Bem vindo!

Bem vindo!Esta página está sendo criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




sábado, 30 de abril de 2016

Caquende: cenas do encontro cultural

Esta postagem é a continuação da anterior, dedicada ao IX Encontro da Cultura Popular do Caquende (São João del-Rei/MG). Ora apresentamos uma seleção de fotografias que ilustram parcialmente a riqueza deste evento de celebração da fartura, da cultura de raiz, da força comunitária de união, da alegria e da fé. 

Nestas imagens avulsas e aleatórias se revela um fragmento da imensa cultura popular dos Campos das Vertentes, que ainda viceja nas cidades e distritos, bairros e roças. Louvado seja!

É mister registrar um voto de gratidão ao autor das fotografias que gentilmente as cedeu para composição desta postagem, Daniel Willian Dias Nascimento. 

Junta de bois.

Largo em festa: sá rainha, carro de bois, dançantes...

Chegada do moçambique de Ibituruna, tocando a jomba.
A sombra das árvores guarnece a assistência. 

Moçambique de São João del-Rei, Bairro São Geraldo. 

Congo de Carrancas.

Catupé de São João del-Rei (à direita) e Congo de Carrancas (ao fundo). 

Moçambique de Ibituruna.

Folia do Mestre João Matias canta sob a tenda. 

Cuidando do fogo no fogão improvisado, para garantir café a todos.

João do Mato na entrada da roça. 

Aspecto da colheita.

Após a colheita, os trabalhadores rurais fazem uma pausa para comes e bebes.

Broa na peneira para distribuir ao povo. 

Aspecto da distribuição alimentícia. 

Transporte festivo do milho colhido. 

Sob a tenda dançam o engenho novo (esquerda) assistidos pela folia das mulheres (direita),
congadeiros e povo em geral. 

Cortejo de congados e folias pelo largo.

Cena parcial da chegada do cortejo, vendo-se ao centro
alguns componentes do Pilão de Nhá.

A comunidade deixa água à disposição do povo.

Balsa entre o Caquende (São João del-Rei) e Capela do Saco (Carrancas)
atravessando a Represa de Camargos.

Notas e Créditos

 * Texto e legendas: Ulisses Passarelli.
** Fotografias: Daniel William Dias Nascimento, 24/04/2016, a quem agradecemos pela cessão das mesmas.

terça-feira, 26 de abril de 2016

IX Encontro da Cultura Popular do Caquende

Conclui-se no último domingo, dia 24 de abril o IX Encontro da Cultura Popular do Caquende, no extremo sudoeste da zona rural de São João del-Rei, às margens da represa de Camargos, no Rio Grande. Mais uma vez revelou ser um evento bem organizado e concorrido, graças à imensurável dedicação da equipe organizadora. 

A movimentação começou em verdade na quarta-feira, dia 20, com contação de estórias e abertura de exposição. 

No dia seguinte, foi a vez das lúdicas infantis, cordel de poesias em homenagem a Casimiro de Abreu, terço cantado e mais tarde, cantorias...

Sexta, 22, pela manhã, o autor deste blog teve oportunidade de estar reunido com a comunidade em palestra e diálogo sobre a inserção da cultura popular na sociedade moderna, os processos de construção e desconstrução da mesma e sobretudo de seus valores rurais. A fala aconteceu no salão onde acontecia como em anos anteriores, uma exposição de fotografias recentes e antigas de momentos importantes da vida social do lugar; peças antigas do mundo rural, como máquinas de costura, lamparina, ferramentas, mó (pedra de moinho), vasilhames, etc. Também exposto uma imensa série de troféus esportivos conquistados pela equipe de futebol do lugar. Além disto, significativo artesanato à venda, tudo produção local. 

Sábado teve mais palestra, teatro, encontro de corais e forró.

No dia maior, pelas oito da manhã, o povo reunido na praça sob uma grande tenda, enfeitada com elementos que evocam coisas da roça, como palhadas de milho, pilão, espantalho, jacá (balaio), carro de boi, etc., sediou o "Café com a Padroeira", antecedido de fala do Curador do Evento, Sr. Vicente Mário dos Santos, que culminou com uma prece coletiva da oração que o Senhor nos ensinou e por fim, graças a um fogão à lenha armado adrede, serviu-se a todos, gratuitamente, farto café, com quitandas típicas de forno, mandioca e inhame cozido, melado, leite acondicionado em "ciculatêra" (*), quentinho, café em bule esmaltado e chaleira de ferro; canecos da roça, tudo, absolutamente tudo, em seus mínimos detalhes reproduzindo a moda do campo, os hábitos da roça, os costumes da lavoura, como era antigamente. 

A medida que ia acabando uma rosquinha de nata, uma broa de fubá, logo aparecia uma pessoa com uma gamela cheia e reabastecia; outra renovava o conteúdo dos bules e chaleiras; outras mais cuidavam da higiene de copos e canecos, tudo com muito zelo e prontidão, ficando evidente o dedicado trabalho de equipe e a solidariedade, coisa cada vez mais rara. 

Enquanto isto, daqui e dali a criançada brincava livremente pelo largo gramado, em absoluta tranquilidade como convém a um pequeno distrito. O carreiro chegou trazendo uma junta magnífica de bois pretos, já atrelados à canga, para prender ao carro. Chegou uma folia. Depois um congado. E mais outro. O movimento cresceu. Sob a sombra das grandes árvores, numa mesinha, uma turma disputava no baralho uma partida de truco. Numa barraca o freguês saboreava uma porção de dobradinha ou de canjiquinha, e achava uma da boa, branquinha, cachaça. Encontros, reencontros, amigos, compadres, congadeiros, foliões. Por toda parte o povo conversava, sorria, estava descontraído e ao mesmo tempo indignado porque a capela não foi aberta à visitação como antes ocorria. Infelizmente nem sempre se pode contar com a sensibilidade da Igreja, que ao dar as costas para um evento desta natureza perde a oportunidade de estar junto aos fiéis, povo de Deus. Lastimável retrocesso.

Pelo fim da manhã, apareceram os trabalhadores rurais, homens de lavoura, para a colheita do milho. Vieram vestidos à caráter, de botinas, chapéus, facão à cintura e roupa da lida. Nos fundos da praça um cercado delimitava um milharal arranjado especialmente para o evento. Abriu-se a tronqueira. Um boneco na entrada fez as vezes do joão do mato. Rezou-se para São Bento livrar "dos bicho mal peçonhento". Entraram e se puseram a quebrar as espigas e a colheita foi ajuntada num jacá de trançado de taquara. O povo em volta via tudo, adorava, filmava, fotografava. Congadeiros e folieiros também rodearam. Daí, chegaram as senhoras da comunidade trazendo uma peneira trançada dessas de colheita, cheias de pedaços de bolo de fubá e oferecem aos trabalhadores da colheita; outra trouxe o bule de café quente e canecos esmaltados para servi-lo. Já chegava alguém com uma garrafa de pinga e tomava um gole, motivo de alegria. Por fim veio a Lia com um caldeirão e colher de pau. Era angu doce que trouxe, delícia de fubá cozido, cheio de pedaços de queijo. Para servir, arrancavam palhas de milho e fazendo-as de tigelas comiam à vontade. Teve cantoria também, de ronda de roça, canto de mutirão, tradicional. O carro de bois entrou na roça: "vai, Gigante!", gritou o carreiro com um boi, brandindo sem fincar a vara de ferrão. O jacá de milho colhido foi despejado em cima do carro. Um trabalhador tomou de uma palha, picou fumo de rolo, enrolou um cigarro e deu uma baforada. 

O carro saiu pra'li afora, gemendo e os trabalhadores em cima, e em desfile foram à tenda, onde o milho foi descarregado. Um deles veio com um pé de milho, grande, seco... é a "bandeira". Entregar a bandeira ao dono da roça é entregar um ramo em sinal de fim dos trabalhos, sucesso na colheita. Poderia ser também um pé de cana. 

É preciso comemorar a colheita. Deus deu a terra, a água e a semente. A colheita é fruto desta graça com o suor do trabalho. Agradecimento que se preze é com cantoria e dança _ é a vez do engenho novo. 

Em torno do pé de milho da bandeira, se entrelaçam pelos braços homens e mulheres, em roda, homens virados para fora do círculo de dançantes, mulheres para dentro. Quando a música irrompe, balanceiam no ritmo e como numa corrente, ao comando "vai!", soltam os braços e entrelaçam de novo, agora invertido, quem estava virado para fora fica voltado para dentro, e vice versa. 

"Meu engenho novo, morena!
Deixa muê!
Meu engenho novo, morena!
É da Tutuca!
Bota a cana nele, morena!
Faz o açúcar..."

Depois foi o almoço. Os grupos culturais o receberam de bom grado, abundante, bem temperado, saboroso. 

De tarde foi a vez do cortejo, de todos os grupos rodeando a praça e depois a hora das apresentações individuais na tenda, anunciando-se previamente ao microfone. Ei-los, na ordem da apresentação: "Congada Nossa Senhora do Rosário", de Carrancas, do Capitão José Geraldo Barbosa (congo); "Moçambique Nossa Senhora do Rosário", de Ibituruna, Capitão Adeildo Alves (jomba); Folia do Divino do Bairro Guarda-mor, São João del-Rei, do Mestre-folião João Batista do Nascimento ("João Matias"); Grupo Pilão de Inhá, do Caquende, sob a Coordenação de Maria de Sousa (Lia); "Congado São Benedito e São Sebastião", do Bairro Matosinhos, São João del-Rei (catupé); "Moçambique Santa Efigênia", de São João del-Rei, Bairro São Geraldo, Folia do Jardim São José, Bairro Tijuco, São João del-Rei, Mestra-foliã Lilia; "Coral de Seresta Viva Voz", do Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier, São João del-Rei, sob a coordenação do Professor Paulo Miranda (com repertório todo pautado em temas da cultura popular); Banda de Música Municipal de Nazareno. 

Tudo que acontece neste evento é prestigiado. Ninguém arreda o pé. O povo fica contagiado pela beleza da festa, enebriado de saudosismo, lembrando que era assim na época do papai ou quando se era criança. Daqui e dali se ouve muita palavra de elogio, que não pode deixar acabar, que merece mais apoio, etc. O encontro parece um reflexo de nosso passado perdido. A correria da vida moderna remete a uma introspecção ao ver este evento... para quê correr tanto? Por que tanta loucura atrás do dinheiro? A vida na roça não traz mais paz e qualidade? Parece que é uma festa feita para mexer com a emoção das pessoas. Sem dúvidas é um momento importantíssimo de valorização da cultura popular rural. Ali se revê dentro de uma estrutura festiva criteriosa e digna de encômios os elementos em ocaso desse universo interiorano mineiro. 

A toda equipe organizadora é devido o mais sincero parabéns e o reconhecimento do êxito alcançado. Esperamos que no ano vindouro, quando se comemorará a décima edição do evento, que o mesmo seja repleto de sucesso e revestido de grande animação. 

Cartaz do evento em papel couché, 29 x 41,5cm. 

Notas e Créditos

* Ciculatera ou chiculatera são corruptelas frequentes de "chocolateira", vasilha de alumínio de fundo largo e circular e boca estreita e afunilada, munida de alça, usada nos fogões à lenha. O mesmo que "sapona". 
** Leia também neste blog sobre o VII Encontro da Cultura Popular do Caquende, no qual se pode apreciar algumas fotografias da ocasião (maio/2014): CAQUENDE HOMENAGEIA O LAVRADOR
*** Texto: Ulisses Passarelli
**** Agradecimentos especiais: a Daniel Willian Dias Nascimento, por cuja gentileza e apoio ofereço esta postagem. 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Entendendo a Imagem do Divino


Em geral as principais representações materiais do Paráclito são em forma de pomba e de língua de fogo, inspiração livre nas escrituras bíblicas. Pomba e fogo aparecem artisticamente aplicados sobre uma pintura em estandarte, bandeira, flâmula, quadro, painel, medalhão ou escudo e em especial a pombinha branca aparece esculpida ou moldada sob a forma de imagem. É tal como o vemos no retábulo ou no forro de várias capelas e igrejas e ainda, na arte popular, figurando airosa nos estandartes de procissões e nas bandeiras de grupos de folia do Divino e ternos de congado.[1]

Perpassando estes elementos vemos que o artista executor da imagem ou da pintura, nas mais diferentes flâmulas e na imaginária, se vale de alguns artifícios para fixar a simbologia agregada ao Espírito Santo. Muitas vezes é acrescida de elementos simbólicos que reforçam as impressões populares pela adição de efeitos. Entendo-os assim: 

efeitos luminosos (halo, fachos, raiadas, línguas de fogo, brilho, clarão);
efeitos de santidade (auréola, resplendor);
efeitos de poder (coroa, cetro);
efeito de pacificação e esperança (ramo verde no bico, interpretado como de uma oliveira);
efeitos sacramentais (1- figuração de água – lembrança do batismo de Cristo no Rio Jordão; 2- pombinha ao centro de uma custódia – representação bastante generalizada);
efeitos de divindade (1- pintura de nuvens se afastando para aparição da pomba; 2- nuvens em torvelinho ao seu redor, acinzentadas em cataclismo; 3- céu se abrindo como se tragado de um plano superior donde emana luz, representado em gradação branca-amarela-laranja);
efeito de efusão (vento representado como tracejado paralelo branco-azulado-cinzento,  saindo da pomba em direção à Terra);
efeito de movimento (quase sempre a pomba está de asas abertas, voando em graciosa lateralidade ou em fase de descida. Por estar voando suspensa confere a ideia de estar acima de nós, de um ser superior).

O lado místico se revela pela própria condição de uma devoção não antropomórfica, ou seja, existe uma dificuldade em confeccionar uma imagem do Divino ou pintá-lo, pois que o Espírito Santo não apareceu sob forma humana; não é como os santos, que foram gente. Daí o artista buscar os artifícios acima enumerados para melhor fixá-lo a partir da abstração natural.

A imagem do Divino Espírito Santo existente no Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei, é extremamente significativa por sua origem e elementos simbólicos, além de ser uma belíssima obra de arte religiosa.

Ela é do século XIX. Foi doada pelo Imperador do Divino Tomaz Antônio Gonçalvez. Tem a forma de custódia. Atrás dela existe a seguinte inscrição: “Feita nesta cidade de São João del-Rei, em maio de 1868, por Manoel Pereira Maya, natural de Piracatu [2], por mandado do Imperador do Espírito Santo Thomaz”. A inscrição foi descoberta numa restauração. Naquela ocasião foram retiradas dezesseis lâmpadas coloridas, com as respectivas boquilhas, que um inconsequente fixara nas raiadas da imagem, descaracterizando-a. O acréscimo de gosto duvidoso fora realizado na segunda metade do século XX. Atrás, sobre a dita inscrição, um terrível emaranhado de fios punha a peça sacra sob o risco de incêndio, por um muito plausível curto-circuito. Considere-se que é feita de madeira. Retomou sua autenticidade.

Nela vemos a pombinha presa à peça principal por um pequeno gancho nas costas, o que a torna pendente de fato, pelo que, em procissão, conforme o balancear do andor, parece mesmo que está voando... Como plano de fundo existe o recorte de um triângulo equilátero, simbologia representativa da Santíssima Trindade, da qual o Espírito Santo é a Terceira Pessoa. Acima dela está esculpida uma coroa e dois cetros cruzados, elementos da realeza simbólica, poder, reinado, império, súditos que são os fiéis do Espírito Santo, o povo de Deus. O fato de serem dois cetros talvez ultrapasse a pura estética da composição: lembremos que se hoje temos apenas o Imperador do Divino, na festa do passado também tínhamos a Imperatriz. É plausível que os dois cetros possam ser alusão ao casal imperial.

Pintura do Divino na bandeira da Folia do Divino "Embaixada Santa",
São João del-Rei/MG, 04/04/2012.  
  
Bordado representativo do Divino numa antiga dalmática.
Acervo do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 25/03/2012.

Bordado representativo do Divino numa antiga dalmática.
Acervo do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 25/03/2012.

Medalhão aplicado a um estandarte de procissão.
Acervo da Comissão Organizadora da Festa do Divino, Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 28/05/2012.

Quadro de mastro fincado diante da Igreja de Santa Teresinha,
Matosinhos, São João del-Rei, durante a Festa do Divino.

Bandeira de congado,
Moçambique Divino Espírito Santo, Piracema/MG
durante do jubileu em Matosinhos, São João del-Rei, 28/05/2012.

Imagem do Divino, Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 18/05/2013.
Notas e Créditos  

* Texto: Ulisses Passarelli 
** Fotografias: Ulisses Passarelli (bandeira e dalmáticas) e Iago C.S.Passarelli (bandeira de moçambique,estandarte, quadro de mastro, imagem)  

[1] - Publicado no Informativo Jubileu do Divino Espírito Santo, n.19, maio/2016, Comissão Organizadora da Festa do Divino, São João del-Rei. 
[2] - Piracatu (sic): possivelmente Paracatu, cidade do noroeste mineiro.










quarta-feira, 20 de abril de 2016

Santo Expedito, Santo do Último Pedido!

Cenas da Festa de Santo Expedito na Igreja de São Gonçalo Garcia,
em São João del-Rei/MG, 19/04/2016. 
Santo Expedito é o santo que o povo acredita ter maior expediente no céu,
o que mais imediatamente atende, expede, as graças imploradas pelos fiéis desesperados.
Quando nenhum santo consegue intermediar,ele vence, célere, pois dizem que é "O Santo do Último Pedido"...

Notas e Créditos

* Edição: Ulisses Passarelli
** Para saber mais sobre este assunto leia neste blog: SANTO EXPEDITO, O SANTO DA HORA!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Tamborim é que bate raia!

O comando de uma guarda de congado é exercido por um capitão, assim chamado o congadeiro que exerce a liderança e o controle dos cantos, danças, toques e movimentações. É o solista. Possui dentre os demais elevada experiência e domínio do conhecimento de conteúdo, o que popularmente chamam de "os fundamentos". 

Os capitães se distinguem por vezes em detalhes da vestimenta, habitualmente mais elaborada ou enriquecida; outras vezes, por trazer consigo algum objeto específico. Assim, se em algumas guardas de congado tocam um instrumento como, por exemplo, sanfona ou mesmo uma caixa, em muitos, ou mesmo na maioria, para melhor desenvoltura de seu comando e à guisa de distintivo, traz um bastão especial (bengala, manguara...), ou uma espada ou ainda um tamborim, alvo deste texto. 

Na região das Vertentes o tamborim é mais frequente nas guardas de catupé.

O tamborim é um pequeno instrumento de percussão indireta, de construção artesanal, estrutura em madeira, revestido de couro pregado por meio de pequenos pregos ou tachas. Através de uma pequena baqueta de pau se faz a percussão. O formato é via de regra quadrangular e sobretudo retangular e na região das Vertentes são de tamanho pequeno a médio, com couro de um lado só, sendo o outro aberto. Em alguns ternos do oeste mineiro aparecem tamborins retangulares relativamente grandes e às vezes com couro nas duas faces e ainda em forma sextavada. De ordinário tem uns e outros uma alça curta, resistente para se segurar diretamente na mão, não sendo usado a tiracolo nem pendente nos ombros como os tambores. Em suma é isto, muito embora, eventualmente, vejamos algum capitão munido de um tamborim de confecção industrial, de estrutura metálica circular revestida de membrana de nylon, desses que se usa em bateria de escola de samba e blocos de carnaval, mas não é tão comum. A afinação do tamborim se faz pelo calor, bastando deixá-lo algum tempo exposto ao sol para retesar o couro.

O papel deste instrumento é marcar o ritmo, chamar os instrumentos à correção da cadência, pontuar momentos específicos da estrutura musical com seu toque cuja tonalidade se sobressai acima de todos. Por isto mesmo o tamborim não toca direto, contínuo. Boa parte do tempo o capitão apenas o carrega e só bate nas precisões, como dizem. 

"Êh, ti maia!  -   bis
Tamborim é que bate raia!"  -  bis (*)

Esteja claro que é um instrumento privativo do capitão. No desenrolar de uma apresentação cultural ou de uma participação em festa religiosa, somente circula entre os capitães da guarda, ou seja, do primeiro para o segundo capitão, ou para o capitão-meirinho, ou no máximo momentaneamente para a mão de um soldado de destaque, aprendiz de capitão. Não obstante aconteça de confeccionarem pequenos tamborins efetivamente de pequeno efeito musical e o darem para as crianças tocarem, como forma de incentivo à participação e ferramenta de aprendizado; ainda assim, é um instrumento de comando.

Importante notar que o jeito de bater o tamborim é algo muito subjetivo. Não é só percutir. Com ele em mão, dança-se além do ritmo próprio daquele congado, imprimindo com o instrumento, meneios e mesuras muito particulares, como se o objeto transmitisse ao seu portador uma energia específica que lhe incrementa os salamaleques. Ora bate-o no alto, acima da cabeça, ora baixo, rente ao chão; sucessivamente à direita é à esquerda demonstrando movimentos coreográficos que são prontamente entendidos e seguidos, como se fossem parte de um código ou linguagem. Na empolgação, tem capitão que daqui e dali joga o tamborim para o ar e o ampara de novo, a que chamam "serenar o tamborim", algumas vezes girando o corpo com rapidez enquanto o instrumento sobe e desce; se acostam a um tocador novato que está errando os batidos de caixa e bem junto dele bate no tamborim o ritmo certo para que o caixeiro emende; percutem insistentemente na passagem das encruzilhadas e obstáculos (porteiras, valas, cavas, vias férreas, pontes), mesmo que em si a música esteja toda correta. 

Deste último uso, se depreende com evidências numerosas, que o instrumento vai além da música aparente e serve de mecanismo de comunicação com o universo sagrado do congadeiro. O tamborim goza de muito respeito e por força do hábito, nem sequer é usual tocar-lhe as mãos, que não seja o capitão, e, se o fizer, há de se pedir permissão ao capitão, bem como, licença. É óbvio que se trata de uma firmeza, um elemento preparado para a função em termos de preces e ritos, como cabalmente se afiguram pontos riscados em seu couro (por vezes no verso, longe das vistas dos curiosos), medalhas de santos pendentes, estrelinhas, figas, penduricalhos, fitas de cetim nas cores votivas que lhe amarram; cordões trançados de palha da costa por vezes com búzios, terços de contas de lágrimas presos a ele, cruzinhas de arruda e guiné e outros amuletos. 

O tamborim bate saudando o mastro desde o pé até apontar ao alto e dando-se três voltas em seu perímetro. Quando o mastro é arrancado, enquanto alguém se apressa para buscar terra e tampar o buraco onde estava fincado, o capitão o cobre com o tamborim para que ninguém jogue nada de ruim lá dentro _ objeto ou pedido escrito. É o instrumento que pede licença às entidades espirituais para se alcançar forças para seguir em frente. O batido do tamborim afugenta o mal. O toque seco de seu couro estirado tira as forças contrárias do inimigo invisível. Se um objeto suspeito de conter uma mandinga está no chão no caminho do congado, o capitão o cobre com o tamborim enquanto canta o contrafeitiço e os dançantes executam uma coreografia de meia-lua. Se bater o tamborim três vezes às três da tarde (15 horas), da Sexta-feira da Paixão, pensando no inimigo renitente, pode tira-lhe a vitalidade. Tamborim caindo ao chão com frequência indica mal augúrio. Parece que tem vida própria, anímica, misteriosa: 

"Eu passei na ponte, 
a ponte tremeu, 
debaixo da ponte,
oi, tamborim gemeu..."

O couro em si goza também de seus cuidados próprios. De bezerro é o mais usado, mas goza de fama elevada o de cabrito, que confere ao capitão uma força extraordinária contra a qual não se pode trabalhar. Célebre é o tamborim de couro de gato, tanto mais de gato preto, muito embora nunca tenha visto um, dizem que dá ao capitão agilidade, destreza, esperteza, que não há quem alcance. Para tratar o couro em momentos que o capitão julga adequados, esfrega-lhe cachaça ou azeite de dendê. Preparar um tamborim no dia treze de maio (data da libertação dos escravos) rende-lhe de imediato uma benção inextinguível. O mesmo no dia de São Benedito, que estimam com o maior dos capitães:

"Benedito Santo, 
filho de Nossa Senhora:
êh... Capitão Benedito, 
esta é nossa hora!"

"Benedito Santo,
filho da Virgem Maria:
olha lá, Capitão Benedito,
hoje é o nosso dia!"

Assim é o congado, cheio de maravilhas. Um rude instrumento conserva em si uma riqueza cultural que extrapola as mais otimistas previsões. Não é apenas um conjunto de homens dançando e cantando coisas ininteligíveis; é um exercício de louvação ao rosário, com todo um harmônico e bem elaborado conjunto de valores e símbolos do mais elevado significado religioso, cultural e social, digno de conhecimento e preservação:


"Se a morte não me matar, tamborim!
Se a terra não comer, tamborim!
Ai, ai, ai, tamborim!
Eu volto aqui pra você ver, tamborim!"

"Se a terra não me comer, tamborim!
Se a morte não me matar, tamborim!
Ai, ai, ai, tamborim!
Eu aqui torno voltar, tamborim!"

Capitão Zé Carreiro, de Coronel Xavier Chaves, maneja o tamborim
junto a um mastro, com toda experiência de décadas de dedicação. 1995. 

Catupé de Piracema em coreografia dos tocadores de ganzá,
sob o comando do capitão com o tamborim, em movimentos de lateralidade. 01/11/1998. 

Capitão Sebastião Ezequiel na dianteira do congado da
Restinga de Baixo (Ritápolis), batendo o tamborim inseparável. 04/06/2006.    

Capitão Ernane Luís da Silva com o tamborim
à frente do congado da Restinga de Baixo (Ritápolis). 2000. 
Tamborins: Coronel Xavier Chaves (esquerda) e Restinga (direita). 24/09/2000.  

Notas e Créditos

* Variante do cancioneiro popular: "Maia, Lourenço, maia! / Lourenço que bate raia!" Informante: Elvira Andrade de Salles, Santa Cruz de Minas. 
Cantos: congados de São João del-Rei, década de 1990, muito embora sejam cantos bastante difundidos e de uso ainda hoje em vários congados regionais, admitindo variações nos versos. 
** Texto e fotografias: Ulisses Passarelli





domingo, 10 de abril de 2016

Folia do Carlão em Aparecida


Folia do Divino "Mensageiros do Paráclito", 
da Colônia José Teodoro (São João del-Rei/MG),
 em Aparecida/SP, durante o 12º Encontro Nacional de Companhias de Reis,
a 17/01/2015. Folião: Carlos Leandro de Oliveira; 
Embaixador: Antônio Franciscodos Santos. 

Notas e Créditos

* Vídeo e edição: Iago C.S. Passarelli
** Texto e acervo: Ulisses Passarelli  

terça-feira, 5 de abril de 2016

Breve História da Criação do Quicumbi, o Cemitério Municipal de São João del-Rei

Nos tempos coloniais o costume era que os enterramentos se dessem no interior das igrejas. Os velhos templos do século XVIII das cidades históricas ainda conservam algumas vezes tábuas de assoalho muito antigas e largas, numeradas em baixo relevo. Guardam as campas, onde outrora eram sepultados os cadáveres.

Obviamente que o crescimento da população e as razões da higiene pública inviabilizaram semelhante prática.

Foi então, que as preocupações de ordem sanitária começaram lentamente a ganhar corpo na centúria seguinte. VALE (1985) esclarece que:

 “uma Carta Régia de 14 de janeiro de 1801 proibiu enterramentos nas Igrejas. Parece, porém, que à vista de muitas representações que se levantaram de todas as partes do Reino, tanto em Portugal como no Brasil, essa disposição não foi levada em conta.”

 Já no regime imperial, uma lei datada de 01/10/1828, do Imperador Dom Pedro I proibiu os sepultamentos no interior das igrejas obrigando a construção de cemitérios. Não foi sem resistência, representações e protestos que esta lei vingou. A ordem não foi bem vista. Sepultar na igreja fazia parte de um sistema religioso bastante arraigado e de parte de uma ideia de redenção: o corpo no interior da casa santa, a Casa de Deus, era como se já estivesse mais próximo da salvação por estar em território sagrado. Da impopularidade desta mudança por toda parte em geral, o caso mais proeminente ocorreu na Bahia, gerando uma revolta popular com apoio do clero e das irmandades, que ficou conhecida por “cemiterada”, quando o povo insatisfeito, protestando rua afora, invadiu o cemitério quebrando tudo. No caso de Salvador a situação foi agravada pela concessão do governo provincial dada a uma empresa para explorar os sepultamentos.

Em São João del-Rei, transcreveu o Professor GAIO SOBRINHO (2010) um ofício de 23/04/1829, do Secretário da Câmara às ordens terceiras e irmandades, reportando à lei imperial do ano anterior, para não se sepultar mais dentro das igrejas, a partir de 1º de janeiro do ano seguinte, elegendo-se uma elevação de terreno junto à Casa do Conselho como local para o cemitério geral onde se enterrariam membros de todas as confrarias.

A edificação dos cemitérios prosseguiu. A mudança veio para ficar. Além do cemitério geral, cada irmandade cuidou de criar o seu próprio, o que foi ratificado por uma ordem governamental da província em 1833, nos revela GAIO SOBRINHO (2010). Sem afastar-se muito dos templos, eram construídos nos adros, nos fundos, arredores. O campo de enterramentos ainda era santo... Mas, no geral, e em especial em cidades muito tradicionalistas como São João del-Rei, praticamente, para ser enterrado, era preciso pertencer a um determinado sodalício religioso. Isto porque cada irmandade, confraria e ordem terceira se esforçavam por construir seu próprio cemitério, por assim dizer, reservado ou restrito aos seus irmãos filiados. Assim correu no século XIX.

Uma exceção em São João del-Rei foi o a Irmandade da Misericórdia, ligada às atividades hospitalares da Santa Casa, que tinha um cemitério fronteiriço, onde hoje está o Colégio Nossa Senhora das Dores, ou mais exatamente nos seus fundos, junto à encosta do barranco. O pequeno Cemitério da Misericórdia acolhia os corpos de indigentes, loucos, leprosos... os proscritos da sociedade oitocentista. Esta irmandade mantinha também um leprosário, “lazareto”, como se dizia, conservando os pacientes com hanseníase numa unidade isolada, onde hoje está o Teatro Municipal.

Ocorre que em 1881 a dita Irmandade da Misericórdia acabou com o lazareto e ao que tudo indica já não havia onde reservar os pacientes de Hansen; não bastasse, no final do século XIX, em 1897, o cemitério desta irmandade estava lotado e o referido colégio em franco processo de construção, demandando a extinção do cemitério.

A questão gerava um severo problema de ordem pública e a administração municipal se viu às voltas com esta questão. Paralelamente, era o início do período republicano e a primeira constituição do novo regime previa a separação do governo e da religião, a chamada laicização do estado. Portanto, era mister a edificação de um cemitério público, desvinculado da Igreja.

Neste aspecto, indica-nos os estudos do professor GAIO SOBRINHO (2001), que um texto publicado no jornal local A Pátria Mineira, datado de 30/01/1890, indicava a necessidade iminente de construção de um cemitério em local apropriado baseado nas razões da higiene:

“Os cemitérios devem ser construídos fora do recinto da cidade, numa distância de 1000 a 1500 metros, em terreno seco e colocado de tal forma que os ventos dominantes não levem os eflúvios para a cidade; fartamente arborizados e mesmo separados da cidade por uma zona arborizada” Etc.

Ainda o mesmo autor cita mais um texto a propósito do mesmo jornal e ano, datado de 11 de setembro, que frisava:

“que a cidade dos mortos seja separada da dos vivos por uma fila de árvores que impeçam aos ventos levar em suas correntes as emanações e os micróbios que infeccionam o ar.”

Havia um medo de que gases, vapores, eflúvios, emanações, micróbios advindos das sepulturas esparramassem epidemias pela cidade. Era ainda a crença no mal ar.

É muito útil neste momento transcrever mais um trecho do Professor Gaio Sobrinho, que elucida sobre a escolha do local, em tudo coerente com aquilo que A Pátria Mineira reclamara anos antes:

“Em São João del-Rei, em março de 1897, uma comissão de médicos composta pelos doutores Cornélio E. das Neves Milward, José Teles de Morais Barbosa, Juvenal das Neves e Galdino E. das Neves Sobrinho, indicava a região do Quicumby como apropriada para a construção do cemitério público por ‘situar-se no norte/nordeste da cidade, distante dois quilômetros, separada da povoação por colinas e florestas que impedem o vento e ser um terreno úmido e permeável que facilita a decomposição cadavérica.’ Em 30 de novembro de 1898, a Câmara desapropriava a chácara do Quicumbi para nela se estabelecer um lazareto (*) e o cemitério municipal, que, no ano seguinte, seria dividido em 4 partes, reservando-se uma para os não católicos. É curioso, porém, que num livro de óbitos da Ordem Terceira de São Francisco, antes desse ano, já existem referências a enterramentos no Quicumbi.” (p.100).

Por este texto observamos que o local servia aos requisitos que segundo a visão da época eram propícios. O mais interessante era a indicação da existência das matas entre a região escolhida e o centro da cidade, o que se deduz fossem de cobertura florestal a encosta do Bairro das Fábricas, Dom Bosco, Lava-pés (atual Bairro São Dimas), Bela Vista, Barro _ áreas hoje completamente urbanizadas.

Foi então que o poder público resolveu adquirir a Chácara do Quicumbi. Informa-nos CINTRA (1982), que em 09/02/1898 uma lei municipal declara esta chácara como de utilidade pública para efeito da criação do cemitério local. O proprietário da Chácara do Quicumbi era o Major Joaquim de Castro e Sousa, que falecera dez anos antes, em 05/01/1888. Era casado com Elmira Maximiana Batista, da família Batista Machado.

A Resolução nº 147 da Câmara Municipal são-joanense, de 22/04/1899 autorizou sua construção, com portão de ferro. Foi orçado em sete contos de réis, informa o jornal S.João d’El-Rey.

O cemitério passou por uma reforma, ou apenas, reparos em 1923, cuja extensão não o sabemos. A notícia muito lacônica é dada pelo jornal A Tribuna.

A palavra quicumbi é um tanto enigmática e não está claro seu significado exato. Uma interpretação oral diz que significa “barro mole”, referência ao terreno argiloso desta região, que teria um grau de umidade adequado à dissolução dos cadáveres.

Particularmente não colocamos crédito nesta interpretação. A palavra é claramente de origem africana: “cumbi significa sol, em idioma quimbundo. Por sua vez se prestou à formação de várias palavras de sentido semelhante, variando apenas os sufixos, referindo-se a um grupo folclórico de dança, folguedo, espécie de congado.

O que se sabe ao certo por registros da cultura popular do início do século XIX é que havia uma cerimônia com danças e cantorias usada para as ocasiões fúnebres de sepultamento de membros da realeza africana que no Brasil estavam subjugados como escravos. No féretro, os escravos então dançavam o quicumbi ou cucumbi. Esta mesma dança era usada nos rituais da puberdade, referência a ritos de passagem, comemorativo da mudança da infância para a adolescência.

Quicumbi era, portanto um tipo de congado, um auto popular, dança folclórica, folguedo. Brasil afora ele assumiu diversos formatos, afastando-se ao longo dos anos de seu objetivo central e se integrando em alguns lugares ao ciclo festivo do Rosário e em outros ao do carnaval, sob diferentes nomes: quicumbi, cucumbi, cacumbi, ticumbi, catumbi.

O registro exato da dança do quicumbi em São João del-Rei nunca o localizamos. O nome da chácara parece, contudo, e pela lógica, ser uma referência à dança, principalmente por se tratar de uma região antigamente isolada, distante da cidade, escondida por matas no interior das quais os escravos e forros nos tempos do maldito cativeiro poderiam fazer seus rituais longe dos olhos discriminadores da sociedade escravocrata.

Túmulo da Jovem Desconhecida, local de devoção popular no Quicumbi.
São João del-Rei/MG. Setembro/1998.

Referências Bibliográficas

ALVARENGA, Luís de Melo. História da Santa Casa da Misericórdia de São João del-Rei (1783-1983). Belo Horizonte: Formato, 2009. 444p.il. p.48-49.

GAIO SOBRINHO, Antônio. Visita à Colonial Cidade de São João del-Rei. São João del-Rei: [s.n], 2001. 128p. p.81-100.

GAIO SOBRINHO, Antônio. São João del-Rei através de documentos. São João del-Rei: UFSJ, 2010. 260p. p.159 e 203.

CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei. 2.ed.  Belo Horizonte: Imprensa Oficial: 1982. 2v.

SENA, Consuelo Pondé de. A Cemiterada: curioso motim baiano. In: MAN, Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, 1981. n.10, ano 12. p.3-6.

VALE, Dario Cardoso. Memória Histórica de Prados. Belo Horizonte: [s.n], 1985. 344p. + anexos. Os Cemitérios, p.105-106.

Referências Hemerográficas

S.João d’El-Rey, n.17, 13/05/1899. São João del-Rei.
A Tribuna, n.468, 15/04/1923. São João del-Rei.

Notas e Créditos

* Para saber mais sobre a história dos leprosos em São João del-Rei, leia também neste blog o texto: OS LÁZAROS
** As tensões sociais entre a administração municipal e os setores religiosos ao fim do século XIX, por conta do cemitério público, podem ter sido relevantes. Na vizinha cidade de Prados, por exemplo, no mesmo ano do nosso Quicumbi, registrou VALE (1985), que a partir de 22/03/1898 a administração sobre o cemitério foi tirada da Igreja, "muito a contragosto do Revº Vigário da época _ Padre Antônio Cardoso Damasceno _ representando a Irmandade do Santíssimo Sacramento _ , que protestou e procurou até embargar outra que não fosse a sua administração". (p.106). Por fim, um decreto de trinta de abril daquele ano regulamentou as atividades do Cemitério de Prados.
*** Texto e fotografia: Ulisses Passarelli


sábado, 2 de abril de 2016

Carros de Bois em Tiradentes


Desfile durante Festival de Carros de Bois e Tropeiros, 
em Tiradentes/MG, 07/10/2013. 


Notas e Créditos

* Vídeo: Iago C.S. Passarelli
** Edição, texto e acervo: Ulisses Passarelli