Bem vindo!

Bem vindo!Esta página está sendo criada para retransmitir as muitas informações que ao longo de anos de pesquisas coletei nesta Mesorregião Campo da Vertentes, do centro-sul mineiro, sobretudo na Microrregião de São João del-Rei, minha terra natal, um polo cultural. A cultura popular será o guia deste blog, que não tem finalidades político-partidárias nem lucrativas. Eventualmente temas da história, ecologia e ferrovias serão abordados. Espero que seu conteúdo possa ser útil como documentário das tradições a quantos queiram beber desta fonte e sirva de homenagem e reconhecimento aos nossos mestres do saber, que com grande esforço conservam seus grupos folclóricos, parte significativa de nosso patrimônio imaterial. No rodapé da página inseri link's muito importantes cuja leitura recomendo como essencial: a SALVAGUARDA DO FOLCLORE (da Unesco) e a CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO (da Comissão Nacional de Folclore). Este dois documentos são relevantes orientadores da folclorística. O material de textos, fotos e áudio-visuais que compõe este blog pertencem ao meu acervo, salvo indicação contrária. Ao utilizá-lo para pesquisas, favor respeitar as fontes autorais.


ULISSES PASSARELLI




quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Folia do Divino do Bom Pastor, São João del-Rei


Folia do Divino, do Bom Pastor, Bairro Matosinhos,
São João del-Rei/MG, Mestre Didinho, em 18/05/2013,
cantando no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
durante a missa da véspera de Pentecostes. 


Notas e Créditos

* Vídeo: Iago C.S. Passarelli
** Texto, edição e acervo: Ulisses Passarelli

domingo, 22 de novembro de 2015

Moçambique: toque - jomba



Terno de Moçambique "Kincongo", de Nova Pedra Negra
(Ijaci/MG), durante a Festa do Divino no Bairro Matosinhos,
em São João del-Rei, batendo uma das variações do toque de jomba.
O começo do vídeo mostra o berimbau (urucungo), com sua corda 
única friccionada por um pano molhado. 

Notas e Créditos

* Texto, acervo e edição: Ulisses Passarelli
** Vídeo: Iago C.S. Passarelli, 19/05/2013. 

sábado, 21 de novembro de 2015

Moçambique: toque - carijó



Exemplo musical de um dos toques conhecidos por "moçambique-carijó",
 executado pela Guarda de Moçambique "Nossa Senhora do Rosário", do Solar da Serra,
Bairro Colônia do Marçal, São João del-Rei/MG, durante o Jubileu do Divino 
nesta mesma cidade, enquanto o grupo marchava ao Jardim Paulo Campos para 
o recolhimento do reinado, no Bairro de Matosinhos. 


Notas e Créditos

* Texto, acervo e edição: Ulisses Passarelli
** Vídeo: Iago C.S. Passarelli, 08/06/2014.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Jomba: outro tipo de moçambique

Um dos tipos mais conhecidos do congado mineiro é o moçambique, bastante divulgado no território estadual. Sua ocorrência é abundante desde a região do Triângulo, área central _ inclusive na zona metropolitana _ Campos das Vertentes, Oeste, Centro-oeste, Sul e Sudoeste de Minas Gerais. Eis a área principal. Fora esta, as ocorrências são mais pontuais. Mas o moçambique é também bastante conhecido em São Paulo, ou pelo menos sua modalidade "bate-paus", e o típico, em Goiás.

Mas assim como acontece com outros grupos da cultura popular de ampla ocorrência geográfica, o moçambique apresenta-se em diversas fisionomias conforme a região do estado. Então, quem assistir a um de Uberlândia e depois ver outro de Perdões, ou de Passos, ou de Ibertioga, se espantará com as diferenças. Conceitualmente, porém, todos são moçambiques.

O estudo da geografia dessas guardas é um trabalho de gigante, que demanda anos de pesquisas e viagens e que obviamente aqui está apenas tracejado.

Fato é que na Mesorregião Campos das Vertentes o tipo predominante é a "jomba", que relativamente tem bastante unidade estilística na área que ocorre, hoje mais reduzida, mas que já abrangeu a Microrregião de São João del-Rei e desta toma rumo oeste, até pelo menos arredores de Camacho. Rumores indicam que se esparramou em parte do sul mineiro, pelo menos aquelas mais influenciada pela cultura da zona contígua, mas não pude averiguar a veracidade. Informações verbais dão conta que no passado estes moçambiques já existiram em Lagoa Dourada, Resende Costa, Tiradentes, Ritápolis e Conceição da Barra de Minas, donde teriam desaparecido a várias décadas.

A jomba se diferencia do moçambique típico por alguns aspectos bem nítidos. O mais perceptível é o musical: ela não tem o vigor dos batidos firmes, pesados, típicos dos toques de serra-abaixo, serra-acima, marcha, angolano e indiano, ou o moçambique-liso do sudoeste mineiro, de repique contínuo, dentre outros, mas é uma marcação suave, de compasso mais lento, manhoso, quase arrastado, fazendo com que o dançante apenas balanceie o corpo em meneios cadenciados. Já por isto dizem, é "dança de negro velho": pouco acelerada, não se agita.

"Moçambiqueiro não pode correr,
não pode parar, não pode pular..."

E assim vão o dia todo. 

 Alguns grupos tem ritmo um pouco mais ligeiro, mas em geral há uma grande unidade musical. Outros, nos intervalos, introduzem toques de outros ritmos que chamam "moçambique-carijó", como com frequência vemos em São João del-Rei, ou marchas, à moda dos congos, como no grupo atual de Tiradentes. 

Outro diferencial são os instrumentos. Enquanto o moçambique típico se prende exclusivamente às caixas e pantagomes, além é claro das gungas (muitas...), na jomba, além destes, é permitida uma mescla: sanfona, puíta (cuíca) e urucungo (berimbau de barriga, mas sem percussão por varinha como na capoeira - um pano úmido é deslizado ritmadamente sobre a única corda, produzindo um gemido que faz par com o som da cuíca). Eventualmente violão e cavaquinho. O número de gungas é sempre menor que o moçambique típico e em algumas circunstâncias só o capitão usa; por vezes os guizos em jarreteiras substituem as gungas típicas. 

Em marcha pelas ruas a disposição espacial também muda. Não há a formação típica de duas filas de dançantes, ou, se há, ela vem desordenada. O grupo é adensado numa massa única, dançantes embolados, lado a lado e uns após os outros, o que gera a zombaria de outros congadeiros, que os grupos de jomba parecem enxame de abelha, tudo juntinho. Dançam assim mexendo os ombros, quase se esbarrando uns nos outros. 

A vestimenta é muito simples, quando muito a padronização da camiseta, ou um simples roupa branca. Alguns grupos usam casquetes, outros, chapéus. raramente turbantes ou lenços atados à cabeça, como é tão frequente ao moçambique típico. Outras vezes não tem qualquer tipo de cobertura na cabeça. É comum os capitães dançarem de paletó. 

A relação hierárquica com outros congados é mesma de prevalência dos moçambiques em geral, com a prerrogativa de levar a coroa e o andor. Mas observei diversas vezes que quando numa festa se encontram moçambiques típicos e jombas, os primeiros tem prioridade no cortejo. 

A cantoria da jomba é um eterno lamento. Chorosa, lembra bastante os cantos de trabalho, dos mutirões de capina de plantação e de roçada de pastos. Talvez por eles influenciada, tem um quê de mistério, ou antes de linguagem cifrada, sendo comum o capitão entoar versos pouco inteligíveis aos não iniciados ao universo do congado, muitas vezes querendo dizer algo, mas se fazendo entender por outra coisa. Daí um verso muito comum entre eles: "Eu falo jombê, você entende jombá..." A língua da jomba é quase um dialeto congadeiro: 

"Vovô pegou o machado
e foi no rio pescar;
vovó pegou o anzol
e foi a lenha cortar..."  

"Fala jombê!
Fala jombá!
Farinha na cuia,
nós vamos rezá..."

A cantoria perpassa os mesmos caminhos laudatórios dos outros congados, enaltecendo São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, além de relembrar fortemente os valores herdados do sofrimento do escravo e por fim, também recantando os valores espirituais da linha africana. 

"Que bom que acabou!
Que bom que acabou!
Dia treze de maio,
deu muito trabalho,
cativo acabou..."

"O vovô en'vém de Aruanda!
O vovô en'vém de Aruanda!"

"Nossa Senhora, 
mandou um recado,
festa do Rosário...
Me chamou! Me chamou! Me chamou!
Eu sou filho dela 
criado no congo, nhônhô,
eu vou! Eu vou! Eu vou!"

Uma peculiaridade é que os cantos, ou antes refrões são habitualmente compartilhados por vários grupos, variando apenas as estrofes improvisadas pelos capitães de acordo com o ditame da circunstância. 

"Puxa a serra, Maria!
Puxa a serra, Maria!
Que promessa pesada,
que a Maria fazia..."

"Vocês pensa que eu sou estrela,
estrela eu não sou não!
A estrela mora lá em cima
e eu moro aqui no chão...
eu vi ela caindo, 
ela me disse que não;
mais era a Nossa Senhora,
com seu rosário na mão!

Vou chegando, vou chegando, vou chegando..."

Uma outra peculiaridade é os capitães no ato de uma louvação tirarem o chapéu da cabeça e o trazerem junto ao peito, num gesto de humildade. De forma equivalente, dançante põe a mão espalmada sobre o peito. 

Na Mesorregião Oeste de Minas é comum os participantes das jombas serem trabalhadores das lavouras de café. Aliás, como observação prévia cuja confirmação demanda aprofundamento da pesquisa, evidencia-se uma forte ligação da cultura rural com o universo simbólico abordado pelas jombas, em suas cantorias moçambiqueiras. 


1- Moçambique "Nossa Senhora do Rosário", Ibituruna/MG.
Participação na Festa do Rosário em Passa Tempo/MG, 18/10/2015. 

2- Moçambique "Nossa Senhora do Rosário", Solar da Serra, São João del-Rei/MG.
Participação no 1º Encontro Congadeiros das Vertentes, São João del-Rei, 26/05/2013.

3- Moçambique "Kincongo", Nova Pedra Negra (Ijaci/MG).
Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 08/06/2014.

4 - Moçambique "Nossa Senhora do Rosário", Santo Antônio do Amparo/MG.
Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 08/06/2014. 

5- Moçambique "São Benedito e Santa Isabel", Santo Antônio do Amparo/MG.
Participação na Festa do Rosário em Passa Tempo/MG, 18/10/2015.  

6- Congado "Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia", Tiradentes/MG.
Participação no 2º Encontro de Congados de Tiradentes, 26/07/2015. 

7- Moçambique "Santa Efigênia", Santana do Jacaré/MG.
Participação no 2º Encontro de Congados de Tiradentes, 26/07/2015. 

8- Moçambique "Santa Efigênia", Bairro São Geraldo, São João del-Rei/MG.
Participação no 2º Encontro de Congados de Tiradentes, 26/07/2015.

9- Moçambique "Nossa Senhora do Rosário e São Benedito", Lavras/MG.
Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 30/05/2004.   

10- Moçambique "São Benedito", Ribeirão Vermelho/MG.
Participação na Festa do Rosário em Ibituruna/MG, 30/06/2013.

11- Moçambique "Os Vergilhos", Bom Sucesso/MG.
Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 24/05/2015.  
12- Moçambique "São Bernardo", Macaia (Bom Sucesso/MG).
Participação na Festa do Divino em São João del-Rei, 24/05/2015.   


Notas e Créditos

* Texto e acervo: Ulisses Passarelli
** Fotos: 1, 5 e 10, Ulisses Passarelli; 9, David Passarelli; demais fotografias, Iago C.S. Passarelli
*** Assista aos vídeos abaixo lincados: 

"Moçambique Santa Efigênia", Santa Cruz de Minas.

"Tradição de Congado Júlio Antônio e Cia.", Santo Antônio do Amparo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Na minha terra se fala assim - parte 13

Barriga verde – principiante, inexperiente.

Bicho bom – gíria em processo de desuso, indicativa de pessoa bonita, atraente.

Boa praça – gente boa, de boa índole, prestativo, educado, gentil, bondoso.

Bofe – os pulmões.

Botar as unhas pra fora – revelar a verdadeira personalidade maldosa, antes oculta sob a falsa imagem de bondade.

Cacunda – africanismo: ombros, espáduas. “Carregar na cacunda”: literalmente, trazer o peso sobre os ombros, uma responsabilidade.

Cambota – 1- peça de madeira que compõe a roda do carro de bois, em forma de semi-círculo; 2- cambalhota; reviravolta.

Camelo – traste, tranqueira, bicicleta velha, motocicleta ruim, carro imprestável, pipa (papagaio, pandorga) de má qualidade. “Desceu o morro num camelo danado...” (numa bicicleta velha, por exemplo).

Caminho de São Tiago – a via-láctea; mancha esbranquiçada e alongada visível num céu aberto e sem luminosidade da lua. 

Cangote – pescoço e principalmente a nuca. 

Carretel – a ATM (articulação têmporo-mandibular); o côndilo da mandíbula em sua articulação com a fossa glenóide do osso temporal.

Casa do chapéu – local imaginário que simboliza algo muito longe, ermo.

Chapuleta – grande, volumoso.

Colondria – corja, canalhice.

Com cinco pedras na mão – com agressividade. Brutalmente.

Com um pé atrás – com desconfiança, com cisma. Diz-se da atitude de precaução.

Disgrama – eufemismo de desgraça; coisa muito ruim; tragédia; xingamento para ocasiões de grande contrariedade.

Do diabo pra trás – o pior possível, péssimo, horrível, muito ruim.

É mais fácil nascer cabelo no ovo – expressão usada para indicar algo impossível, que jamais acontecerá.

É mais fácil nascer dente na galinha – idem.

Empaçocado – embolado, denso, farináceo, ressequido.

Enguiço – sujeito de índole rixenta; pessoa que arranja confusão por qualquer coisa.

Enjirizado – “injirizado”, o que tem ojeriza; antipatia, raiva, nervosismo.

Esborrachou – arrebentou, estatelou.

Espigado – comprido, alongado, magro e longo. “Sujeito espigado”.

Está pensando na morte da bezerra (variante: “Esperando a morte da bezerra”) – indicativo de inércia, falta de atitude, ausência de pró-atividade.

Fazer tempestade em copo d’água – fazer confusão por coisa mínima; tumultuar por algo que pode ser resolvido diplomaticamente.

Fuleiro – ordinário, de pouco valor, de má qualidade, insignificante.

Fundo do baú – algo muito velho; lembrança de alguma coisa antiga; rememorar uma situação ou fato que a muito ninguém se lembrava: “tirar do fundo do baú”, expor do passado ao presente.

Guela – garganta, faringe. (A pronúcia é tremada: “güela”). “Pegar na guela”: estrangular, sufocar.

Levou quem trouxe ... – situação de azar, danação; expressão para indicar o momento exato que uma situação se vira para o descontrole.

Mais cacique do que índio – expressão indicativa de que muita gente quer mandar mas não quer ser mandada; local ou situação onde uma autoridade não se impõe e vários dão a diretriz, achando-se suficientes para isto. Serviço cheio de chefes.

Mais feio que o diabo dando cria – horroroso, medonho, muito feio.

Meio caminho andado – metade de uma questão resolvida. Situação encaminhada, em andamento, mas não concluída.

Mole-mole – a traqueia.

Morde e sopra -  aquele que ataca e a seguir presta socorro, como se não tivesse culpa. Dissimulado.

Muita galinha e pouco ovo – literalmente, muito trabalho para relativamente pouco retorno financeiro. Situação econômica desfavorável ante grandes responsabilidades.

Não dá o braço a torcer – aquele que mesmo estando errado e sabendo do erro, não o admite de forma alguma.

Papagaiada – falatório, falação, algaravia, conversa muito alta e confusa, muita gente falando ao mesmo tempo.

Passarinha – o baço.

Pegar no guatambu – trabalhar, iniciar um serviço. Expressão de origem rural: guatambu é uma madeira amarelada muito usada para fazer cabos de ferramentas, sobretudo enxadas, em razão de sua resistência. O mesmo que tambu.

Pegar o boi pelo chifre – enfrentar a situação de peito aberto, com vigor, despachadamente, encarando os riscos. Assumir uma demanda na linha de frente, sem intermediários.

Pipoco – estouro, explosão.

Rapa do tacho – o último, o resto, o caçula.

Rolo armado – confusão ou desentendimento prestes a acontecer; situação embaraçosa na iminência de se deflagrar.

Tem a boca maior que o estômago – Expressão aplicada a quem tem grande gula; diz-se de quem come demais, compulsivamente.

Tem o olho maior que a cara – tem enorme ambição. Expressão para indicar grande usura.

Tirambaço – disparo violento, tacada forte, pedrada, soco brutal.

Tiro no pé – erro crasso que atinge quem errou. Dar um tiro no pé é tomar uma atitude impensada que trará graves consequências para si próprio.

Trepar nas tamancas – ficar muito nervoso; descontrolar-se emocionalmente; xingar muito; gritar impropérios contra alguém.

Trocando de pato pra ganso – mudando de assunto; passando repentinamente de uma questão para outra.

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Brincadeiras infantis - parte 2: facécias

Facécias são brincadeiras verbais, de crianças ou adultos, no geral de aspecto disparatado, sem qualquer sentido aparente, que na verdade existe, desde que contextualizado nos parâmetros da cultura popular.

As facécias desafiam a imaginação, descontraem e socializam. Muitas vezes, senão mesmo sempre, elas vem recheadas de verve e às vezes sarcasmo. Seu enunciado se desenvolve entre duas crianças, crianças e adultos ou mesmo apenas entre adultos, mantendo viva a criança que existe dentro de cada um. 

Uma categoria das mais conhecidas é a do "cúmulo", com a qual se brinca com o extremo imaginário das coisas ou circunstâncias, no sistema de pergunta e resposta entre duas pessoas. Exemplos coligidos em São João del-Rei nos anos noventa do século passado:


_ Qual é o cúmulo da rebeldia?
_É morar sozinho e querer fugir de casa...

_ Qual é o cúmulo da lentidão?
_ É jogar uma bola na sexta e ela só cair no sábado...

_ Qual é o cúmulo da economia?
_ É usar papel higiênico dos dois lados...

_ Qual é o cúmulo da magreza?
_ É se deitar na agulha e se cobrir com a linha...

_ Qual é o cúmulo da inocência?
_ É uma menina-moça espremer os peitinhos achando que é espinha (acne) inflamada...

_ Qual é o cúmulo da rapidez?
_ É fechar uma gaveta (ou cofre) trancando a chave de dentro...

_ Qual é o cúmulo do silêncio?
_ São dois esqueletos brigando sobre uma folha (chapa) de zinco...

_ Qual é o cúmulo da força?
_ É dobrar uma rua e quebrar duas esquinas...


Outra categoria é o "pelo sinal", de que existem muitos exemplos, e que ora segue este de Santa Cruz de Minas, colhido no final dos anos noventa: 

"Pelo sinal
do bico real,
comi angu com toicinho
me fez mal"

As facécias brincam com frequência com o tema alimentar, como estes exemplares da mesma cidade e época:

"Boi magro ficou no cocho,
não come mais porque tá frouxo..."

"Bendito paca,
louvado cutia,
se tivesse mais,
ainda queria..."

Alguns exemplares se fixaram como dísticos de Santa Cruz de Minas:

"A minha vida é uma traficança:
O destino aperta, a saudade avança."

"Sô do Morro da Bananeira,
Olho sua cara, me dá caganeira..."

Em São João del-Rei o exemplar abaixo aproveita-se da rima do trocadilho:

"Seu Chico Tripa
quando fica tiririca,
põe o dedo na titica
da Chiquinha pra cherá...

A Mariquinha,
comeu tripa de galinha
foi contar pro namorado
que comeu macarronada..."

Outro da mesma fonte:

"Cumpadre Zacarias,
que mora lá no sul
barba de sapé
do olho azul..."

As facécias possibilitam a combinação de elementos espontâneos da cultura popular, compondo gracejos que contribuem com momentos simples de entretenimento pela força da oralidade.


Notas e Créditos

* Informantes: Aluísio dos Santos, São João del-Rei, 1996; José Cândido de Salles e Elvira Andrade de Salles, Santa Cruz de Minas, década de 1998.
** Texto: Ulisses Passarelli

domingo, 8 de novembro de 2015

Cidade das Pontes

São João del-Rei goza de características especiais perante as demais cidades da região, razão pela qual recebeu cognomes tais como São João dos Queijos (devido à alta produção de queijos excelentes), Terra da Música, Cidade onde os Sinos Falam, A Mais Barroca Cidade de Minas, etc. A urbe se desenvolveu num vale entre serras e as condições geográficas impuseram córregos ao seu centro, vertendo das encostas dos morros. As casas se formaram em ambas as margens que se fizeram interligar por meio de inúmeras pontes. 

Diante do fato supra, bem caberia outra alcunha, respeitosa, claro: "Cidade das Pontes".

No século XIX, o militar português Cunha Matos em seu estudo sobre Minas Gerais, relatou:

"Há poucas pontes de pedra lavrada e algumas de madeira são cobertas de telha. As pontes mais notáveis são: a do Rio Grande, perto da Vila de São João del-Rei; (...) As pontes de pedra da Vila de São João del-Rei são as melhores da Província." (p.44).

As pontes começam a surgir lá no pé do Lenheiro, no final do Tijuco, região que outrora era conhecida por Betume, por causa do barro preto untuoso ali abundante. É o atual Residencial Lenheiro. E vem se quantificando a jusante, algumas humildes como a que liga o Residencial Lenheiro e o Barro Preto, outras suntuosas como as de pedra; ou charmosa, afrancesada, como a do Teatro; de ferro como a da Biquinha, a dos Suspiros e a da Estação; velhas obras de alvenaria como a Benedito Valadares, inaugurada no centenário de elevação à cidade (1938), até hoje importantíssima no trânsito da cidade. Outras ficaram na lembrança, como a que havia possivelmente na Rua Direita (imediações do Museu de Arte Sacra) sobre o ínfimo Córrego da Muxinga, datada de 1745; a que aparece na citação de GAIO SOBRINHO (2010) de um recibo da Câmara Municipal de 1719 (recibo 168, pg.17): "Por quatorze oitavas de ouro que deu a Manoel Ferreira do conserto que fez na Ponte do Aterrado que vai para a Igreja Matriz por ordem de que se lhe passou mandado em 29 de dezembro de 1719" (p.35); ou na antiga "Rua da Misericórdia", sobre o Córrego do Segredo, a conhecida Ponte da Misericórdia, da qual sem qualquer misericórdia, foi feito drástico aterramento, substituída por sistema de galerias. A Ponte da Misericórdia era de pedra, como as da Cadeia e do Rosário, porém de um só arco. Foi construída em 1798 pelo Mestre-canteiro Aniceto de Sousa Lopes.

Mais que isto, além do fluxo mais central, do Lenheiro, mais pontes se multiplicam pelo Rio Acima, entremeio o Guarda-mor e a Vila Maria; "pras bandas" de Matosinhos, várias, ao longo do Ribeirão da Água Limpa, já abordadas em postagem intitulada "Pontes de Matosinhos"; e tantas, tantas outras pela zona rural, algumas ainda em estrutura de tabuado de madeira.

Não seria má ideia um estudo multidisciplinar de envergadura sobre essas pontes todas, mapeando-as e marcando-as por geo-referenciamento; estudo histórico, fotografias em ângulos variados, qualificação estilística, tecnicamente relato do estado de conservação que seria importante base de referência para a administração municipal planejar manutenção, e, quiçá, visionariamente, até as roteirizando como atrativo turístico: "Roteiro das Pontes"... Por que não?!

Doravante passo em rápidos tópicos algumas de nossas pontes, novas e antigas, com indicativo ao término de cada item, o nome do jornal de onde a notícia foi extraída. Em geral as notícias confluem para problemas de manutenção destas benfeitorias públicas. Não há qualquer outra intenção neste post além de juntar numa só cesta as frutas dispersas em muitos galhos. É apenas um amontoado de informação que poderá, talvez, um dia, contribuir para quem queira aprofundar no assunto.

1- Córrego do Lenheiro com vista parcial em sequência das pontes da Cadeia,
do Teatro e Benedito Valadares, em São João del-Rei. 

- Em 1877 foram feitos reparos na Ponte do Porto e a fonte jornalística clamava que outras pontes do município, sobre o mesmo rio, necessitavam de consertos urgentes. (Arauto de Minas, n.1, 08/03/1877) 

- A ata da sessão 38 da Câmara de Vereadores, de 12/03/1887, consta, segundo GAIO SOBRINHO (2010), a leitura de um "ofício assinado pelo Sr. Teófilo Reis e Joaquim Ramalhão declarando terem, com o auxílio de vários cidadãos, construído um pontilhão tosco de madeira em frente à Estação da Oeste e sobre o ribeirão que atravessa esta cidade a bem do interesse público e comercial"(p.140). Outra notícia da Ponte da Estação no século XIX é uma subscrição visando reconstruí-la, datada de dezembro do ano da abolição da escravatura (A Verdade Política, n.14, 21/12/1888). (*)

- Conserto da Ponte do São Caetano (Tijuco), com substituição de dois pés direitos e uma tesoura; diversos concertos na Ponte do Pedro Alves (sobre o Córrego das Águas Férreas, entre a Gameleira e as Águas Gerais, no Bairro Tijuco); substituição das guardas e de todo o assoalho da Ponte da Água Limpa (em Matosinhos), ao valor de 1: 854$710. (São João d’El-Rey, nº3, 22/02/1899)

- A Ponte da Estação, ou como também era dita, Ponte da EFOM foi construída sobre o Córrego do Lenheiro, com trilhos e estabelecida acima das máximas enchentes, permitindo franca passagem. Foi originalmente assoalhada com pranchões, até a largura de 2 metros e o comprimento de 35 metros. (S.João d’El-Rey, nº3, 22/02/1899)

- Resolução nº 148, de 22/04/1899, autoriza reparos na estrada da Colonia do Marçal entre a Ponte Pequena e o lote nº 147. (S.João d’El-Rey, nº17, 13/05/1899)

- Reconstrução da ponte sobre o Ribeirão Santo Antônio, na Fazenda do Ribeirão entre Lage e a Estação de Santa Rita na Oeste de Minas. A obra foi posta em hasta pública, orçada em 2:801$594. (O Combate, n.13, 26/09/1900)

- A imprensa denunciava que a Ponte do Carandaí estava caída a 3 ou 4 anos e já matara um colono italiano. O texto jornalístico noticia o abandono das pontes da cidade, que só seriam, vistas às vésperas eleitorais e "então ficará tudo como antes e como está a Ponte de Santa Rita, a de Mattosinhos e todas as outras publicas, bem como as ruas da cidade." (O Resistente, nº351, 1-3/11/1900) (**)

- Notícias indicam a reconstrução da ponte rural diante da Estação Ferroviária do Rio das Mortes (depois Estação João Pinheiro e finalmente, Congo Fino), ora no município de Conceição da Barra de Minas, mas a esse tempo pertencente a São João del-Rei (O Combate, n.90, 20/08/1901). Foi construída graças aos esforços do Vereador Tenente Euzébio de Resende. O construtor foi o Major Carneiro Felipe (O Combate, n.95, 31/08/1901) (***)

- Referência a um gasto de quinhentos mil réis como auxílio para a construção da Ponte do Carandaí, segundo registro numa ata de 28/09/1901. (O Combate, n.159, 19/03/1902)

- Inauguração da ponte sobre o Rio das Mortes no dia 28/10/1900 no distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno. Houve missa e bênção pelo Padre das Neves Parreira. Dentre os discursos, destacou-se o Dr. Leite de Castro, agente executivo municipal (equivalente ao atual prefeito), que entregou oficialmente a obra de forma simbólica ao sr. Olympio Moreira de Carvalho, presidente do conselho distrital. “A banda de musica do arraial que em alegres toques abrilhantou a festa _ tocou o hymno nacional, ouvido de pé, e todos de chapéo na mão.” (O Combate, n.21, 31/10/1900)

- Resolução nº318, da Câmara Municipal, de 25/02/1905, autoriza consertos nas pontes de Matosinhos e Porto, além de aterro no cemitério público (Quicumbi). (O Repórter, n.25, 02/07/1905).

- O problema da falta de cuidado com as pontes é antigo. O sarcástico jornal são-joanense, “The Smart”, assim manifestou com verve na edição nº8, em 1909: “Segundo as últimas observações astronômicas, calcula-se que os candelabros da ponte Roque Balbi serão inaugurados no anno de 3963, ao meio dia.” Já na sua décima edição, no mesmo ano de 1909 ironizava a situação de várias pontes: “Ponte da Estação _ Eu sou os escombros de Sicilia e Messina; aqueles postes são as pirâmides sobreviventes. Idem da Cadeia _ Eu sou o patíbulo: este candelabro é o signal da forca. Amen. Idem do Rosario _ Eu sou procurada só de noite e sirvo de capa ... Coro (em tom de terço) _ Nós todas somos um ninho de pulgas... Illuminae-nos... Evitae-nos...” (The Smart, n.8, 01/01/1909; The Smart, n.10, 17/01/1909)

- Lei municipal nº214, de 05/06/1909, autoriza mudança da ponte de frente da estação ferroviária para a Rua Cristóvão Colombo. (A Opinião, n.2, 14/07/1909). Existiu naquele local, interligando-a à Praça Pedro Paulo, uma passarela de ferro, que se alinhava à Rua Aureliano Pimentel. A mesma foi profundamente danificada pela grande enchente de 1982 e passou por reparos. Outras enxurradas também deixaram seus danos e vieram reparos até que foi interditada e mais tarde removida. Por uns tempos foi improvisada um "pinguela", assim chamada a passarela provisória em madeira. Depois foi também retirada e o local ficou um tempo sem estrutura de travessia. A ponte atual veio na década de 1990.

- Operários da Ferrovia Oeste de Minas socorrem a ponte de madeira que interligava a Rua Antônio Rocha ao trecho médio da Paulo Freitas. A fortíssima enchente de 1917, que causou grandes danos na cidade, também a atingiu; mas, no dia seguinte, os referidos operários já promoveram os reparos. (O Zuavo, n.99, 21/01/1917). Esta ponte não existe nos dias atuais. Ficava entre as atuais Ignácio Zózimo de Castro (Praça Raul Soares/Rua Antônio Rocha) e Padre Tortorielo (Praça Afonso Dalle/Avenida Leite de Castro/Rua Antônio Rocha).

- Em 1932 um hebdomadário exibia em suas páginas o seguinte apelo: “A ponte fronteira a estação está exigindo novo tablado, principalmente em alguns trechos, onde aquilo mais parece armadilha de onça. Sendo aquela uma passagem só de pedestres, transito obrigatório de muitas creanças era o caso do concerto não se fazer esperar, pois a falada e (trecho ilegível) da ponte da Rua Maria Tereza parece que vai demorar mais uns dias...” (Folha Nova, n.10, 08/05/1932)

- Acerca do mau estado de conservação da Ponte da Estação clamava-se para a necessidade de reforma urgente. (O Diário do Comércio, n.1276, 02/06/1942)

- A Ponte do Teatro foi alvejada por críticas de parte da imprensa em razão de reparos inconclusos aos quais foi submetida. (Diário do Comércio, n.2144, 03/05/1945)

- O tráfego de veículos sobre a Ponte do Teatro se dava de um por vez, devido à sua pequena largura. O fechamento dessa ponte ao tráfego de veículos automotores gerou muita polêmica (Tribuna Sanjoanense, n.189, 02/09/1977; O Sabiá, n.7, set./1977)

- Inaugurada em 1985 a Ponte Padre Tortoriello, durante a administração municipal do Dr.Cid Valério. Interliga a Rua Antônio Rocha (Centro) à Avenida Leite de Castro (Bairro das Fábricas), no lugar exato onde situava-se o pontilhão da via férrea da Estrada de Ferro Oeste de Minas da chamada "Linha do Sertão". Ficou conhecida por "Ponte do Zé Abrão".  (O Raio, n.399, 21/09/1985)

- Em abril de 1990 é inaugurada a Ponte Ignácio Zózimo de Castro, nome que homenageava um comerciante que tinha uma mercearia na Rua Paulo Freitas/Praça Raul Soares. Esta ponte substituiu outra que havia no mesmo lugar, menos robusta e que havia sido sucessivamente danificada por enchentes, sobretudos por trombas d'água da década anterior: o famoso e medonho temporal de 1982 causou-lhe profundos danos. Apesar dos reparos não foi mais a mesma... chegou a estar um tempo interditada ao tráfego. A gestão municipal que veio após a da inauguração, alargou a sua pista de rolamento.

- A calçada da Ponte da Cadeia é alargada através da remoção de uma faixa de pavimentação de paralelepípedos para extensão dos passeios em 40 cm de ambos os lados. Com isto ganhou-se segurança para os pedestres e as pista de rolamento tendo ficado mais estreita, impossibilitou o trânsito de veículos de grande porte, protegendo este patrimônio da cidade. Apesar da lei municipal nº2.487, de 1989 proibir o trânsito de veículos pesados no centro histórico, o desrespeito por parte dos motoristas e a fiscalização insuficiente  levaram a esta medida (Gazeta de São João del-Rei, n.263, 30/08/2003). Contudo, na Ponte do Rosário, a medida de alargamento das calçadas com o mesmo intuito só viria uma década depois, em julho de 2013.

- Servidores da Secretaria de Obras trabalharam para fazer reparos na cabeceira da Ponte da Rodoviária, que cedeu em 17/01/2005. A fotografia estampada na fonte jornalística mostra os trabalhadores batendo estacas, mas as obras previam também aplicação de concreto armado, aterro, "abertura de passagens de água e reforma nos passeios." (Gazeta de São João del-Rei, n.334, 22/01/2005)

- Um homem que passou mal caiu de uma ponte na entrada do Bairro Tijuco, ao tentar escorar numa das suas muretas, já que a mesma estava quebrada (ausente em parte) e veio a falecer. A reportagem revelou o estado crítico de algumas pontes da cidade. O fato se deu na Ponte Chafy Moyses Hallak. (Gazeta de São João del-Rei, n.560, 23/05/2009) (****)

- Depois de longo processo judicial, guardas de balaustre de cimento da Ponte Sírio-libanês foram trocadas por guardas de canos de ferro em janeiro e fevereiro de 2010, mais adequadas ao entorno de bem tombado que é o patrimônio da EFOM. A ponte foi inaugurada em 1996, estabelecida diante da estação ferroviária e ficou conhecida por "Ponte de Mão Inglesa", por ser a única da cidade com mão de direção invertida (Folha das Vertentes, 144, fev./2010)

- A Ponte do Athletic, entre a Praça Pedro Paulo e Rua General Aristides Prado teve o tráfego interrompido por vários dias em razão do afundamento de parte da cabeceira em janeiro de 2014. Foi devolvida à normalidade em 07/02/2014.


2- Queda da ponte de madeira sobre o Córrego do Limpa-goela, na Colônia do José Teodoro,
que dá acesso à centenária Capela do Sagrado Coração de Jesus, após as fortes chuvas de fevereiro de 2004.
3- Ponte diante da praça, na intercessão das avenidas Nossa Senhora do Pilar
e Andrade Reis, aparente durante o afundamento da galeria após temporais, em fevereiro de 2004. Discussões

sobre o fato indicam, contudo, que a verdadeira Ponte da Misericórdia está aterrada imediatamente a jusante,
no cruzamento das vias. Esta seria uma ponte interna  do Colégio Nossa Senhora das Dores, que o interligaria ao
seu então anexo próximo à Igreja de São Gonçalo. A área era fechada mas foi aberta com a construção da Avenida
Nossa Senhora do Pilar, na área do Segredo (Centro). 

Referências Hemerográficas

Coleção de jornais antigos de São João del-Rei da Biblioteca Pública Municipal Baptista Caetano d'Almeida.

Referências Bibliográficas

CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei. 2.ed. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1982. 2v.

GAIO SOBRINHO, Antônio. São João del-Rei através de documentos. São João del-Rei: UFSJ, 2010. 260p.

MATOS, Raimundo José da Cunha. Corografia Histórica da Província de Minas Gerais (1837). Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: USP, 1981. v.2, 337p. p.44. 

Notas e Créditos

* Devido a um temporal ruíram 50 metros do cais em construção, abaixo da Ponte da Estação, com a chuva noturna de 13 de dezembro de 1907 (A Opinião, n.47, 14/12/1907).
** A Ponte Vitório Tarôco sobre o Rio Carandaí, na Colônia do Giarola, liga este bairro às colônias do Felizardo e Recondengo (ainda em São João del-Rei) e ao povoado do Barreiro (Cel. Xavier Chaves), sitos do outro lado do mesmo rio. A que atualmente se encontra instalada foi inaugurada em abril de 1995, pelo Prefeito Nivaldo Andrade, em substituição à anterior, que era de madeira e estava muito precária. Na verdade muito antiga. A Ponte de Santa Rita citada no texto jornalístico é a ponte sobre o Rio das Mortes no povoado de Ibitutinga, no acesso ao então distrito de Santa Rita do Rio Abaixo, hoje município de Ritápolis. Situa-se ao longo da Rodovia Federal BR-494.
*** Para saber mais sobre a construção desta ponte leia também a postagem RETALHOS PARA A COLCHA DA HISTÓRIA. 
**** A Ponte Chafy Moyses Hallak é uma das três que leva popularmente o cognome de "Ponte da Biquinha". Ela se situa sobre o Rio Acima (nos tempos coloniais conhecido como Córrego das Barreiras) e acessa a Praça da Biquinha à Avenida Eduardo Magalhães. A outra, é uma pequena ponte de ferro rebitado, piso cimentado, tendo uma cruz de ferro trabalhado, suspensa em cada cabeceira, sendo que a do lado do Tijuco se encontra desaparecida. Situa-se entre a Praça e a Rua Rossino Baccarini; e, finalmente a terceira, está imediatamente à montante desta e tem o nome oficial de Ponte Braz Camarano Primo, datada de 1994, obra criticada por causa de sua altura mínima. Contudo, informações dão conta de uma ponte inaugurada em 1968 com o nome de "Padre José de Anchieta", durante a administração Milton Viegas, que interligou a Rua Padre José Maria Xavier à Praça Fausto Mourão. Seria esta uma ponte anterior à Chafy Moyses Hallak ou apenas seu nome anterior? Ou seria a pequena passarela de ferro sita a montante no Rio Acima? O assunto exige pesquisa nos arquivos municipais e velhos jornais são-joanenses.
***** Texto, pesquisa, acervo e fotografias 2 e 3: Ulisses Passarelli
****** Fotografia 1: Iago C.S. Passarelli, 24/09/2014. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Congados festejam o rosário em Conceição da Barra de Minas

Ontem, domingo, Dia de Todos os Santos, em Conceição da Barra de Minas, os grupos regionais de congado estiveram de novo às ruas festejando o rosário de Nossa Senhora com a notória animação de sempre, movidos por grande devoção e respeito.

A comemoração habitualmente se realiza somente com a presença do terno de catupé local, a “Congada Nossa Senhora do Rosário”, grupo sob o comando do simpático Capitão “Vicente Cristino” (Vicente Cirilo Ribeiro), baluarte da cultura popular local, pessoa de elevado e positivo conceito. Certa feita, uma modesta tentativa de inserir outros grupos no evento foi feita, mas não teve prosseguimento. Já este ano, com o fundamental apoio do pároco, Padre Saulo José Alves bem como da comunidade, houve sucesso no intento: além do animado terno da cidade, também estiveram presentes os seguintes grupos visitantes: “Divino Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário”, de Ritápolis (catupé), da Capitã Adelita; “Nossa Senhora do Rosário”, do Bairro Solar da Serra, São João del-Rei, do Capitão Jailson (moçambique); “Santa Efigênia”, de Santa Cruz de Minas, dos Capitães Tadeu e Danilo (moçambique); “Nossa Senhora do Rosário”,  de Dores de Campos (marujos).

O evento foi claramente prestigiado pela população concepcionense, que veio à praça, às ruas e janelas acompanhar a movimentação dos ternos, que encheram as vias com sua alegria costumeira. Diante da Igreja do Rosário, o mastro fincado acenava para o festejo, bastante enfeitado de cordões floridos, dando-lhe um ar deveras gracioso.
Uma nota extremamente significativa foi a realização de uma missa inculturada, que além do excelente coral do lugar, contou com os toques dos congadeiros, que em peso participaram da celebração, com igreja lotada de fiéis da cidade. Com alegria habitual, também houve a oferta de alimentos, legítimo e pedagógico reconhecimento de gratidão à terra que tudo nos provê pela graça inefável de Deus.


A título de observação é importante ressaltar como a tradição em Conceição da Barra de Minas vem sendo mantida em seus detalhes enriquecedores: quando em outubro de 2000 presenciamos este festejo, vimos o Rei e Rainha trazidos à igreja durante o recolhimento do reinado, limitados por um cercado de varas azuis, como se fosse um cordão de isolamento marcando seu espaço sagrado. Em cada quina, uma pessoa do lugar segurava a ponta de uma das varas fechando o quadrilátero. No mais, o casal vinha de cetro à mão, e sob umbela. Pois bem: novamente, em 2015, a cena foi a mesma, idêntica em sua ritualística, mostrando a força da tradição local, ora em crescimento com a vinda de guardas convidadas, recepcionadas com tamanha cordialidade e respeito pela comunidade, pelo Capitão Vicente e pelo Padre Saulo, que deixaram a certeza que no próximo ano se repetirá ainda com mais vigor.

Congadeiros e mastro, diante da Igreja do Rosário
em Conceição da Barra de Minas. 

O sacerdote recepciona e abençoa os congadeiros e o reinado à porta
da Igreja do Rosário em Conceição da Barra de Minas.


Notas e Créditos

* Texto e fotografias (01/11/2015): Ulisses Passarelli