do momento natalício, com os atos do pré-natal e as vacinas,
por exemplo, teste do pezinho, campanhas de aleitamento materno, etc., tudo
confluindo para minimizar as taxas de óbito infantil.
Este texto é um registro do folclore do parto, mas o autor não recomenda em absoluto a aplicação de nenhuma dessas práticas, por serem contrárias às normas preconizadas pela medicina e enfermagem. Sua abordagem nesta postagem é meramente por seu valor etnográfico. Este Blog não se responsabiliza por qualquer eventual dano à saúde decorrente dessas práticas ou semelhantes.
Para encerrar, segue uma lista de vinte
e cinco recomendações neste contexto folclórico, dadas de maneira informal (não
científica), por diversos populares em Santa Cruz de Minas, no ano 2002.





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