Guia de tentos e dentes. São João del-Rei, 2007. |
*** Leia também:
O folclore dos dentes - parte 1
O folclore dos dentes - parte 2
Bem vindo!Esta página foi criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas, tampouco acadêmicas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.
ULISSES PASSARELLI
Guia de tentos e dentes. São João del-Rei, 2007. |
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Página de um caderno de poesia popular. Santa Cruz de Minas, 1996. |
Sei que você gosta de mim,
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Menina, se tu soubesse,
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Embora diga que não.
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Como eu te tenho amor,
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A boca nem sempre diz
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Tua caías em meus braços
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O que senti o coração.
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Como o sereno caiu na flor.
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Menina, minha menina,
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O amar e o querer bem,
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Quem te fez tão bonitinha?
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Todos dois andam junto,
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Foi o sol, foi a lua,
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O amar passa trabalho,
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As estrelas miudinha...
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Querer bem padece muito.
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Da roseira nasce espinho
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O suspiro mais a saudade,
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E nasce também a flor;
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São dois amor que eu tenho:
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Do seu orgulho, carinho,
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O suspiro é quando eu vou,
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Do seu desprezo, a dor...
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A saudade é quando eu venho.
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Com A escrevo amor,
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Fiz o A pra te amar,
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Com P escrevo paixão,
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Fiz o Q pra te querer,
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Com R escrevo Roberto[1],
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Fiz o D pra te deixar,
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A letra do meu coração!
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Somente quando eu morrer.
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Seus olhos são de veludo,
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Se eu fosse uma pedra,
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Seu sorriso, encantador;
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Queria que você sentasse,
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Sua boca é meu livro,
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Mas como sou gente,
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Na faculdade do amor.
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Queria que você me amasse.
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Joguei uma pedra n’água,
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Sua boca é uma rosa,
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A onda foi espalhando,
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Seu nariz é um botão,
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Uma lágrima discreta
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Dentro dos teus olhos tem um laço
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Veio em meu rosto molhando.
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Que prende meu coração.
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A paixão e a saudade
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Menino dos olhos pretos
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São duas fiéis companheiras:
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Olhos preto, matadô,
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A paixão dura pouco,
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Se eu morrer por esses dias
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A saudade a vida inteira.
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Seus olhos que me matô...
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Sua mãe é uma rosa,
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Dentro da minha casa,
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Seu pai é um jardim,
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Corre água sem chover,
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Os dois trabalharam juntos
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Não sei se são meus olhos
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Pra criar você pra mim.
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Que chora por não te ver.
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Você disse que sou criança
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Você disse que sou criança,
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Recebi isto com fervor,
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Criança sei que sou;
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Pois mesmo pequenina,
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Um dia você sentirá saudades
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Estou morrendo de amor.
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Da criança que te amou.
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Oh, meu querido
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Mandei te retratar
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Da minha veneração!
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Na parede de meu quarto,
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Deus grave suas palavras
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Para na hora que não te ver
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Dentro do meu coração.
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Consolar com seu retrato.
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Os pássaros pedem ar,
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Os pássaros perderam as penas,
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Os presos, liberdade,
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Os peixes perderam as escamas,
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Eu peço a você,
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Eu vivo perdendo tempo,
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Amor e felicidade.
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Amando quem não me ama.
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Moreno dos olhos lindos
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O beijo que você me deu
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Que um dia encontrei,
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É sofrimento para mim,
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Não sei o que tu tens
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Andarei sempre sofrendo,
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Que logo apaixonei.
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Até chegar o meu fim.
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O amor é como um punhal,
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É triste a dor da saudade
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De dois cortes fatais,
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Ao despedir de alguém.
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Quem ama sofre muito,
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Quem parte, parte chorando,
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Quem não ama sofre mais ...
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quem fica, chora também.
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Hoje eu vi uma abelha[2],
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O vento quando é forte
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Pousada, tonta de amor,
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Joga folha no chão;
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Em tua boca vermelha,
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O amor quando acaba
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Pensando que era uma flor.
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Deixa dor no coração.
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Enquanto o mundo for mundo
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Se entre duas pedras
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Enquanto Deus governar,
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Pode nascer uma flor,
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Enquanto você desistir,
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Então, por que entre nós
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Outro, não hei de amar.
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Não pode nascer um amor?
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A folha da bananeira
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Eu tive um sonho esta noite,
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Tem quatro ou cinco recortes
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Sonho de tanta alegria,
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Hei de te amar
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Sonhei que me casaram a força
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Até na hora da minha morte.
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Logo com quem eu queria.
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Quando vires a tarde fria,
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Quando ver o dia triste,
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Não pense que vai chover
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A tarde querendo chover,
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São meus olhos tristes
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Lembre-se que são meus olhos
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Que choram por não te ver.
|
Que choram por não te ver.
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Subi no pé de lima
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Não te ofereço rosas
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Chupei lima sem querer;
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Porque tem espinho;
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Espetei no espinho
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Mas te ofereço meu coração
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Pensando que era você.
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Com todo amor e carinho.
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Se amar for pecado
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Sou um jardineiro imperfeito,
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Quero ser um pecador,
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Pois, no jardim da amizade,
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Para ser crucificado
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Quando planto um amor-perfeito,
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Nos braços do meu amor.
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Nasce sempre uma saudade...
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De saudade ninguém morre,
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Meu amor me deu um beijo,
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Vive sempre a sofrer,
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O meu corpo estremeceu,
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Creio que é verdade,
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Depois de nove meses
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Pois vivo sempre a sofrer.
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O nosso filho nasceu...
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Com Deus me deito,
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As letras pegaram fogo,
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Com Deus me levanto,
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Corri para salvar;
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Breve eu terei
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Salvei a letra ... [3]
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Você ao meu canto[4].
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O resto deixei queimar.
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Quando eu tinha 11 anos
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Minha vida é um céu
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Só pensava em brincar,
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Quando estou do teu lado,
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Agora que tenho o dobro
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Vira inferno,
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Só penso em te amar.
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Quando estamos separados.
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Ribeirão que corre água,
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Se eu fosse uma rainha,
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No fundo corre areia,
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Te daria o meu reinado,
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Se amar fosse crime,
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E se fosse uma andorinha,
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Eu estaria na cadeia.
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O meu ninho do telhado.
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Quando eu te amava
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O teu rosto é lindo,
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Você era a flor do meu canteiro.
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Teu sorriso encantador,
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Agora que te odeio,
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Não me canso de falar,
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Você é o porco do meu chiqueiro.
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Eu você é meu amor.
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Do céu quero uma estrela,
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Esta noite eu tive um sonho,
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Do jardim quero uma flor,
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Na praia do mar sereno:
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Dos teus lábios quero um beijo
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Sonhei que estava beijando
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Do teu coração quero amor.
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Seu lindo rosto moreno.
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Artesanato em madeira: miniatura de uma charrete. São João del-Rei, déc.1990. |
Congadeiros de Resende Costa, da Guarda Santa Efigênia, um catupé, recolhendo o Reinado durante a Festa do Divino são-joanense, no Bairro Matosinhos, 2009. |
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Um cruzeiro enfeitado para a Festa da Santa Cruz, na localidade de "Trabanda do Corgo" (Outra Banda do Córrego). Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno (São João del-Rei), 2014. |
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No portão do cemitério, a altas horas, reúnem-se em preces e cantos pelos mortos os encomendadores de almas. Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, 2000. |
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Chorando a morte do Zé Pereira (boneco no caixão). Carnaval de Ritápolis, 2000. |
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Ex-votos em madeira representando graças alcançadas sobre as mãos. Santuário da Santíssima Trindade, Tiradentes, 2014. |
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Melão de São Caetano: na veterinária popular usa-se macerado e diluído em água para curar "febre interna" e "curso" (diarréia) de bezerros. Santa Cruz de Minas. |
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Ovos de galinha caipira prontos para venda, enrolados individualmente na palha do milho. São João del-Rei, 2013. |
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Pastorinhas das Águas Férreas, Bairro Tijuco, São João del-Rei, 2000. |
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Folia de Reis, Santa Cruz de Minas, 1995. |
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Caixeiros do Divino nas ruas de Matosinhos, 2009. |
Campanário. São Gonçalo do Amarante (São João del-Rei), 2011. |
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Maria-fumaça, São João del-Rei, passando nas imediações do Sutil, 2000. |